Guerra Luso-Bijapur (1555-1557)

Guerra Luso-Bijapur (1555-1557)
Conflitos Luso-Bijapures
Data1555-1557
LocalGoa, Índia
DesfechoTratado de Paz
Beligerantes
Portugal Sultanato de Bijapur
Comandantes
D. Pedro Mascarenhas
Francisco Barreto
Ibraim Adil Xá
Ali Adil Xá


A Guerra Luso-Bijapur de 1555 a 1557 foi um de vários conflitos armados entre Portugal e o Sultanato de Bijapur, que fazia fronteira com Goa, capital do Estado da Índia.

História

Goa foi conquistada pelo governador Afonso de Albuquerque em 1510 e, desde então, deram-se vários conflitos entre os portugueses e o Sultanato de Bijapur por vários motivos mas sobretudo relativos à posse dos distritos de Bardês e Salcete, chamados "Terras Firmes de Goa", e à segurança da cidade.

Em 1555 alguns nobres de Bijapur entraram em contacto com o governador da Índia D. Pedro de Mascarenhas para lhe pedir o seu apoio para uma revolta iminente contra o Hidalcão e colocar no trono Meale, um pretendente rival que residia em Goa.[1] Meale recebeu o apoio português em troca de um terço de todos o saque capturado e da cedência de quase todos os territórios costeiros de Bijapur.[2][3] Meale foi coroado na cidade vizinha de Pondá e de seguida atravessou a cordilheira dos Gates Ocidentais com um exército de apoiantes em direcção à capital, Bijapur.[2][3]

Dom Antão de Noronha, entretanto, foi enviado com um corpo de tropas a tomar posse dos territórios prometidos e, enquanto recolhia tributos em Curale, foi atacado por 7000 homens junto ao rio Carlim mas as tropas do Hidalcão foram rechaçadas.[1] Entretanto, Meale foi também ele derrotado pelas tropas do Hidalcão Ibraim Adil Xá, que solicitara ajuda ao Império de Bisnaga.[3] Os portugueses retiraram-se de todos os territórios recém ocupados para a ilha de Goa, Bardês e Salcete.[3]

Galé portuguesa em Dabul.

Pedro Barreto Rolim, à cabeça de uma força naval, saqueou a cidade de Dabul.[4][1] O Hidalcão tentou então ocupar Bardez e Salcete mas os portugueses ripostaram com vigor.[2][3] As terras de Bardez foram repetidamente invadidas pelas tropas de Moratecão, mas foram repelidas pelo capitão João Peixoto.[1][4] O general Nazermeleque marchou sobre Salsete e avistou a fortaleza de Rachol, de onde o capitão D. Pedro de Menezes, "o Ruivo", saiu com alguns a escaramuçar e, embora tenha combatido com eficácia, os portugueses acabaram por ser obrigados a abandonar o campo.[1]

Ao tomar conhecimento disto, o novo governador da Índia, Francisco Barreto, partiu à cabeça de 200 cavaleiros, 3000 soldados portugueses e 1000 auxiliares canarim e desbaratou Nazermeleque em Pondá.[4][1]

Os combates prosseguiram em Salcete e o comandante da Fortaleza de Rachol, D. Francisco de Mascarenhas, lutou contra as tropas do Hidalcão.[4] Nazermeleque voltou a entrincheirar-se em Pondá mas pediu a paz após a chegada de vários navios vindos de Portugal com reforços e foi assinado um tratado pouco depois.[4]

Os últimos anos da década de 1550 e a década de 1560 assistiram ao desenvolvimento de relações inesperadamente cordiais entre Goa e Bijapur, depois de Ibraim Adil Xá ter sido sucedido por Ali Adil Xá, que, ao contrário dos sultões anteriores, era descrito pelos portugueses como “muito liberal e magnânimo”, e com quem os portugueses esperavam estabelecer uma aliança contra os turcos Otomanos.[3]

Os portugueses passaram então a centrar a sua atenção no Guzerate e no Ceilão.[3]

Ver também

Referências

  1. a b c d e f Gabriel de Saldanha: Resumo da historia de Goa, Typographia Rangel, 1898, pp. 81-82.
  2. a b c N. Shyam Bhat: "Political Interaction Between Portuguese Goa and Karnataka" in Portuguese Studies Review, volume 16, no. 2, 2008, pp. 25-47.
  3. a b c d e f g Sanjay Subrahmanyam: Three Ways to be Alien: Travails and Encounters in the Early Modern World, Brandels University Press, 2011, pp. 57-65.
  4. a b c d e Frederick Charles Danvers: The Portuguese in India: A.D. 1481-1571, .H. Allen & Company, limited, 1894, pp. 508-509.