Arsaviro I Camsaracânio

Arsaviro I Camsaracânio
NacionalidadeReino da Armênia
ProgenitoresPai: Camisares
OcupaçãoNobre
ReligiãoCristianismo

Arsaviro I Camsaracânio (em latim: Arsavirus; em armênio: Արշաւիր; romaniz.: Aršawir) foi um nobre armênio do século IV, membro da família Camsaracânio, ativo no reinado dos reis Tiridates IV (r. 298–330), Cosroes III (r. 330–339) e Tigranes VII (r. 339–350).

Nome

Arsaviro (Arsavirus)[1] é a grafia latina do armênio Arxavir (Արշաւիր, Aršawir). O nome deriva do iraniano antigo aršan ("homem, varão") e vira ("homem, pessoa"), o que implica que significa "homem viril, homem corajoso". Na tradução armênia do Livro de Daniel, ocorre no lugar de Assuero (em hebraico: אחשורוש, Axašvaroš). No Cáucaso, é encontrado na forma corrompida Artavil.[2] Também foi registrado em grego como Arsaber (Ἀρσαβήρ, Arsabḗr).[3]

Vida

Origens e primeiros anos

Arsaviro nasceu em data incerta. Segundo Moisés de Corene, era o filho mais velho de Camisares, o ancestral epônimo da família Camsaracânio, e irmão de Narses I.[4] Em 325, pouco dias após sua conversão, Camisares faleceu. Para consolá-lo por sua perda, o rei Tiridates IV (r. 298–330) elevou a família de Arsaviro à nobreza (nacarar), nomeou-o como sucessor de seu pai como senhor de Drascanacerta e Siracena e lhe concedeu Eruandaxata e seu distrito circundante. Arsaviro apreciou muito o novo distrito que recebeu e o batizou Arsarúnia em referência a si.[5] Em data incerta, casar-se-ia com uma filha de Vache I, cujo nome não foi registrado.[6] Segundo Christian Settipani, esse casamento deve ter ocorrido por volta de 320.[7]

Comandante-em-chefe

Dinar de Sapor II (r. 309–379)
Soldo de Constâncio II (r. 337–361)

Em 339, segundo Moisés, o rei Cosroes III (r. 330–339) iniciou um conflito contra o xainxá Sapor II (r. 309–379) do Império Sassânida ao tomar ciência de que havia apoiado os insurgentes, bem como os invasores estrangeiros, que causaram tumultos no reino durante seu reinado. O rei, no entanto, morreu pouco depois disso. O patriarca Vertanes I (r. 327/33–341/2) reuniu os nobres armênios e seus exércitos e instalou Arsaviro como comandante-em-chefe antes de partir para Constantinopla, capital do Império Romano, ao lado de Tigranes, filho de Cosroes, para que o imperador Constâncio II (r. 337–361) o nomeasse rei.[8] Esse relato é pouco credível, pois não há precedentes de outros patriarcas nomeando algum oficial à função de comandante-em-chefe no lugar do governante.[9] A esse respeito, o relato de Fausto, o Bizantino contradiz Moisés. Segundo Fausto, Cosroes III e Vertanes nomearam Artavasdes II como chefe da família Mamicônio e asparapetes, em sucessão a seu falecido pai Vache I. No entanto, por conta da menoridade de Artavasdes, a responsabilidade de comandar as tropas recaiu sobre Arsaviro e Antíoco II, aos quais Vertanes incumbiu pessoalmente de cuidar de Artavasdes até que atingisse a maioridade e pudesse liderar as tropas.[10]

Moisés afirma que, na ausência de Tigranes e Vertanes, Sapor II enviou seu irmão Narses com um exército contra a Armênia com a intenção de torná-lo rei. Arsaviro enfrentou o invasor na planície de Merrul, a noroeste de Satala. Apesar das muitas baixas, o exército armênio foi vitorioso e o país foi defendido até o retorno do rei.[11] Fausto ignora a embaixada à nomeação de Tigranes e afirma que ele simplesmente sucedeu ao pai,[12] mas é possível que ele seja o rei armênio anônimo que Constâncio supostamente instalou no trono por volta de 338, segundo o Panegírico de Juliano, o que confirmaria o relato de Moisés.[9] Por conseguinte, Fausto coloca o ataque de Narses em outro contexto, décadas depois. Segundo o cronista, em 348, Arsaviro esteve entre os nobres convocados por Tigranes VII para conduzir Farnarses até Cesareia Mázaca, na Capadócia, para ser ordenado patriarca da Armênia.[13]

Em 450, Tigranes VII foi traído por Pisagas Siuni, que instigou o marzobã Barsabores contra ele. Depois de cegar Tigranes, Barsabores e suas tropas se apressaram rumo ao Assuristão, à capital de Ctesifonte, para entregar o rei ao xainxá. Os nacarares e oficiais militares armênios se reuniram e caçaram-nos, mas não conseguiram salvar o rei, e decidiram pilhar e capturar territórios do Império Sassânida como retaliação.[14] Sapor (Fausto menciona o xainxá Narses I, 262–270) respondeu conduzindo uma expedição em grande escala na Armênia. Os armênios enviaram como emissários Arsaviro e Antíoco II para Constantinopla e pediram ajuda de Constâncio II, que concordou em ajudar. O exército romano parou em Satala antes de marchar ao campo persa em Oscai, onde o exército armeno-romano derrotou Sapor decisivamente. Arsaviro e Antíoco, que lutaram ao lado dos romanos, foram deixados como supervisores do reino na falta de um rei e foram honrados com muitos presentes.[15]

Últimos anos

Arsaviro foi mencionado pela última vez em 353, durante o reinado de Ársaces II (r. 350–368), filho de Tigranes VII, quando foi um dos nobres incumbidos com a escolta de Narses para ser ordenado patriarca da Armênia em Cesareia Mázaca.[16] É incerto quando Arsaviro morreu depois desse evento. Tanto Fausto quando Moisés não mencionam-no ao comentarem a respeito do expurgo da família Camsaracânio conduzido por Ársaces II anos mais tarde (o episódio é narrado em Fausto após a descrição da execução de Vardanes I, que é estimada em 365[17]), o que indica que já pudesse estar morto. Cyril Toumanoff propôs que tenha morrido por volta de 355.[18] Moisés de Corene afirma que Arsaviro era pai de Esfendadates I, que tornar-se-ia chefe da família após o expurgo.[19] Fausto confirma a posição de Esfendadates, sem afirmar que era filho de Arsaviro.[20]

Referências

Bibliografia

  • Ačaṙyan, Hračʻya (1942–1962). «Արշաւիր». Hayocʻ anjnanunneri baṙaran [Dictionary of Personal Names of Armenians]. Erevã: Imprensa da Universidade de Erevã 
  • Fausto, o Bizantino (1989). Garsoïan, Nina, ed. The Epic Histories Attributed to Pʻawstos Buzand: (Buzandaran Patmutʻiwnkʻ). Cambrígia, Massachusetts: Departamento de Línguas e Civilizações Próximo Orientais, Universidade de Harvard 
  • Kajdan, Alexander Petrovich (1991). The Oxford Dictionary of Byzantium. Nova Iorque e Oxford: Oxford University Press. ISBN 0-19-504652-8 
  • Moisés de Corene (1736). Mosis Chorenensis Historiæ Armeniacæ libri III. Londres: Tipografia de Charles Ackers 
  • Moisés de Corene (2006). Thomson, Robert W., ed. History of the Armenians. Cambrígia, Massachusetts; Londres: Harvard University Press 
  • Settipani, Christian (2006). Continuité des élites à Byzance durant les siècles obscurs les princes caucasiens et lempire du VIe au IXe siècle. Paris: de Boccard. ISBN 978-2-7018-0226-8 
  • Toumanoff, Cyril (1976). Manuel de généalogie et de chronologie pour le Caucase chrétien (Arménie, Géorgie, Albanie). Roma: Edizioni Aquila 
  • Toumanoff, Cyril (1990). Les dynasties de la Caucasie chrétienne de l'Antiquité jusqu'au xixe siècle : Tables généalogiques et chronologiques. Roma: Edizioni Aquila