Esfendadates I Camsaracânio
| Esfendadates I Camsaracânio | |
|---|---|
| Nacionalidade | Reino da Armênia |
| Progenitores | Pai: Arsaviro I |
| Filho(a)(s) | Gazavão I Savarso |
| Ocupação | Nobre |
| Religião | Cristianismo |
Esfendadates I Camsaracânio (Σφενδαδάτης, Sphendadátе̄s; em armênio: Սպանդարատ, Spandarat) foi um nobre armênio do século IV, membro da família Camsaracânio, que esteve ativo no reinado do rei Ársaces II (r. 350–368). Relativamente pouco se sabe sobre sua vida. Era filho de Arsaviro I e o sucedeu como chefe da família. Diz-se que foi o único sobrevivente do expurgo de sua família conduzido por Ársaces II.
Nome
Esfendadates (Sphendadatēs; Σφενδαδάτης, Sphendadátе̄s) ou Espandiates (Σπανδιάτης, Spandiátе̄s) são as formas grega e latina do parta *Espandadata (𐭎𐭐𐭍𐭃𐭕, spndt; *Spandadāt(a-)) e Espandataque (Spanddātak [spndtk]). Essas formas surgiram do iraniano antigo Espantadata (*Spanta-dāta-) e do avéstico Espentodata (𐬯𐬞𐬆𐬧𐬙𐬋𐬜𐬁𐬙𐬀 / 𐬯𐬞𐬆𐬧𐬙𐬋⸱𐬛𐬁𐬙𐬀, Spəntōdāta-), que é formado por *spənta, "santo, sagrado", e *dāta, "dado, concedido", e significa "santamente concedido". Foi registrado em persa médio como Espandade (𐭮𐭯𐭭𐭣𐭠𐭲𐭠𐭭, spndʾtʾn; Spanddād), em persa novo como Espandiate (اسپندیات, Spandyāt), Ispandiade (اسپندیاد, Ispandiyād), Isfandiar (اسفندیار, Isfandiyār) e Isfandiade (اسفندیاذ, Isfandiyād), em báctrio como Aspandolado (Ασπανδολαδο), em soguediano como Espandate (𐼰𐼼𐼾𐼻𐼹𐼰𐽂, ʾspnδʾt; Espandat), em aramaico como Espantadate (𐡎𐡐𐡍𐡕𐡃𐡕, Spntdt), em armênio em Espandarate (Սպանդարատ, Spandarat) e em georgiano como Espandate (სპანდატ, Sṗandaṭ).[1][2]
Vida
Esfendadates nasceu em data incerta ao longo do século IV. Moisés de Corene afirma que era filho de Arsaviro I,[3] uma afirmação não corroborada por Fausto, o Bizantino.[4] A data exata da morte de Arsaviro não é conhecida, mas se especulou que tenha sido 355.[5] Esfendadates é mencionado a primeira vez após a execução de Vardanes I, que é estimada em 365.[6] De acordo com Fausto, Esfandadates era uma criança quando o massacre ocorreu. Diz-se que o Ársaces II (r. 350–368), aproveitando-se da ausência do patriarca patriarca Narses (r. 353–373), aniquilou muitas famílias nobres (nacarares), confiscando suas propriedades e aumentando seu tesouro. Dentre os afetados, estavam os Camsaracânios, cujos domínios em Siracena e Arsarúnia foram tomados. Esfendadates teria sido salvo por Vasaces I, que o protegeu até ser capaz de reivindicar seus domínios. Ársaces aproveitou-se da situação para construir a fortaleza impenetrável de Artogerassa em Arsarúnia e utilizou o distrito para abastecê-la. Nada mais é dito sobre Esfendadates depois disso.[7]


Moisés fornece um relato muito diferente. Segundo ele, Ársaces II estava enfurecido pela destruição de sua cidade recém-fundada de Arsacavana pela nobreza e marchou contra os responsáveis com tropas que trouxe do Reino da Ibéria.[b] Em decorrência da invasão simultânea do reino pelo imperador Valente (r. 364–378) e pelo xainxá Sapor II (r. 309–379), Ársaces II e os nobres aceitaram o arbítrio de Narses e cessaram o conflito.[8] Quando o patriarca foi exilado algum tempo depois disso, Ársaces quebrou os pactos que firmou com ele e conduziu um expurgo sistemático de várias casas nobres, dentre as quais os Camsaracânios. Diz-se que invejava a posse deles da fortaleza de Artogerassa e da cidade de Eruandaxata e convidou os senhores Camsaracânios com seus familiares ao palácio abandonado de Armavir a pretexto de honrá-los. Ao chegarem, Ársaces ordenou a execução de todos, incluindo mulheres e crianças.[9] Esfendadates não esteve presente na ocasião, pois havia querelado com seu tio Narses I e foi viver com sua esposa Arxanoixe[a] da dinastia arsácida nas terras ancestrais dela em Taraunitis e Astianena Ao saber do ocorrido, fugiu com sua esposa e seus dois filhos, Gazavão I e Savarso, para o Império Romano.[10]
Mais tarde, em 369, a pedido de Narses, o imperador Valente (Moisés anacronicamente menciona Teodósio I, 378–395) concordou em nomear Papa, filho de Ársaces que estava em exílio na corte romana, como rei. Para isso, enviou o pretendente com Esfandadates e o general Terêncio;[11] Fausto coloca que foi a pedido de Musel I que o imperador consentiu com a coroação de Papa, enquanto Amiano Marcelino atribuiu esse pedido a Cílaces e Arrabanes.[12] Seja como for, segue Moisés, quando Papa e seus companheiros chegaram, encontraram o reino sob controle de Meruzanes I, a mando do xainxá Sapor II. Eles foram capazes de repelir Meruzanes, que fugiu, mas antes ordenou que as esposas dos príncipes (sepus) das casas nobres fossem penduradas nas muralhas das cidades e deixadas para morrer.[13] Mais tarde, Sapor (para Moisés, por instigação de Meruzanes) decidiu realizar uma grande expedição contra a Armênia, que culminaria na Batalha de Vagabanta de 371. O cronista alega que Esfandadates participou da batalha ao lado do exército armeno-romano. Enfrentou o grande destacamento liderado por Xerguir, rei dos legas, que foi morto.[14] Em recompensa por seus serviços, Papa restaurou as propriedades confiscadas de Esfendadates.[15] O destino dele é incerto depois dessa data. Cyril Toumanoff propôs que deve ter vivido até ca. 378/87.[5]
Notas
- [a] ^ Esse nome é mencionado tardiamente por Moisés de Corene, na transcrição de uma suposta carta enviada pelo rei Cosroes IV (r. 384/5–389) ao general Gazavão I, filho de Esfendadates.[16]
- [b] ^ Os relatos de Fausto, o Bizantino e Moisés de Corene se contradizem a respeito do exílio de Narses e do destino de Arsacavana. Fausto afirma que o patriarca foi exilado após sua embaixada ao imperador Constâncio II (r. 337–361), que foi datada de 358.[17] A fundação de Arsacavana ocorreu, segundo Fausto, durante o vicariato de Cado de Marague, que foi incumbido dessa responsabilidade por Narses quando partia do reino,[18] e a destruição ocorreu após o retorno dele do Império Romano, alegadamente por intervenção divina.[19]
Referências
- ↑ Ačaṙyan 1942–1962, p. 597.
- ↑ Martirosyan 2019, p. 332.
- ↑ Moisés de Corene 2006, p. 284.
- ↑ Fausto, o Bizantino 1989, p. 356.
- ↑ a b Toumanoff 1976, p. 266.
- ↑ Settipani 2006, p. 131-132.
- ↑ Fausto, o Bizantino 1989, p. 149.
- ↑ Moisés de Corene 2006, p. 284-286.
- ↑ Moisés de Corene 2006, p. 287-288.
- ↑ Moisés de Corene 2006, p. 288.
- ↑ Moisés de Corene 2006, p. 290.
- ↑ Lenski 2002, p. 172.
- ↑ Moisés de Corene 2006, p. 291.
- ↑ Moisés de Corene 2006, p. 292.
- ↑ Moisés de Corene 2006, p. 294.
- ↑ Moisés de Corene 2006, p. 311-312.
- ↑ Fausto, o Bizantino 1989, p. 124-126; 277, nota 2; 395.
- ↑ Fausto, o Bizantino 1989, p. 134-135.
- ↑ Fausto, o Bizantino 1989, p. 136-137.
Bibliografia
- Ačaṙyan, Hračʻya (1942–1962). «Սպանդարատ». Hayocʻ anjnanunneri baṙaran [Dictionary of Personal Names of Armenians]. Erevã: Imprensa da Universidade de Erevã
- Fausto, o Bizantino (1989). Garsoïan, Nina, ed. The Epic Histories Attributed to Pʻawstos Buzand: (Buzandaran Patmutʻiwnkʻ). Cambrígia, Massachusetts: Departamento de Línguas e Civilizações Próximo Orientais, Universidade de Harvard
- Lenski, Noel Emmanuel (2002). Failure of Empire: Valens and the Roman State in the Fourth Century A.D. Berkeley, Los Angeles e Londres: Imprensa da Universidade da Califórnia
- Martirosyan, Hrach (2019). «The Armenian Patronymic Arcruni». In: Avetisyan, Pavel S.; Dan, Roberto; Grekyan, Yervand H. Over the Mountains and Far Away. Studies in Near Eastern History and Archaeology presented to Mirjo Salvini on the occasion of his 80th birthday. Oxônia: Archaeopress
- Moisés de Corene (2006). Thomson, Robert W., ed. History of the Armenians. Cambrígia, Massachusetts; Londres: Harvard University Press
- Settipani, Christian (2006). Continuité des élites à Byzance durant les siècles obscurs les princes caucasiens et lempire du VIe au IXe siècle. Paris: de Boccard. ISBN 978-2-7018-0226-8
- Toumanoff, Cyril (1976). Manuel de généalogie et de chronologie pour le Caucase chrétien (Arménie, Géorgie, Albanie). Roma: Edizioni Aquila