Cado de Marague

Cado de Marague
EtniaArmênio
ReligiãoCatolicismo

Cado de Marague (em latim: Chadus; em grego: Χάδος; romaniz.: Chádos; em armênio: Խադ; romaniz.: Xad) foi um clérigo armênio do século IV, ativo no reinado de Ársaces II (r. 350–368).

Nome

Cado (Chadus;[1] Χάδος, Chádos) é a forma latina e grega do armênio Cade (Խադ, Xad), que significa "falcão, agudo, penetrante".[2]

Vida

Soldo de Constâncio II (r. 337–361)

Cado nasceu na vila de Marague, situada no distrito de Carenitis, na província da Alta Armênia. Era um pupilo do católico Narses I, o Grande (r. 353–373) e serviu como supervisor das fundações de caridade do católico.[3] Em data incerta, foi ordenado bispo de Bagrauandena e Arsarúnia;[4] Moisés de Corene afirmou que a ordenação ocorreu no tempo que Narses foi exilado.[5] Em 358, Narses realizou uma embaixada a Constantinopla para visitar o imperador Constâncio II (r. 337–361). Segundo Fausto, o Bizantino, embora a missão foi bem-sucedida, Narses enfureceu o imperador e foi exilado. Sabe-se que esse exílio duraria até a eventual morte de Constâncio em 361, mas Nina Garsoïan assume que deva ter se estendido até a eventual coroação de Papa (r. 370–374) como sucessor de Ársaces II (r. 350–368).[6] Quando preparava-se para partir do Reino da Armênia, Narses designou Cado como seu vigário em sua ausência.[7]

Fausto afirmou que por essa época, após um começo de reinado pródigo, Ársaces se desviou do caminho da fé e começou a agir de forma imprudente. Uma de suas medidas controversas, diz o cronista, foi a fundação da cidade de Arsacavana, em Airarate, cuja população era composta por ladrões, bandidos, desertores, assassinos e vagabundos que foram convidados para morar ali pelo rei. Diz Fausto que Ársaces tentou convencer Cado a fundar uma igreja na cidade, bem como tentou comprá-lo com presentes como ouro, prata, corcéis dos estábulos reais e mantos de seda. O vigário recusou-se, alegando que seguiria as orientações deixadas por seu mentor, e entregou os presentes aos pobres. Irritado pela conduta de Cado, o rei o expulsou-o do acampamento real.[8] Moisés de Corene, num relato diferente, alegou que Cado, apesar de devotado aos cuidados dos pobres, era exigente com suas vestimentas e cavalos, a ponto de ser ridicularizado e decidir renunciar a esses prazeres e viajar a burro.[5] Moisés acrescenta que, no rescaldo do suposto massacre dos Camsaracânios a mando do rei, Cado intercedeu pelos cocheiros que se recusaram a profanar os corpos de seus senhores e os enterraram, impedindo que fossem assassinados. Enfurecido, Ársaces ordenou que Cado fosse apedrejado, mas ele foi salvo pela intervenção de seus genros Apaúnios, que sacaram as espadas e mataram os executores.[9] Nina Garsoïan propôs que a querela entre eles, alegoricamente apresentada nas fontes, decorreu do apoio do vigário à ortodoxia inflexível de Narses e de seus familiares frente às tendências arianizantes do rei.[7]

Após sair da corte, Cado dedicou seu tempo a percorrer o reino organizar e admoestar, instruir e cuidar dos pobres. A ele são atribuídos muitos milagres, como a cura de enfermos. Alega-se que esvaziava completamente as despensas entregando alimentos aos necessitados, mas na manhã seguinte elas estavam milagrosamente reabastecidas. Em certa ocasião, ladrões roubaram bois que pertencia à sua igreja e foram divinamente punidos com cegueira. Esses indivíduos retornaram à igreja com os bois e Cado orou por eles, cuja visão foi restaurada. Cado seguiu com suas atividades religiosas no reino até o eventual retorno de Narses.[10] Em agosto de 359, o católico enviou-o a Bagarana para participar da celebração do Navassarde (Ano-Novo).[11] Mais adiante, numa última menção, Cado aparece ao lado de Narses na presença do rei Papa, que Fausto afirma que estava possuído por espíritos malignos que tornavam-se invisíveis na presença deles.[12] Ao falecer, foi sucedido por um de seus genros, de nome Assurque.[13]

Referências

Bibliografia

  • Ačaṙyan, Hračʻya (1942–1962). «Խադ». Hayocʻ anjnanunneri baṙaran [Dictionary of Personal Names of Armenians]. Erevã: Imprensa da Universidade de Erevã 
  • Fausto, o Bizantino (1989). Garsoïan, Nina, ed. The Epic Histories Attributed to Pʻawstos Buzand: (Buzandaran Patmutʻiwnkʻ). Cambrígia, Massachussetes: Departamento de Línguas e Civilizações Próximo Orientais, Universidade de Harvard 
  • Moisés de Corene (1736). Mosis Chorenensis Historiæ Armeniacæ libri III. Londres: Tipografia de Charles Ackers 
  • Moisés de Corene (2006). Thomson, Robert W., ed. History of the Armenians. Cambrígia, Massachusetts; Londres: Harvard University Press