Aló Presidente

Aló Presidente
Em castelhano:
Informações gerais
Gênero Talk show
Apresentação Hugo Chávez
Elenco Hugo Chávez
País de origem Venezuela
Idioma original Espanhol
Episódios 378
Produção
Localização Caracas
Duração Variável (de 1 até mais de 8 horas)
Exibição original
Emissora Venezolana de Televisión
Lançamento 23 de maio de 1999 (1999-05-23)
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Contacto con Maduro

Aló Presidente (em português: Alô, Presidente) foi um programa de entrevistas de longa duração, sem roteiro, apresentado por Hugo Chávez, ex-Presidente da Venezuela. Era transmitido pela televisão e rádios estatais venezuelanos, incluindo a Venezolana de Televisión, aos domingos, das 11h00 até a tarde. O programa era utilizado para promover princípios socialistas chavistas aos apoiadores na Venezuela e fora dela. Muitas edições foram gravadas ao ar livre diante de grandes públicos, frequentemente em fazendas, fábricas, escolas, hospitais, conjuntos habitacionais ou outros investimentos públicos. Embora Chávez aparecesse na televisão várias vezes por semana, Aló Presidente era a oportunidade de alcançar a maioria das famílias em seu dia de folga.[carece de fontes?]

O programa foi criticado por sua falta de seriedade, devido à baixa qualidade de produção, anúncios espontâneos, participações aleatórias do público, informalidade exagerada e, muitas vezes, tédio.[1] Trechos de Aló Presidente eram ocasionalmente transmitidos de forma simultânea em todas as emissoras de rádio e TV estatais e privadas na Venezuela, pelo período determinado por Chávez durante a transmissão.

História

A partir de 1999, Aló Presidente era um programa de 1 hora, criado para dar voz aos cidadãos e colocá-los em contato direto com Chávez. Foi transmitido pela primeira vez no rádio em 23 de maio de 1999, cerca de três meses após Chávez assumir a presidência.[2] O programa não foi exibido entre 5 de junho de 2011 e 8 de janeiro de 2012, período em que Chávez estava em tratamento de câncer em Cuba.[3] No total, foram exibidos 378 programas.[4]

Em 2007, Chávez levou sua mesa para a praia e gravou um episódio de 7 horas incluindo suas opiniões sobre o que chamava de imperialismo europeu nas Ilhas Malvinas.[5] Durante a transmissão de 2 de março de 2008, Chávez ordenou a um general que enviasse dez batalhões para a fronteira com a Colômbia, em resposta a um bombardeio de forças colombianas dentro do Equador, que matou Raúl Reyes, líder das FARC.[6][7] Os batalhões não chegaram a ser enviados,[8] mas a declaração pode ter provocado a Crise diplomática andina de 2008.[1] Chávez dedicava grande parte do programa a denunciar o capitalismo, o imperialismo e a interferência estrangeira.[9]

Quando trechos eram transmitidos como uma cadeia nacional, os cidadãos eram obrigados a assistir ou desligar suas TVs ou rádios.[1] Muitos venezuelanos acompanhavam porque Chávez costumava anunciar pacotes de ajuda financeira ou outros benefícios sociais.[10] O programa promovia a Revolução Bolivariana e governos aliados, atribuindo os problemas econômicos e sociais da Venezuela principalmente aos Estados Unidos, mas também a inimigos internos econômicos e políticos.[11] George W. Bush era chamado de "Míster Danger", o vilão de um famoso romance venezuelano, Doña Bárbara.[1]

Formato

O formato do programa mudou ao longo do tempo. No início, era basicamente um programa de chamadas telefônicas, em que os venezuelanos expunham queixas e discutiam política com Chávez. Com o tempo, Chávez tornou-se a principal atração, atuando como professor, interrogador, animador e motivador. O conteúdo foi se ampliando para temas como geografia, história, filosofia e pedagogia. Apresentações musicais tornaram-se frequentes com o passar dos anos.[12] Chávez costumava transmitir de um local novo a cada semana.[13]

Ministros do governo eram frequentemente obrigados a comparecer pessoalmente. Podiam ser questionados pelo presidente sobre qualquer tema, e, às vezes, políticas — até mesmo militares — eram aparentemente decididas ao vivo.[7] Outro tema recorrente no programa era a política externa dos Estados Unidos.[8] Uma vez, o programa enviou um repórter às ruas, que parava transeuntes aleatórios perguntando se assistiam ao programa; todos diziam que sim.[1]

Estilo

Chávez vestia-se com frequência em roupas de associação política, em público e na televisão

Rachel Nolan, do The New York Times, descreveu o programa como "se parecendo com uma paródia do The Daily Show" por causa de suas aberturas "baratas" e "peculiares": uma fita nas cores da bandeira venezuelana se desenrola com uma batida de tambor antes de o título aparecer na tela, seguido por um toque de trompete com palavras em letras maiúsculas como "humanidade", "luta" e "socialismo".[1] Nolan também observou a carga política das imagens de abertura, com Chávez geralmente vestido de camisa vermelha ou uniforme militar, muitas vezes usando uma boina de Che Guevara e cercado por apoiadores.[1]

Chávez também tinha um bordão no programa, semelhante ao "Você está demitido!" de Donald Trump em O Aprendiz. Ele era frequentemente filmado expropriando propriedades de ricos, dramatizando ao apontar para o prédio e gritar "¡Exprópiese!".[1]

Influência

Aló Presidente inspirou programas semelhantes por líderes de outros países latino-americanos, incluindo Bolívia, Equador[8] e El Salvador, conduzidos pelos presidentes Evo Morales, Rafael Correa e Mauricio Funes, respectivamente. Alguns desses líderes já haviam participado de Aló Presidente.[1] Um programa posterior semelhante, criado pelo presidente do Paraguai, Mario Abdo Benítez, em setembro de 2019, foi transmitido via WhatsApp.[14] Apesar das cópias internacionais, Nolan opinou que "com exceção do logorreico Fidel Castro, é difícil imaginar outra figura política com a combinação de exibicionismo maníaco e resistência de um animador necessária para estrelar esse tipo de programa".[1]

O historiador Enrique Krauze sugeriu que o programa agradava a alguns venezuelanos porque lhes dava "ao menos a aparência de contato com o poder, através da presença verbal e visual de [Chávez], o que pode ser valorizado por pessoas que passaram a vida sendo ignoradas".[1]

Ver também

Referências

  1. a b c d e f g h i j k Nolan, Rachel (4 de maio de 2012). «Hugo Chávez's Totally Bizarre Talk Show». The New York Times (em inglês). ISSN 0362-4331. Consultado em 30 de setembro de 2019 
  2. Wilson, Peter (15 de setembro de 2006). «Live From Caracas! It's the Hugo Chavez Show, Poems to Taunts». Bloomberg. Consultado em 9 de janeiro de 2012 
  3. «Chavez's "Alo Presidente" returns to Venezuelan TV». Reuters (em inglês). 8 de janeiro de 2012. Consultado em 30 de setembro de 2019 
  4. «Aló Presidente - Transmisiones Anteriores» (em espanhol). Ministério do Poder Popular para a Comunicação e Informação. Consultado em 14 de julho de 2009. Arquivado do original em 1 de agosto de 2009 
  5. Carroll, Rory (28 de agosto de 2007). «Aló Presidente - episode 291: When Chávez reclaimed Las Malvinas». The Guardian (em inglês). ISSN 0261-3077. Consultado em 30 de setembro de 2019 
  6. Anderson, Jon Lee (23 de junho de 2008). «Fidel's Heir: The influence of Hugo Chávez». The New Yorker. Consultado em 6 de março de 2013 
  7. a b Bikel, Ofra (25 de novembro de 2008). «The Hugo Chavez Show». Frontline. PBS. Consultado em 26 de novembro de 2008. Cópia arquivada em 1 de dezembro de 2008 
  8. a b c Grant, Will (24 de maio de 2009). «Chavez TV show marks anniversary». BBC News. Consultado em 9 de janeiro de 2012 
  9. Urbinati, Nadia (2019). «Political Theory of Populism». Annual Review of Political Science. 22: 111–127. doi:10.1146/annurev-polisci-050317-070753Acessível livremente 
  10. McCaughan, Michael. (2010). Battle of Venezuela. New York: Seven Stories Press. ISBN 9781609801168. OCLC 697122361 
  11. Lakshmanan, Indira (27 de julho de 2005). «Channeling his energies Venezuelans riveted by president's TV show». The Boston Globe. Consultado em 14 de abril de 2012 
  12. Frajman, Eduardo, "Broadcasting Populist Leadership: Hugo Chavez and Alo Presidente", Journal of Latin American Studies, Vol. 43, Issue 3, August 2014, pp. 501-526.
  13. Carroll, Rory (25 de setembro de 2007). «Government by TV: Chávez sets 8-hour record». The Guardian (em inglês). ISSN 0261-3077. Consultado em 30 de setembro de 2019 
  14. «Al estilo de "Aló Presidente", Abdo crea su canal digital "Hola Marito"». www.hoy.com.py (em espanhol). Consultado em 30 de setembro de 2019 

Ligações externas