Evangelho de Parcal

Evangelho de Parcal

O Evangelho de Parcal (S-4927) (em georgiano: პარხლის ოთხთავი; romaniz.: parh'lis oth'tavi) é um dos dois manuscritos georgianos pertencentes ao Mosteiro de Parcal, no distrito de Iussufeli, na província de Artvim da Turquia.

História

O complexo foi construído em 973, durante o reinado de Davi III (r. 966–1000/1), e dedicado a São João Batista. O scriptorium de Parcal entrou em funcionamento logo após a construção do templo, e os primeiros livros do mosteiro foram preparados em Clarjécia. Duas coleções de manuscritos produzidas no scriptorium sobreviveram. São elas: o Evangelho de Parcal (S-4927; séculos X–XI) e o Policéfalo de Parcal (A-95; século XI). Ambos foram copiados pelo calígrafo Gabriel Patarai.[1]

Manuscrito

O Evangelho de Parcal segue editorialmente os manuscritos de Jeruche-Parcal. Segundo A. Šanidze, os manuscritos de Jeruche-Parcal derivam de um único arquétipo. Os textos mais antigos desta edição estão preservados nos palimpsestos de Canmete, enquanto o protótipo cronologicamente mais próximo encontra-se no Evangelho de Opiz (Ivir.Geo.83, ano 913). A edição de Clarjuli (Opiz e Jeruche-Parcal) resultou da revisão do Xanmeti Otχtavi (os quatro evangelhos de Canmete). Esses manuscritos são obras dos séculos IX–X, mas do ponto de vista linguístico pertencem à tradição dos séculos IV–V, apesar de algumas correções baseadas em normas posteriores. Tais alterações concentram-se principalmente nos textos Xanmeti e Hemetita, enquanto os antigos sinais morfológico-sintáticos e o núcleo do vocabulário arcaico foram preservados. Os manuscritos de Jeruche-Parcal apresentam o texto da edição Xanmeti dos quatro evangelhos, que Giorgi Mtatsmideli distingue da edição Sabasmide. Além disso, os Evangelhos de Jeruche-Parcal representam a redação pré-atonita, ou proto-Vulgata, também chamada de redação de Opiz, visto que o Evangelho de Opiz (Ivir.Geo.83) é o mais antigo entre os manuscritos dessa tradição.[1]

O evangelho foi escrito em pergaminho com emprego da escrita nuscúri (minúscula eclesiástica georgiana). Contém 140 fólios, medindo 29,5 × 23 centímetros. Nas margens inferiores estão colocados os índices dos versículos do Evangelho; nas páginas 133v–140r encontra-se um índice das leituras evangélicas (perícopes). Na página 133r conserva-se o testamento do calígrafo Gabriel Patarai, cuja parte final se perdeu:[2]


Glória a Ti, glória a Ti, Santa Trindade,
que me tornaste digno, a mim pecador,
de concluir esta boa obra.
Concluído foi o Evangelho de quatro partes,
pela mão de mim, o pecador Gabriel Patarai.
Suplico-vos, fiéis e piedosos de Cristo,
vós que vivereis após nós:
lembrai-vos da minha alma, a do pecador Gabriel Patarai,
em vossas santas orações...

Referências

  1. a b Pagava et al. 2020, p. 185.
  2. Pagava et al. 2020, p. 185-186.

Bibliografia

  • Pagava, Mamia; Tsintsadze, Meri; Baramidze, Maia; Choχaradze, Malχaz; Šiošvili, Tina; Xalvaši, Ramaz; Mgeladze, Nugzar; Šahikadze, Zaza; Xalvaši, Merab; Chχvimiani, Jimšer; Karalidze, Jemal (2020). ტაო [Tao] (PDF). Batumi: Meridiani. ISBN 978-9941-25-828-2