Círculos bolivarianos
| Círculos Bolivarianos | |
|---|---|
| Datas das operações | 21 de dezembro de 2001 – 10 de abril de 2006 (círculos domésticos) |
| Líder(es) | Hugo Chávez |
| Fundação | 21 de dezembro de 2001 |
| Motivos | Apoiar a Revolução Bolivariana e organizar o poder popular |
| Área de atividade | Venezuela |
| Sede | Palácio de Miraflores, Caracas |
| Ala Militar | Alguns círculos receberam treinamento militar e armamento |
| Ideologia | Bolivarianismo, Socialismo do século XXI |
| Espectro político | Esquerda |
| Principais ações | Defesa do governo Chávez; mobilizações populares |
| Ataques célebres | Envolvimento em confrontos durante o Golpe de Estado na Venezuela de 2002; acusados de intimidação a jornalistas e estudantes |
| Status | Dissolvidos em 2006 (substituídos por conselhos comunais e coletivos) |
| Parte de | Revolução Bolivariana |
| Financiamento | Governo da Venezuela |
| Aliados | Governo de Hugo Chávez; Coletivos |
| Inimigos | Oposição venezuelana |
| Conflitos | Golpe de Estado na Venezuela de 2002 |
| Religião | Nenhuma oficial (forte presença de retórica bolivariana) |
| Cor(es) | Vermelho |
| Slogan | Defesa da Revolução Bolivariana |
| Sítio oficial | http://www.cybercircle.org |
Os Círculos Bolivarianos (em castelhano: Círculos bolivarianos) são organizações políticas e sociais de conselhos operários na Venezuela, originalmente criadas pelo presidente Hugo Chávez em 21 de dezembro de 2001.[1] Os círculos também foram descritos como milícias e comparados aos Comitês de Defesa da Revolução de Cuba[2][3][4] e aos Batalhões da Dignidade do Panamá.[5]
Após a participação dos Círculos Bolivarianos na defesa do presidente Chávez durante a Tentativa de golpe de Estado na Venezuela em 2002, o governo patrocinou a criação de oficiais conselhos comunais em 10 de abril de 2006,[6] alguns dos quais se tornaram coletivos armados.[7]
Contexto
Em abril de 2001, o presidente Hugo Chávez incumbiu o então vice-presidente Diosdado Cabello e Miguel Rodríguez Torres de criar e financiar organizações comunitárias que compartilhassem interesses locais com Chávez para que seu governo pudesse fornecer recursos e ganhar apoio político.[8][4][9] Esse apoio governamental deixou os opositores de Chávez céticos em relação a qualquer alegação de autonomia.[4] Eles receberam o nome em homenagem a Simón Bolívar, o líder que transformou grande parte da América do Sul de colônias espanholas em Estados independentes.[10]
Os círculos foram criados como grupos sancionados pelo Estado que seriam a "principal unidade organizadora do poder popular" e foram anunciados por Chávez como "uma grande rede humana" criada para defender a Revolução Bolivariana.[3] Alguns círculos foram modelados a partir dos Batalhões da Dignidade criados por Omar Torrijos e Manuel Noriega no Panamá, já que Chávez admirava o modelo quando esteve estacionado lá durante sua carreira militar.[5] Os documentos de fundação dos Círculos Bolivarianos da Venezuela afirmam que "o líder supremo dos Círculos Bolivarianos será o presidente da República Bolivariana da Venezuela" e que "a sede nacional e internacional para o registro dos Círculos Bolivarianos será o Palácio de Miraflores".[11]
Alguns Círculos Bolivarianos receberam treinamento de combate e armas, com alguns de seus líderes sendo treinados em Cuba.[5] Segundo Lina Ron, apoiadora de Chávez e líder de seu próprio Círculo Bolivariano, La Piedrita,[9][12] milhares de círculos profundamente leais a Chávez estavam "armados até os dentes".[2] Chávez negou as alegações de financiamento e do uso de armas pelos círculos.[2]
História
Em janeiro de 2002, foi relatado que os Círculos Bolivarianos bloquearam a entrada da redação do jornal El Nacional por mais de uma hora. Diversos jornalistas foram ameaçados, insultados e agredidos física e verbalmente, particularmente por pessoas que se identificavam com os Círculos Bolivarianos.
Os Círculos Bolivarianos também participaram de manifestações que se tornaram violentas contra a tentativa de golpe de 2002.[10] Pouco depois da tentativa de golpe, em um telegrama de maio de 2002 da Embaixada dos Estados Unidos em Caracas, surgiram relatos preocupantes de membros dos Círculos Bolivarianos recebendo novas motocicletas, roupas da marca Nike e de que os membros dos Círculos Bolivarianos estavam armados, causando pânico nos bairros.[13] O número de Círculos Bolivarianos também aumentou significativamente naquele mês, segundo Diosdado Cabello, passando de 80 000 para 130 000.[14]
Protestos de 2007
Em 7 de novembro de 2007, homens armados mascarados em motocicletas abriram fogo contra estudantes que retornavam de uma marcha em Caracas. Na Universidade Central da Venezuela, oito pessoas ficaram feridas, incluindo uma por disparo de arma de fogo.[15][16]
Coletivos
Segundo a empresa de inteligência privada Stratfor, os Círculos Bolivarianos também foram a organização-mãe dos coletivos na Venezuela.[9]
Ver também
Referências
- ↑ http://www.bauleros.org/TEMAS/PAISES/ARGENTINA/2001-12-21_emancipacion.html. A version of Bolívar's oath had also been used by Chávez at the foundation of the "Ejército de Liberación del Pueblo de Venezuela" on 17 December 1982. See http://elies.rediris.es/elies27/APONTE_MORENO_FINAL_THESIS.pdf.
- ↑ a b c «Venezuela: Armed Bolivarian Circles». Stratfor. Consultado em 1 de março de 2015
- ↑ a b Yergin, Daniel (2012). The Quest : energy, security and the remaking of the modern world revis & updated ed. New York: Penguin Books. ISBN 978-0143121947
- ↑ a b c Morsbach, Greg. (BBC, 12 June 2002). "Chavez accused of fostering militia links". Retrieved 13 Jun 2006.
- ↑ a b c Nelson, Brian A. (2012). The silence and the scorpion : the coup against Chávez and the making of modern Venezuela. New York: Nation Books. p. 16. ISBN 9781568586861
- ↑ «Ley de los Consejos Comunales» (PDF). REPÚBLICA BOLIVARIANA DE VENEZUELA. 10 de abril de 2006. Consultado em 19 de julho de 2018
- ↑ Venezuela: A Mafia State?. Medellín: InSight Crime. 2018. pp. 3–84
- ↑ Erro de citação: Etiqueta
<ref>inválida; não foi fornecido texto para as "refs" nomeadasZCOM - ↑ a b c «Venezuela's Pro-Government Activists Play a Role in Protest Violence». Stratfor. Consultado em 1 de março de 2015
- ↑ a b http://www.unhcr.org/cgi-bin/texis/vtx/home/opendoc.htm?tbl=RSDCOI&page=research&id=3dec9b4b4 UNHCR
- ↑ Erro de citação: Etiqueta
<ref>inválida; não foi fornecido texto para as "refs" nomeadasULA - ↑ Nichols, Elizabeth Gackstetter; Morse, Kimberly J.. (2010). Venezuela. [S.l.]: ABC-CLIO. pp. 219–. ISBN 978-1-59884-569-3. Consultado em 25 de maio de 2013
- ↑ «AREPA 14» (PDF). United States Department of State. Consultado em 4 de fevereiro de 2015. Arquivado do original (PDF) em 28 de novembro de 2010
- ↑ Elner, Steve; Rosen, Fred. «Crisis in Venezuela: The Remarkable Fall and Rise of Hugo Chávez (Coup, Chaos or Misunderstanding?)». North American Congress on Latin America. Consultado em 1 de março de 2015
- ↑ Sierra, Sandra (8 de novembro de 2007). «Gunfire erupts at Venezuela university». newsvine.com. Associated Press. Consultado em 3 de dezembro de 2007. Cópia arquivada em 11 de dezembro de 2007
- ↑ «Tirotean a estudiantes opositores a Chávez» [Students opposed to Chavez are shot at]. La Prensa (em espanhol). 8 de novembro de 2007. Consultado em 15 de novembro de 2023