Nadir das relações raciais nos Estados Unidos

Nadir das relações raciais americanas
1877 – Início do século XX
Reconstrução dos Estados Unidos Renascimento do Harlem
Movimento dos direitos civis dos negros nos Estados Unidos class-skin-invert-image
Ku Klux Klan em desfile em Springfield, Ohio, em 1923
LocalizaçãoEstados Unidos (Sul)
Incluindo
Principais eventos

O nadir das relações raciais nos Estados Unidos é um período histórico definido pelo historiador Rayford Logan [en] como a fase mais grave das relações raciais nos Estados Unidos após a Guerra Civil, que pôs fim à escravidão. Esse período coincidiu com a "Era Dourada" e abrangeu a consolidação legal das leis Jim Crow após o fim da Reconstrução, além do aumento dos linchamentos e dos massacres raciais [en]. Não há consenso entre os historiadores quanto às datas exatas do seu início e do seu fim.[1][2][3][4]

Logan, em seu livro de 1954 The Negro in American Life and Thought: The Nadir, 1877–1901, caracterizou o período como aquele em que “o status do negro na sociedade estadunidense” atingiu seu ponto mais baixo, propondo 1901 como data final e sugerindo melhora nas relações raciais a partir daí. Outros historiadores, como John Hope Franklin e Henry Arthur Callis [en], defenderam datas bem mais tardias, chegando a 1923.[5] O conceito continuou sendo utilizado por autores posteriores,[6][7][8] incluindo James W. Loewen [en] em obras publicadas até 2006.[9]

Loewen argumenta que a era imediatamente posterior à Reconstrução foi, na verdade, marcada por uma esperança relativamente ampla de equidade racial, graças ao apoio idealista dos nortistas aos direitos civis. Segundo ele, o verdadeiro nadir só teria começado por volta de 1890, quando os republicanos do Norte abandonaram a defesa dos direitos dos negros sulistas, prolongando-se até a entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial em 1941. Esse intervalo seguiu-se ao Pânico de 1873 e à queda prolongada dos preços do algodão. Sobreposto tanto à Era Dourada quanto à Era Progressista, foi caracterizado pelo fenômeno nacional das cidades sundown.[9]

Embora o foco principal de Logan estivesse nos afro-americanos do Sul, o mesmo período corresponde também ao auge da discriminação anti-chinesa [en] e, de forma mais ampla, anti-asiática nos Estados Unidos, alimentada pelo medo do chamado Perigo Amarelo. Esse preconceito resultou em assédio e violência na Costa Oeste dos Estados Unidos, como a destruição da Chinatown, Denver [en].[10][11]

Antecedentes

Revisionismo da Reconstrução

No início do século XX, alguns historiadores brancos retrataram a Reconstrução como um período trágico, no qual republicanos movidos por vingança e interesses econômicos teriam imposto, com o uso de tropas, governos corruptos dirigidos por nortistas inescrupulosos e negros supostamente incapazes de governar. Esses autores geralmente negavam a capacidade dos negros de administrar sociedades.[12]

Os principais defensores dessa interpretação formaram a chamada Escola Dunning [en], batizada em homenagem a William Archibald Dunning [en], influente professor da Universidade Columbia. Outro professor da mesma instituição, John Burgess [en], escreveu que “a pele negra significa pertencimento a uma raça que jamais criou, por si mesma, qualquer civilização”.[12]

Essa visão predominou por décadas e foi popularizada pelo filme O Nascimento de uma Nação (1915), de D. W. Griffith, e, em certa medida, pelo romance E o Vento Levou (1934), de Margaret Mitchell. Historiadores mais recentes rejeitaram grande parte das conclusões da Escola Dunning, oferecendo uma avaliação bem diferente do período.[13]

Hiram Rhodes Revels, primeiro senador afro-americano do Senado dos Estados Unidos, eleito em 1870 pelo Mississippi. Outro senador negro, Blanche Bruce [en], foi eleito pelo mesmo estado em 1874

História da Reconstrução

O consenso historiográfico atual considera a Reconstrução um período de idealismo e esperança, marcado por conquistas concretas. Os Republicanos Radicais, responsáveis pela aprovação da Décima Quarta e da Décima Quinta Emenda, eram em grande parte motivados pelo desejo de auxiliar os libertos.[13] O historiador afro-americano W. E. B. Du Bois defendeu essa interpretação já em 1910; mais tarde, Kenneth Stampp [en] e Eric Foner a aprofundaram. Embora os governos republicanos da Reconstrução tenham apresentado corrupção, beneficiaram também muitos brancos e não foram mais corruptos que governos democratas ou republicanos nortistas.[14]

Além disso, esses governos criaram, pela primeira vez, sistemas de educação pública e de assistência social, melhorando o acesso à educação tanto para negros quanto para brancos, e procuraram melhorar as condições de vida de grande parte da população empobrecida pela longa guerra. Nenhum governo estadual da Reconstrução foi controlado por negros; na realidade, em nenhum estado a representação negra alcançou proporção equivalente à sua parcela populacional.[15]

“E Não Esse Homem?”, cartum de Thomas Nast publicado na Harper’s Weekly em 5 de agosto de 1865. Na época, muitos nortistas ainda recordavam o serviço militar dos negros na guerra e apoiavam seu direito ao voto.
“Governo dos Coloridos em um Estado Reconstruído(?)”, Harper’s Weekly, 14 de março de 1874. Nove anos depois, as opiniões de Nast haviam mudado drasticamente; ele retratou legisladores negros como figuras incompetentes e ridículas.

Origens

Violência durante a Reconstrução

Nos primeiros anos após a Guerra Civil, o governo federal, pressionado pela opinião pública nortista, demonstrou disposição para intervir em defesa dos direitos dos americanos negros.[16] Contudo, houve limites claros: a proposta do Departamento dos Libertos [en] de conceder terras aos libertos (quarenta acres e uma mula [en]) nunca foi implementada. No Sul, muitos ex-confederados perderam temporariamente o direito de voto, mas reagiram com violência e intimidação.

Entre 1865 e 1867, sob controle democrata branco, assassinatos de negros eram frequentes. Escolas negras eram alvos constantes: edifícios incendiados, professores açoitados ou mortos.[17] O grupo terrorista do pós-guerra Ku Klux Klan (KKK) contava com amplo apoio local e atacava libertos e seus aliados brancos. Embora tenha sido amplamente reprimido pelas Enforcement Acts [en] de 1870–1871, nunca desapareceu por completo e ressurgiu com força no início do século XX.

Apesar da violência, pessoas negras continuaram votando e frequentando escolas. A alfabetização cresceu rapidamente, e vários afro-americanos foram eleitos para cargos locais, estaduais e federais. Por volta de 1900, a maioria da população negra já era alfabetizada.

A persistência da violência no Sul, especialmente durante campanhas eleitorais, desgastou o apoio nortista. Após anos de guerra e enormes perdas, os nortistas perderam disposição para manter um esforço militar e financeiro prolongado contra a insurgência branca sulista. O Pânico de 1873 agravou a crise econômica. A partir de meados da década de 1870, a insurgência branca ganhou nova força, com episódios como os massacres de Colfax e Coushatta na Luisiana (1873). Em 1874 surgiram grupos paramilitares abertos, como a Liga Branca (Luisiana) e os Camisas Vermelhas (Mississippi e Carolinas), que atuavam para expulsar republicanos do poder, desorganizar a comunidade negra e suprimir o voto afro-americano. Eles incentivavam a cobertura da imprensa.[18] Um historiador descreveu-os como “o braço militar do Partido Democrata”.[19]

Em 1874, durante a disputa pela eleição para governador da Luisiana, milícias da Liga Branca derrotaram a polícia de Nova Orleans e a milícia estadual, depuseram o governador republicano e instalaram o democrata Samuel D. McEnery [en], ocuparam o capitólio, a assembleia estadual e o arsenal por alguns dias, e depois recuaram diante das tropas federais. O episódio ficou conhecido como Batalha de Liberty Place [en].

Fim da Reconstrução

Os nortistas acabaram cedendo às pressões sulistas e renunciaram a controlar a violência eleitoral. Líderes abolicionistas como Horace Greeley passaram a criticar os governos da Reconstrução. Em 1875, os democratas obtiveram maioria na Câmara dos Representantes. O presidente Ulysses S. Grant recusou-se a enviar tropas ao Mississippi em 1875, mesmo a pedido do governador local. A violência marcou a eleição presidencial de 1876 em várias regiões. Após Grant, passaram-se décadas sem que presidentes tomassem medidas significativas para proteger os direitos legais das pessoas negras.[20][21]

Leis Jim Crow e terrorismo

Supremacia branca

As Resoluções
(frequentemente chamadas de Declaração de Independência Branca)

Acreditando que a Constituição dos Estados Unidos contemplava um governo conduzido por um povo esclarecido; acreditando que seus criadores não antecipavam o sufrágio de uma população ignorante de origem africana, e acreditando que os homens da Carolina do Norte que formaram a União não contemplavam para seus descendentes submissão a uma raça inferior,

Nós, os cidadãos subscritos da cidade de Wilmington e condado de New Hanover, declaramos que não seremos mais governados, e nunca mais seremos governados, por homens de origem africana.

The Wilmington Weekly Star (Carolina do Norte), 11 de novembro de 1898[22]

Forças paramilitares brancas ajudaram os brancos a retomar o poder no final da década de 1870. Uma breve coalizão populista governou alguns estados, mas os democratas voltaram ao domínio a partir dos anos 1880. Entre 1890 e 1908, aprovaram leis e emendas constitucionais que retiraram o direito de voto da maioria dos negros e de muitos brancos pobres. Mississippi (1890) e Luisiana (1895) criaram novas constituições com esse objetivo. Usaram impostos eleitorais, requisitos de alfabetização, comprovantes de residência e outras barreiras. A principal pressão veio da elite democrata do Solid South, onde os negros eram maioria entre os eleitores. A elite democrata também agiu para privar os brancos pobres do direito ao voto.[23][24][25]

Afro-americanos eram maioria absoluta em Luisiana, Mississippi e Carolina do Sul, e mais de 40% em outros quatro ex-estados confederados. Muitos brancos viam isso como ameaça política.[26] O senador da Carolina do Sul Ben Tillman [en] declarou em 1900: “Fizemos nosso melhor [para impedir negros de votar]... fraudamos urnas. Atiramos neles. Não nos envergonhamos disso”.[27]

Governos democratas conservadores aprovaram as Leis Jim Crow, instituindo segregação racial legal em escolas, hospitais, trens, restaurantes, transportes públicos e outros espaços. Negros eram frequentemente proibidos de entrar em lojas ou usar certos serviços. Sem direito ao voto, não participavam de júris e tinham quase nenhum recurso legal [en]. Entre 1889 e 1922, quase 3 500 pessoas foram linchadas, quase todas homens negros.[28]

Linchamentos

O linchamento enfatizava a impotência dos negros: ocorria em público, todos sabiam os responsáveis, mas ninguém era punido.[29] A ativista Ida B. Wells-Barnett documentou que as acusações mais comuns eram assassinato ou tentativa, mas negros eram linchados “por qualquer coisa ou nada”, desde roubo de porcos até insolência com brancos ou relações consensuais com mulheres brancas, isto é, simplesmente por estarem no lugar errado na hora errada.[30]

Os negros que eram economicamente bem-sucedidos enfrentavam represálias ou sanções. Em 1911, os negros foram impedidos de participar do Kentucky Derby porque os afro-americanos venceram mais da metade das primeiras 28 corridas.[31][32] Por meio de violência e restrições legais, os brancos impediam frequentemente os negros de trabalhar como operários comuns, muito menos como artesãos qualificados ou em profissões liberais. Nessas condições, mesmo o negro mais ambicioso e talentoso tinha extrema dificuldade para crescer.

Esta situação colocou em xeque as visões de Booker T. Washington, o mais proeminente líder negro durante a parte inicial do nadir. Ele argumentava que as pessoas negras poderiam melhorar sua condição por meio de trabalho árduo e poupança. Acreditava que elas precisavam dominar trabalhos básicos antes de prosseguir para carreiras universitárias e aspirações profissionais. Washington considerava que seus programas preparavam os negros para as vidas que provavelmente levariam, bem como para os empregos que poderiam obter no Sul. A posição de Washington foi defendida em seu influente Discurso da Exposição de Atlanta em 1895, que deu origem ao Compromisso de Atlanta [en].

W. E. B. Du Bois defendia uma posição mais intransigente que a de Washington, declarando:

Ele se esforça nobremente para tornar os negros artesãos, homens de negócios e proprietários; mas é absolutamente impossível, sob os métodos competitivos modernos, que trabalhadores e proprietários defendam seus direitos e existam sem o direito de sufrágio.[33]

Washington sempre apoiou (embora muitas vezes de forma clandestina) o direito ao sufrágio negro e lutou contra as leis de privação de direitos eleitorais na Geórgia, Luisiana e outros estados sulistas.[34] Isso incluiu o financiamento secreto de litígios que resultaram no caso Giles v. Harris [en], 189 U.S. 475 (1903), o qual foi perdido devido à relutância da Suprema Corte em interferir nos direitos dos estados.

Grande Migração e hostilidade nacional

Migração afro-americana

Muitos negros deixaram o Sul em busca de melhores condições de vida e trabalho. Logan observa que, na primavera de 1879, "cerca de 40 000 negros praticamente fugiram em massa do Mississippi, Luisiana, Alabama e Geórgia em direção ao Meio-Oeste. O maior número rumou para o Kansas...".[35] Mais significativamente, a partir de cerca de 1915, muitos negros migraram para as cidades do Norte no que ficou conhecido como a Grande Migração. Até a década de 1930, mais de 1,5 milhão de pessoas negras deixaram o Sul em busca de melhores oportunidades no Norte, procurando emprego e a chance de escapar dos linchamentos e da segregação legal. Embora tenham enfrentado dificuldades, no geral, encontraram melhores perspectivas no Norte. Eles precisaram realizar grandes mudanças culturais, pois a maioria saiu de áreas rurais para grandes cidades industriais, e também tiveram de se adaptar de trabalhadores rurais para trabalhadores urbanos. Como exemplo, durante seus anos de expansão, a Pennsylvania Railroad recrutou dezenas de milhares de trabalhadores do Sul. No Sul, brancos alarmados, preocupados com a perda de sua força de trabalho, frequentemente tentaram impedir a migração negra.

Os afro-americanos que fugiam da opressão racial muitas vezes voltavam para buscar o restante da família ou enviavam passagens de trem para casa. Em resposta, ao observarem plataformas de trem lotadas de pessoas negras, várias cidades aprovaram ordenanças que tornavam ilegal as companhias ferroviárias aceitarem passagens pré-pagas. Houve também ordenanças para impedir viagens em grupo de famílias negras ou turmas de afro-americanos que tentavam comprar pacotes coletivos.[36]

Reações no Norte

Durante o nadir das relações raciais, as áreas do Norte enfrentaram agitação e hostilidade. No Meio-Oeste e no Oeste, muitas cidades exibiam avisos de "sundown", ameaçando matar afro-americanos que permanecessem durante a noite. Essas "cidades do pôr do sol" também expulsaram afro-americanos que haviam se estabelecido nelas antes e durante a Reconstrução. Monumentos aos mortos da Guerra Confederada foram erguidos em todo o país, até mesmo em lugares distantes como Montana, por exemplo.[37]

A habitação para negros frequentemente era segregada no Norte. Havia competição por empregos e moradia à medida que os negros entravam em cidades que também eram destino de milhões de imigrantes do leste e do sul da Europa. À medida que mais negros se mudavam para o Norte, encontravam racismo, tendo de disputar territórios, muitas vezes contra comunidades irlandesas-americanas, inclusive em apoio a bases de poder político locais. Em algumas regiões, negros não podiam servir em júris. Espetáculos de blackface, nos quais brancos se vestiam como negros retratando afro-americanos como palhaços ignorantes, eram populares tanto no Norte quanto no Sul. A Suprema Corte refletia tendências conservadoras e não anulou as mudanças constitucionais sulistas que resultaram na perda do direito ao voto. Em 1896, a Corte decidiu no caso Plessy v. Ferguson que instalações "separadas mas iguais" para negros eram constitucionais; a Corte era composta quase inteiramente por nortistas.[38] No entanto, instalações iguais raramente eram fornecidas, pois não havia legislação estadual ou federal que as exigisse. Somente 58 anos depois, com Brown v. Board of Education (1954), a Corte anulou a decisão.

Embora houvesse críticos na comunidade científica, como Franz Boas, a eugenia e o racismo científico eram promovidos na academia por muitos cientistas, como Lothrop Stoddard e Madison Grant, que argumentavam com "evidências científicas" a favor da superioridade racial dos brancos, justificando assim a segregação racial e a cidadania de segunda classe para os negros.

Ku Klux Klan

Numerosos negros haviam votado no democrata Woodrow Wilson na eleição de 1912, baseados em sua promessa de trabalhar em favor deles. Em vez disso, ele segregou locais de trabalho governamentais e empregos em algumas agências. O filme O Nascimento de uma Nação (1915), que celebrava a Ku Klux Klan original, foi exibido na Casa Branca para o presidente Wilson e membros de seu gabinete. Em 1921, escrevendo para Joseph Tumulty [en], Wilson disse sobre o filme: "Sempre considerei esta uma produção muito infeliz e desejo sinceramente que sua produção pudesse ser evitada, particularmente em comunidades onde há tantos negros".[39]

Uma citação de Woodrow Wilson usada em O Nascimento de uma Nação

O Nascimento de uma Nação resultou no renascimento da Klan, que na década de 1920 teve mais poder e influência do que a Klan original jamais teve. Em 1924, a Klan contava com quatro milhões de membros.[40] Ela também controlava o governo estadual e a maioria da legislatura em Indiana, e exercia forte influência política em Arkansas, Oklahoma, Califórnia, Geórgia, Oregon e Texas.[41]

Violência de multidões e massacres

Nos anos durante e após a Primeira Guerra Mundial, houve grandes tensões sociais nos Estados Unidos. Além da Grande Migração e da imigração da Europa, veteranos afro-americanos do Exército, recém-desmobilizados, buscavam empregos e, como soldados treinados, eram menos propensos a aceitar a discriminação. Massacres e ataques a negros decorrentes de greves e competição econômica ocorreram em Houston, Filadélfia e East St. Louis [en] em 1917.

Em 1919, houve tantos ataques violentos em várias grandes cidades que o verão daquele ano ficou conhecido como Verão Vermelho. O conflito racial de Chicago em 1919 [en] irrompeu em violência generalizada por vários dias. Deixou 15 brancos e 23 negros mortos, mais de 500 feridos e mais de 1 000 desabrigados.[42] Uma investigação descobriu que irlandeses étnicos, que haviam estabelecido anteriormente sua própria base de poder no South Side [en], estavam fortemente envolvidos nos conflitos. O massacre racial de Tulsa em 1921 em Tulsa, Oklahoma, foi ainda mais mortal. Multidões brancas invadiram e incendiaram o distrito de Greenwood [en] em Tulsa. 1 256 casas foram destruídas e 39 pessoas (26 negras, 13 brancas) tiveram suas mortes confirmadas, embora investigações recentes sugiram que o número de mortes negras possa ser consideravelmente maior.[43]

Legado

Cultura

Os níveis de alfabetização dos negros, que aumentaram durante a Reconstrução, continuaram a crescer nesse período. A Associação Nacional para o Progresso de Pessoas de Cor (NAACP) foi fundada em 1909 e, até 1920, o grupo obteve algumas vitórias importantes em processos judiciais contra a discriminação. Afro-americanos como Du Bois e Wells-Barnett deram continuidade à tradição de advocacy, organização e jornalismo que impulsionara o abolicionismo, ao mesmo tempo em que desenvolveram novas táticas que ajudariam a impulsionar o movimento dos direitos civis das décadas de 1950 e 1960. O Renascimento do Harlem e a popularidade da música jazz no início do século XX tornaram muitos americanos mais conscientes da cultura negra e mais receptivos a celebridades negras.

Instabilidade

No geral, porém, o nadir representou um desastre evidente para as pessoas negras. Foner observa:

...no início do século XX, [o racismo] havia se tornado mais profundamente enraizado na cultura e na política da nação do que em qualquer outro momento desde o início da cruzada antiescravagista e talvez em toda a história do país.[44]

Da mesma forma, Loewen argumenta que a instabilidade familiar e a criminalidade que muitos sociólogos observaram em comunidades negras podem ser atribuídas não à escravidão, mas ao nadir e às suas consequências.[29]

Foner destacou que "nenhum dos oficiais negros da Reconstrução criou uma dinastia política familiar" e concluiu que o nadir "abortou o desenvolvimento da liderança política negra no Sul".[45]

Ver também

Bibliografia

  • Brown, David; Webb, Clive (2007). Race in the American South: From Slavery to Civil Rights (em inglês). Edinburgh: Edinburgh University Press. ISBN 978-0-7486-1376-2. Consultado em 31 de janeiro de 2026 
  • Current, Richard Nelson; Williams, T. Harry; Friedel, Frank; Brinkley, Alan, eds. (1987). American history: a survey (em inglês) 7a ed. New York: Knopf : Distributed by Random House. ISBN 978-0-394-36535-0 
  • Foner, Eric (2002). Reconstruction: America's unfinished revolution, 1863-1877. Col: New American nation (em inglês). New York: Perennial Classics. ISBN 978-0-06-093716-4 
  • Hornsby, Alton (2008). A Companion to African American History. Col: Wiley Blackwell Companions to American History (em inglês). Oxford: Wiley-Blackwell. ISBN 978-1-4051-3735-5. Consultado em 31 de janeiro de 2026 
  • Katz, Michael B.; Sugrue, Thomas J., eds. (1998). W.E.B. DuBois, race, and the city: the Philadelphia Negro and its legacy (em inglês). Philadelphia: University of Pennsylvania Press. ISBN 978-0-8122-3362-9. Consultado em 31 de janeiro de 2026 
  • Loewen, James W. (1995). Lies my teacher told me: everthing your American history textbook got wrong (em inglês) Nachdr. ed. New York: New Press. ISBN 978-1-56584-100-0 
  • Loewen, James W. (2000). Lies across America: what our historic sites get wrong. Col: A Touchstone book (em inglês). New York: Simon & Schuster. ISBN 978-0-684-87067-0 
  • Loewen, James W. (2006). Sundown towns: a hidden dimension of American racism (em inglês). New York; London: The New Press. ISBN 978-1-62097-468-1 
  • Logan, Rayford Whittingham (1997). The betrayal of the Negro, from Rutherford B. Hayes to Woodrow Wilson (em inglês). New York: Da Capo Press. ISBN 978-0-306-80758-9. Consultado em 31 de janeiro de 2026 
  • Martens, Allison Marie (2007). A movement of one's own? American social movements and constitutional development in the twentieth century. Col: Dissertations Abstracts International (em inglês). The University of Texas at Austin. Ann Arbor: ProQuest Dissertations & Theses. ISBN 978-0-549-16690-0. Consultado em 31 de janeiro de 2026 
  • Chinese American Society (2010). Dong, Jielin; Hu, Sen, eds. The Rocky Road to Liberty: A Documented History of Chinese Immigration and Exclusion (em inglês). Silicon Valley, CA: Javvin Press. ISBN 978-1-60267-028-0. Consultado em 1 de fevereiro de 2026 
  • Weir, Robert E. (2013). Workers in America: a historical encyclopedia (em inglês). Santa Barbara, Calif: ABC-CLIO. ISBN 978-1-59884-718-5 

Fontes complementares

Referências

  1. Finkelman, Paul, ed. (2009). Encyclopedia of African American history, 1896 to the present: from the age of segregation to the twenty-first century (em inglês). New York: Oxford University Press. p. 345. ISBN 978-0-19-516779-5. Consultado em 1 de fevereiro de 2026 
  2. Moreno, Paul D. (2006). Black Americans and organized labor: a new history (em inglês). American Council of Learned Societies. Baton Rouge: Louisiana State University Press. p. 82. ISBN 978-0-8071-3425-2. Consultado em 1 de fevereiro de 2026 
  3. Hornsby, Alton (2008). A Companion to African American History. Col: Wiley Blackwell Companions to American History (em inglês). Oxford: Wiley-Blackwell. p. 381. ISBN 978-1-4051-3735-5. Consultado em 1 de fevereiro de 2026 
  4. Johnson, Jeffrey A., ed. (2017). Reforming America: a thematic encyclopedia and document collection of the progressive era (em inglês). Santa Barbara, California: ABC-CLIO. p. 75. ISBN 978-1-4408-3720-3. Consultado em 1 de fevereiro de 2026 
  5. (Logan 1997, p. xxi)
  6. (Brown & Webb 2007, pp. 180, 208, 340)
  7. (Hornsby 2008, pp. 312, 381, 391)
  8. (Martens 2007, p. 113)
  9. a b (Loewen 2006, pp. 24–43)
  10. (Chinese American Society 2010, p. 52)
  11. (Weir 2013, p. 130)
  12. a b (Katz & Sugrue 1998, p. 92)
  13. a b (Current et al. 1987, pp. 446–447)
  14. (Foner 2002, p. 388)
  15. (Current et al. 1987, pp. 446–449)
  16. (Current et al. 1987, pp. 449–450)
  17. (Loewen 1995, pp. 158–160)
  18. Lemann, Nicholas (2006). Redemption: the last battle of the Civil War (em inglês). New York: Farrar, Straus and Giroux. ISBN 978-0-374-24855-0 
  19. Rable, George C. (1984). But there was no peace: the role of violence in the politics of Reconstruction (em inglês). Athens: University of Georgia Press. ISBN 978-0-8203-0710-7 
  20. (Foner 2002, p. 391)
  21. (Current et al. 1987, pp. 456–458)
  22. The Wilmington Weekly Star (11 de novembro de 1898), English: Newspaper report (The Wilmington Weekly Star, Wilmington, North Carolina, U.S., November 11, 1898) describing meeting of White people of Wilmington demanding expulsion of Black editor Alexander Manly and removal of his newspaper The Wilmington Daily Record. (em inglês), consultado em 1 de fevereiro de 2026 
  23. Kousser, J. Morgan (1974). The shaping of Southern politics: suffrage restriction and the establishment of the one-party South, 1880-1910. Col: Yale historical publications: Miscellany (em inglês). New Haven: Yale University Press. ISBN 978-0-300-01696-3. Consultado em 1 de fevereiro de 2026 
  24. Perman, Michael (2001). Struggle for mastery: disfranchisement in the South, 1888-1908. Col: The Fred W. Morrison series in Southern studies (em inglês). Chapel Hill: University of North Carolina Press. ISBN 978-0-8078-2593-8 
  25. (Current et al. 1987, pp. 457–458)
  26. Chin, Gabriel J.; Wagner, Randy (2011). «The Tyranny of the Minority: Jim Crow and the Counter-Majoritarian Difficulty» (PDF). Harvard Civil Rights-Civil Liberties Law Review (em inglês). 43 (1): 65-126. Consultado em 31 de janeiro de 2026. Arquivado do original (PDF) em 13 de dezembro de 2016 
  27. (Logan 1997, p. 91)
  28. Estes, Steve (2005). «Introduction». I am a man! race, manhood, and the civil rights movement (em inglês). Chapel Hill: University of North Carolina Press. ISBN 978-0-8078-2929-5. Consultado em 1 de fevereiro de 2026 
  29. a b (Loewen 1995, p. 166)
  30. (Loewen 1995, caps. 5 e 6)
  31. (Wright 1945, cap. 9)
  32. (Loewen 1995, pp. 163–164)
  33. (Du Bois 1903, "3")
  34. Norrell, Robert J. (2009). Up from history: the life of Booker T. Washington (em inglês). Cambridge: Belknap Press. pp. 186–188. ISBN 978-0-674-03211-8 
  35. (Logan 1997, p. 140)
  36. Clark, Alexis (4 de janeiro de 2022). «How Southern Landowners Tried to Restrict the Great Migration». HISTORY (em inglês). Consultado em 1 de fevereiro de 2026 
  37. (Loewen 1999, pp. 102–103, 182–183)
  38. (Logan 1997, pp. 97–98)
  39. Berg, Andrew Scott (2013). Wilson (em inglês). New York, NY: Berkley Books. ISBN 978-0-425-27006-6 
  40. (Current et al. 1987, p. 693)
  41. (Loewen 1999, pp. 161–162)
  42. (Current et al. 1987, p. 670)
  43. (Loewen 1995, p. 165)
  44. (Foner 2002, p. 608)
  45. (Foner 2002, p. 604)

Ligações externas

  • «Sundown Towns». History and Social Justice (em inglês). Consultado em 1 de fevereiro de 2026