Mosteiro de Alteparmaque

Mosteiro de Alteparmaque
Vista externa do mosteiro
Informações gerais
Estilo dominantegeorgiano
Geografia
PaísTurquia
CidadeAlteparmaque
Coordenadas🌍
Mosteiro de Alteparmaque está localizado em: Turquia
Mosteiro de Alteparmaque
Geolocalização no mapa: Turquia

O mosteiro de Alteparmaque (em turco: Altıparmak Manastırı) ou mosteiro de Parcal (Parhali Manastırı; em georgiano: პარხლის მონასტერი, P'arh'lis Monast'eri) é um antigo mosteiro do século X, concluído em 973, que pertence à vila de Alteparmaque (antiga Parcal), no distrito de Iussufeli, na província de Artvim, na Turquia. O complexo foi construído em 973, durante o reinado de Davi III (r. 966–1000/1), e dedicado a São João Batista. O scriptorium foi ativado logo após a construção do templo. Giorgi Kazbegi descreveu o templo em 1874, notando que ele diferia das demais igrejas ortodoxas georgianas na Turquia, com um exterior que lembrava um teatro moderno. O scriptorium, os aposentos monásticos, a residência episcopal e o refeitório situavam-se ao norte da igreja principal, como indicam esculturas figurativas da fachada norte hoje perdidas.

A igreja principal do mosteiro é um edifício retangular, semelhante à igreja do Mosteiro das Quatro Igrejas em planta e dimensões. Trata-se de uma basílica de três naves separadas por quatro pares de pilares unidos por arcos. A nave central, mais larga, termina a leste numa abside semicircular, enquanto as laterais terminam em sacristias retangulares divididas internamente. Durante o reinado de Alexandre I (r. 1412–1442), uma sala frontal aberta em três lados foi adicionada diante da entrada sul. Segundo inscrição em vermelho na parede sul da nave central, reparos ocorreram sob o patriarca João VIII (r. 1505–1509), e uma nova sala foi construída em 1518 pelo atabegue Quevarquevare III (r. 1518–1535). Desde o período otomano, o local permaneceu sem atividade sacerdotal, sendo restaurado oficialmente apenas uma vez, em 1916, e por curto tempo. A igreja principal foi convertida em mesquita em 1677 e manteve essa função até tempos recentes. O edifício da igreja foi registrado como um bem cultural imóvel a ser protegido pelo Ministério da Cultura e Turismo da Turquia em 1987.

Geografia

O mosteiro de Alteparmaque está localizado no vale do Alteparmaque, um afluente esquerdo do Choruque, a cerca de 27 quilômetros a noroeste da cidade de Iussufeli, perto da vila de Alteparmaque (antiga Parcal).[1] Administrativamente, faz parte do distrito de Iussufeli, na província de Artvim, na Turquia.[2]

História

Nave central da igreja

O complexo foi construído em 973, durante o reinado de Davi III (r. 966–1000/1), e dedicado a São João Batista. O scriptorium de Parcal entrou em funcionamento logo após a construção do templo, e os primeiros livros do mosteiro foram preparados em Clarjécia, conforme evidencia o manuscrito A-1453 — o Evangelho de Parcal I, copiado em Xateberdi pelo calígrafo João Bera, então ativo no mesmo mosteiro. Em suas próprias palavras: “Eu, João Bera, o escritor de Mateberdi, escrevi-o para Xateberdi e ofereci-o a Parcal como uma oração por todos os irmãos de Xateberdi”. O manuscrito A-1453 é datado de 973: “Foi escrito no início do ano Quefoz (6577-5604 = 973), o cronista foi o décimo terceiro a se converter ao Rejegue (193+780 = 973)”. Naquela época, Parcal ainda era uma igreja recém-construída, como relata o testamento de João Bera: “Diante da nova igreja, um novo altar foi colocado para a glória de Deus, o Rei dos Reis, glorificado seja Deus, o Magistrado Davi, estabelecido por Deus”.[3]

Giorgi Kazbegi escreveu extensamente sobre a igreja em seu livro publicado em 1874. Segundo o autor, ela era diferente de outras igrejas ortodoxas georgianas na Turquia e seu exterior se assemelhava a uma estrutura de teatro moderna. Kazbegi também observou que ela estava em melhores condições do que a Igreja de Tbeti na época.[4] Segundo V. Jobadze, o scriptorium, os aposentos dos monges, a residência episcopal, o refeitório e outros edifícios — hoje em ruínas — localizavam-se ao norte da igreja principal, como evidenciam as esculturas figurativas da fachada norte. Entre 2017 e 2018, o mosteiro passou por uma ampla restauração, durante a qual foram descobertas várias inscrições até então desconhecidas. Outras já eram conhecidas anteriormente, entre elas a mais extensa — a inscrição do doador —, lida pela primeira vez por Ekvtime Takaišvili. O texto, publicado por ele, diz:[5]

Em nome de Deus, pela intercessão da Santa Mãe de Deus e de São João Batista, que os cantores de Cristo glorifiquem o patriarca da Geórgia e de todo o Oriente, João. Ele construiu uma capela na igreja, e ninguém mais a decorou, e ele a decorou. Sua glória é ouvida para sempre. Que Deus ajude o líder Jorge Goglissa! Amém! João, o líder.[5]
Baixo-relevo sobre uma das janelas

Pesquisas recentes datam a inscrição do período das atividades do católico João V (r. 1033–1049). Foi esse católico quem mandou decorar a chamada Chasdudara, termo que, segundo N. Mari, designa um conjunto de câmaras ou arcadas em forma de lazurita (chas = céu, dud = cabeça, -ar = sufixo plural). Assim, a igreja remonta à época de Davi III, enquanto a decoração da arcada é cerca de 60 a 70 anos posterior. A presença de lazismos na inscrição indica que os lazes estavam entre os construtores e habitantes de Parcal, o que é plausível, visto que o Lazistão e Tao são separados por uma crista, e o mosteiro foi construído na encosta sul dessa crista.[3]

Além do templo central, o mosteiro inclui duas capelas. A primeira, está localizada a 1,5 quilômetros ao sul da igreja principal, perto de uma estrada antiga, e a segunda fica a um quilômetro a sudoeste da igreja principal, ao longo da estrada que leva à primeira capela.[6] Durante o reinado do rei Alexandre I (r. 1412–1442), uma sala frontal, aberta para o exterior em três lados por arcos, foi adicionada em frente à entrada sul da igreja. De acordo com a inscrição em vermelho na parede sul da nave central, reparos foram realizados durante o reinado do católico João VIII (r. 1505–1509), e uma nova sala foi adicionada em frente à entrada oeste em 1518 pelo atabegue Quevarquevare III (r. 1518–1535).[7] Desde o Período Otomano, o local permaneceu sem atividade sacerdotal, tendo sido restaurado oficialmente apenas uma vez, em 1916, e mesmo assim por breve tempo.[5] A igreja principal do mosteiro foi convertida em mesquita em 1677,[8] e manteve essa finalidade até tempos recentes.[5] O edifício da igreja foi registrado como um bem cultural imóvel a ser protegido pelo Ministério da Cultura e Turismo da Turquia em 1987.[9]

Scriptorium

Evangelho de Parcal

Duas coleções de manuscritos produzidas no scriptorium sobreviveram. São elas: o Evangelho de Parcal (S-4927; séculos X–XI) e o Policéfalo de Parcal (A-95; século XI). Ambos foram copiados pelo calígrafo Gabriel Patarai. O Evangelho de Parcal segue editorialmente os manuscritos de Jeruche-Parcal. Os textos mais antigos desta edição do evangelho estão preservados nos palimpsestos de Canmete, enquanto o protótipo cronologicamente mais próximo encontra-se no Evangelho de Opiz (Ivir.Geo.83, ano 913).[3] Por sua vez, o Policéfalo de Parcal, que se destaca por suas grandes dimensões (658 fólios), reúne 149 composições, entre as quais diversos textos originais georgianos.[10]

Características

Estrutura

Igreja do mosteiro em desenho do livro de Giorgi Kazbegi

A igreja principal do mosteiro é um edifício retangular (28,40 x 18,65 metros externamente), bastante semelhante à igreja do Mosteiro das Quatro Igrejas em termos de planta e dimensões. É uma basílica de três naves,[11][12] separadas entre si por quatro pares de pilares robustos, unidos por arcos. A nave central, relativamente larga, termina a leste numa abside semicircular, enquanto as naves laterais terminam em sacristias retangulares, divididas internamente em duas partes por uma parede intermediária. Na parte oeste da nave central há um amplo mezanino. As três naves possuem abóbadas de berço, reforçadas por arcos de sustentação.[13] As fachadas são decoradas com séries de arcaturas simétricas, replicadas da igreja do Mosteiro das Quatro Igrejas.[11][12] Há três entradas — a oeste, sul e norte —, e diante das portas ocidental e meridional há vestíbulos espaçosos.[13] Durante a sua conversão em mesquita, a entrada norte das três foi murada e fechada, e a entrada sul foi convertida num nicho de mirabe. Os arcos das janelas superiores apresentam decorações figurativas em relevo.[11][12]

Pinturas e inscrições

Inscrição georgiana no muro externo

As pinturas murais das igrejas medievais de Tao-Clarjécia foram perdidas, total ou parcialmente. As de Parcal, por exemplo, foram cobertas com cal quando a igreja foi convertida em mesquita.[11][12] Nas colunas superiores da nave central e em partes das paredes externas há inscrições em georgiano, pintadas aproximadamente no século XV (nas igrejas armênias calcedônias era comum escrever as inscrições em grego, siríaco ou georgiano).[13] Seus afrescos foram mencionados pela primeira vez por Giorgi Kazbegi, que relatou a presença de uma imagem de Cristo cercado por santos na abside.[14] Posteriormente, uma expedição liderada por Nikolai Okunev (1885–1949) estudou o local, mas grande parte de seu material — incluindo anotações e mais de 400 fotografias — permaneceu inédita. Suas fotografias encontram-se atualmente no Departamento de Fotografia do Arquivo Científico do Instituto de História da Cultura Material, em São Petersburgo. As pinturas murais foram preservadas na abside do altar, com alguns fragmentos dispersos nos nichos dos pilares orientais. Embora muitas estivessem danificadas ou cobertas por tinta, as fotografias de Okunev permitem reconstruir o programa iconográfico completo. A decoração da abside era composta por seis níveis: no topo, a Teofania; abaixo, dois registros com apóstolos e profetas; dois níveis com cenas evangélicas; e, por fim, um com temas não identificáveis.[15]

Na parte superior da abside, é possível distinguir, através das fotos, detalhes da imagem de Cristo na concha: o contorno da mandorla, o rosto, o halo, um Evangelho aberto na mão esquerda, o trono, o pódio e os pés de Cristo. À direita da mandorla aparece uma asa erguida e uma pequena auréola — fragmentos de um tetramorfo. À esquerda, há restos de uma cabeça com auréola, provavelmente de um dos arcanjos que ladeavam Cristo. Na parte superior, veem-se ainda segmentos do céu, um raio descendente em direção à cabeça de Cristo e meias figuras de anjos em voo nas laterais. No arco do altar, há outra representação de Cristo. Ele aparecia em meio corpo dentro de um medalhão, abençoando com a mão direita e segurando o livro do Evangelho com a esquerda. O medalhão era sustentado por dois anjos em voo. Em ambos os lados, dispunham-se seis medalhões com figuras de santos barbudos segurando pergaminhos — provavelmente profetas.[16]

Abaixo da Teofania, havia uma larga faixa ornamental — diferindo do Mosteiro das Quatro Igrejas, onde os anjos veneram a hetimásia. Logo abaixo, dispunham-se dois níveis de figuras em pé. No primeiro deles, a figura central aparece em posição de Orante, com os braços erguidos e as vestes caindo em amplas dobras, típicas desse tipo iconográfico — provavelmente a Virgem Orante. Por analogia com Mosteiro das Quatro Igrejas, é possível supor que fosse ladeada por arcanjos, embora a fotografia de Okunev não apresente nitidez suficiente para confirmá-lo. As demais figuras desse nível vestem quítons e himátions, algumas segurando livros, o que permite identificá-las como apóstolos. No nível inferior, quase todas as figuras reconhecíveis também usam quítons e himátions, mas seguram pergaminhos abertos — atributo característico dos profetas. Ao centro, destacam-se duas figuras identificáveis por suas vestimentas: Davi, com túnica ricamente bordada à altura do colo e dos joelhos, e Daniel, trajando quíton curto, calças e botas altas.[17] No Mosteiro das Quatro Igrejas, os profetas ocupam apenas a parte central do nível: quatro estão de pé em cada lado da janela, seguidos pelas imagens dos padres da Igreja. É possível que as pinturas de Parcal tenham apresentado a mesma disposição, mas, até o momento, não foi possível identificar nenhuma figura com vestes episcopais. Por isso, tende-se a considerar que todas as figuras deste nível representavam profetas e, possivelmente, patriarcas.[18]

Na parte inferior da abside de Parcal, faixas horizontais duplas delimitam três registros de pinturas. Dois desses registros apresentam cenas do Evangelho, enquanto o mais baixo permanece, até o momento, não identificado. Esses níveis foram os mais afetados, tanto pelo descascamento do gesso quanto pela ação deliberada de muçulmanos locais, que escureceram propositalmente figuras e rostos. O registro superior inclui a Anunciação, a Visitação, o Natividade, a Apresentação de Cristo no Templo, o Batismo, a Transfiguração, a Ressurreição de Lázaro e, provavelmente, a Entrada em Jerusalém. Na Anunciação, é visível o Arcanjo caminhando em direção à Virgem à direita, com o braço estendido em saudação. Na cena seguinte, duas figuras femininas aparecem abraçadas ao centro, enquanto edifícios são perceptíveis nas laterais. A Natividade é identificável pela abertura circular da gruta ao centro, com Maria e a manjedoura em seu interior; anjos podem ser inferidos acima da gruta, à direita, apesar das manchas de tinta. A composição seguinte provavelmente representa a Apresentação de Cristo no Templo, sugerida por um edifício elaborado ao centro.[19]

À direita da janela encontra-se a cena do Batismo. A figura de Cristo, no centro, está quase totalmente oculta pelas manchas de tinta, embora seus pés descalços ainda sejam visíveis; São João Batista e os anjos acompanhantes, em ambos os lados, foram fortemente repintados. À direita, há uma Transfiguração, com uma mandorla circular claramente visível no centro. Três manchas sobre a mandorla disfarçam as figuras de Cristo, Moisés e Eliseu, enquanto três manchas abaixo provavelmente representam os três apóstolos. A cena seguinte poderia ser a Ressurreição de Lázaro, sugerida por fragmentos de duas figuras ajoelhadas diante de uma figura repintada em pé à esquerda, possivelmente Cristo, com Marta e Maria ajoelhadas diante dele. A última cena está perdida devido ao descascamento do gesso, mas provavelmente representava a Entrada em Jerusalém, conforme a lógica do ciclo dos Evangelhos.[20]

No registro seguinte, algumas cenas à esquerda da janela ainda podem ser identificadas. A primeira composição é a Última Ceia: Cristo aparece sentado, ricamente drapeado, em postura complexa voltada para a direita; ao fundo, há uma colunata encimada por uma rotunda. À direita, os apóstolos estão deitados ao redor de uma mesa circular, com as figuras obscurecidas pelas manchas de tinta. A composição seguinte provavelmente integra o ciclo da Paixão, representando o Carregamento da Cruz, seguido pela Crucificação e Descida da Cruz. Embora muito manchadas, ainda são visíveis as formas da Cruz e os pés de Cristo Crucificado e dos presentes. A cena seguinte provavelmente mostra o Sepultamento, mas nenhum elemento é discernível. À direita da janela, indicadas pelas faixas verticais, havia cinco cenas adicionais, provavelmente representando eventos após a ressurreição de Cristo. Por analogia com a Mosteiro das Quatro Igrejas, poderiam ser a Anástase, as Santas Mulheres no Túmulo, Cristo aparecendo às Santas Mulheres, entre outras; porém, nenhuma das composições pôde ser identificada até o momento.[20]

Até o momento, não foi possível identificar com precisão as imagens do registro inferior da abside, parcialmente manchadas e descascadas. Este registro possui a mesma altura que os outros dois e é improvável que tivesse ornamentos, caso contrário não teria sido tão gravemente desfigurado pelos turcos. As faixas verticais que normalmente delimitam as composições não são visíveis. À direita da janela, encontra-se a inscrição do presbítero João. À esquerda, podem ser discernidas formas circulares que provavelmente correspondiam a medalhões com bustos de santos. Finalmente, na janela da abside, havia uma meia-figura em medalhão ladeada por duas cenas. Pelos fragmentos da foto de Okunev, essa composição se assemelhava à do Mosteiro das Quatro Igrejas. A figura no medalhão, segurando a maquete da igreja, é provavelmente a Santa Sião; à direita, Moisés recebe as Tábuas da Lei; à esquerda, uma figura diante de uma mesa retangular com cortinas provavelmente representa Melquisedeque diante do altar.[20]

Outros fragmentos em diferentes pontos da igreja são visíveis nas fotografias. Na foto de Okunev F. 23, Coll. 177/72, que mostra a nave norte, observa-se um grande fragmento da figura de um santo em um dos pilares voltado para oeste, além de fragmentos de ornamentos em outros locais. Fragmentos semelhantes ainda sobrevivem na Mosteiro das Quatro Igrejas. Contudo, é improvável que existissem ciclos ou cenas extensos em outras partes da igreja. Alguns fragmentos também foram encontrados nos nichos dos pilares, visíveis nas fotos das expedições de Okunev. Em 1917, esses fragmentos eram muito escassos para permitir a reconstrução dos temas.[21]

Referências

Bibliografia

  • Bagauri, Nestan; Batiašvili, Zurab; Beridze, Irma; Kudava, Buba; Jgenti, Nikoloz; Saitidze, Goja; Hizanišvili, Natia (2018). ტაო-კლარჯეთი: ისტორიისა და კულტურის ძეგლები: კატალოგი [t’ao-k’larjeti: ist’oriisa da k’ult’uris dzeglebi] [Tao-Clarjécia: Monumentos Históricos e Culturais]. Tiblíssi: Artanuj. ISBN 9789941478178 
  • «Զովունի». Haykakan sovetakan hanragitaran [Հայկական սովետական հանրագիտարան] [Enciclopédia Armênia Soviética]. 3. Erevã: Academia de Ciência da Armênia. 1977 
  • Kadiroğlu, Mine; İşler, Bülent (2010). Gürcü Sanatının Ortaçağı. Ancara: Bilgin Kültür Sanat Yayınları. ISBN 9789944579216 
  • Kazbegi, Giorgi (2019). Bir Rus Generalinin Günlükleri: Türkiye Gürcistanı’nda Üç Ay. Ancara: Doruk Yayınları. ISBN 9789755537207 
  • Pagava, Mamia; Tsintsadze, Meri; Baramidze, Maia; Choχaradze, Malχaz; Šiošvili, Tina; Xalvaši, Ramaz; Mgeladze, Nugzar; Šahikadze, Zaza; Xalvaši, Merab; Chχvimiani, Jimšer; Karalidze, Jemal (2020). ტაო [Tao] (PDF). Batumi: Meridiani. ISBN 978-9941-25-828-2