Flávio dos Santos Gomes
| Flávio dos Santos Gomes | |
|---|---|
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| Nascimento | 6 de março de 1964 (61 anos) |
| Alma mater | Universidade do Estado do Rio de Janeiro Universidade Federal do Rio de Janeiro |
| Prémios | Prémio Jabuti Prémio Casa de las Américas Prêmio Arquivo Nacional de Pesquisa |
| Empregador(a) | Universidade Federal do Rio de Janeiro |
| Género literário | História |
| Magnum opus | A Hidra e os Pântanos |
Flávio dos Santos Gomes (Rio de Janeiro, 6 de março de 1964) é um historiador e professor universitário[1] brasileiro. É considerado um dos mais destacados pesquisadores em história da escravidão e da pós-emancipação no Brasil, dos séculos XVII a XX, com vasta obra publicada no Brasil e no exterior, entre livros, coletâneas, capítulos e artigos[2].
Formação e carreira
Formou-se em História, em 1989, pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro e em Ciências Sociais, em 1990, pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Sua dissertação de Mestrado (Histórias de Quilombolas)[3] foi defendida em 1993 e sua tese de Doutoramento (A Hidra e os Pântanos)[4], em 1997, ambas no programa de pós-graduação em História Social pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), sob a orientação de Robert W. Slenes.
Realizou diversos pós-doutoramentos[5]: Universidade de São Paulo (2008-2009), CPDOC, FGV-RJ (2012-2013), Escola de Economia, FGV-SP (2021-2022) e Universidade Federal Fluminense (2025-2026). Em meados de 2014, esteve como pesquisador visitante da Universidade de Nova Iorque (NYU) e, em 2019, foi professor visitante na Universidade de São Paulo. Começou a sua carreira docente como professor na Universidade Federal do Pará (UFPA), entre 1994 e 1998, e depois na Universidade Federal do Rio de Janeiro[6], a partir de fevereiro de 1998. Desde então, tem atuado na graduação, pós-graduação e extensão, oferecendo disciplinas obrigatórias em História do Brasil (Império) e disciplinas eletivas em História Social, História do Trabalho, Movimentos Sociais, História do Rio de Janeiro, Arqueologia Histórica, História da Saúde, etc. Tem atuado nos três programas de pós-graduação do Instituto de História da UFRJ: Programa de Pós-Graduação em História Social (PPGHIS), Programa de Pós-Graduação em História Comparada (PPGHC) e Programa de Pós-Graduação em Ensino de História (PPGEH). Durante quase uma década, atuou como professor colaborador do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal da Bahia (UFBA)[7] e, por períodos esparsos, esteve vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Arqueologia (Museu Nacional) da UFRJ e ao Programa de Pós-Graduação em Educação da UFRJ. Entre 2020 e 2021, ficou vinculado como pesquisador colaborador junto ao Núcleo de Estudos Populacionais, NEPO-Unicamp.
Contribuição historiográfica
Tem uma reconhecida contribuição historiográfica no campo da História Social, destacando as áreas de escravidão, pós-emancipação, campesinato e fronteiras. Suas reflexões originais sobre quilombos e mocambos ganharam cada vez mais relevância, ao enfatizar os aspectos complexos das microssociedades camponesas, caracterizando estas comunidades de fugitivos. Também foram importantes em termos metodológicos os seus estudos sobre demografia e etnicidade das populações africanas em áreas urbanas, incluindo enfermidades, espaços e cartografias. São também reconhecidas e originais suas pesquisas sobre formações negras na Amazônia e fronteiras com as Guianas. Organizou várias coletâneas, abordando as experiências da escravidão e da pós-emancipação, nas perspectivas de gênero, saúde, religiosidades, arqueologia, biografias e vida urbana. Entre as suas contribuições teóricas no campo da História Social da Escravidão, destaca-se o seu conceito de “campo negro”, analisando as conexões entre as comunidades de fugitivos e a sociedade envolvente. Enfatizou, assim, cada vez mais as reflexões sobre o não-isolamento destas formações agrárias negras e a constituição de um campesinato negro, misturando fugitivos, cativos nas fazendas, roceiros negros e a população livre pobre em termos de economia e sociedade. Para seus estudos sobre demografia da escravidão africana no Rio de Janeiro, tem analisado os padrões africanos urbanos, considerando a ideia de identidades transétnicas e prosopografia, no sentido das conexões entre várias camadas de africanos de diversas origens, articulados em mundos do trabalho, moradias e sistema de saúde. Para os estudos sobre pós-emancipação, tem desenvolvido reflexões sobre as dimensões políticas e as experiências de intelectuais negros e negras. Continua realizando estudos em História Atlântica numa perspectiva de história conectada, espaços e cartografias nas Américas, especialmente Venezuela, Colômbia, Guiana Francesa e Cuba. Coordena o Laboratório de Estudos de História Atlântica das sociedades coloniais e pós-coloniais (LEHA)[8] do Instituto de História da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Prêmios
- 2022 – Prêmio Jabuti / Ciências Humanas, pelo livro Enciclopédia Negra (com Jaime Laureano e Lilia Schwarcz).[9]
- 2019 – Finalista do Prêmio Jabuti / Ciências Humanas, pelo livro Dicionário da Escravidão e da Liberdade (com Lilia Schwarcz)[10].
- 2009 – Prêmio Literário da Casa de las Américas, pelo livro O Alufá Rufino, (com João José Reis e Marcus de Carvalho)[11].
- 2009 – Prêmio John Simon Guggenheim Foundation Fellowship[12]
- 2006 – Prêmio Casa de Las Américas, com o livro A Hidra e os Pântanos (menção honrosa)
- 2003 – Prêmio Arquivo Nacional de Pesquisa, com o livro Labirinto das Nações: africanos e identidades no Rio de Janeiro, século XIX (com Carlos Eugênio Líbano Soares e Juliana Barreto Farias).[13]
- 1999 – Prêmio Descobrimento da Fundação Cultural Brasil-Portugal - História, com o estudo sobre as fronteiras da Amazônia Oriental
- 1993 – Prêmio Arquivo Nacional de Pesquisa, pelo livro Histórias de Quilombolas: mocambos e comunidades de senzalas no Rio de Janeiro – século XIX.[14]
Livros
Obras
- Enciclopédia Negra: biografias afro-brasileiras (2021), com Jaime Laureano e Lilia Schwarcz. ISBN 978-8-53-593400-7;
- Communautés d’esclaves insoumis au Brésil (2018). ISBN 978-2-37-309036-9;
- Mocambos e Quilombos. Uma história do campesinato negro no Brasil (2015) ISBN 978-8-58-166123-0;
- De olho em Zumbi dos Palmares - Histórias, símbolos e memória social (2011) ISBN 978-8-56-104193-9;
- O Alufá Rufino: tráfico, escravidão e liberdade no atlântico negro (1822 - 1853) (2010), com João José Reis e Marcus Joaquim de Carvalho. Traduzido para o inglês pela Oxford University Press, e para o castelhano pela Casa de las Americas. ISBN 978-8-53-591736-9;
- Mocambos de Palmares. Histórias e fontes (séculos XVI-XIX) (2010) ISBN 978-8-57-577641-4;
- Histórias de Quilombolas. Mocambos e comunidades de senzalas no Rio de Janeiro -- séc. XIX -- Edição Revista e Ampliada (2006) ISBN 978-8-53-590912-8;
- Negros e Políticas (1888-1937) (2005) ISBN 978-8-57-110876-9;
- Palmares. Escravidão e liberdade no Atlântico Sul (2005) ISBN 978-8-57-244313-5;
- A Hidra e os Pântanos. Mocambos e quilombos no Brasil escravista (2005) ISBN 978-8-57-139590-9;
- Experiências atlânticas: Ensaios e pesquisas sobre a escravidão e o pós-emancipação no Brasil (2003) ISBN 978-8-57-515118-1.
Organizações
- Revoltas Escravas no Brasil (2021), com João José Reis. ISBN 978-6-55-921336-8;
- Dicionário da Escravidão e Liberdade. 50 textos críticos (2018), com Lilia Schwarcz. ISBN 978-8-53-593094-8;
- Rascunhos Cativos. Educação, escolas e ensino no Brasil escravista (2017), com Marcelo Mac Cord e Carlos Eduardo Moreira de Araujo. ISBN 978-8-54-210514-8;
- Religiões Negras no Brasil. Da escravidão a pós-emancipação (2016), com Valéria Costa. ISBN 978-8-58-455008-1;
- Quase-Cidadão. Histórias e antropologias da pós-emancipação no Brasil (2007), com Olivia Cunha. ISBN 978-8-52-250590-6;
- Nas Terras do Cabo Norte: Fronteiras, colonização e escravidão na Guiana Brasileira - Sécs. XVII-XIX (1999) ISBN 978-8-52-470184-9;
- Liberdade por um fio. História dos Quilombos no Brasil (1996), com João José Reis. ISBN 978-8-57-164596-7.
Referências
- ↑ Peixoto, Fernanda de Araujo. «Flávio dos Santos Gomes – História UFRJ». historia.ufrj.br. Consultado em 30 de janeiro de 2026
- ↑ «Flávio dos Santos Gomes - Tudo Sobre». Estadão. Consultado em 30 de janeiro de 2026
- ↑ Gomes, Flávio dos Santos (1992). «Historia de quilombolas : mocambos e comunidades de senzalas no Rio de Janeiro - seculo XIX». Consultado em 29 de janeiro de 2026
- ↑ Gomes, Flávio dos Santos (1997). «A hidra e os pântanos : quilombos e mocambos no Brasil (secs. XVII-XIX)». Consultado em 29 de janeiro de 2026
- ↑ «Flávio dos Santos Gomes - CONECTA UFRJ». conecta.parque.ufrj.br. Consultado em 30 de janeiro de 2026
- ↑ Peixoto, Fernanda de Araujo. «Flávio dos Santos Gomes – História UFRJ». historia.ufrj.br. Consultado em 29 de janeiro de 2026
- ↑ «Flávio dos Santos Gomes — Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo». www.iea.usp.br. Consultado em 30 de janeiro de 2026
- ↑ «Laboratório de História Atlântica – LEHA – Programa de Pós Graduação em História Social | PPGHIS/UFRJ». ppghis.historia.ufrj.br. Consultado em 29 de janeiro de 2026
- ↑ «Premiados do Ano | Prêmio Jabuti». www.premiojabuti.com.br. Consultado em 29 de janeiro de 2026
- ↑ «Prêmio Jabuti - Conheça os 05 Finalistas de 2019 | Prêmio Jabuti». www.premiojabuti.com.br. Consultado em 29 de janeiro de 2026
- ↑ «Escritores brasileiros recebem prêmio literário Casa das Américas». UOL. 27 de janeiro de 2012. Consultado em 29 de janeiro de 2026
- ↑ «Guggenheim Fellowships: Supporting Artists, Scholars, & Scientists». www.gf.org. Consultado em 29 de janeiro de 2026
- ↑ «Prêmio Arquivo Nacional de Pesquisa». premios.an.gov.br. Consultado em 30 de janeiro de 2026. Cópia arquivada em 5 de dezembro de 2025
- ↑ «Prêmio Arquivo Nacional de Pesquisa». premios.an.gov.br. Consultado em 30 de janeiro de 2026. Cópia arquivada em 5 de dezembro de 2025
