De Chocolat

De Chocolat
De Chocolat, retratado em 1925
Nome completoJoão Cândido Ferreira
Outros nomesJocanfer
Nascimento
Morte
27 de dezembro de 1956 (69 anos)

ResidênciaRio de Janeiro
Nacionalidadebrasileiro
OcupaçãoPoeta, compositor, teatrólogo e cantor

De Chocolat, nome artístico de João Cândido Ferreira (Salvador, 18 de maio de 1887Rio de Janeiro, 27 de dezembro de 1956) foi um cantor, compositor, teatrólogo e poeta brasileiro.[1] Também conhecido pela alcunha de Jocanfer, utilizada por ele no início da carreira.

Biografia

Juventude e viagem ao exterior

Nascido na Bahia, o artista migrou para o Rio de Janeiro em torno de 1908 ou 1909. Apresentava-se em pequenos teatros, cinemas e circos como cançonetista, adotando o nome de Jocanfer, as sílabas iniciais de seus três nomes.[2]

Jocanfer, acompanhado do artista Boneco, no ano de 1910.

Em 1918 e 1919, o artista fez uma visita a Paris para algumas apresentações artísticas. Devido a cor de sua pele, começou a ser "Monsieur De Chocolat", alcunha que mais tarde foi abreviada para "De Chocolat" e que tornou seu nome artístico definitivo.[2]Nesta viagem, De Chocolat vivenciou a curiosidade que a Europa tinha pelo exotismo das coisas da África, refletida na Revue Nègre e no destaque conquistado pela estrela norte-americana Josephine Baker.

Companhias de teatro

De volta ao Brasil ele se associou ao coreógrafo português Jaime Silva, no Rio de Janeiro, e após modificarem a estrutura das revistas e burletas que existiam com a estilização das danças e músicas inspiradas na cultura afro-brasileira ou afro-americana, estrearam finalmente em 31 de julho de 1926 a Companhia Negra de Revistas.[3]

O surgimento da Companhia Negra de Revistas marcou o início do teatro negro no Brasil, entusiasmando a crítica e o público e gerou polêmica, com os debates variando entre os pró e aqueles que estavam imbuídos de racismo. Foram encenadas algumas peças no Rio de Janeiro, em São Paulo, Minas Gerais e outros estados pelos quais a companhia excursionou. Além das dificuldades, já em setembro de 1926 os sócios De Chocolat e Silva começaram a se desentender até que o primeiro se desligou da Companhia. A Companhia durou mais um ano, findando em julho de 1927.[3]

Em seguida, De Chocolat fundou a "Ba-Ta-Clan Preta", que teve apenas dois meses de duração, encerrando-a após apresentar-se em São Paulo.

Ao longo da década de 1930, De Chocolat organizou outros grupos teatrais, como a Companhia Mulata Brasileira[4] em 1931, com a participação do músico Pixinguinha; e a Companhia Negra de Operetas e Revistas, que contava em seu elenco com Grande Otelo, Áurea Brasil, Celeste Aída, Índia do Brasil, Aida Santos, De Carambola, Apolo Correa e Moacir Nascimento.[5][6]

Morte

De Chocolat faleceu de derrame cerebral em 1956, no Rio de Janeiro, aos 69 anos.[7]

Referências

  1. «De Chocolat». Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira. Consultado em 11 de outubro de 2022 
  2. a b Barros, Orlando (2005). Corações de Chocolat. A história da Companhia negra de Revistas (1926-1927). Rio de Janeiro: Livre Expressão. ISBN 85-98213-14-4 
  3. a b Bacellar, Jeferson (Junho de 2007). «Corações de Chocolat: a história da Companhia Negra de Revistas (1926-27)». Scielo. Revista de Antropologia (50 (1)). Consultado em 6 de outubro de 2025 
  4. «"Deixa eu morá com você..." de De Chocolat, no República». Hemeroteca Digital Brasileira. A Noite (06898): 8. 7 de fevereiro de 1931. Consultado em 8 de outubro de 2025 
  5. «A empreza Luiz Galvão apresenta a mais original novidade teatral destes últimos tempos!...». Republicado por Hemeroteca Digital Brasileira. Casa dos Artistas: Boletim especial em comemmoração ao 19° anniversário de sua fundação: 216. 24 de agosto de 1937. Consultado em 11 de outubro de 2022 
  6. «O elenco da Companhia Negra de Operetas e Revistas». Hemeroteca Digital Brasileira. Jornal do Brasil (00196): 16. 23 de agosto de 1938. Consultado em 8 de outubro de 2025 
  7. «Morreu "De Chocolat" - um artista da "velha guarda"». Hemeroteca Digital Brasileira. Tribuna da Imprensa (n.2126): 5. 28 de dezembro de 1956. Consultado em 20 de outubro de 2025