Economia de Portugal
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| Moeda | Euro (1 Euro = 200,482 Escudos portugueses) |
|---|---|
| Ano fiscal | Ano calendário |
| Blocos comerciais | OMC, União Europeia e OCDE |
| Banco Central | Banco de Portugal |
| Estatísticas | |
| PIB | |
| Variação do PIB | |
| PIB per capita | |
| PIB por setor | Agricultura 2,6% Indústria 22,6% Comércio e Serviços 74,8% |
| Inflação (IPC) | |
| População abaixo da linha de pobreza | |
| Coeficiente de Gini | |
| Força de trabalho total | |
| Força de trabalho por ocupação | Agricultura: 11,7% Indústria: 28,5% Comércio e Serviços: 59,8% |
| Desemprego | |
| Principais indústrias | Têxteis, Roupas, calçados, Madeira e Cortiça, Papel, Produtos Químicos, Peças para Automóveis, Metais, Lacticínios, Vinho e outros Alimentos, Porcelana e Produtos Cerâmicos, Vidro, Produtos Tecnológicos e de Telecomunicações, Construção e Manutenção de Navios, Turismo |
| Exterior | |
| Exportações | |
| Produtos exportados | Produtos Agrícolas, Alimentos, derivados de Petróleo, Produtos Químicos, Plásticos e Borracha, Peles e Couro, Madeira e Cortiça, Polpa de Madeira e Papel, Têxteis, Roupas, Calçados, Minerais, Metais, Máquinas e Ferramentas, Veículos e Materiais de Transporte, Instrumentos Ópticos e de Precisão |
| Principais parceiros de exportação | |
| Importações | |
| Produtos importados | Produtos Agrícolas, Alimentos, derivados de Petróleo, Produtos Químicos, Plásticos e Borracha, Peles e Couro, Madeira, Cortiça e Polpa de Madeira, Têxteis, Roupas, Calçados, Minerais, Metais, Máquinas e Ferramentas, Veículos e Materiais de Transporte, Instrumentos Ópticos e de Precisão, Computadores e peças, Semicondutores, Utensílios Domésticos, Automóveis novos e usados, produtos de Vinho |
| Principais parceiros de importação | |
| Dívida externa bruta | |
| Finanças públicas | |
| Receitas | |
| Despesas | |
| Fonte principal: [[14] The World Factbook] Salvo indicação contrária, os valores estão em US$ | |
A economia de Portugal é a 49.ª maior economia mundial em 2021,[15] representando um Produto interno bruto de perto de 250 mil milhões de dólares, crescendo em cerca de 4,9% depois da crise económica durante a pandemia da COVID-19 no ano de 2020, aonde registou uma queda de 8,4%, passando de 240 mil milhões de dólares em 2019 para 228,5 mil milhões de dólares.[16] Assim, a economia portuguesa já recuperou totalmente da crise económica da COVID-19. Já o Produto interno bruto per capita, a riqueza que cada cidadão cria, foi de 36.700 dólares em 2021,[17] estando em 34° na comparação mundial.
Com a revolução de 1974 e o fim do Estado Novo, o país atravessou um período de ajustamento e contínua modernização do modelo económico.[18] Enquanto a economia portuguesa não chegava aos 20 mil milhões de dólares em 1975, em 2021 estava perto dos 250 mil milhões de dólares, crescendo assim cerca de 13 vezes em 46 anos.
Caracterização
Atualmente, a estrutura da economia portuguesa baseia-se principalmente no setor dos serviços, que representa cerca de 67% do Produto Interno Bruto (PIB) do país. A partir de 2002, Portugal tem vindo a enfrentar um problema de estagnação económica, com a economia a crescer menos de 2% ao ano, abaixo da média da União Europeia, que é de 2,5%. A partir de 2009, Portugal tem vivido uma situação de recessão económica, conjugada com um crescimento contínuo da dívida pública, políticas de austeridade, nacionalização de bancos falidos, intervenção externa acompanhada de resgates financeiros à economia nacional, dificuldades no controlo do défice, clima de contestação social e atritos entre diversas instituições, nomeadamente o governo e o tribunal constitucional, provocados pela crise económica. Segundo dados de 2010, o país é o 43.º no ranking de competitividade do Fórum Económico Mundial.[19]
História
Desde 1974, a evolução do PIB a preços constantes pode ser dividida em diferentes períodos:
- Os anos do PREC, 1974 e 1975, em que o PIB calculado a preços constantes decresceu 2,34%, com destaque para o tumultuoso ano de 1975 em que registou um decréscimo de 5,10%, o pior desde a Revolução dos Cravos;
- Os anos entre a entrada em vigor da Constituição de 1976 e a entrada na CEE, entre 1976 e 1985, durante os quais o PIB cresceu 36,94%, a uma taxa média anual de 3,19%;
- Os anos entre a entrada na CEE e a entrada em circulação do Euro, entre 1986 e 2001, durante os quais o PIB cresceu 86,11%, a uma taxa média anual de 3,96%, facto a que não será alheia a entrada massiva de fundos comunitários destinados à modernização da economia portuguesa. Este período divide-se entre as governações de dois Primeiros Ministros: Cavaco Silva, que até ao fim do seu último governo, em 1995, viu a economia crescer 48,26%, a uma taxa média de 4,02% ao ano; e António Guterres que até 3 meses antes do fim do seu último governo viu a economia crescer 25,53%, a uma taxa média de 3,86% ao ano;
- Os anos desde a entrada em circulação do Euro e o recurso ao apoio financeiro externo por parte do FMI e do Fundo Europeu de Estabilização Financeira, entre 2002 e Junho de 2011, em que a economia portuguesa estagnou, tendo crescido apenas 4,40%, a uma taxa média de 0,45% ao ano. Durante este período Portugal teve como Primeiros Ministros Durão Barroso, antigo presidente da Comissão Europeia e Pedro Santana Lopes, ambos apoiados pelo PSD e CDS-PP, entre Abril de 2002 e Março de 2005. Entre 2002 e 2004, o PIB cresceu 1,40%, a uma taxa média anual de 0,46%. De 2005 a Junho de 2011 foi Primeiro-Ministro José Sócrates. Entre 2005 e Junho de 2011, o PIB cresceu 2,96%, a uma taxa média anual de 0,45%;
- O descontrolo da dívida soberana, do défice público e o consequente insuportável aumento dos juros que o Estado português se viu obrigado a ter de pagar para se poder financiar nos mercados internacionais levou a que se recorresse à intervenção externa por parte do FMI e do Fundo Europeu de Estabilização Financeira. A partir do 2.º semestre de 2011, já com Pedro Passos Coelho como Primeiro-Ministro, a economia portuguesa, que já tinha entrado em recessão, viu o seu PIB desacelerar-se mais rapidamente, tendo este caído 5,50% até ao fim de 2013, atingindo uma queda de 5,45% até ao final do 2º trimestre de 2014, a uma taxa média anual de 1,85%. A queda do PIB em 2012, de 3,17%, foi a 2.ª pior desde o 25 de Abril de 1974, só superada pela de 1975.[20][21][22][23][24][25]
Tendo aderido à então Comunidade Económica Europeia, em 1986 (que se veio a tornar na União Europeia) juntamente com a Espanha, o país iniciou, então, um período de fortes reformas e de elevados investimentos em infraestruturas que se refletiram numa rápida aceleração do crescimento económico português. Entre 1970 e 2003, o produto interno bruto per capita, isto é, tudo o que é produzido pelo país dividido por cada habitante, cresceu de pouco mais de 50% para cerca de 70% da média europeia.
Portugal foi dos primeiros países selecionados para a fase final da União Económica e Monetária, iniciando a introdução do Euro como moeda a partir de 1 de Janeiro de 1999. A circulação de notas e moedas iniciou-se em 1 de Janeiro de 2002. A participação no Euro obriga o país ao cumprimento das regras do Pacto de Estabilidade e Crescimento, obrigando o controle das contas públicas e da inflação, mas assegurando ao país níveis mínimos históricos de inflação e taxa de juro.
Entre 1985 e 1995, a economia portuguesa, com a saída do FMI e a entrada na Comunidade Económica Europeia, verificou taxas de crescimento económico elevadas que foram em média, nesse período de 10 anos, de 3,7%. Durante esse mesmo período, verificou-se uma redução de 19,5% na inflação para os 4,2%. Entre 1995 e 2001, o crescimento anual da economia foi de 3,9%, levemente superior ao dos 10 anos precedentes.
Desde 2002 a economia portuguesa tem estado estagnada ou em recessão, à excepção do ano de 2007 em que cresceu 2,4%. De 2002 a Junho de 2011, durante os governos de Durão Barroso, Santana Lopes e José Sócrates a economia cresceu a uma taxa média anual inferior a 0,5%. Desde Julho de 2011 a economia recuou a uma taxa média anual de 2,5%. Entre 2002 e 2013, a economia recuou 1,3%.[26]
Crise financeira 2008-2011
O fraco desempenho da economia portuguesa foi explorado em abril de 2007 pelo The Economist, que descreveu Portugal como "um novo homem doente da Europa".[27] Entre 2002 a 2007, a taxa de desemprego aumentou de 5% para 8% (270 500 cidadãos desempregados em 2002 para 448 600 cidadãos desempregados em 2007).[28] No início de dezembro de 2009, o desemprego atingiu 10,2 % da população, o maior em 23 anos. Desde então, o desemprego já subiu para 15,6%, no final de 2013 e a emigração intensificou-se, com destaque para a mão de obra qualificada. Só entre janeiro de setembro de 2013, a população activa em Portugal diminuiu 1,6%. Em dezembro de 2009, a agência de classificação de risco Standard & Poor's rebaixou a sua avaliação de crédito de longo prazo de Portugal de "estável" para "negativa", expressando o pessimismo sobre as debilidades estruturais económicas do país e a fraca competitividade, o que prejudicaria o crescimento e a capacidade de reforçar a sua finanças públicas.[29] Em julho de 2011, a agência de classificação Moody's rebaixou a sua avaliação após o aviso do risco de deterioração em março de 2011.[30]
A corrupção tornou-se um assunto de importância política e económica para o país. Alguns casos são bem conhecidos e foram amplamente divulgados nos meios de comunicação, tais como acontecimentos em vários municípios envolvendo autoridades municipais e empresários locais, bem como políticos de alto-escalão.[31][32] Não obstante o Índice de Percepções de Corrupção de 2010, compilado pela Transparência Internacional, colocou Portugal na 31ª posição em termos de percepção de corrupção, logo abaixo de Israel e Espanha, e 34 posições acima da Itália.[33]
Um relatório publicado em janeiro de 2011 pelo Diário de Notícias revelou que no período entre a Revolução dos Cravos, em 1974, e 2010, os governos da República Portuguesa sobrecarregaram o erário público com as despesas de parcerias público-privadas pouco claras. Várias consultorias ineficazes e desnecessárias permitiram uma derrapagem considerável na gestão de obras públicas. A economia também foi danificada por créditos de risco, excesso de dívida pública e má-gestão dos fundos estruturais e de coesão europeus durante quase quatro décadas. Aparentemente, o gabinete do primeiro-ministro José Sócrates não foi capaz de prever ou prevenir qualquer destes sintomas e em 2011 o país estava à beira da falência arrastado pela crise financeira internacional.[34]
Em 6 de abril de 2011, o então primeiro-ministro José Sócrates anunciou na televisão nacional que o país pediu ajuda financeira ao Fundo Monetário Internacional (FMI) e ao Fundo Europeu de Estabilidade Financeira, como a Grécia e a República da Irlanda já haviam feito. Foi a terceira vez que a ajuda financeira externa foi solicitada ao FMI — a primeira foi no final de da década de 1970, após a Revolução dos Cravos.[35] Em 6 de julho do mesmo ano, a agência de notação norte-americana Moody's coloca Portugal na avaliação "lixo financeiro", provocando a queda dos maiores bancos nacionais no PSI, iniciando uma onda de revolta em Portugal e na Europa, existindo propostas para criação de uma agência de notação financeira, de modo a acabar com a hegemonia americana.[36]
A dívida pública começou a subir fortemente entre 2004 e 2005, de 61,9% para 67,7%, quando o défice se situou nos 6,5% (o 2º mais alto da UE, só abaixo da Hungria). Desde então e até 2011 o a dívida pública cresceu mais ligeiramente para 71,7% em 2008 e depois disparou para 108,2% em 2011. O combate ao endividamento que desde então se tem tentado fazer tem-se revelado ineficaz, dado que desde 2011 para 2013, a dívida pública voltou a subir para 129,4%.[37] O défice público que subiu de 3,6% em 2008 para 10,2% em 2009 e 9,8% em 2010, voltou a descer para 4,3% em 2011.[38] Desde então o combate ao défice tem sido pouco eficaz, uma vez que este voltou a subir para 6,4% em 2012,[39] tendo descido novamente para 5,2% em 2013.[40] O défice que inicialmente tinha sido acordado com a "troika" (BCE, Comissão Europeia e FMI) que supervisiona o cumprimento dos termos do resgate financeiro negociado com Portugal em 2011, era de 4,5%, 0,7% abaixo do défice anunciado pelo Ministério das Finanças para 2013.
Em Portugal, a despesa pública passou de 33,5% do PIB em 1980 para 47,9% em 2010, tendo a maior parte desse crescimento ocorrido entre 1985 e 1995, durante os 3 governos de Cavaco Silva (10,6%). Ainda assim, esta percentagem pouco supera a da Alemanha (47,5%) e é inferior à da UE a 27 (50,8%) e, nomeadamente, de países como a Dinamarca (59,5%) ou a Finlândia (56%).[41]
A carga salarial da função pública em Portugal atingiu, subiu desde 6,4% do PIB em 2003 (ligeiramente inferior à média da UE de 6,5%) para 6,7% em 2005 (6,3% na UE) e 7,0% em 2007 (6,1% na UE), voltou a descer para os 6,3% em 2008 (6,2% na UE) e voltou a disparar para os 8,4% em 2010 e 2011 (6,6% na UE).[42]
As funções em que o estado português tem revelado uma tendência claramente superior à média da UE para gastar mais, em função do PIB são:
- Funções relacionadas com os órgãos legislativos, executivos, financeiros, fiscais e diplomáticos (3,1% do PIB em 2003, 3,5% em 2005, 2,7% em 2008, 5,0% em 2010 e 3,8% em 2011, consistindo a esmagadora maioria em gastos com remunerações, regalias, consumos intermédios e finais, só se posicionando atrás da Hungria)
- Pagamento do serviço da dívida, particularmente a partir de 2011 (relativamente estável até 2010 em redor dos 3% do PIB, saltou para os 4,2% em 2011)
- Defesa militar (2,0% do PIB em 2011, sendo quase metade desta rubrica gasta em consumos finais e a quase totalidade do resto em consumos intermédios, ordenados e regalias);
- Serviços policiais (1,2% do PIB em 2011, sendo a esmagadora maioria da despesa gasta em remunerações e regalias)
- Serviços de transportes (manteve-se entre os 2,9% do PIB entre 2003 e 2005, desceu para 2,3% em 2007 e voltou a disparar para 3,2% em 2011, tendo sido a quase totalidade desta rubrica gasta em investimentos em infraestruturas, consumos intermédios e finais)
- Serviços médicos sem internamento (estável em 2,3% do PIB entre 2003 e 2005, disparou para os 4,7% em 2011, só abaixo da Espanha. Nesta situação, os gastos com o pessoal são altos em comparação com outros países da UE, mas muito mais baixos que na Espanha ou na Irlanda. A rubrica em que ocorre a grande maioria da despesa é nos consumos finais)
- Na educação, os professores de todos os níveis de ensino auferem ordenados e regalias correspondentes a uma percentagem do PIB maior do que a média da UE, a qual se manteve estável em redor dos 5,3% entre 2003 e 2005 e depois declinou para 4,5% em 2011, em comparação com a média de 3,3% na UE. Esta discrepância pode dever-se ao facto de o PIB per capita em Portugal ser consideravelmente mais baixo que o PIB per capita médio da UE e de haver um atraso histórico ao nível da educação em Portugal que o Estado tenta compensar atraindo profissionais de maior qualidade. Tenha-se em conta que a taxa de abandono escolar em Portugal atingiu em os 23,2%, sendo o 3º mais elevado da UE onde, em média era de 13,5%, nesse ano. É igualmente de tomar nota de que houve, todavia, um progresso considerável a este nível, dado que essa taxa desceu de um elevadíssimo valor de 43,6% em 2000.[43]
- Protecção social no que se refere aos apoios aos idosos, para os quais os apoios que lhes são dirigidos (genericamente) são acima da média da UE (11,2% do PIB, tendo aqueles crescido desde 7,8% em 2003) e, igualmente, os viúvos, que auferiam de apoios correspondentes a 1,7% do PIB em 2011. No entanto, deve-se ter em consideração que, em contrapartida, são muito baixos os gastos dirigidos aos serviços hospitalares que requerem internamento, maioritariamente usufruídos pelos idosos, e também são baixos os que são dedicados à doença e deficiências, às quais os idosos são mais vulneráveis. Não se pode considerar, portanto que os apoios aos idosos em Portugal, se forem considerados em conjunto, sejam particularmente generosos.
Por outro lado, as funções em que o estado português tem revelado tendência para gastar consideravelmente menos do que a média da UE, em função do PIB, são:
- Assuntos económicos gerais, comerciais e laborais (nomeadamente o investimento público, estável em 0,2% do PIB entre 2003 e 2011 e os subsídios à actividade económica, que caíram gradualmente de 0,4% em 2003 para 0,1% em 2011)
- Serviços hospitalares com internamento (após se ter mantido estável em redor dos 2,5% do PIB entre 2003 e 2005, a despesa caiu abruptamente para 0,5% em 2011, um valor baixíssimo em comparação com os outros países da UE)
- Tratamento de resíduos sólidos (estável em 0,2% do PIB entre 2003 e 2011)
- Protecção social, em que Portugal convergiu, a nível de percentagem do PIB gasta com a média da UE, embora não o suficiente. Em 2003, essa percentagem era de 14,2% em comparação com 18,5% na UE a 27, enquanto que em 2011 ela estagnou nos 18,1%, em comparação com os 19,6% na UE a 27. Entre os apoios mais afectados encontram-se os que se dirigem aos deficientes e aos doentes, com os quais os quais o estado gasta 1,5% do PIB (só 3 países da UE gastam menos), à família e à infância (só 1,4% do PIB é gasto neste apoio), e os apoios dirigidos à habitação (0,0%).[44]
Para o grande crescimento do défice e da dívida desde 2009, é preciso ter em conta:
- O colapso financeiro do BPN, resultado da gestão ruinosa do banco, que não conseguiu recuperar um enorme volume de créditos tóxicos. Muitos desses créditos consistiam em empréstimos não garantidos em contrapartida de "promessas de ganhos indevidos" aos administradores do banco, tais como aquisição de posições societárias e activos anteriormente detidos por estes.[45][46] Em 2 de Novembro de 2008 o BPN foi nacionalizado. Desde então, de acordo com a Comissão de Inquérito ao BPN, a nacionalização do banco custou 3405 milhões de euros ao Estado. Em 2010 o banco teve um impacto de 1803 milhões de euros nas contas públicas (1,2% do PIB), 1145 milhões de euros em 2011 e cerca de 500 milhões de euros em 2012.[47][48]
- Outro banco que implicou custos avultados para o Estado foi o BPP, dissolvido em 15 de abril de 2010 pelo Banco de Portugal. Só em 2010, o BPP 450 milhões de euros aos contribuintes, consistindo em garantias accionadas pelo Estado nesse ano.[49]
- A derrapagem nos custos com as Parcerias público-privadas (PPPs): entre 2008 e 2010, as contas das PPPs derraparam em 560,2 milhões de euros, principalmente nas rendas pagas às concessões rodoviárias, nas quais foram pagos mais 425,5 milhões de euros do que o orçamentado. Em 2011 a derrapagem nas rendas com as concessões rodoviárias subiram 28% para 197,4 milhões de euros acima do orçamentado e subiram 42,3% para 266,3 milhões acima do que havia sido previsto para 2010. O Estado gastou um total de 896,6 milhões de euros em rendas às concessões rodoviárias. Também as rendas pagas no âmbito das PPPs no setor da saúde e ferroviário derraparam consideravelmente.[50]
- Swaps contratualizados por empresas públicas com perdas potenciais superiores a 3000 milhões de euros. Em 2013, o governo português reservou 898 milhões de euros no Orçamento de Estado Rectificativo para suportar os custos da liquidação desses contratos, de modo que essas empresas possam pagar às instituições financeiras as perdas acumuladas com os mesmos. As empresas beneficiárias desse apoio são o Metro de Lisboa (548 milhões de euros), o Metro do Porto (315 milhões de euros), a Refer, da qual a ex-Ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque foi administradora durante a assinatura dos respetivos contratos (20 milhões de euros) e a Estradas de Portugal (15 milhões de euros).[51]
Setores

Setor Primário
O setor primário em Portugal era até aos anos 60 o mais importante, sendo que nesta década a população a trabalhar na agricultura desceu rapidamente de 42% em 1960 para 32% em 1970, continuando esta queda até aos dias de hoje, situando-se atualmente em pouco menos de 12%. Apesar de hoje ser pouco expressivo, este setor conta com fortes empresas, como a Lactogal e a Sogrape.
Em 2018, Portugal foi o 9º maior produtor mundial de azeitona (740 mil toneladas), o 16º maior produtor mundial de pera (162 mil toneladas), o 17º maior produtor mundial de tomate (1,33 milhões de toneladas) e o 20º maior produtor mundial de uva (778 mil toneladas). O país também produziu, no mesmo ano, 713 mil toneladas de milho, 431 mil toneladas de batata, 344 mil toneladas de laranja, 267 mil toneladas de maçã, 160 mil toneladas de arroz, além de produções menores de outros produtos agrícolas como repolho (137 mil toneladas), cebola (130 mil toneladas), cenoura (108 mil toneladas), trigo (67 mil toneladas), melão (57 mil toneladas), aveia (55 mil toneladas), etc.[52] Alguns dos produtos mais famosos oriundos de Portugal são o azeite de oliva, o vinho e as pêras portuguesas.
A crónica falta de trabalhadores no sector da agricultura portuguesa, aliada à constante quebra da naturalidade no país, aumentou significativamente a necessidade de aumentar a emigração. De forma a conseguir ultrapassar essas situações estruturais do país e da sua economia foram propostas alterações às leis de imigração pelo Bloco de Esquerda e aprovadas pelo Partido Socialista em 2017 e 2019.
Associado ao desenvolvimento da agricultura intensiva em Portugal está um ressurgimento de tráfico humano para trabalhar em condições de exploração, primeiro nas plantações de azeitona em torno da barragem do Alqueva, mas também nas estufas em torno de Odemira, nas plantações de cereja nas Beiras e na apanha da castanha em Trás-os-Montes. A trágica situação resultou do aproveitamento do relaxamento das leis migratórias sem a devida fiscalização [2][3], a nova legislação, avançada pela Aliança Democrática, não deixou de manter a inevitável abertura aos emigrantes, fundamentais para a indústria agrícola portuguesa.[4] [5][6][7]
Setor Secundário
Indústria
Este setor foi pouco expressivo até meados do século XX quando a partir dos anos 50 e sobretudo dos 60, sofreu uma forte expansão movida pelas mudanças em curso na sociedade portuguesa, pela abertura económica do país com a entrada na EFTA em 1965, os investimentos nas colónias africanas e naturalmente a criação de uma maior sociedade de consumo, ainda assim pouco patente na altura.
A partir dos anos 80, e continuando até aos dias atuais, assistiu-se a uma massiva industrialização do país e reestruturação das empresas, sobretudo na região Norte, a vários níveis, com a chegada de multinacionais estrangeiras e do aumento da taxa de emprego e consequente, deslocação para os arredores e subúrbios. O nível de vida e de emprego melhoraram, assim como o poder de compra. São de salientar o grande crescimento das zonas industriais da Maia e da Trofa, como exemplos a seguir e do surgimento de um enorme número de confecções têxtil até aos finais dos anos 90, onde se viu uma queda na mão de obra, devido à deslocação em grande maioria de empresas nacionais e internacionais para países com mão de obra mais barata. Apesar de tal acontecimento, a região Norte Litoral e região Minho do país continua até aos dia de hoje a ser a responsável pela continuidade do maior número de zonas e parques industriais, com uma taxa de emprego elevada em relação a outras zonas do país e dos maiores índices e níveis de exportações.
Com a entrada na zona euro a partir de 1999 até ao ano de 2002, a competividade com as multinacionais, pequenas e médias empresas aumentou, criando um mercado industrial português mais competitivo e global, tendo maior relevância o esforço e técnicas de produção nacionais, levando a um maior reconhecimento perante outros países europeus.
A vinda da crise económica de 2008, abalou o país, mas não deixou de haver uma continuidade no aumento de exportações e de surgimento de novas médias e pequenas empresas, ao demarcar-se no mercado europeu e internacional.
Energia
A energia em Portugal é atualmente (2018) setor em expansão em Portugal, nomeadamente ao nível da produção de eletricidade. As fontes renováveis representam já um grande peso neste setor.
Setor Terciário
O setor terciário foi o que mais se expandiu desde os anos 60. Neste, destaca-se o turismo, que é um dos grandes setores que faz crescer a economia portuguesa.
A explosão do consumismo sobretudo nos anos 80 e 90 foi a grande mudança social no país que fez aumentar rapidamente o número de empregados no setor terciário, permitindo uma melhoria do nível de vida e uma maior qualificação ao nível de emprego e educação.
Transportes
Desde os anos 30 a rede de estradas aumentou exponenciamente em Portugal. Nos anos 80 e 90 verificou-se uma modernização das infraestruturas, para além da construção de millhares de quilómetros de novas auto-estradas. Na atualidade, Portugal é servido por uma densa e moderna rede de autoestradas, todas com sistema de portagem. Nas ex-SCUT, vão sendo instalados, progressivamente, sistemas de portagens eletrónica.
Indicadores
| PIB[53] | PIB per capita[54] | Dívida pública (em % do PIB)[55] |
Exportações[56] | Taxa de
emprego[57] |
Taxa de
desemprego[58] |
Salário médio mensal | Crescimento populacional | |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| 2004 | ||||||||
| 2005 | ||||||||
| 2006 | ||||||||
| 2007 | ||||||||
| 2008 | ||||||||
| 2009 | ||||||||
| 2010 | ||||||||
| 2011 | 50,2 % | |||||||
| 2012 | ||||||||
| 2013 | ||||||||
| 2014 | 1 173 € | |||||||
| 2015 | ||||||||
| 2016 | ||||||||
| 2017 | ||||||||
| 2018 | ||||||||
| 2019 | ||||||||
| 2020 | ||||||||
| 2021 | ||||||||
| 2022 | ||||||||
| 2023 | 1 460,81 | |||||||
| 2024 |
Dados trimestais
até 1999
| Ano | Trimestre | Produto Interno Bruto
trimestal[53] |
Variação
ao trimestre do ano anterior[59] |
Produto Interno Bruto
anual |
Variação
ao ano anterior |
|---|---|---|---|---|---|
| 1995 | 1.° Trimestre | 21 803 341 000 € | 89 028 557 000 € | ||
| 2.° Trimestre | 22 155 916 000 € | ||||
| 3.° Trimestre | 22 402 001 000 € | ||||
| 4.° Trimestre | 22 667 299 000 € | ||||
| 1996 | 1.° Trimestre | 22 932 634 000 € | 94 351 591 000 € | ||
| 2.° Trimestre | 23 292 466 000 € | ||||
| 3.° Trimestre | 23 979 429 000 € | ||||
| 4.° Trimestre | 24 147 062 000 € | ||||
| 1997 | 1.° Trimestre | 24 900 230 000 € | 102 330 960 000 € | ||
| 2.° Trimestre | 25 298 698 000 € | ||||
| 3.° Trimestre | 25 895 437 000 € | ||||
| 4.° Trimestre | 26 236 595 000 € | ||||
| 1998 | 1.° Trimestre | 26 957 669 000 € | 111 353 381 000 € | ||
| 2.° Trimestre | 27 607 648 000 € | ||||
| 3.° Trimestre | 28 169 153 000 € | ||||
| 4.° Trimestre | 28 618 911 000 € | ||||
| 1999 | 1.° Trimestre | 29 320 088 000 € | 119 603 305 000 € | ||
| 2.° Trimestre | 29 687 185 000 € | ||||
| 3.° Trimestre | 30 017 213 000 € | ||||
| 4.° Trimestre | 30 578 819 000 € |
2000 – 2009
| Ano | Trimestre | Produto Interno Bruto
trimestal[53] |
Variação
ao trimestre do ano anterior[59] |
Produto Interno Bruto
anual |
Variação
ao ano anterior |
|---|---|---|---|---|---|
| 2000 | 1.° Trimestre | 31 471 176 000 € | 128 414 445 000 € | ||
| 2.° Trimestre | 31 670 308 000 € | ||||
| 3.° Trimestre | 32 442 256 000 € | ||||
| 4.° Trimestre | 32 830 705 000 € | ||||
| 2001 | 1.° Trimestre | 33 102 574 000 € | 135 775 009 000 € | ||
| 2.° Trimestre | 33 717 509 000 € | ||||
| 3.° Trimestre | 34 040 671 000 € | ||||
| 4.° Trimestre | 34 914 255 000 € | ||||
| 2002 | 1.° Trimestre | 35 331 942 000 € | 142 554 263 000 € | ||
| 2.° Trimestre | 35 558 735 000 € | ||||
| 3.° Trimestre | 35 776 466 000 € | ||||
| 4.° Trimestre | 35 887 120 000 € | ||||
| 2003 | 1.° Trimestre | 36 039 486 000 € | 146 067 858 000 € | ||
| 2.° Trimestre | 36 326 519 000 € | ||||
| 3.° Trimestre | 36 611 008 000 € | ||||
| 4.° Trimestre | 37 090 845 000 € | ||||
| 2004 | 1.° Trimestre | 37 366 864 000 € | 152 248 388 000 € | ||
| 2.° Trimestre | 37 984 724 000 € | ||||
| 3.° Trimestre | 38 191 047 000 € | ||||
| 4.° Trimestre | 38 705 753 000 € | ||||
| 2005 | 1.° Trimestre | 38 950 837 000 € | 158 552 704 000 € | ||
| 2.° Trimestre | 39 566 513 000 € | ||||
| 3.° Trimestre | 39 745 965 000 € | ||||
| 4.° Trimestre | 40 289 389 000 € | ||||
| 2006 | 1.° Trimestre | 40 650 612 000 € | 166 260 469 000 € | ||
| 2.° Trimestre | 41 368 282 000 € | ||||
| 3.° Trimestre | 41 737 834 000 € | ||||
| 4.° Trimestre | 42 503 741 000 € | ||||
| 2007 | 1.° Trimestre | 43 257 578 000 € | 175 483 401 000 € | ||
| 2.° Trimestre | 43 601 315 000 € | ||||
| 3.° Trimestre | 43 893 397 000 € | ||||
| 4.° Trimestre | 44 731 111 000 € | ||||
| 2008 | 1.° Trimestre | 44 847 894 000 € | 179 102 781 000 € | ||
| 2.° Trimestre | 44 902 251 000 € | ||||
| 3.° Trimestre | 44 791 430 000 € | ||||
| 4.° Trimestre | 44 561 206 000 € | ||||
| 2009 | 1.° Trimestre | 43 330 856 000 € | 175 416 437 000 € | ||
| 2.° Trimestre | 43 671 527 000 € | ||||
| 3.° Trimestre | 44 012 703 000 € | ||||
| 4.° Trimestre | 44 401 351 000 € |
2010 – 2019
| Ano | Trimestre | Produto Interno Bruto
trimestal[53] |
Variação
ao trimestre do ano anterior[59] |
Produto Interno Bruto
anual |
Variação
ao ano anterior |
|---|---|---|---|---|---|
| 2010 | 1.° Trimestre | 44 770 701 000 € | 179 860 351 000 € | ||
| 2.° Trimestre | 44 732 876 000 € | ||||
| 3.° Trimestre | 45 182 466 000 € | ||||
| 4.° Trimestre | 45 174 308 000 € | ||||
| 2011 | 1.° Trimestre | 44 786 773 000 € | 176 318 001 000 € | ||
| 2.° Trimestre | 44 256 146 000 € | ||||
| 3.° Trimestre | 44 054 044 000 € | ||||
| 4.° Trimestre | 43 221 038 000 € | ||||
| 2012 | 1.° Trimestre | 42 832 622 000 € | 168 538 750 000 € | ||
| 2.° Trimestre | 42 011 582 000 € | ||||
| 3.° Trimestre | 41 942 018 000 € | ||||
| 4.° Trimestre | 41 752 528 000 € | ||||
| 2013 | 1.° Trimestre | 42 045 053 000 € | 170 675 649 000 € | ||
| 2.° Trimestre | 42 433 846 000 € | ||||
| 3.° Trimestre | 42 911 021 000 € | ||||
| 4.° Trimestre | 43 285 729 000 € | ||||
| 2014 | 1.° Trimestre | 43 108 606 000 € | 173 186 662 000 € | ||
| 2.° Trimestre | 43 115 977 000 € | ||||
| 3.° Trimestre | 43 439 149 000 € | ||||
| 4.° Trimestre | 43 522 930 000 € | ||||
| 2015 | 1.° Trimestre | 44 377 129 000 € | 179 392 709 000 € | ||
| 2.° Trimestre | 44 677 519 000 € | ||||
| 3.° Trimestre | 45 010 630 000 € | ||||
| 4.° Trimestre | 45 327 431 000 € | ||||
| 2016 | 1.° Trimestre | 45 872 213 000 € | 186 380 749 000 € | ||
| 2.° Trimestre | 46 139 406 000 € | ||||
| 3.° Trimestre | 46 831 078 000 € | ||||
| 4.° Trimestre | 47 538 052 000 € | ||||
| 2017 | 1.° Trimestre | 47 946 532 000 € | 195 509 136 000 € | ||
| 2.° Trimestre | 48 587 418 000 € | ||||
| 3.° Trimestre | 49 182 407 000 € | ||||
| 4.° Trimestre | 49 792 779 000 € | ||||
| 2018 | 1.° Trimestre | 50 342 399 000 € | 204 997 646 000 € | ||
| 2.° Trimestre | 50 917 168 000 € | ||||
| 3.° Trimestre | 51 600 742 000 € | ||||
| 4.° Trimestre | 52 137 337 000 € | ||||
| 2019 | 1.° Trimestre | 52 902 084 000 € | 214 489 895 000 € | ||
| 2.° Trimestre | 53 135 131 000 € | ||||
| 3.° Trimestre | 53 898 781 000 € | ||||
| 4.° Trimestre | 54 553 899 000 € |
a partir de 2020
| Ano | Trimestre | Produto Interno Bruto
trimestal[53] |
Variação
ao trimestre do ano anterior[59] |
Produto Interno Bruto
anual |
Variação
ao ano anterior |
|---|---|---|---|---|---|
| 2020 | 1.° Trimestre | 52 436 061 000 € | 201 032 705 000 € | ||
| 2.° Trimestre | 45 407 090 000 € | ||||
| 3.° Trimestre | 51 359 173 000 € | ||||
| 4.° Trimestre | 51 830 381 000 € | ||||
| 2021 | 1.° Trimestre | 51 295 218 000 € | 216 493 745 000 € | ||
| 2.° Trimestre | 53 216 284 000 € | ||||
| 3.° Trimestre | 55 311 859 000 € | ||||
| 4.° Trimestre | 56 670 384 000 € | ||||
| 2022 | 1.° Trimestre | 58 623 358 000 € | 243 957 086 000 € | ||
| 2.° Trimestre | 60 096 759 000 € | ||||
| 3.° Trimestre | 61 610 107 000 € | ||||
| 4.° Trimestre | 63 626 862 000 € | ||||
| 2023 | 1.° Trimestre | 66 102 056 000 € | 270 352 616 000 € | ||
| 2.° Trimestre | 67 070 033 000 € | ||||
| 3.° Trimestre | 68 228 909 000 € | ||||
| 4.° Trimestre | 68 951 618 000 € | ||||
| 2024 | 1.° Trimestre | 70 876 091 000 € | 289 427 973 000 € | ||
| 2.° Trimestre | 71 729 091 000 € | ||||
| 3.° Trimestre | 72 831 625 000 € | ||||
| 4.° Trimestre | 73 991 166 000 € | ||||
| 2025 | 1.° Trimestre | 74 596 360 000 € | |||
| 2.° Trimestre | 75 899 333 000 € | ||||
| 3.° Trimestre | 77 688 975 000 € |
Comércio internacional
Exportações
| Ano | Trimestre | Exportações[60]
trimestal |
Variação
ao trimestre do ano anterior |
Exportações
anual |
Variação
ao ano anterior |
|---|---|---|---|---|---|
| 2019 | 1.° Trimestre | 14 983 297 815 € | 59 902 809 944 € | ||
| 2.° Trimestre | 15 321 911 658 € | ||||
| 3.° Trimestre | 14 217 399 223 € | ||||
| 4.° Trimestre | 15 380 201 248 € | ||||
| 2020 | 1.° Trimestre | 14 486 101 293 € | 53 757 392 564 € | ||
| 2.° Trimestre | 10 586 457 272 € | ||||
| 3.° Trimestre | 13 786 010 476 € | ||||
| 4.° Trimestre | 14 898 823 523 € | ||||
| 2021 | 1.° Trimestre | 15 450 987 255 € | 63 618 525 288 € | ||
| 2.° Trimestre | 15 795 396 959 € | ||||
| 3.° Trimestre | 15 429 235 931 € | ||||
| 4.° Trimestre | 16 942 905 143 € | ||||
| 2022 | 1.° Trimestre | 18 231 250 400 € | 78 402 738 371 € | ||
| 2.° Trimestre | 20 733 463 608 € | ||||
| 3.° Trimestre | 19 804 927 788 € | ||||
| 4.° Trimestre | 19 633 096 575 € | ||||
| 2023 | 1.° Trimestre | 20 624 434 651 € | 77 340 161 393 € | ||
| 2.° Trimestre | 19 764 410 244 € | ||||
| 3.° Trimestre | 17 896 540 506 € | ||||
| 4.° Trimestre | 19 054 775 992 € | ||||
| 2024 | 1.° Trimestre | 19 604 998 549 € | 78 895 068 760 € | ||
| 2.° Trimestre | 20 237 386 446 € | ||||
| 3.° Trimestre | 19 379 669 219 € | ||||
| 4.° Trimestre | 19 673 014 546 € | ||||
| 2025 | 1.° Trimestre | 21 086 582 752 € | |||
| 2.° Trimestre | 19 902 354 259 € | ||||
| 3.° Trimestre | 19 276 966 508 € | ||||
| 4.° Trimestre |
Economias territoriais
PIB regional
Em 2024, a região da Grande Lisboa registou o maior Produto Interno Bruto regional do país, com mais de 90 mil milhões de euros, seguido pelo Norte com mais de 85 mil milhões de euros. Só estas duas regiões representam mais de 60 % da economia portuguesa.
Em seguida vem o Centro com perto de 40 mil milhões de euros, o Oeste e Vale do Tejo com 18 mil milhões de euros e a Península de Setúbal com 15 mil milhões de euros. Mais a sul vem o Algarve com 14 mil milhões de euros e o Alentejo com 12 mil milhões de euros. Já nas regiões autónomas, a Madeira registou mais de 7 mil milhões de euros e os Açores mais de 5 mil milhões de euros.
| Região | 2024 | ||
|---|---|---|---|
| PIB[61] | Variação
ao ano anterior |
Percentagem
ao PIB nacional | |
| Grande Lisboa | 90 685 940 000 € | 31,3 % | |
| Norte | 85 749 418 000 € | 29,6 % | |
| Centro | 39 654 182 000 € | 13,7 % | |
| Oeste e Vale do Tejo | 18 226 562 000 € | 6,3 % | |
| Península de Setúbal | 15 320 170 000 € | 5,3 % | |
| Algarve | 14 312 161 000 € | 4,9 % | |
| Alentejo | 12 035 392 000 € | 4,2 % | |
| Madeira | 7 486 003 000 € | 2,6 % | |
| Açores | 5 753 263 000 € | 2,1 % | |
| Portugal | 289 427 973 000 € | 100 % | |
PIB sub-regional
Já na divisão sub-regional, a Grande Lisboa lidera no Produto Interno Bruto com mais de 90 mil milhões de euros, seguida pela Área Metropolitana do Porto com perto de 47 mil milhões de euros e a Península de Setúbal com 15 mil milhões de euros. Só estas três sub-regiões concentram mais de 52 % da economia portuguesa.
A seguir vem o Algarve com 14 mil milhões de euros, a Região de Coimbra com mais de 10 mil milhões de euros e a Região de Aveiro, o Cávado e o Ave com todas perto de 10 milhões de euros.
| Sub-região | 2024 | ||
|---|---|---|---|
| PIB[61] | Variação
ao ano anterior |
Percentagem
ao PIB nacional | |
| Grande Lisboa | 90 685 940 000 € | 31,3 % | |
| Área Metropolitana do Porto | 46 966 659 000 € | 16,2 % | |
| Península de Setúbal | 15 320 170 000 € | 5,3 % | |
| Algarve | 14 312 161 000 € | 4,9 % | |
| Região de Coimbra | 10 587 474 000 € | 3,7 % | |
| Região de Aveiro | 9 962 242 000 € | 3,4 % | |
| Cávado | 9 935 971 000 € | 3,4 % | |
| Ave | 9 356 085 000 € | 3,2 % | |
| Oeste | 8 049 413 000 € | 2,8 % | |
| Região de Leiria | 7 655 451 000 € | 2,6 % | |
| Madeira | 7 486 003 000 € | 2,6 % | |
| Tâmega e Sousa | 7 138 441 000 € | 2,5 % | |
| Açores | 5 753 263 000 € | 2,0 % | |
| Lezíria do Tejo | 5 575 136 000 € | 1,9 % | |
| Viseu Dão-Lafões | 5 363 347 000 € | 1,9 % | |
| Alto Minho | 4 967 020 000 € | 1,7 % | |
| Médio Tejo | 4 602 014 000 € | 1,6 % | |
| Beiras e Serra da Estrela | 3 958 851 000 € | 1,4 % | |
| Douro | 3 781 338 000 € | 1,3 % | |
| Alentejo Central | 3 554 518 000 € | 1,2 % | |
| Baixo Alentejo | 3 154 756 000 € | 1,1 % | |
| Alentejo Litoral | 3 127 632 000 € | 1,1 % | |
| Alto Alentejo | 2 198 486 000 € | 0,8 % | |
| Beira Baixa | 2 126 817 000 € | 0,7 % | |
| Terras de Trás-os-Montes | 2 074 736 000 € | 0,7 % | |
| Alto Tâmega e Barroso | 1 529 167 000 € | 0,5 % | |
| Portugal | 289 427 973 000 € | 100 % | |
PIB per capita regional
Em termos de PIB per capita, a região da Grande Lisboa lidera com mais de 42 mil euros, seguido pelo Algarve e pela Madeira, com ambas 29 mil euros e estando assim acima da média nacional, que está em cerca de 27 mil euros.
Pela seguida vem o Alentejo com 25 mil euros, os Açores com perto de 24 mil euros, o Norte e o Centro com ambas 23 mil euros, e em último a Península de Setúbal, com 18 mil euros e sendo assim a região mais pobre em termos de PIB per capita de todas as regiões portuguesas, tendo apenas 67 % da média nacional.
| Região | 2024 | ||
|---|---|---|---|
| PIB
per capita[62] |
Variação
ao ano anterior |
Percentagem
ao PIB nacional | |
| Norte | 23 280 € | 86,0 % | |
| Centro | 23 236 € | 85,9 % | |
| Oeste e Vale do Tejo | 21 220 € | 78,4 % | |
| Grande Lisboa | 42 345 € | 156,5 % | |
| Península de Setúbal | 18 205 € | 67,3 % | |
| Alentejo | 25 348 € | 93,7 % | |
| Algarve | 29 302 € | 108,3 % | |
| Açores | 23 836 € | 88,1 % | |
| Madeira | 29 012 € | 107,2 % | |
| Portugal | 27 063 € | 100 % | |
PIB per capita sub-regional
A sub-região da Grande Lisboa lidera no PIB per capita com mais de 42 mil euros em 2024, seguido pelo Alentejo Litoral com 30 mil euros, o Algarve e a Madeira com ambas 29 mil euros e o Baixo Alentejo com 27 mil euros. Estas cinco sub-regiões estão acima da média nacional, que está situada nos 27 mil euros.
| Sub-região | 2024 | ||
|---|---|---|---|
| PIB
per capita[62] |
Variação
ao ano anterior |
Percentagem
ao PIB nacional | |
| Grande Lisboa | 42 345 € | 156,5 % | |
| Alentejo Litoral | 30 722 € | 113,5 % | |
| Algarve | 29 302 € | 108,3 % | |
| Madeira | 29 012 € | 107,2 % | |
| Baixo Alentejo | 27 262 € | 100,7 % | |
| Área Metropolitana do Porto | 25 942 € | 95,9 % | |
| Região de Aveiro | 25 645 € | ||
| Região de Leiria | 25 561 € | ||
| Açores | 23 836 € | 88,1 % | |
| Região de Coimbra | 23 540 € | ||
| Alentejo Central | 23 164 € | ||
| Cávado | 23 030 € | ||
| Lezíria do Tejo | 22 339 € | ||
| Ave | 22 126 € | ||
| Alto Minho | 21 188 € | ||
| Beira Baixa | 21 187 € | ||
| Alto Alentejo | 21 175 € | ||
| Médio Tejo | 21 164 € | ||
| Viseu Dão-Lafões | 20 772 € | ||
| Douro | 20 547 € | ||
| Oeste | 20 538 € | ||
| Terras de Trás-os-Montes | 19 321 € | ||
| Beiras e Serra da Estrela | 18 827 € | ||
| Alto Tâmega e Barroso | 18 301 € | ||
| Península de Setúbal | 18 205 € | 67,3 % | |
| Tâmega e Sousa | 17 444 € | ||
| Portugal | 27 063 € | 100 % | |
Mercado de trabalho
Portugal é um dos países que mais tem aumentado o salário mínimo nacional[carece de fontes]. O salário mínimo tem, em 2020, o valor de 635 euros por mês. Apesar de ser um valor reduzido comparado a alguns salários europeus, o custo de vida menor em relação aos pares europeus permite ter uma qualidade de vida superior (segundo os estrangeiros que se mudam para o país) também suportada pela grande segurança, bom ambiente e simpatia dos portugueses.
| População
empregada[63] |
Taxa de
emprego[64] |
População
desempregada[65] |
Taxa de
desemprego[66] | |
|---|---|---|---|---|
| 2014 | ||||
| 2015 | ||||
| 2016 | ||||
| 2017 | ||||
| 2018 | ||||
| 2019 | ||||
| 2020 | ||||
| 2021 | ||||
| 2022 | ||||
| 2023 | ||||
| 2024 |
Salários
| Salário médio mensal | Salário mínimo | ||||
|---|---|---|---|---|---|
| 2005 | 374,70 € | ||||
| 2006 | 385,90 € | ||||
| 2007 | 403 € | ||||
| 2008 | 426 € | ||||
| 2009 | 450 € | ||||
| 2010 | 475 € | ||||
| 2011 | 485 € | ||||
| 2012 | 485 € | ||||
| 2013 | 485 € | ||||
| 2014 | 505 € | ||||
| 2015 | 505 € | ||||
| 2016 | 530 € | ||||
| 2017 | 557 € | ||||
| 2018 | 580 € | ||||
| 2019 | 600 € | ||||
| 2020 | 635 € | ||||
| 2021 | 665 € | ||||
| 2022 | 705 € | ||||
| 2023 | 760 € | ||||
| 2024 | € 1 602 | 820 € | |||
| 2025 | 870 € | ||||
| 2026 | 920 € |
Emprego
Taxa de emprego
| [67] | 1.° Trimestre | 2.° Trimestre | 3.° Trimestre | 4.° Trimestre |
|---|---|---|---|---|
| 2015 | ||||
| 2016 | ||||
| 2017 | ||||
| 2018 | ||||
| 2019 | ||||
| 2020 | ||||
| 2021 | ||||
| 2022 | ||||
| 2023 | ||||
| 2024 | ||||
| 2025 |
População empregada
| [63] | 1.° Trimestre | 2.° Trimestre | 3.° Trimestre | 4.° Trimestre |
|---|---|---|---|---|
| 2020 | 4 753 000 | 4 598 000 | 4 649 900 | 4 719 700 |
| 2021 | ||||
| 2022 | ||||
| 2023 | ||||
| 2024 | ||||
| 2025 |
Desemprego
No final da década de 1990, Portugal registava níveis historicamente baixos de desemprego, com taxas anuais inferiores a 5%. Este período coincidiu com uma fase de crescimento económico elevado, refletida em taxas de crescimento do PIB superiores a 6%, o que favoreceu a criação de emprego e a redução do desemprego. A partir de 2001, o desemprego começou a aumentar de forma gradual. Entre 2001 e 2003, a taxa de desemprego subiu de valores próximos de 4% para cerca de 6%, num contexto de desaceleração do crescimento económico, com o PIB a crescer a ritmos significativamente mais baixos do que na década anterior. Este abrandamento limitou a capacidade de criação de emprego, contribuindo para o aumento do desemprego ao longo da primeira metade da década de 2000.
Durante a segunda metade da década de 2000, o desemprego manteve uma tendência ascendente, ultrapassando os 8% em 2007. Apesar de o PIB ainda apresentar crescimento positivo, este foi insuficiente para absorver o aumento da população ativa, evidenciando fragilidades estruturais do mercado de trabalho português. A crise financeira de 2010–2014 marcou um ponto de viragem significativo. A forte desaceleração da atividade económica e a posterior contração do PIB em 2009 estiveram associadas a um aumento acentuado do desemprego, que ultrapassou os 9%, refletindo a redução do investimento, do consumo e do emprego em vários setores. Entre 2011 e 2013, durante a crise da dívida soberana, o desemprego atingiu níveis historicamente elevados. A economia entrou em recessão, com quedas consecutivas do PIB, e o desemprego aumentou rapidamente, atingindo em 2013 o valor mais elevado da série estatística, com uma taxa anual superior a 17%. Este período ficou marcado por falências empresariais, redução do emprego público e privado e aumento da emigração.
A partir de 2014, verificou-se uma redução progressiva do desemprego, acompanhando a retoma económica. O regresso do crescimento do PIB, ainda que moderado, permitiu uma recuperação gradual do emprego, conduzindo a uma descida sustentada da taxa de desemprego ao longo da segunda metade da década de 2010. Em 2020, a pandemia de COVID-19 provocou uma forte quebra da atividade económica. Apesar da acentuada contração do PIB nesse ano, o aumento do desemprego foi relativamente limitado, em comparação com crises anteriores, devido à implementação de medidas excecionais de apoio ao emprego, que atenuaram a destruição de postos de trabalho. Nos anos seguintes, entre 2021 e 2024, o desemprego manteve-se relativamente estável, em torno dos 6% a 7%, beneficiando da recuperação económica. Os dados mais recentes de 2025 indicam uma tendência ligeiramente descendente da taxa de desemprego, associada a um crescimento económico.[68]
Taxa de desemprego
Entre 2015 e 2019, a taxa de desemprego em Portugal registou uma redução contínua e sustentada em todos os trimestres. Em 2015, o desemprego situava-se ainda acima dos 14% no primeiro trimestre, mas desceu progressivamente ao longo dos anos seguintes, atingindo valores próximos dos 6% em 2019, refletindo a recuperação do mercado de trabalho após a crise económica do início da década.
Em 2020, observou-se uma interrupção desta tendência, associada ao impacto da pandemia de COVID-19. Apesar de uma descida no segundo trimestre, o desemprego aumentou de forma significativa no terceiro trimestre, atingindo 8,2%, antes de recuar parcialmente no final do ano.
A partir de 2021, a taxa de desemprego voltou a apresentar uma trajetória de estabilização e ligeira descida, mantendo-se maioritariamente entre 6% e 7%. Em 2022, registaram-se alguns dos valores trimestrais mais baixos da série recente, próximos dos 5,9%, embora com um aumento no último trimestre do ano.
Entre 2023 e 2024, o desemprego manteve-se relativamente estável, sem variações acentuadas ao longo do ano. Os dados disponíveis para 2025 indicam uma continuação da tendência descendente, com a taxa a situar-se abaixo dos 6% no segundo e terceiro trimestres.[68]
| 1.° Trimestre | 2.° Trimestre | 3.° Trimestre | 4.° Trimestre | |
|---|---|---|---|---|
| 2015 | ||||
| 2016 | ||||
| 2017 | ||||
| 2018 | ||||
| 2019 | ||||
| 2020 | ||||
| 2021 | ||||
| 2022 | ||||
| 2023 | ||||
| 2024 | ||||
| 2025 |
População desempregada
| População
desempregada[65] | |
|---|---|
| 2014 | |
| 2015 | |
| 2016 | |
| 2017 | |
| 2018 | |
| 2019 | |
| 2020 | |
| 2021 | |
| 2022 | |
| 2023 | |
| 2024 |
Ver também
- História económica de Portugal
- Economia da União Europeia
- Indústria aeroespacial em Portugal
- Governo da República Portuguesa
- Dívida pública de Portugal
- Lista de impostos de Portugal
Notas e referências
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- ↑ O mundo em 2017 visto pela revista The Economist
- ↑ «Portugal GDP per capita PPP 1990-2015». FMI. Consultado em 25 de agosto de 2015
- ↑ A taxa de inflação em Portugal em 2015 foi divulgada no início de 2016: 0,5%,
- ↑ - Population below poverty line
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- ↑ «População empregada com idade entre 16 e 74 anos (N.º) por Grupo etário; Mensal». ine.pt. Instituto Nacional de Estatística (Portugal). Consultado em 28 de novembro de 2025
- ↑ «Taxa de ine.pt». Consultado em 5 de novembro de 2025
- ↑ a b Portugal
- ↑ a b Destino
- ↑ (em inglês)«Falharam as previsões. Dívida pública aumenta 5,3 mil milhões». Banco de Portugal
- ↑ Portugal reduz dívida externa
- ↑ a b [https://transparencia.gov.pt/pt/orcamento-do-estado/previsao/despesa-receita-previsao/
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Bibliografia
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