Nova Suécia

   |- style="font-size: 85%;"
       |Erro::  valor não especificado para "nome_comum"
   


Nova Suécia

Colónia sueca na América do Norte

1638 – 1655

Bandeira de

Bandeira
Localização de
Localização de
Mapa da Colónia da Nova Suécia (1638–1655)
Continente América
Região América do Norte
País Estados Unidos
Capital Forte Cristina
39° 44' N 75° 32' O
Língua oficial sueco
Religião Luteranismo
Governo Monarquia
Rei
 • 1638-1654 Cristina da Suécia
 • 1654-1655 Carlos X Gustavo da Suécia
Governador
 • 1638 Peter Minuit
 • 1654-1655 Johan Risingh
Período histórico colonialismo
 • 29 de março de 1638 Fundação do Forte Cristina
 • 15 de setembro de 1655 Conquista pelos Novos Países Baixos

Nova Suécia (em sueco: Nya Sverige; em latim: Nova Svecia), foi uma pequena colónia sueca ao longo do rio Delaware na costa oriental da América do Norte durante o século XVII que incluía partes dos atuais estados de Delaware, Nova Jérsia e Pensilvânia.[1][2]

A colónia foi fundada em 29 de março de 1638, pelo explorador neerlandês Peter Minuit, a serviço da Coroa da Suécia. O principal assentamento da colónia era Forte Cristina, assim denominado em homenagem à rainha Cristina da Suécia. À data da fundação, residiam na região algumas centenas de colonos, cerca de metade dos quais eram finlandeses, uma vez que a Finlândia fazia então parte do Reino da Suécia.[1]

Com o passar do tempo, o Forte Cristina viria a dar origem à atual cidade de Wilmington, no estado de Delaware. Outros núcleos de povoamento sueco estabeleceram-se no sudeste da Pensilvânia e no sudoeste da Nova Jérsia. A economia da Nova Suécia baseava-se sobretudo na agricultura e no comércio de peles.[3]

Antecedentes

No século XVII, a Suécia havia alcançado a sua maior extensão territorial, abrangendo a Finlândia e a Estónia, bem como partes do que hoje correspondem à Rússia, Polónia, Alemanha, Noruega e Letónia. Durante esse período, conhecido como stormaktstiden (“Era da Grande Potência”), o país figurava entre as grandes potências europeias.[4][5][6] Ao mesmo tempo, outras nações europeias estabeleciam colónias no Novo Mundo e construíam impérios comerciais bem-sucedidos. A Suécia procurou ampliar a sua própria influência através da criação de uma colónia dedicada ao cultivo do tabaco e ao comércio de peles, com o objetivo de contornar os mercadores franceses, ingleses e neerlandeses.[4][7]

A ideia de fundar uma colónia sueca na América do Norte surgiu já durante o reinado do rei Gustavo II Adolfo.[8][9] O monarca entrou em contacto com o neerlandês Willem Usselincx e, em 21 de dezembro de 1624, incumbiu-o de organizar uma companhia comercial.[10][11] Em 6 de junho de 1626, foi fundada, por meio de uma carta de privilégio (outorga), a Companhia Geral de Comércio do Reino da Suécia para a Ásia, África e Terra Magallanica, também conhecida como Companhia do Sul (Söderkompaniet), à qual foi concedido o monopólio do comércio nessas regiões.[8][12][13] Contudo, após a partida do rei para a Guerra dos Trinta Anos, na Alemanha, as atividades da companhia entraram em declínio.[10][12]

Em 1635, o chanceler do reino Axel Oxenstierna, durante uma visita a Amesterdão, entrou em contacto, por intermédio de Peter Spiring — que há muito se encontrava ao serviço da Suécia —, com os mercadores neerlandeses Samuel Blommaert e Peter Minuit.[2][8] Este último havia trabalhado anteriormente para a Companhia Neerlandesa das Índias Ocidentais e exercido o cargo de governador da colónia dos Novos Países Baixos. Minuit conhecia, portanto, o facto de a região do rio Delaware ser pouco povoada, o que levou ao ressurgimento da ideia de fundar uma colónia.[9] Após a assembleia do reino de 1636, o projeto foi retomado e, em 1637, a Companhia do Sul foi reorganizada como Companhia da Nova Suécia (Nya Sverige-kompaniet ou Nova-Sueciakompaniet), com a missão de estabelecer um entreposto comercial sueco-neerlandês na América do Norte. Os cinco sócios suecos da companhia eram os irmãos Axel e Gabriel Gustafsson Oxenstierna, o seu primo Gabriel Bengtsson Oxenstierna, Clas Larsson Fleming e Peter Spiring.[9] A estes juntavam-se Samuel Blommaert e outros cinco sócios neerlandeses. O capital da companhia era dividido igualmente entre investidores suecos e neerlandeses.[7][14]

A expedição para a América do Norte foi preparada com o máximo sigilo, por receio da Companhia Neerlandesa das Índias Ocidentais, que então dominava a região. Metade da tripulação era composta por suecos, sendo o restante formado por neerlandeses; os oficiais eram maioritariamente neerlandeses, devido à sua maior experiência em viagens transatlânticas.

No final de novembro de 1637, os navios Kalmar Nyckel e Fågel Grip partiram do porto de Gotemburgo sob o comando de Peter Minuit, transportando 24 homens — 23 militares e um escriturário.[8] O capitão do Fågel Grip era Adrian Jöransen, enquanto o Kalmar Nyckel era comandado por Jan Hindricksen van der Water; o contingente sueco encontrava-se sob a liderança do tenente Måns Nilsson Kling.

História

1638–1642: Fundação da colónia

A expedição sueca chegou à baía de Delaware em 23 de março de 1638, prosseguindo em seguida rio acima pelo rio Delaware.[15] A frota entrou depois num afluente situado na margem ocidental, desembarcando num promontório localizado na confluência do Christinekil (Minquas Kill, atual rio Cristina) e do Brännvinskilen (Wauwaset Kill, atual Brandywine Creek), local que recebeu o nome de Paradisudden (“Ponta do Paraíso”).[9] A região era então habitada pelo povo Lenape (ou Lenni Lenape), um povo de língua algonquina.

Em 29 de março de 1638, Peter Minuit, em nome da Coroa sueca, celebrou um acordo de compra de terras com cinco chefes lenape, formalizando a posse sueca da região.[16] O acordo abrangia as terras situadas na margem ocidental do rio Delaware, desde Bombay Hook, na foz do rio, a sul, até à foz do rio Schuylkill, a norte, sem que fosse estabelecido qualquer limite definido para o interior. O tratado foi formalmente assinado em 8 de abril de 1638, a bordo do navio Kalmar Nyckel, sendo o pagamento efetuado através de bens comerciais.

Pouco depois, iniciou-se a construção do Forte Cristina (Fort Christina), que se tornou o principal centro administrativo, militar e comercial da colónia, recebendo o nome da então jovem rainha Cristina da Suécia.[2][4] A fundação da Nova Suécia ocorreu num território reivindicado pela colónia neerlandesa dos Novos Países Baixos, o que desde cedo gerou tensões diplomáticas.[11] Apesar disso, o comandante da expedição, Peter Minuit, procurou inicialmente evitar confrontos diretos, estabelecendo contactos tanto com os neerlandeses como com os povos indígenas locais. Foram celebrados acordos com grupos indígenas da região, assegurando o comércio de peles e o uso de terras, o que contribuiu para a relativa estabilidade da colónia nos seus primeiros anos.[2][16]

A população inicial era reduzida e composta sobretudo por suecos e finlandeses, mas inicialmente o governo sueco tentou limitar a emigração à colónia.[9] A Suécia, na época, era pouco povoada e a imigração era incentivada antes da emigração. Os primeiros emigrantes eram criminosos que tiveram que escolher entre uma sentença na Suécia ou viver na América por pelo menos cinco anos.[2][9] Mais tarde, também vieram emigrantes voluntários, principalmente do oeste da Suécia, Dalecárlia, Jemtlândia, Varmlândia e Angermânia. Um grande grupo entre os colonizadores era composto por suecos-finlandeses e finlandeses que haviam sido forçados a fugir para Varmlândia para escapar da guerra nas regiões fronteiriças com o Czarado da Rússia, mas também criminosos e desertores.[16]

Os colonos introduziram técnicas construtivas em madeira, como as casas de toras (log cabins), que mais tarde se difundiriam amplamente na América do Norte.[17] A economia da colónia baseava-se essencialmente na agricultura de subsistência e no comércio de peles, com particular destaque para o cultivo do tabaco. Ainda em 1638, Peter Minuit morreu durante uma viagem marítima na ilha de São Cristóvão, nas Índias Ocidentais, o que privou a colónia da sua principal figura organizadora logo nos seus primórdios. Apesar dessa perda, o navio Kalmar Nyckel retornou à Suécia.[2]

Antes da partida de Minuit, Kling foi nomeado governador interino a 15 de junho. O Fågel Grip regressou no Inverno de 1638 de São Cristóvão com mais um colono, o angolano liberto Anthony Swartz; por volta de abril de 1639, o Fågel Grip voltou novamente à Suécia com uma carga de tabaco e peles.[15] A população da colónia era então constituída por Kling e vinte e quatro homens, que tiveram de aguardar dezoito meses pela expedição seguinte. Apenas em setembro de 1639 partiu uma nova expedição da metrópole.

A 17 de abril de 1640 chegou o Kalmar Nyckel com o novo governador Peter Hollander Ridder e catorze novos colonos, entre os quais Per Gunnarsson Rambo, antepassado da família Rambo, e Reorus Torkillus, o primeiro sacerdote luterano da América.[7][9][11] Ridder realizou novas aquisições de terras em ambas as margens do rio Delaware.[8] Em 1642, Torkillus construiu a primeira igreja junto ao Forte Cristina. Kling foi enviado de regresso à Suécia para recrutar mais colonos.[18]

A 24 de janeiro de 1640 foi assinado em Estocolmo um tratado que concedia aos neerlandeses o direito de estabelecer uma colónia própria (colónia de Utrecht) a norte do Forte Cristina, dentro do território da Nova Suécia. O neerlandês Joost van Bogaert (então ao serviço da Coroa sueca) foi nomeado governador dessa área.[19] Por volta de julho de 1640, o navio Freedenburg deixou a Europa e chegou à Nova Suécia a 2 de novembro. Foram deixados mantimentos aos suecos, seguindo depois o navio rio acima. Em dezembro, regressou à Europa com uma carga de tabaco e peles pertencente a comerciantes suecos, a qual foi vendida à chegada a Amesterdão.

Em 1641, a Companhia da Nova Suécia passou inteiramente para controlo sueco, após a retirada dos sócios neerlandeses (que detinham também interesses na Companhia Neerlandesa das Índias Ocidentais), tendo-lhe sido igualmente concedido o monopólio do planeado comércio de tabaco com a Suécia.[7] Em julho, Kling partiu de Gotemburgo com novos emigrantes — entre eles Johan Andersson Stålkofta e mais de cinquenta futuros colonos, maioritariamente finlandeses — a bordo dos navios Kalmar Nyckel e Charitas. Os colonos tinham sido parcialmente recrutados por Kling durante viagens às regiões florestais da Värmland e da Västmanland, e parcialmente obrigados a emigrar. A expedição chegou à Nova Suécia a 7 de novembro. Os novos emigrantes começaram a fundar os assentamentos de Sveaborg e Nova Estocolmo, enquanto os colonos finlandeses estabeleceram as povoações de Finlândia e Upland, um pouco a norte do Forte Cristina. Após esta expedição, viviam cerca de 150 pessoas na região.

A Companhia nomeou então o tenente-coronel Johan Björnsson Printz como novo governador.[11] Printz tinha servido anteriormente na Finlândia e estava familiarizado com a língua e os costumes finlandeses. A 16 de agosto de 1642, Printz partiu de Estocolmo para Gotemburgo a bordo do navio Fama; a 1 de novembro, o Fama e o Charitas zarparam rumo à Nova Suécia, onde chegaram a 15 de fevereiro de 1643. Nesta viagem seguiram, entre outros, Sven Skute, Johannes Jone Holmiensis Campanius, o segundo sacerdote da colónia, bem como cerca de setenta colonos e soldados adicionais.[15]

1643–1652: Administração e expansão

Durante este período, as relações com os povos indígenas mantiveram-se, em geral, pacíficas. Lado a lado com os colonos suecos viviam mais de 10 000 indígenas da tribo Lenape, cuja convivência inicial com os europeus parece ter decorrido sem grandes conflitos.[8] Contudo, estas populações nativas sofreram perdas devastadoras em consequência de doenças como a varíola e o sarampo, introduzidas pelos europeus, e, mais tarde, foram também expulsas em grande número dos seus territórios tradicionais.[20]

O comércio de peles continuou a desempenhar um papel central na economia colonial, sendo complementado pela agricultura e pela criação de gado.[2] Ainda assim, a colónia enfrentava dificuldades estruturais, como a escassez de colonos, a limitação de recursos financeiros e a grande distância em relação à metrópole, fatores que condicionavam o seu crescimento e a sua capacidade de afirmação regional.[7]

Paralelamente, aumentaram as tensões com a Companhia Neerlandesa das Índias Ocidentais, que contestava a legitimidade da presença sueca na região. Embora não tenha ocorrido ainda um conflito armado aberto, os neerlandeses reforçaram as suas posições nas proximidades, preparando o terreno para os confrontos que viriam a marcar a fase final da colónia.[16]

A partir de 1643, a colónia entrou numa nova fase sob a administração de Johan Printz, nomeado governador da Nova Suécia pela Coroa sueca. Printz recebeu amplos poderes civis e militares, com a missão de consolidar a presença sueca no vale do Delaware e reforçar a autoridade colonial face à crescente influência neerlandesa.[4][8][11] As instruções de Oxenstierna a Printz recomendavam evitar confrontos com os neerlandeses. O Forte Nassau tinha sido construído antes da chegada dos suecos, e os navios suecos deviam saudar ao passar. Printz efectuou novas compras de terras e construiu o Forte Nova Gotemburgo, bem como a sua residência privada, Printztorp, a jusante, na margem ocidental do rio Delaware, onde agora os neerlandeses deveriam saudar ao passar; construiu igualmente o Forte Nova Elfsborg na margem oriental.[15][16] Posteriormente, os suecos edificaram ainda o Forte Nova Korsholm, que serviu de ponto central para o comércio com o povo Minquas na região do rio Schuylkill. Durante o mesmo período foram fundados os povoamentos de Minquas, Provins, Tequirassy e Tinicum, e mais tarde Nova Vaasa, Mölndal e Torne.[2] Por volta de 1643, a população sueca da Nova Suécia ascendia a cerca de 200 pessoas.[8] Vivia-se da caça e da agricultura, e eram enviados para a Suécia carregamentos de tabaco e peles.[2] Entre 1643 e 1648, Campanius exerceu funções como capelão da guarnição no Forte Nova Gotemburgo e, a 4 de setembro de 1646, consagrou a primeira igreja junto ao forte.[11]

Para além das suas funções eclesiásticas, Campanius actuou também como missionário entre a população local e compilou um dicionário da sua língua. Realizou ainda as primeiras observações meteorológicas sistemáticas na América do Norte.

Durante este período chegaram também várias expedições suecas com novos colonos, entre elas o Fama a 11 de março de 1644 com doze colonos, o Gyllene Hajen a 1 de outubro de 1646 com catorze colonos e o Svanen em janeiro de 1648 com doze colonos. Por volta de 1648, a população total ascendia a cerca de 250 pessoas. A 3 de julho de 1649, o Kattan partiu de Estocolmo; o navio naufragou, porém, a 28 de agosto, perto de Porto Rico, e nenhum dos cerca de 70 passageiros — entre eles várias mulheres e crianças — chegou à colónia.[15][19]

No final de 1650, Skute foi enviado de regresso à Suécia para apresentar relatório e salientar a necessidade de mais colonos. Apenas em 1653 a rainha Cristina lhe confiou, contudo, a missão de recrutar 250 novos emigrantes.

Em 1647, Peter Stuyvesant foi nomeado novo governador dos Novos Países Baixos e as tensões entre as nações intensificaram-se.[2] Em 1651, os neerlandeses construíram o Forte Casimir imediatamente a sul do Forte Cristina, ao mesmo tempo que abandonaram o Forte Nassau e o Forte Beversreede.[11] No mesmo período, os suecos abandonaram o Forte Nova Elfsborg e o Forte Nova Korsholm, concentrando a população em torno do Forte Cristina e do Forte Nova Gotemburgo. Printz administrou a colónia com rigidez e, em 1652, confiscou a quinta de Lars Svensson; vários suecos abandonaram então a colónia e instalaram-se junto dos neerlandeses.[15]

1653–1655: Conflitos finais e conquista da Nova Suécia

Logo em 1653, a colónia foi novamente abalada pelo descontentamento face ao governo severo de Printz, e 23 colonos (entre eles Måns Andersson) redigiram uma petição exigindo a sua destituição.[4][8][15] Printz chamou-lhes amotinados e mandou executar um colono. Na Primavera, a população sueca tinha-se reduzido para cerca de 70 pessoas devido a epidemias, e discutiu-se mesmo uma união com os neerlandeses. Após estes distúrbios, Printz deixou a colónia no final de outubro de 1653 para regressar à Suécia, sendo Johan Papegoja nomeado governador interino.[8][9][16] Posteriormente, mais quinze colonos fugiram da colónia para procurar protecção junto dos neerlandeses, levando Papegoja a contratar indígenas para os trazer de volta, vivos ou mortos.[15]

Antes de Printz chegar a Gotemburgo, a Suécia já tinha enviado novas expedições com o Örnen a 2 de fevereiro e com o Gyllene Hajen a 15 de abril.[8] O Örnen transportava cerca de 350 novos colonos, sendo a maior expedição isolada. Durante a viagem, contudo, eclodiu a bordo uma epidemia de disenteria que ceifou cerca de uma centena de vidas. O Gyllene Hajen navegou por erro até ao rio Hudson, onde os neerlandeses apreenderam o navio.[8] Em 22 de maio de 1654, Johan Classon Risingh e Skute chegaram com o Örnen e cerca de 250 colonos adicionais.[2][15] A expedição ancorou inicialmente a 20 de maio junto ao Forte Nova Elfsborg, mas encontrando-o abandonado, prosseguiu rio acima até ao neerlandês Forte Casimir. O forte foi tomado sem combate a 21 de maio e renomeado Forte Trindade (Fort Trefaldighet).[4][9][15] A 21 de Junho, Risingh reuniu-se também com os povos indígenas locais, renovando tratados de amizade. Foram fundados novos povoamentos em Ammansland, Sidoland, Strandviken, Timber Island e Översidolandet. A 15 de Julho, Risingh enviou o Örnen de regresso à Suécia com relatórios positivos sobre a situação e as perspectivas futuras; Papegoja seguiu a bordo com a missão de recrutar novos colonos.[2] O navio chegou à Suécia em setembro de 1654.

Os neerlandeses, sob a liderança do governador Peter Stuyvesant, tinham acompanhado atentamente o desenvolvimento da colónia sueca e decidiram agora pôr-lhe fim.[16] Os Países Baixos apoiavam activamente os seus territórios coloniais, enquanto a Suécia se preparava para entrar num novo conflito com a Polónia, não podendo, por isso, enviar novas expedições. A colónia sofria de escassez de alimentos e mais colonos abandonaram a região.

Os neerlandeses reuniram uma força composta por sete navios de guerra e 300 soldados, planeando invadir toda a Nova Suécia. A 30 de Agosto, a força neerlandesa entrou na baía do Delaware e alcançou o Forte Trindade a 31 de Agosto; o cerco ao forte, sob o comando de Skute, teve início a 1 de setembro. Skute dispunha de cerca de trinta homens aptos para o combate e dez canhões; o navio-almirante de Stuyvesant possuía, por si só, 36 canhões.[2] Após negociações, Skute rendeu-se e o forte foi entregue a 11 de setembro (1 de setembro segundo o calendário juliano). Seguiu-se então o cerco ao Forte Cristina, sob o comando de Risingh. Também aí havia apenas trinta soldados, e Risingh e a Nova Suécia capitularam a 14 de setembro, entregando o forte no dia seguinte 15 de setembro (25 de setembro segundo o calendário gregoriano).[4] A rendição seguiu os rituais da época: os suecos arriaram a sua bandeira e dispararam os canhões em saudação neerlandesa; a salva foi respondida, após o que a guarnição sueca deixou o forte com tamborileiros, trompetistas e porta-estandartes à frente. Em seguida, a nova guarnição neerlandesa entrou e içou a sua bandeira.[9]

Os povos Lenape e Minquas auxiliaram os suecos durante o cerco neerlandês, nomeadamente atacando o Forte Nova Amesterdão e reunindo forças em torno da Nova Suécia; tal apoio, porém, não teve impacto significativo no desfecho. Após a capitulação, a maioria dos suecos permaneceu na região e jurou fidelidade aos neerlandeses; apenas Risingh e um pequeno número de suecos optaram por regressar à Suécia.[2][9][15] A 11 de outubro, Risingh e os restantes partiram para a Suécia. No momento da tomada neerlandesa, a população da Nova Suécia era de cerca de 400 pessoas.[8][9]

Após a capitulação e a incorporação da colónia aos Novos Países Baixos, o controlo sueco sobre a região chegou definitivamente ao fim, encerrando um domínio que durara apenas 17 anos, em setembro de 1655. Posteriormente, a região inteira passou para o domínio das Treze Colónias após a invasão de uma frota inglesa em 1664.[8][9][16][20]

Missão religiosa e relações com os povos indígenas

Desde os primeiros anos da colónia, a presença sueca na Nova Suécia incluiu uma forte componente religiosa. Os primeiros pastores luteranos demonstraram entusiasmo ao observar a participação dos povos indígenas locais nas celebrações religiosas suecas. Segundo relatos da época, os indígenas já possuíam algum conhecimento prévio — ainda que fragmentário e confuso — sobre o cristianismo, transmitido anteriormente por espanhóis, franceses e ingleses.[21]

O engenheiro de fortificações e cronista Pedher Lindheström registou que certos indígenas acreditavam numa narrativa segundo a qual uma mulher do seu povo teria dado à luz um filho dotado de grande sabedoria, capaz de realizar feitos extraordinários, que mais tarde teria ascendido aos céus, prometendo regressar — um relato que os suecos associaram a uma interpretação indígena da figura de Jesus Cristo.[21]

Um dos primeiros pastores da colónia, Johannes Campanius, dedicou-se ativamente à missão de conversão dos povos indígenas ao cristianismo.[9] Campanius foi responsável pela primeira tradução de Lutero da Pequena Catequese para a língua indígena local (lenape), publicada em 1696, considerando-a aparentada ao hebraico, que julgava ser a “língua primitiva da humanidade”. Apesar desses esforços, os resultados da missionação foram limitados.[16][21]

Os relatos suecos da época também descrevem práticas de extrema violência entre certos grupos indígenas contra inimigos derrotados, incluindo a captura, escalpelamento e execução ritual de prisioneiros. Tais descrições refletem a perceção europeia do século XVII e devem ser entendidas no contexto das crónicas coloniais do período.[21]

Os pastores suecos enfrentaram grandes dificuldades logísticas e físicas, pois precisavam conciliar a missionação entre populações indígenas nómadas com a assistência espiritual aos colonos suecos e finlandeses, dispersos por uma vasta área. Após apenas três anos de trabalho, o pastor Andreas Rudman encontrava-se gravemente debilitado, sofrendo de problemas pulmonares atribuídos tanto ao clima quanto ao esforço excessivo e às longas viagens constantes.[22][23][24]

Apesar do relativo insucesso da missionação, existem diversos indícios de relações geralmente cordiais entre os suecos e os povos indígenas. Um exemplo significativo dessa cooperação ocorreu durante os acontecimentos finais da colónia, quando os indígenas prestaram auxílio aos suecos face à ofensiva neerlandesa.[7][16][21]

Legado

Em 25 de novembro de 1655, o navio Mercurius partiu de Gotemburgo com Papegoja e cerca de 110 novos colonos, sem terem conhecimento da queda da colónia. Também nesta expedição seguia um grande número de emigrantes finlandeses. A 14 de março de 1656, a expedição chegou à região, mas os neerlandeses recusaram permitir o desembarque dos suecos e apenas após longas negociações foi possível que a expedição desembarcasse.[2][8][9][19]

Após a queda da colónia, a região foi incorporada nos Novos Países Baixos, e a maioria dos colonos suecos optou por permanecer na área sob domínio neerlandês. Stuyvesant concordou posteriormente com a concessão de um autogoverno local aos suecos, com igreja própria, tribunal, administração e um conselho governativo. A liderança da área autónoma coube a Sven Skute (na qualidade de titular do cargo formal mais elevado), Anders Dalbo e Jakob Svensson, sendo o conselho governativo composto por Mats Hansson, Peter Kock, Peter Rambo e Olov Stille. Ainda em 1664, chegou à colónia um navio com famílias finlandesas provenientes de Medelpádia. Em outubro de 1664, a região foi tomada pelos ingleses, mas o autogoverno sueco foi autorizado a continuar até 1682, quando o rei Carlos II de Inglaterra concedeu a região a William Penn, a 14 de março.[9][23][24]

Os suecos e finlandeses foram progressivamente integrados, mas a língua sueca ainda era falada no final do século XVIII e, por volta da viragem do século XVIII, a população sueco-finlandesa era estimada em mais de 1 200 pessoas. O património cultural foi preservado, e a Suécia enviou pastores luteranos e bíblias até 1783.[2][8][9][23]

Quando Delaware, enquanto parte das Treze Colónias, declarou finalmente a sua independência da Grã-Bretanha, estimava-se que os descendentes dos primeiros imigrantes suecos na região ascendiam a cerca de 2 000 pessoas. A grande emigração sueca para a América do Norte durante o século XIX e o início do século XX dirigiu-se, contudo, sobretudo para o Centro-Oeste dos Estados Unidos.

A memória do período sueco mantém-se viva até aos dias de hoje, sobretudo na região de Wilmington. Os suecos fundaram as primeiras comunidades luteranas da América do Norte; a igreja sueca Igreja da Santíssima Trindade (Holy Trinity) é a mais antiga igreja de pedra ainda em actividade na América do Norte, a Igreja Gloria Dei é a mais antiga da actual Filadélfia, e a Igreja da Trindade a mais antiga do oeste de Nova Jérsia.[9][23][24] Vários locais da antiga colónia encontram-se inscritos no National Register of Historic Places como Sítios Históricos Nacionais (National Historic Site), e alguns constituem ainda Marcos Históricos Nacionais (National Historic Landmark). Em 1909, a Swedish Colonial Society foi fundada por Amandus Johnson com o objectivo de preservar a memória sueca nos Estados Unidos da América.[2]

Ver também

Referências

  1. a b Robb Ellis, Edward (1990). Epic of New York City: A Narrative History. books.google.com.br (em inglês). Nova Iorque: Old Town Books. p. 64. ISBN 0-7867-1436-0. Consultado em 22 de janeiro de 2026. Cópia arquivada em 18 de outubro de 2021 
  2. a b c d e f g h i j k l m n o p q «Nya Sverige». Nordisk familjebok (em sueco) 20 ed. Estocolmo. 1914. p. 152–157. Consultado em 22 de janeiro de 2026 
  3. Hadenius, Stig; Torbjörn Nilsson, Gunnar Åselius (1996). «Nya Sverige». Sveriges historia - Vad varje svensk bör veta (em sueco). Estocolmo: Bonnier Alba. p. 166. 447 páginas. ISBN 91-34-51784-7 
  4. a b c d e f g «Brief History of New Sweden in America». colonialswedes.net (em inglês). Consultado em 23 de janeiro de 2026. Cópia arquivada em 27 de fevereiro de 2023 
  5. Anna Larsdotter. «Tema Stormaktstiden: När Sverige var som störst» (em sueco). Populär historia, 2005. Consultado em 22 de janeiro de 2026. Cópia arquivada em 6 de outubro de 2016 
  6. Robert de Vries. «Stormaktstidens Sverige 1611-1718» (em sueco). SO-rummet. Consultado em 22 de janeiro de 2026 
  7. a b c d e f Norman, Hans; Larsdotter, Anna (1994). «När Sverige skulle bli kolonialmakt». popularhistoria.se (em sueco). Consultado em 22 de janeiro de 2026. Cópia arquivada em 20 de maio de 2011 
  8. a b c d e f g h i j k l m n o p «Kolonin Nya Sverige 1638-1655». historiesajten.se (em sueco). Consultado em 22 de janeiro de 2026 
  9. a b c d e f g h i j k l m n o p q r Ålund, Otto Wilhelm (1892). «De tretton kolonierna». Amerika: dess upptäckt, eröfring och fyrahundraåriga utveckling af (em sueco). Estocolmo. pp. 189–195. Consultado em 22 de janeiro de 2026 
  10. a b «Usselinx, Willem». Nordisk familjebok (em sueco) 31 ed. Estocolmo. 1921. pp. 79–80. Consultado em 22 de janeiro de 2026 
  11. a b c d e f g «The Swedish Settlements in North America». www.colonialvoyage.com (em inglês). Consultado em 22 de janeiro de 2026. Cópia arquivada em 25 de dezembro de 2010 
  12. a b «Söderkompaniet». Nordisk familjebok (em sueco) 28 ed. Estocolmo. 1919. pp. 155–158. Consultado em 22 de janeiro de 2026 
  13. Jameson, Franklin J. (1887). Willem Usselincx: Founder of the Dutch and Swedish West India Companies (em inglês). Nova Iorque: Johns Hopkins University. pp. 98–101. Consultado em 22 de janeiro de 2026 
  14. «Svenska makteliten investerade i Nya Sverige Companiet». www.colonialswedes.se (em sueco). Consultado em 22 de janeiro de 2026. Cópia arquivada em 11 de agosto de 2010 
  15. a b c d e f g h i j k «Chronology of Colonial Swedes on the Delaware 1638-1713». www.colonialswedes.org (em inglês). Consultado em 22 de janeiro de 2026. Cópia arquivada em 17 de dezembro de 2010 
  16. a b c d e f g h i j Ålund, Otto Wilhelm; Wieck, Friedrich Georg (1875). «Den svenska kolonin i Amerika». Uppfinningarnas Bok (em sueco). Estocolmo. pp. 292–295. Consultado em 22 de janeiro de 2026 
  17. Bruce D. Bomberger (1991). «The Preservation and Repair of Historic Log Buildings» (em inglês). Consultado em 23 de janeiro de 2026. Cópia arquivada em 4 de julho de 2007 
  18. «Fortet Christina – Sveriges utpost i Amerika». www.colonialswedes.se (em sueco). Consultado em 23 de janeiro de 2026. Cópia arquivada em 11 de agosto de 2010 
  19. a b c «Expeditionerna till Nya Sverige». www.colonialswedes.se (em sueco). Consultado em 23 de janeiro de 2026. Cópia arquivada em 11 de agosto de 2010 
  20. a b Bojs, Karin; Peter Sjölund (2016). «Till Afrika och Amerika». Svenskarna och deras fäder. De senaste 11 000 åren (em sueco). Estocolmo: Albert Bonniers. p. 156. 232 páginas. ISBN 9789100167547 
  21. a b c d e Grimberg, Carl (1985). «Svenska folkets underbara öden» (em sueco). Estocolmo. p. 401-405. ISBN 91-1-853442-2. Consultado em 23 de janeiro de 2026 
  22. «Christian Cyclopedia». Rudman, Anders. www.lcms.org (em inglês). Consultado em 24 de janeiro de 2026. Cópia arquivada em 17 de outubro de 2009 
  23. a b c d «The country church of Wicaco». philahistory.org (em inglês). Consultado em 24 de janeiro de 2026 
  24. a b c «Andreas Rudman built Gloria Dei Church and convinced William Penn to give its early settlers 10,000 acres of land in Berks County». preserveoldswedes.org (em inglês). Consultado em 24 de janeiro de 2026