Narses I Camsaracânio
| Narses I Camsaracânio | |
|---|---|
| Nacionalidade | Reino da Armênia |
| Progenitores | Pai: Camisares |
| Ocupação | Nobre |
| Religião | Cristianismo |
Narses I Camsaracânio (em grego: Ναρσής; romaniz.: Narsés; em armênio: Ներսես; romaniz.: Nerses) foi um nobre armênio do século IV, membro da família Camsaracânio, ativo no reinado de Ársaces II (r. 350–368).
Nome
Narses (Ναρσής, Narsḗs) ou Narseu (Narseus) são as formas grega e latina do nome. A atestação mais antiga ocorre nos Feitos do Divino Sapor, uma inscrição trilíngue do reinado do xainxá sassânida Sapor I (r. 240–270), onde ocorre em parta como Narse (𐭍𐭓𐭎𐭇𐭅, nrsḥw; Narseh) e em pálavi como Narse (𐭭𐭥𐭮𐭧𐭩, nrshy; Narsē). O nome deriva do avéstico Nairyō saŋha- (𐬥𐬀𐬌𐬭𐬌𐬌𐬋⸱𐬯𐬀𐬢𐬵𐬀), que literalmente significa "o de muitos discursos", ou seja, o mensageiro divino. Em armênio, ocorre como Nerses (Ներսես)[1] e em siríaco como Narsai (ܢܪܣܝ).[2]
Vida

Narses nasceu em data incerta. Segundo Moisés de Corene, era o filho mais novo de Camisares, o ancestral epônimo da família Camsaracânio, e irmão de Arsaviro I.[3] Segundo Christian Settipani, possivelmente sucedeu seu irmão como naapete (chefe) de sua família.[4] Narses foi mencionado após a execução de Vardanes I, que é estimada em 365.[5] Diz-se que o rei Ársaces II (r. 350–368) estava enfurecido pela destruição de sua cidade recém-fundada de Arsacavana pela nobreza (nacarares) e marchou contra os responsáveis com tropas que trouxe do Reino da Ibéria. Para resistir ao ataque, a nobreza reuniu-se sob comando de Narses. Em decorrência da invasão simultânea do reino pelo imperador Valente (r. 364–378) e pelo xainxá Sapor II (r. 309–379), Ársaces II e os nobres aceitaram o arbítrio do patriarca Narses (r. 353–373) e cessaram o conflito.[6] Quando o patriarca foi exilado algum tempo depois disso, Ársaces quebrou os pactos que firmou com ele e conduziu um expurgo sistemático de várias casas nobres, dentre as quais os Camsaracânios.[a] Diz-se que invejava a posse deles da fortaleza de Artogerassa e da cidade de Eruandaxata e convidou os senhores Camsaracânios com seus familiares ao palácio abandonado de Armavir a pretexto de honrá-los. Ao chegarem, Ársaces ordenou a execução de todos, incluindo mulheres e crianças.[7] Um dos poucos poupados foi Esfendadates I, filho de Arsaviro, que havia querelado com seu tio Narses e foi viver nas terras de sua esposa, em Taraunitis e Astianena. A razão da disputa deles é desconhecida.[8]
Nota
- [a] ^ Os relatos de Fausto, o Bizantino e Moisés de Corene se contradizem a respeito do exílio de Narses e do destino de Arsacavana. Fausto afirma que o patriarca foi exilado após sua embaixada ao imperador Constâncio II (r. 337–361), que foi datada de 358.[9] A fundação de Arsacavana ocorreu, segundo Fausto, durante o vicariato de Cado de Marague, que foi incumbido dessa responsabilidade por Narses quando partia do reino,[10] e a destruição ocorreu após o retorno dele do Império Romano, alegadamente por intervenção divina.[11]
Referências
- ↑ Fausto, o Bizantino 1989, p. 395.
- ↑ Saint-Laurent 2016.
- ↑ Moisés de Corene 2006, p. 242-243, 281.
- ↑ Settipani 2006, p. 389 e 535.
- ↑ Settipani 2006, p. 131-132.
- ↑ Moisés de Corene 2006, p. 280-281.
- ↑ Moisés de Corene 2006, p. 287-288.
- ↑ Moisés de Corene 2006, p. 288.
- ↑ Fausto, o Bizantino 1989, p. 124-126; 277, nota 2; 395.
- ↑ Fausto, o Bizantino 1989, p. 134-135.
- ↑ Fausto, o Bizantino 1989, p. 136-137.
Bibliografia
- Fausto, o Bizantino (1989). Garsoïan, Nina, ed. The Epic Histories Attributed to Pʻawstos Buzand: (Buzandaran Patmutʻiwnkʻ). Cambrígia, Massachusetts: Departamento de Línguas e Civilizações Próximo Orientais, Universidade de Harvard
- Moisés de Corene (2006). Thomson, Robert W., ed. History of the Armenians. Cambrígia, Massachusetts; Londres: Harvard University Press
- Saint-Laurent, Jeanne-Nicole Mellon (2016). «Narsai - ܢܪܣܝ». Dicionário Biográfico Siríaco
- Settipani, Christian (2006). Continuité des élites à Byzance durant les siècles obscurs les princes caucasiens et lempire du VIe au IXe siècle. Paris: de Boccard. ISBN 978-2-7018-0226-8
- Toumanoff, Cyril (1976). Manuel de généalogie et de chronologie pour le Caucase chrétien (Arménie, Géorgie, Albanie). Roma: Edizioni Aquila