VLT da Baixada Santista

VLT da Baixada Santista
Vossloh Tramlink V4, composição que opera no sistema.
Vossloh Tramlink V4, composição que opera no sistema.
Informações
ProprietárioArtesp
LocalSantos e São Vicente, SP  Brasil
Tipo de transporteEstação de VLT VLT (Veículo Leve sobre Trilhos)
Número de linhas2
Número de estações29
Tráfego270 mil/mês (fev/17)[1]
Tráfego anual5,2 milhões (2020)
Websitewww.emtu.sp.gov.br
Funcionamento
Início de funcionamento31 de janeiro de 2016 (10 anos)[2]
Início previsto5h30
Fim de funcionamento23h30
Operadora(s)Consórcio BR Mobilidade[3]
Número de veículos22 Vossloh Tramlink V4
Comprimento dos veículos44 m (144 ft)
Frequência10 min
Dados técnicos
Extensão do sistema19,5 km (12,1 mi)
BitolaBitola padrão/internacional
1 435 mm (4,71 ft)
EletrificaçãoCatenária
Velocidade média25 km/h (15,5 mph)
Velocidade máxima70 km/h (43,5 mph)
Diagrama da rede

Samaritá
Rio Branco
Jardim Quarentenário
Ponte Nova
Em construção
Barreiros
Mascarenhas
São Vicente
Emmerich
Nossa Senhora das Graças
José Monteiro
Itararé
João Ribeiro
Túnel José Menino
Nossa Senhora de Lourdes
Pinheiro Machado
Bernardino de Campos
Ana Costa
Washington Luís
Conselheiro Nébias
Xavier Pinheiro
Carvalho de Mendonça
Universidades I
Universidades II
Mercado
Campos Sales
Paquetá
Bittencourt
Poupatempo
José Bonifácio
Mauá
Valongo
Porto
Pátio Porto

O VLT da Baixada Santista é um sistema de veículo leve sobre trilhos que opera em 2 municípios da Região Metropolitana da Baixada Santista, em São Paulo.[4] É operado pelo Consórcio BR Mobilidade.[3]

É composto atualmente por 2 linhas em operação, com um total de 29 estações e 19,5 km de extensão.[5] O sistema entrou em operação comercial, com a primeira linha, no dia 31 de janeiro de 2016.[2][6] No dia 1.º de dezembro de 2025, a segunda linha do sistema, com um trajeto circular e unidirecional na cidade de Santos, entrou em operação assistida, atendendo passageiros em horário reduzido, das 9h às 15h, sem cobrança por 15 dias.[7]

Atualmente, atende somente os municípios de Santos e de São Vicente, no entanto os municípios de Cubatão e de Praia Grande pleiteiam futuros trechos do sistema.[8][9] O sistema registrou um tráfego de 270 mil passageiros em fevereiro de 2017.[1]

História

O projeto do VLT da Baixada Santista surgiu como forma do Governo do Estado de São Paulo reaproveitar o leito ferroviário que atravessa a área central dos municípios de São Vicente e Santos herdado da Fepasa, que operou neste trecho o Trem Intra Metropolitano entre os anos de 1990 e 1999; e era utilizado para o transporte de cargas até janeiro de 2008.

No dia 29 de maio de 2013, as obras do primeiro trecho do VLT da Baixada Santista foram iniciadas após cerimônia que contou com a presença do governador paulista Geraldo Alckmin, do então presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (ALESP), Samuel Moreira, e de outras autoridades, com gestão da Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos de São Paulo (EMTU). Anteriormente, a ALESP havia aprovado um projeto de lei que autorizava o Governo do Estado de São Paulo a contrair um empréstimo junto a instituições financeiras controladas pela União, no valor de R$ 400 milhões, a fim de ser investido no projeto do sistema.[10]

Em 22 de maio de 2014, a primeira composição do sistema chegou ao Porto de Santos. A composição, fabricada em Valência, é formada por três carros e possui capacidade para 400 passageiros.[11] No dia 6 de junho de 2014, o governador paulista Geraldo Alckmin inaugurou as cinco primeiras estações do VLT da Baixada Santista, embora o sistema estivesse inoperante: Mascarenhas, São Vicente, Emmerich, Nossa Senhora das Graças e José Monteiro.[12] O primeiro teste feito com uma composição foi realizado em 30 de agosto de 2014 em um trecho de 1 km, entre as estações Nossa Senhora das Graças e José Monteiro. Foram observados, por técnicos brasileiros e estrangeiros, alguns detalhes e a reação da composição durante o teste.[13]

No dia 18 de novembro de 2014, iniciou-se a operação assistida do VLT da Baixada Santista, que consistia em um percurso de 10 minutos entre as estações Emmerich e Mascarenhas. Esta operação foi destinada somente a alunos de instituições de ensino públicas e particulares, grupos previamente cadastrados e moradores locais.[14] Em 27 de abril de 2015, teve início a operação precursora do modal, sem cobrança de tarifa, entre as estações Mascarenhas e João Ribeiro. Neste modo de operação, duas composições operavam de segunda a sexta, das 13h às 16h, com velocidade média de 20 km/h em um trecho de um pouco mais de 6 km.[15]

A operação comercial do sistema foi iniciada no dia 31 de janeiro de 2016, com a cobrança de uma tarifa unitária de R$ 3,80. Entre fevereiro e abril de 2016, o sistema operava diariamente entre 09:00 e 16:00.[2] No dia 10 de abril, o horário de circulação dos trens foi estendido, passando a ser das 07:00 às 19:00, possibilitando o uso do sistema nos horários de pico por trabalhadores da Baixada Santista.[16] Em 5 de março de 2017, o horário de funcionamento do VLT foi novamente ampliado, tendo início às 05:30 e sendo encerrado às 20:00.[17] 52 dias depois, o horário de encerramento da operação passou a ser às 23:30.[18]

No dia 15 de junho de 2016, foi inaugurado o Centro de Controle Operacional (CCO) do VLT da Baixada Santista, localizado junto ao Pátio Porto. No CCO é feito o controle da operação dos veículos, dos sistemas de energia, da movimentação eletrônica dos passageiros (embarque e desembarque) e da segurança das estações e vias. Já no Pátio Porto está localizado o estacionamento de trens (com capacidade para 33 VLTs) e toda a área de manutenção com as oficinas, equipamentos de lavagem dos trens, área de retificação de rodas, depósitos, almoxarifado e a subestação de energia.[19]

No dia 19 de junho de 2016, iniciou a integração do VLT com 37 linhas de ônibus metropolitanas como parte do Sistema Integrado Metropolitano, visando a reestruturação do transporte público da Baixada Santista, propiciando aos usuários mais mobilidade com economia, já que é possível utilizar os dois sistemas, pagando uma só tarifa.

Em 24 de fevereiro de 2025, o governador Tarcísio de Freitas assinou um decreto que extinguia a EMTU, dessa forma a gestão do sistema passou a ser feita pela Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp), decisão que estava prevista desde 2020, tomada pelo então governador João Doria.[20] A Artesp assumiu a gestão do sistema em 20 de março de 2025.[21]

Em 1.º de dezembro de 2025, a Linha 2 foi inaugurada, ainda em operação assistida. Com isso o sistema agora conta com duas linhas, que operam em formato de Y, com um trecho compartilhado entre as duas linhas, e dois trechos exclusivos para cada linha. A Linha 2 compreende o trecho entre a estação terminal Barreiros e a nova estação Valongo, sendo o trecho entre as estações Barreiro e Conselheiro Nébias compartilhado com a Linha 1, e o trecho entre as estações Conselheiro Nébias e Valongo exclusivo da Linha 2. Outra novidade é que o novo trecho é unidirecional, contendo trilhos somente em um sentido. Assim, os trens vão da estação Conselheiro Nébias por um caminho (através das ruas Campos Melo e João Pessoa) e voltam por outro caminho (ruas Amador Bueno e da Constituição).[22]

Trechos

A Linha 1, ao longo dos anos, foi sendo ampliada a medida que novos trechos eram entregues. A última expandsão do sistema foi a inauguração da Linha 2.[22] A tabela abaixo lista cada trecho construído, junto com sua data de inauguração, o número de estações inauguradas e o número de estações acumulado:

Trecho Inauguração N.º de estações entregue N.º de estações acumulado
MascarenhasJosé Monteiro 6 de junho de 2014 5 5
José MonteiroPinheiro Machado 23 de junho de 2015 4 9
Pinheiro MachadoBernardino de Campos 27 de abril de 2016 1 10
BarreirosMascarenhas 31 de janeiro de 2017 1 15[nota 1]
Bernardino de CamposPorto 4[nota 2]
Conselheiro Nébias ↔ Valongo 1 de dezembro de 2025 12 27

Estações

Linha 1

A Linha 1, BarreirosPorto tem 15 estações em operação,[23] das quais 14 são compartilhadas com a Linha 2. Todas são em superfície.

Linha 2

A partir de 1 de dezembro de 2025, o sistema passou a contar com 12 novas estações. Ao contrário da Linha 1, a Linha 2 tem um trecho unidirecional, de forma que as estações no trajeto de ida são diferentes do trajeto de volta:[22]

Mapa esquemático mostrando as linhas 1 e 2 do VLT da Baixada Santista, com a linha 1 sendo vermelha e linha 2 sendo verde.
Mapa mostrando segmento unidirecional da Linha 2 do VLT da Baixada Santista, atualizado para Janeiro de 2026.

Barreiros → Valongo

Valongo → Barreiros

Cartões

Existem três tipos de cartões que podem ser utilizados pelo usuário a fim de usufruir do sistema:[2]

  • Cartão Unitário: São cartões com apenas uma passagem que são vendidos em lojas credenciadas, em pontos de vendas terceirizados e nas estações do sistema. Para usá-lo, o usuário deve aproximá-lo da catraca e, após a liberação, inseri-lo no local indicado.
  • Cartão Metropolitano: É um cartão recarregável de uso pessoal, obtido apenas por meio de cadastro nas lojas credenciadas. A recarga mínima deste cartão é de duas passagens.
  • Cartão Sênior: É um cartão exclusivo para clientes acima dos 60 anos.

Passageiros transportados

Ano Passageiros
2016 605 000[24]
2017 5 900 000[25]
2018 7 000 000[26][27]
2019 8 100 000[28]
2020 5 200 000[29]
2021 4 900 000[30]
2022 6 360 000[31]
2023 7 400 000[32]
2024 8 300 000[33]

Expansão

Diferente da Linha 1, os trilhos da Linha 2 estão instalados nivelados com a rua.

A ARTESP pretende implantar um terceiro trecho na Área Continental de São Vicente. O trecho, que terá 7,5 km de extensão e 4 estações, ligará a Estação Barreiros ao bairro vicentino do Samaritá. O futuro trecho possibilitará integração com o transporte alternativo municipal que atende os bairros que serão beneficiados pela ampliação.[34]

Além da futura ampliação em São Vicente, outros trechos estão sendo estudados pela ARTESP e por prefeituras da Baixada Santista. A prefeitura de Cubatão quer a utilização da malha ferroviária já instalada na região, hoje restrita a trens de carga, para o transporte de passageiros de forma alternada.[8] Já a prefeitura de Praia Grande quer um ramal ligando a Estação Barreiros ao Terminal Tude Bastos, onde seria feita integração com uma futura linha de Bus Rapid Transit (BRT).[9]

Ver também

Notas e referências

Notas

  1. 1 das estações foi inaugurada somente no mês seguinte
  2. 1 das estações foi inaugurada somente no mês seguinte

Referências

  1. a b «VLT da Baixada Santista atinge 1 milhão de passageiros transportados». ANPTrilhos. 29 de março de 2017. Consultado em 24 de junho de 2017 
  2. a b c d «Operação comercial do VLT começa neste domingo». A Tribuna. 30 de janeiro de 2016. Consultado em 24 de junho de 2017 
  3. a b «Idosos e estudantes devem providenciar o BR CARD». BR Mobilidade. Consultado em 24 de junho de 2017 
  4. «Empreendimentos - VLT da Baixada Santista - Veículo Leve sobre Trilhos». EMTU-SP. Consultado em 24 de junho de 2017 
  5. «UrbanRail.Net > South America > Brazil > S.P. > Santos VLT» (em inglês). UrbanRail.Net. Consultado em 24 de junho de 2017 
  6. Lobo, Renato (24 de janeiro de 2021). «Obras da segunda fase do VLT em Santos interditam vias». Via Trolebus. Consultado em 15 de fevereiro de 2021 
  7. Motta, Rafael (30 de novembro de 2025). «VLT em Santos: novo trecho começa a funcionar nesta segunda-feira no litoral de São Paulo; saiba mais». A Tribuna. Consultado em 1 de dezembro de 2025 
  8. a b «Prefeitura de Cubatão pleiteia extensão do VLT na cidade». A Tribuna. 4 de junho de 2017. Consultado em 24 de junho de 2017 
  9. a b Miranda, Gustavo (25 de maio de 2017). «Praia Grande quer VLT integrado ao Litoral Sul». A Tribuna. Consultado em 29 de abril de 2018 
  10. «VLT entre Santos e São Vicente deve ficar pronto em 12 meses». Assembleia Legislativa de São Paulo. 29 de maio de 2013. Consultado em 29 de abril de 2018 
  11. «Primeira composição do VLT chega na Baixada Santista». Diário do Litoral. 22 de maio de 2014. Consultado em 29 de abril de 2018 
  12. de Castro, João Paulo (6 de junho de 2014). «Alckmin inaugura primeiras estações do VLT em São Vicente, SP». G1. Consultado em 24 de abril de 2018 
  13. «VLT passa por primeiro teste com viagem por ruas de São Vicente, SP». G1. 30 de agosto de 2014. Consultado em 29 de abril de 2018 
  14. Lobo, Renato (18 de novembro de 2014). «[FOTOS] VLT da Baixada Santista inicia operação assistida». Via Trolebus. Consultado em 29 de abril de 2018 
  15. Miranda, Victor (27 de abril de 2015). «Sem cobrança de tarifa, VLT começa a operar em São Vicente». A Tribuna. Consultado em 24 de abril de 2018 [ligação inativa] 
  16. Cameira, Danielle (10 de abril de 2016). «VLT funciona em horário ampliado a partir de hoje». A Tribuna. Consultado em 24 de abril de 2018 [ligação inativa] 
  17. «A partir deste domingo, VLT tem horário ampliado». A Tribuna. 5 de março de 2017. Consultado em 24 de abril de 2018 [ligação inativa] 
  18. «VLT terá horário de funcionamento ampliado a partir de domingo». G1. 26 de abril de 2017. Consultado em 24 de abril de 2018 
  19. Bazani, Adamo (15 de junho de 2016). «VLT da Baixada Santista tem CCO inaugurado». Diário do Transporte. Consultado em 8 de setembro de 2018 
  20. «Tarcísio assina decreto para extinguir EMTU, estatal que gerencia transporte público na Grande SP». G1. 24 de fevereiro de 2025. Consultado em 21 de março de 2025 
  21. «Artesp assume regulação e fiscalização do transporte metroferroviário concedido e da EMTU». Agência SP. Governo do Estado de São Paulo. 20 de março de 2025. Consultado em 21 de março de 2025 
  22. a b c Record Litoral e Vale (1 de dezembro de 2025). «VLT: novo trecho em Santos (SP) tem 12 estações e liga a Av. Conselheiro Nébias ao bairro do Valongo». YouTube. Consultado em 2 de dezembro de 2025 
  23. «Estações do VLT». EMTU-SP. Consultado em 20 de junho de 2017 
  24. Monitoramento da demanda 2013-2016: Evolução dos passageiros transportados nas Regiões Metropolitanas de São Paulo, Campinas e Baixada Santista, por modo de transporte, 2009-2012. [S.l.]: Secretaria dos Transportes Metropolitanos do estado de São Paulo. 2017. p. 42 
  25. Associação Nacional dos Transportes Públicos (ANTP) (janeiro de 2020). «6.1.1. Sistemas metroferroviários» (PDF). Sistema de Informações da Mobilidade Urbana 2017, página 89. Consultado em 22 de junho de 2020 
  26. Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos de São Paulo (2019). «Região Metropolitana da Baixada Santista» (PDF). Relatório anual, página 2. Consultado em 22 de junho de 2020 
  27. Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos de São Paulo (2018). «Região Metropolitana da Baixada Santista» (PDF). Relatório Anual, página 2. Consultado em 20 de dezembro de 2019 
  28. Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos de São Paulo (25 de março de 2020). «Região Metropolitana da Baixada Santista» (PDF). Relatório Anual 2019/publicado no Diário Oficial do Estado de São Paulo. Consultado em 22 de junho de 2020 
  29. Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos de São Paulo (2021). «Região Metropolitana da Baixada Santista» (PDF). Relatório Integrado 2020, página 19. Consultado em 21 de abril de 2021 
  30. Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos de São Paulo (2022). «Região Metropolitana da Baixada Santista» (PDF). Relatório da Administração 2021, página 3. Consultado em 10 de abril de 2022 
  31. Mobilidade Sampa (3 de fevereiro de 2023). «VLT completa sete anos de operação na Baixada Santista». ANPTrilhos. Consultado em 22 de abril de 2023 
  32. Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos de São Paulo - EMTU/SP (5 de março de 2024). «VLT» (PDF). Relatório Integrado 2023, página 18. Consultado em 17 de março de 2024 
  33. Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos de São Paulo - EMTU/SP (25 de fevereiro de 2025). «VLT» (PDF). Relatório da Administração 2024 (Resumo), página 1. Consultado em 21 de abril de 2025 
  34. Brandão, Eduardo (25 de dezembro de 2017). «Obra em ponte de São Vicente estimulará VLT». A Tribuna. Consultado em 29 de abril de 2018 

Ligações externas