Savarso Camsaracânio
| Savarso Camsaracânio | |
|---|---|
| Nacionalidade | Reino da Armênia |
| Progenitores | Pai: Esfendadates I |
| Ocupação | Nobre |
| Religião | Cristianismo |
Savarso Camsaracânio (em armênio: Շաւարշ; romaniz.: Šawarš; em latim: Savarsus; 389) foi um nobre armênio do final do século IV e começo do V.
Nome
Savarso (Savarsus)[1] é a forma latina do armênio Xavarxe (Շաւարշ, Šawarš), que derivou do avéstico Siauarxã (Siiāuuaršan-; lit. "que possui garanhões pretos") através do persa médio Siavaxe (Siyāwaxš) e parta (Siyāwaš). Foi registrado em corásmio como Xevexe (Šʾwš), em elamita como Xiamarxa (𒅆𒅀𒈥𒃻, ši-ia-mar-šá), em árabe como Xiavaxe (سِيَاوَش, Siyāwaš)[2][3] e em grego como Sábaris (Σάβαρις),[4] Seoses (Σεόσης, Seósēs) e Siauasc(is) (Σιαύασκ(ις), Siaúask(is)).[5]
Vida
Savarso era filho de Esfendadates I e Arxanoixe e irmão de Gazavão I.[a] Foi registrado pela primeira vez pouco depois da execução de Vardanes I, que é estimada em 365.[6] Na ocasião, vivia com sua família nos territórios de sua mãe, em Taraunitis e Astianena, após uma querela entre seu pai e seu tio Narses I.[7] Aproveitando-se do exílio do patriarca Narses (r. 353–373), o rei Ársaces II (r. 350–368) promoveu o expurgo sistemático de várias famílias nobres, dentre as quais os Camsaracânios. Quando Esfendadates tomou ciência da morte de seus familiares em Armavir, fugiu com sua esposa e filhos para o Império Romano.[7] Cyril Toumanoff propôs que sucedeu seu pai na posição de chefe de sua família,[8] enquanto Christian Settipani propôs que sucedeu seu irmão Gazavão.[9] Em 389, quando o rei Cosroes IV (r. 384/5–389) foi deposto sob ordens do xainxá do Império Sassânida,[b] Savarso reuniu-se com outros nobres e formou uma pequena força de 700 cavaleiros com o intuito de atacar o comboio que transportava o rei para salvá-lo. Na batalha que se seguiu, todos os nobres armênios, exceto seu companheiro Pargeva, morreram em combate.[10]
Notas
- [a] ^ Esse nome é mencionado tardiamente por Moisés de Corene, na transcrição de uma suposta carta enviada pelo rei Cosroes IV (r. 384/5–389) ao general Gazavão I, filho de Esfendadates.[11]
- [b] ^ Moisés de Corene apresenta uma confusa descrição da sucessão real no Império Sassânida. No relato, afirmou que o xainxá responsável por destronar Cosroes IV foi Sapor, que seria sucedido pelo príncipe Artaxer. Entretanto, por questões cronológicas, o governante de nome Sapor só poderia ser Sapor III, filho de Sapor II (r. 309–379) e irmão de Artaxer II (r. 379–383). Por essa razão, a sucessão apresentada em III.51 é equivocada. Por conseguinte, Essas personagens não são contemporâneas de Arcádio (r. 395–408). A esse respeito, no relato de Lázaro de Farpe, é dito que a ruína de Cosroes IV foi causada por calúnias dos nobres armênios, que alegaram que ele havia trocado correspondência com um imperador romano, cujo nome não é registrado. Não há, portanto, menção a Arcádio, tampouco diz-se que a nomeação de Isaque ao episcopado possa ter sido uma das razões para sua queda.[12] Alguns historiadores assumem que o xainxá que destronou Cosroes, contrariando Moisés, foi Vararanes IV (r. 388–399), pois desconfiou de seu vassalo e o substituiu por seu irmão Vararanes Sapor.[13][14]
Referências
- ↑ Moisés de Corene 1736, p. 386.
- ↑ Colditz 2018, p. § 517, page 478.
- ↑ Mayrhofer 1979, p. § 282, page 75.
- ↑ Ačaṙyan 1942–1962, p. 155.
- ↑ Justi 1895, p. 300.
- ↑ Settipani 2006, p. 131-132.
- ↑ a b Moisés de Corene 2006, p. 288.
- ↑ Toumanoff 1976, p. 267.
- ↑ Settipani 2006, p. 389 e 535.
- ↑ Moisés de Corene 2006, p. 315.
- ↑ Moisés de Corene 2006, p. 311-312.
- ↑ Moisés de Corene 1978, p. 310, nota 349.
- ↑ Garsoïan 1997, p. 92.
- ↑ Terian 2022, p. 133.
Bibliografia
- Ačaṙyan, Hračʻya (1942–1962). «Շաւարշ». Hayocʻ anjnanunneri baṙaran [Dictionary of Personal Names of Armenians]. Erevã: Imprensa da Universidade de Erevã
- Colditz, Iris (2018). Iranische Personennamen in manichäischer Überlieferung [Iranian personal names in Manichaean tradition] (Iranisches Personennamenbuch, Band II, Faszikel 1). Viena: Editora da Academia Austríaca de Ciências
- Fausto, o Bizantino (1989). Garsoïan, Nina, ed. The Epic Histories Attributed to Pʻawstos Buzand: (Buzandaran Patmutʻiwnkʻ). Cambrígia, Massachusetts: Departamento de Línguas e Civilizações Próximo Orientais, Universidade de Harvard
- Garsoïan, Nina (1997). «4. The Aršakuni Dynasty (A.D. 12-[180?]-428)». In: Hovannisian, Richard G. Armenian People from Ancient to Modern Times vol. I: The Dynastic Periods: From Antiquity to the Fourteenth Century. Nova Iorque: Palgrave Macmillan. ISBN 978-1-4039-6421-2
- Justi, Ferdinand (1895). Iranisches Namenbuch. Marburgo: N. G. Elwertsche Verlagsbuchhandlung
- Mayrhofer, Manfred (1979). Die altiranischen Namen [The Old Iranian Names] (Iranisches Personennamenbuch, Band I, Faszikel 1). Viena: Editora da Academia Austríaca de Ciências
- Moisés de Corene (1978). Thomson, Robert W., ed. History of the Armenians. Cambrígia, Massachusetts; Londres: Imprensa da Universidade de Harvard
- Moisés de Corene (1736). Historiae armeniacae libri III. Ejusdem epitome geographiae. Praemittitur praefatio de literatura ac versione sacra armenica (etc.) armeniace ediderunt, latine verterunt notisque illustrarunt Gulielmus et Georgius Whiston. Londres: Whiston
- Settipani, Christian (2006). Continuité des élites à Byzance durant les siècles obscurs les princes caucasiens et lempire du VIe au IXe siècle. Paris: de Boccard. ISBN 978-2-7018-0226-8
- Terian, Abraham (2022). The Life of Mashtots' By His Disciple Koriwn. Oxônia: Oxford University Press
- Toumanoff, Cyril (1976). Manuel de généalogie et de chronologie pour le Caucase chrétien (Arménie, Géorgie, Albanie). Roma: Edizioni Aquila