VLT de Campina Grande
| VLT de Campina Grande | |
|---|---|
Estação Ferroviária de Campina Grande | |
| Informações | |
| Local | Campina Grande, Paraíba |
| Número de estações | 10 estações |
O Veículo Leve sobre Trilhos de Campina Grande, também conhecido como VLT de Campina Grande, é um sistema de transporte ferroviário urbano planejado do tipo VLT projetado para atender a cidade de Campina Grande, no estado da Paraíba.[1] Idealizado como uma alternativa de mobilidade urbana moderna e sustentável, o sistema está em implantação e deverá operar sobre trechos ferroviários já existentes, com objetivo de conectar bairros periféricos ao centro comercial e universitário da cidade, utilizando um trecho de cerca de 15 quilômetros (km) do antigo ramal de Campina Grande, com previsão de início das viagens em agosto de 2026.[2]
O projeto está inserido em um contexto de requalificação da malha ferroviária para uso urbano, seguindo tendências observadas em outras cidades brasileiras como João Pessoa e Arapiraca,[3] com a proposta em andamento desde a década de 2010, o VLT envolve debates políticos, técnicos e institucionais entre os governos municipal e estadual, mas foi somente com o retorno de Luiz Inácio Lula da Silva[4] ao governo federal, que a proposta saiu do papel.[5] A concessão do trecho ferroviário urbano pela Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) foi um dos marcos decisivos para o avanço da proposta.[6]
História
A história do transporte ferroviário em Campina Grande remonta ao final do século XIX, com a chegada dos trilhos em 1907, integrando a cidade à Estrada de Ferro Central da Paraíba, desde então, a ferrovia foi um vetor de crescimento urbano e econômico, transportando passageiros e mercadorias entre Campina e outras regiões do estado e do Nordeste.[7] Ao longo do século XX, a cidade foi servida por diferentes operadoras ferroviárias, como a Rede Ferroviária Federal (RFFSA) e posteriormente a Companhia Ferroviária do Nordeste (CFN), no entanto, com a desindustrialização parcial do interior nordestino e a ascensão do transporte rodoviário, o serviço ferroviário de passageiros entrou em decadência e foi descontinuado em Campina Grande no final da década de 2000.[8]
Na década de 2010, surgiram os primeiros debates sobre a reativação da ferrovia urbana em Campina Grande, agora sob o modelo de Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), inspirado em iniciativas similares no Brasil e no exterior, cuja proposta visava revitalizar o transporte de massa, especialmente para atender localidades como o Distrito dos Mecânicos, São José da Mata e Galante o entorno da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), além dos bairros de Bodocongó e Aluízio Campos.[9]
O tema do VLT gerou embates políticos significativos entre o governo municipal, à época liderado pelo governo estadual, sob a gestão de João Azevêdo, que prometeu revitalizar a malha ferroviária de Campina Grande, mas logo enfrentou resistência do então prefeito Bruno Cunha Lima, que alegou motivos políticos,[10] fazendo o governador desistir da proposta e entregar para o prefeito, que não levou à frente a ideia.[11] Enquanto o município reivindicava protagonismo na execução e gestão do projeto, o estado detinha maiores recursos técnicos e interlocução com o governo federal para viabilizar a cessão da linha e os investimentos necessários e com a chegada de Luiz Inácio Lula da Silva, diversas obras e projetos que encontravam-se engavetadas foram destravadas, a exemplo da duplicação da rodovia BR-230 ligando a própria cidade ao sertão e o VLT da cidade.[12]
A concretização de um acordo entre os entes públicos permitiu a cessão da malha ferroviária urbana de Campina Grande, dando o primeiro passo legal para a implantação do VLT, cujo trecho concedido possui aproximadamente 15 km de extensão, abrangendo a linha entre o bairro de Aluízio Campos no extremo sudeste da cidade ao bairro do Araxá, no extremo noroeste, com previsão de implantação de 10 estações ao longo do percurso.[13] O sistema previsto deverá operar com composições modernas, dotadas de climatização, acessibilidade e integração com o transporte por ônibus e seu traçado prioriza a cobertura de zonas residenciais densas, áreas educacionais e polos de serviços, configurando-se como uma solução de mobilidade urbana sustentável e integradora.[14]
Estações
O sistema deverá ter 10 estações, das quais todas serão superficiais.[3] As estações deverão atender as seguintes localidades:[3]
- Araxá
- Universitário
- Bodocongó
- Centenário
- Quarenta
- Estação Velha
- Catolé
- Tambor
- Distrito Industrial
- Aluízio Campos
Ver também
Referências
- ↑ Agência Gov (10 de julho de 2024). «Renan Filho assina acordo que aproveita infraestrutura sem uso da Ferrovia Transnordestina em VLT de Campina Grande (PB)». Consultado em 14 de julho de 2025. Cópia arquivada em 5 de julho de 2024
- ↑ Melo, Cléber (8 de agosto de 2024). «Da locomotiva ao VLT: Campina Grande espera volta do trem». Campina Grande-PB: Agência Brasil. Consultado em 14 de julho de 2025. Cópia arquivada em 9 de agosto de 2024
- ↑ a b c Ministério dos Transportes (11 de julho de 2025). «Renan Filho anuncia primeiro VLT da Paraíba e vistoria obra que vai beneficiar 1 milhão de pessoas». Consultado em 14 de julho de 2025. Cópia arquivada em 18 de julho de 2025
- ↑ Medeiros, João Paulo (7 de julho de 2024). «Governo Lula assina amanhã acordo de cooperação para o VLT de Campina Grande». João Pessoa: Jornal da Paraíba. Consultado em 14 de julho de 2025. Cópia arquivada em 4 de julho de 2024
- ↑ Queiróz, Vitória (11 de dezembro de 2024). «Trecho da Transnordestina será transformado em VLT na Paraíba». Brasília: CNN Brasil. Consultado em 14 de julho de 2025. Cópia arquivada em 16 de março de 2025
- ↑ Redação Se Liga PB (7 de julho de 2024). «Ministro de Lula desembarca na Paraíba nesta semana para lançar obras do VLT em Campina Grande». Consultado em 14 de julho de 2025. Cópia arquivada em 18 de julho de 2025
- ↑ Redação ClickPB (9 de julho de 2024). «VLT de Campina Grande deve começar a operar em 2026». Consultado em 14 de julho de 2025. Cópia arquivada em 14 de julho de 2025
- ↑ Medeiros, João Paulo (9 de julho de 2024). «Alvo de briga política, projeto do VLT de Campina é discutido há quase 10 anos». João Pessoa: Redação Jornal da Paraíba. Consultado em 14 de julho de 2025. Cópia arquivada em 18 de julho de 2025
- ↑ Redação Portal Correio (10 de julho de 2024). «Ministro dos Transportes vem à Paraíba visitar obras de duplicação da BR-230 e do VLT em Campina Grande». Consultado em 14 de julho de 2025. Cópia arquivada em 10 de julho de 2025
- ↑ Redação Jornal da Paraíba (8 de julho de 2024). «Prefeitura e Estado brigam por projeto do VLT de Campina Grande». Consultado em 14 de julho de 2025. Cópia arquivada em 11 de dezembro de 2024
- ↑ Redação Turismo em Foco (12 de julho de 2019). «Governador da Paraíba diz que não entrará em disputa política para implantar VLT em Campina Grande». Consultado em 14 de julho de 2025. Cópia arquivada em 17 de janeiro de 2025
- ↑ Redação Click Petróleo e Gás (10 de julho de 2024). «Linha férrea esquecida vai voltar à vida com aporte milionário e VLT moderno que já tem data para começar a operar e promete beneficiar mais de 1 milhão de brasileiros». Consultado em 14 de julho de 2025. Cópia arquivada em 18 de julho de 2025
- ↑ Redação ClickPB (8 de julho de 2024). «Ministro visita Campina Grande para tratar do VLT». Consultado em 14 de julho de 2025. Cópia arquivada em 15 de julho de 2025
- ↑ Medeiros, João Paulo (8 de julho de 2024). «Ministro de Lula iniciará obras para o VLT de Campina Grande». João Pessoa: Redação Jornal da Paraíba. Consultado em 14 de julho de 2025. Cópia arquivada em 8 de julho de 2025