Cerco de Goa (1570-1571)

Cerco de Goa (1570-1571)
Guerra Geral da Índia

A cidade de Goa.
Data28 Dezembro de 1570 – 13 Dezembro 1571
LocalGoa, Índia portuguesa
DesfechoVitória portuguesa
Beligerantes
Império Português Sultanato de Bijapur
Comandantes
Dom Luís de Ataíde Ali Adil Shah
Forças
3650 homens (início do cerco)[1]
>5000 homens (fim do cerco)[1]
25-100 navios
100,000 homens[2]
  • 33,000 soldados de infantaria[2]
  • 35,000 soldados de cavalaria[2]
  • 2,000 elefantes[2]
  • Trabalhadores forçados[2]
350 canhões
Baixas
Desconhecidos 8,000[3] a 12,000[4] homens.

O cerco de Goa de 1570 a 1571 foi um episódio da Guerra Geral da Índia, entre o Império Português e o Sultanato de Bijapur. A capital do Estado da Índia foi sitiada por um grande exército comandado pessoalmente pelo Hidalcão, sultão de Bijapur, durante uma das maiores crises do império português no Oriente, em que várias fortalezas e possessões portuguesas foram atacadas ao mesmo tempo por diversos potentados coligados.

O vice-rei D. Luís de Ataíde organizou eficazmente a defesa de Goa e, após vários meses de resistência animada dos portugueses, o Hidalcão desistiu do assédio, tendo assinado um tratado de paz favorável a Portugal. D. Luís de Ataíde regressou a Portugal em 1571 e foi amplamente recompensado pelo rei D. Sebastião, que mais tarde o reconduziria ao cargo de vice-rei da Índia.

Contexto

Após a Batalha de Talicota, os sultanatos do Decão destruíram o poder do Reino de Bisnaga e, soberbos e riquíssimos com as vitórias que alcançaram, o Nizamaluco, sultão de Amedenagar e o Hidalcão, sultão de Bijapur, fizeram uma aliança destinada a recuperar Chaul e Goa mas também para expulsar os portugueses da Índia.[5]

Ao mesmo tempo que começaram a reunir armas, munições e a mobilizar as suas tropas, enviaram embaixadores ao Samorim de Calecute, para convencê-lo a atacar a fortaleza portuguesa de Chale, aos régulos da costa do Malabar incitando-os a atacar as fortalezas de Onor, Barcelor e Mangalor, bem como ao sultão do Achém, sugerindo-lhe que fosse por, mais uma vez, cerco a Malaca.[5] Como o Nizamaluco e o Hidalcão sabiam que cada vez que uma fortaleza portuguesa era atacada, as restantes acorriam com reforços por mar, enviaram também um convite ao Império Otomano para que contestasse o mar com as suas armadas de galés, em conjunto com os paraus dos malabares.[5]

A confiança do Hidalcão, do Nizamaluco e do Samorim quanto ao sucesso do projecto levou-as a dividir entre si os territórios que imaginavam já terem conquistado aos portugueses.[6] Assim, ao Hidalcão caberia Goa, Onor e Barcelor; ao Nizamaluco, Chaul, Damão e Baçaim, e ao Samorim, Cananor, Mangalor, Cochim e Chale. Para além do mais, o Hidalcão adiantou-se a atribuir postos aos seus oficiais em Goa.[6]

Preparativos portugueses

Boatos acerca das maquinações do Hidalcão e do Nizamaluco comçaram a chegar a Goa ainda antes de ter terminado a monção de 1570 e o vice-rei D. Luís de Ataíde enviou para Malaca uma grande armada de 5 galeões, 1 galé, 2 galeotas, 5 fustas, guarnecidas com 800 soldados sob o comando de D. Luís de Melo da Silva.[1] Para patrulhar a Costa do Malabar e manter as linhas de comunicação abertas com Cochim enviou D. Diogo de Meneses com 3 galés e 17 fustas guarnecidas com 500 homens. Depois destes destacamentos, ficou em Goa com 1250 soldados.[1]

Assim que os ataques a Goa e Chaul se tornaram evidentes, o vice-rei reuniu em conselho para decidir se Chaul deveria ser defendida, mas como o vice-rei era da opinião que começar uma guerra com uma retirada era má política pelas implicações de ordem psicológica que daí poderiam advir e não evitaria que depois o Nizamaluco atacasse Baçaim, em Outubro enviou para Chaul um reforço de 600 soldados.[1] Ficando em Goa apenas 650 soldados, foram mobilizados 1500 auxiliares goeses cristãos, 1000 escravos fiéis que foram armados, 300 religiosos que pegaram em armas e 200 ex-soldados idosos que se voluntariaram, subindo assim o complemento para 3650 homens, entre soldados e milicianos.[1] O vice-rei tinha em Goa 4 galés, 1 galeota e 20 fustas comandados por Jorge de Menezes Baroche para defender as águas dos rios Mandovi e Zuari em redor da Ilha de Goa, mas apetrechou mais cem, porém já não dispunha de homens para guarnecer eficazmente as defesas da cidade e os navios ao mesmo tempo.[2][7]

A fortaleza dos Reis Magos de Goa

Conquistada por Afonso de Albuquerque em 1510, Goa ficava numa ilha rodeada por rios infestados de crocodilos que podiam, no entanto, ser atravessados a vau em algumas áreas durante a estação seca. O vau mais importante e próximo da cidade de Goa era o Passo Seco, defendido pela fortaleza de Benastarim. A passagem podia ser feita em nove vaus ao todo, que foram devidamente fortificados, artilhados e guarnecidos pelos portugueses.[2] Dom Luís de Ataíde distribuiu as suas forças em 19 pontos críticos ao longo da margem oriental, onde se instalaram baterias de artilharia, guarnecidas com 20 a 80 homens e um contingente de lascarins, para impedir a travessia do exército de Bijapur. Cada bateria deveria ter contacto visual com as vizinhas e as suas guarnições não deveriam abandonar os seus postos, a menos que recebessem ordens para tal.[8]

Fora da Ilha de Goa, os portugueses tinham ainda as fortalezas dos Reis Magos, Naroá e Rachol, guarnecidos com 30 a 40 soldados cada uma. A fortaleza dos Reis Magos era apoiada por um galeão ancorado.

O cerco

O Hidalcão, sultão Ali Adil Xá I

O Hidalcão desprezou os tratados de paz que tinha firmado com os portugueses e partiu para atacar Goa.[6]

A 28 de Dezembro de 1570, o general Nuri Khan chegou a Goa com a vanguarda do exército, chegando o Hidalcão[9] em pessoa oito dias depois, com o grosso das tropas. O Hidalcão assentou um arraial em torno da sua tenda vermelha a leste de Goa, a infantaria distribuída em frente à fortaleza de Benastarim e a artilharia posicionada para contra-atacar as baterias portuguesas. Segundo os portugueses, contava com 100,000 homens, dos quais 30,000 a pé, 3,000 arcabuzeiros e 35,000 a cavalo, incluindo 2,000 elefantes, sendo os restantes trabalhadores forçados. Incluía mais de 350 bombardas, 30 das quais de tamanho colossal e também vários milhares de dançarinas.[10] A sua ordem de batalha era:

  • 4000 cavaleiros, 600 mosqueteiros, 300 elefantes e 220 canhões em Pondá, comandados pessoalmente pelo Hidalcão;[11]
  • 3000 cavaleiros, 130 elefantes e 9 canhões perto do Canal de Ganja, comandados Cojer Khan, Rumi Khan e Mortaz Khan;[11]
  • 7000 cavaleiros, 180 elefantes, e 8 grandes canhões em frente à Ilha de João Lopes comandados por Nuri Khan;[11]
  • 9,000 cavaleiros, 200 elefantes, e 32 canhões em frente ao vau de Benastarim comandados por Camil Khan e Delirra Khan;[11]
  • 1500 cavaleiros e 2 peças de campanha nas colinas em frente a Benastarim comandados por Solimão Aga;[11]
  • 2,500 cavaleiros, 50 elefantes e 6 canhões em frente à Ilha de João Bangel comandados por Angozcan;[11]
  • 1500 cavaleiros, 6 elefantes e 6 canhões perto de Sapal comandados por Xatiarviatam;[11]
  • 9,000 cavaleiros, 200 elefantes e 26 canhões em frente ao vau de Agaçaim comandados por Danlate Khan, Xatiatimanaique, Chiti Khan e Codemena Khan.[11]
  • A infantaria "em vasto número cobria os montes e parecia ser o seu propósito inculcar o terror nos espíritos mais ousados".[11]

Começo do cerco

Bandeira da Ordem de Cristo, usada pelos portugueses no séc. XVI em terra e no mar

O cerco começou com um furioso bombardeamento geral mas a artilharia de Bijapur focou-se na fortaleza de Benastarim, que foi duramente atingida mas era constantemente reparada durante a noite.[12] O inimigo não se apercebia, porém, das baixas que causava dentro da fortaleza.[12] Ao longo das linhas portuguesas junto às margens do rio, o vice-rei ordenou que tochas e fogueiras fossem acesas em posições isoladas durante a noite, para dar a impressão de prontidão e encorajar o inimigo a desperdiçar munições a disparar sobre elas.[13] Os navios portugueses em patrulha nas águas dos rios, comandados por Jorge de Meneses Baroche, por sua vez também respondiam com as suas bocas de fogo um pouco por todo o lado.[12]

Esta era a época habitual para a partida das naus de regresso a Portugal e, embora tenham aconselhado ao vice-rei que não partissem naquele ano por levarem muita gente necessária à defesa da cidade, D. Luís de Ataíde autorizou-as a regressar à Europa, com relatos do que se passava.[12]

Os soldados destacados para a patrulha dos rios e as tripulações dos navios fizeram grande serviço na defesa de Goa, atacando inesperadamente em toda a parte, às vezes desembarcando para atacar os sitiantes dentro das suas linhas fortificadas e regressando com bandeiras capturadas, armas e prisioneiros.[12] Os irmãos Lançarote e Gaspar Dias incendiaram duas aldeias e várias quintas em redor de Goa com um destacamento de 80 soldados, regressando com gado capturado e prisioneiros e noutra ocasião atacaram a posição de Cojer Khan e Rumi Khan, destruíndo os preparativos que tinham feito para atacar a Ilha de João Lopes.[12]

Geografia da região de Goa

Vendo-se incapaz de atravessar o rio com as suas tropas pois os portugueses controlavam as águas, o Hidalcão ordenou que o Passo Seco e a parte do rio mais próxima da cidade fossem enchidos de terra para permitir a passagem do exército, obrigando os trabalhadores a cavar sob fogo português:

[...] Determinara ordenar-lhe a passagem por terra, mandando trabalhar (em um entulho que determinara fazer no rio até a ilha de João Lopes, donde a entrada lhe ficaria muito fácil) grandíssima soma de gastadores e oficiais. E por muitos que se lhe matavam, nunca desistia do entulho: porque desta sorte de gente fazem os mouros tão pouca estima que quase a não ão por perda, e por muita que percam dela nunca lhe falece.[14]

O ataque parou chegados a Fevereiro de 1571, pois o exército de Bijapur não conseguia superar as defesas portuguesas. As forças navais portuguesas, por sua vez, devastavam as costas e margens dos rios de Bijapur, interceptando navios mercantes com provisões e capturando grandes quantidades de gado que era trazido de volta para Goa.[15] Por causa da sua grande população, os alimentos tiveram que ser racionados para alimentar as tropas, mas a cidade não sofreu fome, pois os portugueses mantiveram as rotas de abastecimento naval abertas.[15]

Em finais de Fevereiro, chegou a Goa um grande reforço de soldados e armas de Cochim.[1]

Guerreiro goês, com um arco longo

Os atacantes mostravam a sua admiração pelos portugueses, que combatiam apesar da grande desvantagem numérica mas mostraram-se mais admirados quando lhes chegou a informação de que, regressada a frota de D. Diogo de Meneses do Malabar, para fora enviada novamente apesar do cerco e também que 6 navios comandados por D. Fernando de Vasconcelos foram enviados a atacar a cidade de Dabul.[16] Regressado de Dabul, atacou as linhas de Angozcan mas este ataque correu mal e morreram 40 portugueses.[16] As suas cabeças foram levadas em triunfo ao Hidalcão, juntamente com as suas bandeiras.[16]

O Hidalcão, entretanto, convenceu a rainha de Garçopa a atacar a fortaleza de Onor mas D. Luís de Ataíde não só enviou reforços para aquela fortaleza como despachou também reforços para as Molucas e para Moçambique.[17] O vice-rei também obteve informação do que se passava no campo inimigo subornando um renegado português que se encontrava ao serviço do Hidalcão e até a sua mulher favorita.[18] Ao ver os estragos que sofria de tão poucos adversários, o Hidalcão entabulou negociações com o vice-rei mas o cerco continuou.[18]

A 6 de Março, voltou de Malaca Dom Luís de Melo, que na batalha do Rio Formoso destruíra a armada do Achém e assim evitou que Malaca fosse sitiada ao mesmo tempo que Goa e Chaul.[1] Também trouxe reforços de Cochim, totalizando os seus efectivos 1,500 homens.[19]

Assalto geral contra a Ilha de Mercantor

Ilhas de Goa

Vendo que nada conseguia com guerra de posição, na manhã de 13 de Março o Hidalcão resolveu dar um grande assalto geral em direcção à Ilha de Mercantor.[20][21]

À vista do Hidalcão, 9,000 homens começaram a atravessar o rio a pé ou em pequenas embarcações ou jangadas, comandados por um oficial turco, Suleimão Agá.[20][21] Muitos alcançaram a ilha, mas foram alvo de cerrado fogo de navios portugueses, baterias de artilharia e arcabuzes, até serem finalmente rechaçados por um contra-ataque português de 300 homens sob o comando de Luís de Melo e Dom Fernando de Monroy, que desembarcaram em Mercantor e mataram nela cerca de 3,000 inimigos, entre eles Suleimão Aga.[21][20] No final da tarde, uma forte tempestade pôs fim ao ataque.[20] Furioso, o Hidalcão jurou não retirar-se de Goa enquanto não vingasse este falhanço mas não podia senão reconhecer a dificuldade da situação e, secretamente, pretendia chegar a acordo com os portugueses.[22]

Últimos combates

O vice-rei D. Luís de Ataíde

O desastre da ilha de Mercantor desanimou em muito o Hidalcão mas por orgulho ou por esperança de que a armada Otomana ainda aparecesse, decidiu manter o seu exército acampado diante de Goa durante a monção.[20] Com a chegada das chuvas, as tempestades torrenciais reduziram os combates ao mínimo, enquanto os portugueses realizavam incursões ocasionais contra as linhas inimigas sob a chuva, em que levavam sempre vantagem.[20]

O vice-rei também logrou semear a discórdia entre fileiras do inimigo: chegados a Abril já muitos se encontravam fartos da guerra, e D. Luís de Ataíde conspirou com o general Nuri Khan, que se opusera abertamente ao conflito desde o início, para que se revoltasse ou assassinasse o Hidalcão, o que trouxe ao sultão amplas suspeitas em relação ao seu próprio comando. Segundo o historiador indiano Zinadim:

Além disso alguns dos seus ministros estavam conluiados com os frangues para o prenderem, e porem no trono um parente próximo, que estava em Goa com os frangues; Adilxá informado desta trama teve medo e fugiu das tropas; e quando esteve em lugar seguro mandou prender os conspiradores e meteu-os na prisão, inflingindo-lhes grandes penas e retirando-lhes as suas mercês. Nestas circunstâncias foi forçoso Adilxá fazer a paz..[23]

Em 15 de Agosto, com seu exército já profundamente desmoralizado, afligido pelas monções e sofrendo com a escassez de mantimentos, o Hidalcão ordenou a gradual retirada das suas tropas, tendo perdido mais de 8.000 homens, 4.000 cavalos, 300 elefantes e mais de 6.000 bois na campanha.[24][25] 150 peças de artilharia foram abandonadas no rio.[26] As acções militares foram-se extinguindo e a 13 de Dezembro de 1571, o Hidalcão solicitou formalmente a paz com os portugueses.[20]

Mediante o acordo de paz, entre outros termos, o Hidalcão não cobraria taxas a mercadores cristãos, não abrigaria frotas inimigas dos portugueses nos seus portos e retomaria o pagamento de tributo, em troca de assistência militar portuguesa para combater a pirataria na costa ocidental da Índia e autorização para negociar em portos portugueses, desde que os seus navios transportassem cartaz, essencialmente reconhecendo o domínio português do mar.[27]

Ver também

Referências

  1. a b c d e f g h Monteiro, 1992, p. 333.
  2. a b c d e f g Monteiro, 1992, p. 334.
  3. Monteiro, 1992, p. 336.
  4. Danvers, 1894, p. 560.
  5. a b c Saturnino Monteiro: Batalhas e Combates da Marinha Portuguesa, volume III, Livraria Sá da Costa Editora, 1992, p. 331.
  6. a b c Frederick Charles Danvers: The Portuguese in India, A. D. 1481-1571, W. H. Allen & Company Limited, 1894, p. 551.
  7. Danvers, 1894, p. 552.
  8. Pereira 1617, p. 348.
  9. Nome dado pelos portugueses ao soberano de Bijapur.
  10. Pereira 1617, p. 356.
  11. a b c d e f g h i Danvers, 1894, p. 553.
  12. a b c d e f Danvers, 1894, p. 554.
  13. Cruz, Maria Augusta Lima (1992). Diogo do Couto e a década 8a da Asia. [S.l.]: Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses. ISBN 978-972-27-0532-5 
  14. Pereira, 1616, pg 411.
  15. a b Pereira 1617, p. 572.
  16. a b c Danvers, 1894, p. 555.
  17. Danvers, 1894, p. 556.
  18. a b Danvers, 1894, p. 557.
  19. Pereira 1617, p. 466.
  20. a b c d e f g Monteiro, 1992, p. 336.
  21. a b c Danvers, 1894, p. 558.
  22. Danvers, 1894, p. 559.
  23. ZINADIM, História dos Portugueses no Malabar, 2010, Kessinger Publishing.
  24. Pereira 1617, p. 624.
  25. Pereira 1617, p. 625.
  26. Pereira 1617, p. 623.
  27. Pereira 1617, p. 616-618.

Bibliografia

  • Pereira, António Pinto (1617). História da Índia, ao Tempo Que a Governou o Vice-Rei D. Luiz de Ataíde 1986 ed. Lisboa: Imprensa Nacional Casa da Moeda.
  • Monteiro, Saturnino (1992). Batalhas e Combates da Marinha Portuguesa, volume III, Livraria Sá da Costa Editora.
  • Danvers, Frederick Charles (1894). The Portuguese in India A.D. 1481-1571, W. H. Allen Company Limited.