Enciclopédia Negra
| Enciclopédia Negra: Biografias Afro-Brasileiras | ||||
|---|---|---|---|---|
| Autor(es) |
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| Idioma | português brasileiro | |||
| País | Brasil | |||
| Assunto | ||||
| Gênero | ||||
| Ilustrador | 36 artistas | |||
| Arte de capa | Oga Mendonça | |||
| Editora | Companhia das Letras | |||
| Lançamento | 29 de março de 2021 (4 anos) | |||
| Páginas | 720 | |||
| ISBN | 978-85-359-3400-7 | |||
| Cronologia | ||||
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Enciclopédia Negra: Biografias Afro-Brasileiras é um livro escrito pelo historiador Flávio dos Santos Gomes, pelo artista visual Jaime Lauriano e pela historiadora e antropóloga Lilia Moritz Schwarcz, lançado pela Editora Companhia das Letras,[1][2][3][4] em 29 de março de 2021. É composta por 416 verbetes biográficos de pessoas negras que viveram no Brasil entre os séculos XVI e XXI[1][5][6] e um encarte com retratos ficcionais produzidos por 36 artistas negras e negros do Brasil contemporâneo.[7][8]
Foi vencedor do Prêmio Jabuti de 2022 no eixo da não-ficção.[9]
Conteúdo
Com 720 páginas,[10][11] o livro documenta personagens negros esquecidos[12] e também alguns conhecidos do público (como Zumbi dos Palmares), que viveram no Brasil entre os séculos XVI e XXI,[5] ou seja, no período da escravidão e do pós-abolição.[13][14][15] Naquilo que os autores chamam de "protagonismo do cotidiano",[7][8] as histórias individuais revelam detalhes do cenário histórico de suas épocas,[7] como o papel das mulheres na luta judicial por liberdades e a diversidade de relações familiares e afetivas.[16][17][18][19][20]
São registros de pessoas negras brasileiras que lideraram movimentos de resistência; que negociaram melhores condições de emprego e de vida para as pessoas negras; de mulheres que foram separadas de seus filhos e de outras que trabalharam muito para comprar suas alforrias e as de seus filhos. Além de pessoas com as mais diversas profissões: profissionais liberais, líderes religiosos, mestres curandeiros, professores, advogados, artistas etc.[21][16]
Lista de verbetes
- Abdias do Nascimento
- Abigail Moura
- Acaiuba, Amaro, Ambrósio, Andalaquituche, Cabanga, Camoanga, Canhongo, Dambraganga, Ganga-Muiça, Ganga-Zona, Gaspar, Gone, Gongoro, João Mulato, João Tapuia, Maihoio, Mouza, Osenga, Pacassa, Pedro Caçapa, Quiloange, Quissama, Toculo, Zangui
- Acotirene e Aqualtune
- Adão
- Adhemar Ferreira da Silva, João do Pulo e Nelson Prudêncio
- Adriana e Maria
- Afra Joaquina Vieira Muniz
- Agnaldo dos Santos
- Agostinha
- Alberto Guerreiro Ramos
- Alcides de Freitas Cruz
- Aleijadinho
- Amália Augusta de Lima Barreto
- Amarildo Dias de Souza
- Ambrosina
- Ambrósio, Bateeiro e Isidoro
- Amélia Rosa
- Ana Clara Maria Andrade, Deolinda e Isabel Maria da Conceição
- Ana de Jesus
- Ana de Oliveira e Rosária Maria
- Ana Maria de Jesus
- Ana Mogumbe, Gertrudes Angola, Joana Benguela, Maria Camundá, Maria Conga, Mariana Monjola e Suzana, da Costa de Guiné
- Anastácia
- André Rebouças
- Andreza, Antônia e Efigênia
- Ângela
- Ângela e Geralda
- Antenor Nascentes
- Antonica, Luiza e Marcelina
- Antonieta de Barros
- Antônio Amaro Ferreira
- Antônio Baobad
- Antônio Candeia Filho
- Antônio Dutra
- Antônio Gonçalves Teixeira e Sousa
- Antônio Pinto Bandeira
- Antônio Telles
- Arinda Serafim e Marina Gonçalves
- Arlindo Veiga dos Santos
- Arthur Bispo do Rosário
- Arthur Rocha
- Arthur Timótheo da Costa e João Timótheo da Costa
- Ascendina dos Santos
- Astolfo Marques
- Augusta e Ubaldina Anna da Conceição
- Augusto Mina
- Aurélio Veríssimo de Bittencourt
- Auta de Souza
- Badia
- Bamboxê Obitikô (Rodolpho Manoel Martins de Andrade)
- Bárbara Gomes de Abreu e Lima
- Basília
- Batatinha e Riachão
- Beatriz Nascimento
- Benedita Caetana, Josefa, Maria Rosa e Rita e o Livro de Ouro do Fundo de Emancipação
- Benedita Costa
- Benedita Maria Albina da Ilha
- Benedito Meia-Légua
- Benjamim de Oliveira
- Bento, Bernardo, Bonifácio, Francisco, José e Mateus
- Bernarda de Souza
- Besouro Mangangá
- Bibiana e Isabel Guaraná da Costa
- Brito Souto
- Caetana
- Caetano da Costa
- Cardoso Vieira
- Carlos Alberto Oliveira dos Santos
- Carlos Marighella
- Carlota Alberta Burnett, Florence Scantlebury, Helen Cook, Louise White, Mabel Skeete e Una Long
- Carolina Maria de Jesus
- Cartola
- Selma Heloísa Artigas da Silva (O caso Nicole)
- Catarina
- Catarina Cassange
- Catarina Mina
- Catarina, Josefa e Vitória
- Cecília, Letícia, Virgínia e Querubina
- Celina Veiga, Maria de Lourdes Rosário e Noêmia de Campos
- Chica Brincuda
- Chica da Silva
- Chica Machado
- Chico Prego, Elisiário e João Pequeno
- Chico Rei
- Chiquinha Gonzaga
- Cícero Brasiliense de Moura, Graciliano Fontino Lordão, José Manuel dos Anjos e Vicente Gomes Jardim
- Cipriano Pires Sardinha
- Clara Courá, Isabel Mina, Mariana da Costa e Mariana Xambá
- Cláudia Silva Ferreira
- Claudina Fortunato Sampaio e Luísa
- Claudino José da Silva
- Cléa Simões
- Clementina de Jesus
- Clementina Maria da Conceição e Maria Tereza da Cunha
- Clóvis Moura
- Cosma Corrêa e Quitéria Pereira de Souza
- Cosme Bento das Chagas
- Cumba
- Curukango (Carukango, Querucango)
- D. Diogo
- Damásia
- Dandara, Lucrécia e Madalena
- Daniel Antônio de Araújo
- De Chocolat
- Delfina e Faustina
- Delfino
- Delindra Maria de Pinho
- Delphina Maria da Conceição, Feliciana de tal, Henriqueta Costa, Isabel Maria da Anunciação, Silvéria Maria da Conceição e Tereza de Jesus
- Deocleciano Nascimento
- Deolinda, Eva, avó, mães e filhas
- Diogo Rebolo e Ventura Mina
- Dionísia Angola
- Dionísia e Martinha dos Santos
- Divino Mestre
- Domingos Álvares
- Domingos Sodré
- Donga
- Dorothea Maria do Espírito Santo, Eva Maria da Silva, Maria Jacintha, Maria Thereza de Oliveira e Umbelina Maria das Dores
- Duarte da Costa
- Edison Carneiro
- Edmeia da Silva Euzébio
- Eduardo das Neves
- Eduardo de Oliveira e Oliveira
- Eduardo de Oliveira
- Efigênia, Nazaré, Rosa e Rufina
- Elyseu Elias César
- Elza de Souza e Guiomar Ferreira de Mattos
- Emília do Patrocínio
- Emília Duarte Rodrigues e Vivina Rodrigues Braga
- Emiliano Mundrucu, Natividade Saldanha e Pedro Pedroso
- Emmanuel Hector Zamor
- Enedina Alves
- Esperança Garcia
- Estêvão Pimenta e Felipe Santiago
- Estêvão Silva
- Euzébio de Queiroz Coutinho Barcelos
- Eva e Francelina
- Eva Maria do Bonsucesso
- Faustino da Silva Paiva e Mathias Henrique da Silva
- Feliciana Maria Olímpia
- Felicidade e Inácia
- Felicidade, Germana, Libânia e Maria Madalena
- Felício de Arruda Botelho
- Felipa Maria Aranha
- Félix José Rodrigues
- Félix Soares
- Figênia
- Firmina
- Firmino Monteiro
- Florência Joaquina
- Francisca (Xica) Manicongo
- Francisca Luiz
- Francisca Poderosa
- Francisca
- Francisco
- Francisco Antônio da Costa
- Francisco Carregal, Manuel Maia e outros futebolistas pioneiros
- Francisco de Paula Brito
- Francisco de Paula Victor
- Francisco José do Nascimento
- Francisco Lucrécio
- Francisco Moçambique e José Majojo
- Ganga-Zumba
- Garrincha
- Geraldo Filme
- Gertrudes Maria
- Grácia Maria da Conceição Magalhães
- Grande Otelo
- Gregório Luís
- Hamilton Cardoso
- Heitor dos Prazeres
- Hemetério José dos Santos
- Henrique Antunes da Cunha
- Henrique Dias
- Henriqueta Maria da Conceição
- Hermenegildo de Barros
- Hilária e Madalena
- Horácio de Sá Pacheco
- Hypólita Maria das Dores
- Ildefonso Juvenal da Silva
- Inácio da Catingueira
- Inácio Gonçalves de Siqueira
- Inácio Hermógenes Cajueiro
- Inácio Monte
- Iracema de Almeida
- Irenice Maria Rodrigues
- Ironides Rodrigues
- Isaura Bruno
- Isidoro, Hilário e outros tradutores, guias e “cientistas negros” da Amazônia
- Ismael Ribeiro dos Santos
- Ismael Silva
- Israel Soares
- Itamar Assumpção
- Ivone Lara
- Jacira de Almeida Sampaio
- Jackson do Pandeiro
- Jacyra Silva
- Jandyra Aymoré
- Jerônimo Soares
- Joana da Silva Machado
- Joana e Lisarda
- Joana Guedes de Jesus e Laura Guedes de Jesus
- Joana Maria, Maria e Maria Francisca
- João Cândido
- João da Cruz e Sousa
- João da Silva, José Martins, Luiz Pereira de Almeida e Mateus Pereira Machado
- João de Deus
- João do Rio
- João e Timóteo
- João Henriques de Lima Barreto
- João Mulungu
- Joãozinho da Gomeia
- Joaquim Cândido Soares de Meireles
- Joaquim de Souza Ribeiro
- Joaquim Pinto de Oliveira
- Joaquina
- Joaquina Benguela
- Joaquina Maria da Conceição Lapa
- Joel Rufino dos Santos
- José Correia Leite
- José Custódio Joaquim de Almeida
- José de Souza Marques
- José do Patrocínio
- José Ezelino da Costa
- José Ferreira de Menezes
- José Theóphilo de Jesus
- Josefa da Silva
- Juca Rosa
- Juliana
- Juliano Moreira
- Justina Maria do Espírito Santo
- Laudelina de Campos Mello
- Laura Santos
- Lélia Gonzalez
- Leopoldina e Thomázia
- Liberata
- Lima Barreto
- Lino Guedes
- Lourença Correia da Lapa
- Lucas du Bissette e Norman Percival Davy
- Lucas Evangelista
- Luís Anselmo da Fonseca
- Luiz Gama
- Luiza
- Luiza Bairros
- Luiza Mahin
- Luzia Jeje
- Luzia Pinta
- Machado de Assis
- Macutandu, Mamatandu, Muquirita, Niquirita e Umpula
- Madame Satã
- Mãe Agripina
- Mãe Andresa
- Mãe Aninha
- Mãe Beata de Iyemanjá
- Mãe Benta
- Mãe Biu
- Mãe Dudu
- Mãe Esperança Rita
- Mãe Luzia
- Mãe Menininha
- Mãe Olga do Alaketu
- Mãe Senhora
- Mãe Stella de Oxóssi
- Mahitica
- Mahommah Baquaqua
- Malunguinho
- Mandilacota
- Manuel Congo
- Manuel da Mota Monteiro Lopes
- Manuel do Sacramento
- Manuel Padeiro e Negro Lucas
- Manuel Raimundo Querino
- Manuel Tranquilino Bastos
- Manuel Vicente Alves Palmeira
- Marcelina Obatossi
- Marcílio Dias
- Marcolina da Silva Marques
- Margarida Joaquina de Sousa
- Maria (Campinas)
- Maria (Piauí)
- Maria Águeda
- Maria Angélica
- Maria Angola
- Maria Apolinária, Maria Cândida e Maria Domingas
- Maria Auxiliadora da Silva
- Maria Benedita da Rocha
- Maria das Dores Santos Conceição
- Maria Dimpina Lobo Duarte
- Maria do Carmo Jerônimo
- Maria do Céu Ferreira da Silva
- Maria do Egito
- Maria Firmina dos Reis
- Maria Joana Monteiro
- Maria Joaquina
- Maria Joaquina de Camargo e Rosa Negra
- Maria José Bezerra
- Maria Mina
- Maria Nascimento
- Maria Odília Teixeira
- Maria Rita, africana
- Maria Tereza Bento da Silva
- Maria, africana livre
- Mariana
- Marielle Franco
- Mário de Andrade
- Martinha
- Matildes
- Mécia
- Mercedes Baptista
- Mestre Bimba
- Mestre Didi
- Mestre Moa do Katendê
- Mestre Pastinha
- Mestre Tito
- Mestre Valentim
- Mestre Verequete
- Mestre Vitalino
- Miguel Barros
- Miguel e os quilombolas nas fronteiras tranwionais das Guianas
- Milton Santos
- Minervino de Oliveira
- Moacir Barbosa Nascimento
- Mônica
- Mônica da Costa Ferreira
- Mussum
- Nã Agotimé/Maria Jesuína
- Narcisa Ribeiro
- Narciso
- Nascimento Moraes
- Neusa Santos Sousa
- Nhô João e sua parceira
- Nilo Peçanha
- Oliveira Silveira
- Osvaldo Orlando da Costa
- Pacífico Licutan
- Padre José Maurício
- Pai Adão
- Páscoa Vieira
- Paulina
- Paulo da Portela
- Pedro Justo de Souza
- Pedro Lessa
- Pedro Valentim
- Peregrina e Rosa
- Petronilha
- Pixinguinha
- Prata Preta
- Pretextato dos Passos e Silva
- Preto Félix
- Príncipe Obá ii
- Quelly da Silva
- Querengue e outras africanas
- Quindomba
- Quintiliano Avellar
- Quintino de Lacerda
- Raimundo de Souza Dantas
- Raimundo Irineu Serra
- Rainha Maria Joaquina
- Rainha Marta dos quilombolas de Iguaçu
- Rita Cebola e outros casos
- Rita Dias de Araújo
- Rita Maria
- Robson Silveira da Luz
- Roque José Florêncio
- Rosa
- Rosa Cabinda
- Rosa do O’Freire
- Rosa Egipcíaca
- Rosalina
- Rubem Valentim
- Rufina
- Rufino José Maria
- Ruth de Souza
- Sabina da Cruz
- Salústia
- Sebastião Rufino
- Sidney Amaral
- Sofia Ferreira Chaves
- Solano Trindade
- Tancredo da Silva Pinto
- Teodora Dias da Cunha
- Teodoro Sampaio
- Teresa Bicuda
- Tereza de Benguela
- Tereza de Jesus de Souza
- Theodosina Ribeiro
- Thereza Santos
- Tia Ana
- Tia Carmem do Ximbuca
- Tia Ciata
- Tia Eva
- Tia Inácia
- Tia Marcelina
- Tia Maria
- Tia Maria do Jongo
- Tia Simoa
- Tias baianas: Amélia Silvana de Araújo, Fé Benedita de Oliveira e Perciliana Maria Constança
- Tias fluminenses: Maria José Costa Alves, Olívia Marinho de Lima e Vicentina do Nascimento
- Tobias Barreto
- Tomás
- Trajano
- Tula Pilar
- Vicente de Souza
- Vicente Ferreira¹
- Vicente Ferreira²
- Virgínia Leone Bicudo
- Vitória da Conceição
- Vitória ou Vitorão
- Wilson Simonal
- Zacimba Gaba
- Zé Kéti
- Zeferina
- Zeni Pereira
- Zózimo Bulbul
- Zumbi
Ilustrações
A capa do livro é uma obra de Oga Mendonça.[10][11] Além dela, há 103 retratos apresentados no livro e que foram produzidos por 36 artistas de diferentes regiões do Brasil.[21][22][23][7][8][24][25][26] As obras são retratos ficcionais de algumas das pessoas descritas no livro e buscaram "conferir possibilidade de retratos a personalidades negras, já que antes do século XIX, apenas os nobres eram retratados".[27]
O fator importante é inserir dentro da discussão como o racismo estrutural invisibiliza a história de pessoas negras na história no Brasil. Para isso, além de colocar os retratos lado a lado, também apresentamos as biografias dessas personalidades retratadas.
— Jaime Lauriano
A escolha das pessoas a ilustrarem as biografias foi realizada após pesquisa no Brasil inteiro e consulta a curadores e artistas. A ideia foi trabalhar não somente com nomes consagrados da arte contemporânea brasileira, pois eram desejados novos olhares e novas abordagens.[28] Foram escolhidos personagens sobre as quais não restaram imagens para serem representados[29] e eles foram distribuídos para os artistas de acordo com conexões significativas.[28]
O Daniel Lima, um artista de São Paulo que tem presença muito forte no ativismo negro, ficou encarregado de retratar líderes de revolta. O Ayrson Heráclito, artista baiano que trabalha bastante com a religiosidades afro-brasileiras, recebeu três líderes religiosos, mas me pediu que todos fossem baianos. Já Renata Felinto, artista que tem uma pesquisa sobre feminismo negro, recebeu três mulheres e dois homens, mas me pediu para trocar esses dois homens por outras duas mulheres.
— Jaime Lauriano[28]
Os ilustradores selecionados foram:[21][22][23][30][31] Amilton Santos (Santos/SP, 1977), Antonio Obá (Ceilândia/DF, 1983), Andressa Monique (Salvador/BA), Arjan Martins (Mesquita/RJ, 1960), Ayrson Heráclito (Macaúbas/BA, 1968), Bruno Baptistelli (São Paulo/SP, 1985), Castiel Vitorino (Vitória/ES, 1996), Dalton Paula (Brasília/DF, 1982), Daniel Lima (Natal/RN, 1973), Desali (Belo Horizonte/MG, 1983), Elian Almeida (Duque de Caxias/RJ, 1994), Hariel Revignet (Goiânia/GO), Heloisa Hariadne (Carapicuíba/SP, 1998), Igi Ayedun (São Paulo/SP, 1990), Jackeline Romio,[32] Jaime Lauriano (São Paulo/SP, 1985), Juliana dos Santos (São Paulo/SP, 1987), Kerolayne Kemblim (Manaus/AM, 1994 ou 1995), Kika Carvalho (Vitória/ES, 1992), Lidia Lisboa (Guaíra/PR, 1970), Marcelo D’Salete (São Paulo/SP, 1979), Mariana Rodrigues (Osasco/SP, 1995), Micaela Cyrino (São Paulo/SP, 1988), Michel Cena (São Paulo/SP, 1985), Moisés Patricio (São Paulo/SP, 1984), Mônica Ventura (São Paulo/SP, 1985), Mulambö (Saquarema/RJ, 1995), Nadia Taquary (Salvador/BA), Nathalia Ferreira (Jaboatão dos Guararapes/PE, 1994), Oga Mendonça (São Paulo/SP),[33] Panmela Castro (Rio de Janeiro/RJ, 1981),[34] Rebeca Carapiá (Salvador/BA), Renata Felinto (São Paulo/SP, 1978), Rodrigo Bueno (Campinas/SP, 1967), Sonia Gomes (Caetanópolis/MG, 1948), e Tiago Sant’Ana (Santo Antonio de Jesus/BA, 1990).
Histórico e derivações
Segundo Flávio dos Santos Gomes, historiador e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o projeto que deu origem à Enciclopédia Negra começou a ser construído em 2016 e é fruto das mudanças que ocorreram nas duas décadas iniciais do século XXI na área da historiografia. Durante a trajetória do projeto, em 2018, Flávio dos Santos Gomes e Lilia Moritz Schwarcz publicaram o livro antecessor “Dicionário da Escravidão e Liberdade: 50 Textos Críticos”.[24]
Ao pesquisar um desses relatos de viajantes que passaram pelo Brasil, você descobre que ele só chegou lá porque tinha um canoeiro ou um guia negro. E aí temos referências para saber o nome desses personagens.
— Flávio dos Santos Gomes[7]
O projeto da Enciclopédia Negra ainda inclui uma revista acadêmica com 15 biografias de personalidades negras vivas, produzida com o Núcleo de Estudos Afro-brasileiros da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (NEAB-UFRB). Também foram produzidos 36 vídeos curtos com entrevistas com os artistas que criaram as obras de arte para a enciclopédia, em parceria com a Preta Portê Filmes.[16]
Além disso, o projeto instigou a realização de palestra presenciais e on-line em muitas instituições ao redor do Brasil, centradas em questões relacionadas à presença negra no país.[35][36] E também instigou artigos acadêmicos e uso em sala de aula.[37]
Além da parte textual, composta por 416 verbetes, o livro ainda apresentou obras de arte produzidas por 36 artistas de diferentes regiões do Brasil. Com a importância adquirida por tais ilustrações da Enciclopédia Negra, elas foram reunidas pelos autores do livro em formato de coleção e expostas em importantes espaços culturais ao redor do Brasil.[7]
Exposição em São Paulo
A exposição "Enciclopédia Negra" composta por 103 obras foi realizada na Pinacoteca de São Paulo, entre os dias 01 de maio de 2021 a 08 de novembro de 2021.[7][38][39][40][41][42] Foi dividida em seis núcleos temáticos: Rebeldes; Personagens atlânticos; Protagonistas negras; Artes e ofícios; Projetos de liberdade; e Religiosidades e ancestralidades.[21][43] Também foi criado um tour virtual pelas seis salas da exposição, produzido pela Startup iTeleport Vivências Virtuais em parceria com a Pinacoteca de São Paulo, disponibilizado aqui.[22][44] O projeto também disponibilizou leitura de imagens e visita educativa com a educadora Willmihara de forma online e gratuitas.[45]
As 103 obras passaram a integrar a coleção permanente da Pinacoteca de São Paulo;[27][46] o que ampliou o número de obras de artistas negros no acervo da instituição de 26 para 129 obras.[21] Uma segunda exposição física das obras da Enciclopédia Negra foi inaugurada na Pinacoteca no ano seguinte, no dia 10 de abril de 2022.[7]
De setembro a 3 de dezembro de 2021, uma exposição foi montada na Unidade Municipal de Educação (UME) Cidade de Santos, com pôsteres de 12 personagens do livro disponibilizados pela editora Companhia das Letras. A exposição foi intitulada "Enciclopédia Negra em Sala de Aula".[47] O mesmo conjunto de pôsteres foi organizado em exposição realizada no Colégio São Luís, entre os dias 07 e 11 de novembro de 2021, em parceria com a Secretaria Municipal de Educação (SME) de São Paulo.[48][49]
No dia 31 de maio de 2022, a mesma exposição foi montada no Centro de Referência da Educação “Prefeito Flávio Callegari”, parte do Complexo da Prefeitura Municipal de Atibaia, para inauguração do espaço cultural. Foi organizada pelas Secretarias de Educação e de Cultura e pelo Colégio São Luíse ficou em cartaz até 29 de julho de 2022.[50]
Exposição em Sergipe
Parte da exposição original foi levada para Aracaju e organizada em uma nova exposição intitulada "Enciclopédia Negra", realizada no Espaço Cultural Maria Hermínia, do Complexo Administrativo e Pedagógico da Educação Estadual, com o apoio da Secretaria de Estado da Educação, do Esporte e da Cultura (Seduc). A mostra foi inaugurada no dia 18 de Novembro de 2021, sob responsabilidade do professor Wendel Salvador, técnico do Secad.[51][52]
Exposição no Rio de Janeiro
A exposição no Museu de Arte do Rio recebeu o títuo de "Coleção MAR + Enciclopédia Negra" e foi inaugurada no dia 5 de maio de 2022 e se encerrou em 11 de setembro de 2022. Cinco artistas foram convidados pelo MAR para criarem outros retratos que foram incluídos na exposição: Márcia Falcão, Larissa de Souza, Yhuri Cruz, Bastardo, Jade Maria Zimbra e Rafael Bqueer. As obras encomendadas pelo MAR passaram a compor sua coleção após o término da exposição.[27][53][54][55][56]
O público vai conhecer a história de quase 200 personalidades negras porque as obras estão acompanhadas de pequenas biografias e ter contato com um catálogo sensacional de artistas negros, negras e negris. É uma oportunidade de ver o trabalho de jovens artistas, que têm feito uma arte figurativa, política, ativista e belíssima de grande qualidade e reconhecimento nacional e internacional. Essa é uma exposição em que o público irá de encontro a uma nova forma de se ver, estar e experimentar esse Brasil numa visão mais inclusiva e mais plural porque ela enfrenta de maneira direta uma política de apagamento das populações negras.
— Lilia Schwarcz (consultora e curadora da exposição)[7]
Ver também
- História do povo afro-brasileiro
- Enciclopédia Brasileira da Diáspora Africana
- Encyclopedia Africana
- História Geral da África
- Enciclopédia dos Povos Indígenas no Brasil
Referências
- ↑ a b «Enciclopédia negra - Flávio dos Santos Gomes, Jaime Lauriano e Lilia Moritz Schwarcz - Grupo Companhia das Letras». www.companhiadasletras.com.br. Consultado em 15 de abril de 2023
- ↑ Prado, Thais (1 de abril de 2021). «"Enciclopédia Negra" traz mais de 500 personalidades negras ignoradas pelos livros». Mundo Negro. Consultado em 15 de abril de 2023
- ↑ Cruz, Fundação Oswaldo. «Boletim Ciência - Enciclopédia Negra: Biografias Afro-brasileiras». Canal Saúde - Fiocruz. Consultado em 15 de abril de 2023
- ↑ Gearini, Victória (24 de março de 2021). «'Enciclopédia Negra': conheça a ilustre obra que resgata a saga de figuras negras históricas». Aventuras na História. Consultado em 15 de abril de 2023
- ↑ a b Ana Paula Orlandi (maio de 2021). «Personalidades negras no Brasil: Na luta contra o esquecimento». Goethe-Institut. Consultado em 15 de abril de 2023
- ↑ «'Enciclopédia Negra': livro lembra 550 personalidades negras esquecidas pela história». Casa Vogue. Consultado em 15 de abril de 2023
- ↑ a b c d e f g h i Schmidt, Fundação Yedda & Augusto Frederico; michael (3 de abril de 2021). «'Enciclopédia negra' resgata protagonismo de figuras pouco conhecidas da História » Fundação Schmidt». Fundação Schmidt. Consultado em 15 de abril de 2023
- ↑ a b c «'Enciclopédia negra' resgata protagonismo de figuras pouco conhecidas da História». O Globo. 27 de março de 2021. Consultado em 15 de abril de 2023
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- ↑ «Afonso Borges: livros para entender o Brasil - Ilustríssima - Folha de S.Paulo». arte.folha.uol.com.br. Consultado em 15 de abril de 2023
- ↑ «Pinacoteca de SP apresentará o projeto "Enciclopédia Negra" - Noticia Preta - NP». noticiapreta.com.br. Consultado em 15 de abril de 2023
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- ↑ «Quatro Cinco Um: a revista dos livros - A Enciclopédia negra e os retratos afro-brasileiros». Quatro Cinco Um: a revista dos livros. Consultado em 15 de abril de 2023
- ↑ a b c «Enciclopédia Negra e as mulheres». Instituto Ibirapitanga. Consultado em 15 de abril de 2023
- ↑ «Enciclopédia negra: uma referência fundamental na nossa estante – Jornal Pensar a Educação em Pauta». Consultado em 15 de abril de 2023
- ↑ «Enciclopédia Negra | Flávio dos Santos Gomes, Jaime Lauriano, Lilia Moritz Schwarcz - Resenha Crítica». 1 de janeiro de 2022. Consultado em 15 de abril de 2023
- ↑ «A Enciclopédia Negra é um estudo abrangente e politizado das personalidades afro-brasileiras». CartaCapital. 10 de abril de 2021. Consultado em 15 de abril de 2023
- ↑ Redação (16 de junho de 2021). «"Enciclopédia Negra": um livro de muitas mãos, mentes e vidas». ARTE!Brasileiros. Consultado em 15 de abril de 2023
- ↑ a b c d e «Personalidades negras ignoradas pela história são tema de exposição em SP». Exame. 3 de maio de 2021. Consultado em 15 de abril de 2023
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- ↑ a b «'Enciclopédia Negra' descortina olhares sobre a história com biografia de 550 personalidades negras». www.folhape.com.br. Consultado em 15 de abril de 2023
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- ↑ Afro, Projeto. «Artista». Projeto Afro. Consultado em 15 de abril de 2023
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