Policéfalo de Parcal

Uma das páginas do policéfalo

O Policéfalo de Parcal (A-95) (em georgiano: პარხლის მრავალთავი; romaniz.: parχlis mravalṭavi) é um dois manuscritos georgianos pertencentes ao Mosteiro de Parcal, no distrito de Iussufeli, na província de Artvim da Turquia.

História

O complexo foi construído em 973, durante o reinado de Davi III (r. 966–1000/1), e dedicado a São João Batista. O scriptorium de Parcal entrou em funcionamento logo após a construção do templo, e os primeiros livros do mosteiro foram preparados em Clarjécia. Duas coleções de manuscritos produzidas no scriptorium sobreviveram. São elas: o Evangelho de Parcal (S-4927; séculos X–XI) e o Policéfalo de Parcal (A-95; século XI). Ambos foram copiados pelo calígrafo Gabriel Patarai.[1]

Manuscrito

O Policéfalo de Parcal destaca-se por suas grandes dimensões, com 658 fólios que medem 45,5 × 33,5 centímetros. Foi copiado em pergaminho de alta qualidade, utilizando uma elegante e legível escrita nuscúri. A tinta empregada é marrom, e ornamentos são raros ao longo do texto. As letras iniciais também foram traçadas com tinta marrom, sendo ocasionalmente realçadas em cinábrio. O manuscrito reúne 149 composições, entre as quais se incluem diversos textos originais georgianos:[2]

  • Duas homilias de Santa Nino:
    • Discurso de nossa santa mãe Nino, que pregou Cristo na Cártlia, nascida da santa virgem Maria (39r–43r);
    • Discurso de nossa santa mãe Nino sobre o batismo de nosso Senhor Cristo (142r–145v).
  • Homilias de João de Bolníssi:
    • Discurso do bispo João de Bolníssi aos presbíteros, quando te lembrares (113v–115r);
    • Guardai as vossas boas obras (251v–254v);
    • No terceiro domingo da Quaresma, à hora das Vésperas, sobre a parábola das cem ovelhas (254v–257v);
    • Sobre o filho pródigo (257r–261v) — no manuscrito, atribuído a João Crisóstomo;
    • Sobre o fariseu e o publicano (261v–264r);
    • Aquele que caiu nas mãos dos ladrões e foi ferido (264v–267r);
    • Sobre o rico e Lázaro (267v–270r);
    • Sobre Lázaro, a ceia em Betânia, a censura contra o Senhor, sua entrada em Jerusalém e a aclamação das crianças (270v–271v);
  • O Martírio de Abo, por João Sabanisze (145v–159v);
  • Um capítulo do texto Conversão da Cártlia: A descoberta da preciosa Cruz (197v–201r);
  • A mais antiga recensão do Martírio da Santa Rainha Susana, por Tiago, o Sacerdote (353r–359v).

Ao texto Louvor dos santos mártires segue-se no manuscrito o testamento de Gabriel Patara, do qual se depreende que ele inseriu no códice certo material proveniente de um protótipo de Iscani:[3]

Benditos sejais, vós, homens do porvir, que vivereis depois de nós. Quando comecei este livro, concebi em meu coração o propósito de escrever apenas os martírios e vidas das santas mulheres e assim concluí-lo. Esforcei-me muito, com trabalho e diligência, procurando as vidas das mulheres e as encontrei; depois, já não pude continuar a busca. Estes martírios dos pais, que não estavam escritos em Parcal, tomei-os de Iscani e com eles finalizei a obra.

E estas vidas das santas mulheres e dos santos homens amigos de Deus coloquei na parte inferior do livro, ainda que de início tencionasse situar os martírios dos pais no começo. Desejava apenas completar o livro com os martírios e vidas das mulheres, e assim o fiz. Perdoai-me — muitas aflições me sobrevieram. Que Deus vos recompense. Lembrai-vos da alma de Gabriel Patara em vossas santas orações. Gabriel Lascaveli e Gabriel Corgai foram meus grandes auxiliares — que Deus lhes perdoe os pecados. Quando estive em dificuldade, recorri a eles: deram-me pão. João Gasuétil de Cutalai enviou-me vinho. (590v–591r)

Referências

Bibliografia

  • Pagava, Mamia; Tsintsadze, Meri; Baramidze, Maia; Choχaradze, Malχaz; Šiošvili, Tina; Xalvaši, Ramaz; Mgeladze, Nugzar; Šahikadze, Zaza; Xalvaši, Merab; Chχvimiani, Jimšer; Karalidze, Jemal (2020). ტაო [Tao] (PDF). Batumi: Meridiani. ISBN 978-9941-25-828-2