Construção naval em Portugal

O sector da construção naval em Portugal tem uma longa tradição.
A construção naval esteve no centro da indústria portuguesa a partir de finais do século XV e inícios do século seguinte.[1] O mais famoso estaleiro naval em Portugal foi o Estaleiro da Ribeira das Naus, que funcionou desde a Idade Média e foi desactivado em 1938 com a criação do Arsenal do Alfeite.
Até ao séc. XVIII, os navios portugueses eram construídos segundo uma "escola nacional", embora os armadores seguissem genericamente o que se fazia nos outros países europeus.[2] No âmbito da sua política de atrair a Portugal técnicos estrangeiros para manter o país actualizado com os progresso técnico da época, D. João V contratou construtores navais estrangeiros e adquiriu muitos livros acerca de construção naval.[2] A partir de então passaram vários franceses, ingleses e holandeses pelos estaleiros reais, que introduziram diversas técnicas novas em Portugal.[2] Em 1740 o responsável pelo lançamento de navios na Ribeira das Naus, e mais tarde no Arsenal de Lisboa, é Manuel Vicente Nunes, certamente já seguidor dos princípios de construção naval inglesa.[2] A vida útil dos navios passou, assim, de 10 a 15 anos para mais de 40.[2] Na segunda metade do séc. XVIII, quase 70% das naus e fragatas portuguesas saíram da Ribeira das Naus, no entanto haviam outros estaleiros no pais.[3]
No Porto, funcionou a Ribeira do Ouro desde pelo menos o séc. XVI a construir galeões. Ali foram lançados os últimos galeões, em 1676. A construção de navios de guerra na Ribeira do Ouro continuou até as suas oficinas e armazéns terem passado para o exército em finais do séc. XVIII.[4]
Vila do Conde é uma cidade com uma antiga e especial ligação à construção naval e os seus estaleiros, hoje situados na margem esquerda do rio Ave, em Azurara, são os maiores em Portugal dedicados à construção e reparação de barcos de madeira e um dos maiores da Europa.[5]
Em 1944 foi fundada a Estaleiros Navais do Mondego S.A, na Figueira da Foz, junto à foz do Rio Mondego e do Porto Comercial e durante a década de 1950 foram o maior construtor nacional de barcos de pesca, tendo também construído nessa década um navio patrulha para a Marinha Portuguesa, 3 navios mercantes destinados a um armador holandês e 2 petroleiros para a Shell.[6] Os estaleiros foram adquiridos pela espanhola Contsa em 2006 à Fundação Bissaya Barreto pelo preço simbólico de um euro, assumindo o passivo da companhia naval mas entraram em insolvência e encerraram em 2011.[7] Os estaleiros foram posteriormente adquiridos pela empresa timorense Atlantic Eagle Shipbuilding detida a 95% pelo estado timorense, sendo este o primeiro grande investimento de Timor-Leste noutro país mas o trabalho paralisou em 2023.[8][9]
Portugal conta actualmente com 95 empresas de "construção de embarcações e estruturas flutuantes, excepto de recreio e desporto", e 76 empresas de "construção de embarcações de recreio e de desporto".[10]
Lista de construtores navais em Portugal
Ver também
- Economia de Portugal
- Marinha Portuguesa
- Construção naval
- Lisnave
- Estaleiros Navais de Viana do Castelo
Referências
- ↑ «A construção naval durante os Descobrimentos». RTP Ensina. Consultado em 13 de setembro de 2025
- ↑ a b c d e José Manuel Malhão Pereira: Navios, Marinheiros e Arte de Navegar 1669-1823, Academia de Marinha, Lisboa, 2012, pp. 170-173.
- ↑ Pereira, 2012, p. 191.
- ↑ Pereira, 2012, p. 192.
- ↑ @master (28 de janeiro de 2024). «História da Construção Naval – CDAN». Consultado em 13 de setembro de 2025
- ↑ Apresentação ENM in portosdeportugal.pt.
- ↑ «Tribunal da Figueira decreta encerramento dos Estaleiros Navais do Mondego». PÚBLICO. 6 de dezembro de 2011. Consultado em 13 de setembro de 2025
- ↑ Lusa, Agência. «Investimento de Timor-Leste em estaleiro naval em Portugal espera ter apoio do Estado português». Observador. Consultado em 13 de setembro de 2025
- ↑ redacao.2 (28 de julho de 2025). «Timor-Leste detém os estaleiros navais da Figueira da Foz, mas abandonou o projeto». e-Global. Consultado em 13 de setembro de 2025
- ↑ «Directorio Empresas Portugal. informação comercial, Guia de Empresas de Portugal». Directório de todas as empresas em Portugal. Consultado em 13 de setembro de 2025