Ministério dos Povos Indígenas

Ministério dos Povos Indígenas
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Resumo da agência
Formação1 de janeiro de 2023
SedeEsplanada dos Ministérios
Orçamento anualR$ 1,31 bilhão (2026)[1]
Executivos da agência
Sítio oficialMinistério dos Povos Indígenas

O Ministério dos Povos Indígenas é um ministério do Poder Executivo do Brasil. Foi criado em 1ª de janeiro de 2023, no primeiro dia do terceiro governo Lula, em resposta às reivindicações históricas do movimento indígena, sendo o primeiro ministério na história brasileira dedicado especificamente às questões dos povos indígenas do Brasil. Como sua primeira titular, foi indicada a líder indígena Sônia Guajajara.

Suas atribuições são desenvolver e implementar a política indígena do governo, garantir e promover os direitos individuais e coletivos dos indígenas, incluindo o acesso à educação e saúde, a demarcação das suas terras tradicionais e combater a violência contra estes povos. Embora sua criação tenha sido saudada pelos povos indígenas e seus apoiadores como um marco importante na história das políticas indigenistas do país, seu orçamento é um dos menores entre os ministérios e sua estrutura ainda é precária, e desde o início vem sofrendo ataques e pressões do Congresso e de grupos políticos e econômicos contrários aos interesses indígenas.

Contexto histórico

Desde a chegada dos conquistadores portugueses ao Brasil em 1500, a história dos povos originários pode ser resumida a uma contínua perseguição, que em inúmeros momentos levou a tratamentos abusivos, violentos e letais, sendo sistematicamente expulsos de suas terras tradicionais e sendo-lhes negados direitos humanos básicos. Sua população declinou drasticamente ao longo dos séculos, muitos povos foram extintos. A criação do Serviço de Proteção ao Índio (SPI) em 1910, o primeiro órgão governamental brasileiro encarregado especificamente das questões indígenas, não resolveu seus problemas, pois eram considerados povos primitivos e juridicamente incapazes, sendo postos sob a tutela do Estado, que lhes impôs o progressivo abandono de suas culturas, modos de vida e tradições com o objetivo de assimilá-los à civilização dominante. Em poucas décadas o SPI degenerou para um órgão de perseguição ativa, sendo extinto em 1967 em meio a um escândalo nacional e internacional pela revelação pública de uma vasta quantidade de crimes e ilegalidades cometidas contra os povos nativos pelo SPI ou com sua conivência. Desde a década de 1970 um crescente movimento de resistência vem se organizando, reivindicando atenção governamental às suas demandas e reparação histórica pelos maus tratos e espoliações a que foram submetidos.[2][3][4][5]

Indígenas fazem vigília no auditório da liderança do PDMB durante as negociações sobre o Capítulo dos Índios na Assembleia Constituinte de 1987

A Fundação Nacional do Índio (Funai) foi criada em 1967 subordinada ao Ministério do Interior, com os objetivos de gerenciar a política indigenista do governo e evitar a repetição dos erros do SPI, mas ao longo de todo o período da ditadura ela acabou por reproduzí-los.[6][7] Com a redemocratização do país e a promulgação da Constituição de 1988, o parâmetro assimilacionista foi ultrapassado, instituindo que os povos originários têm direito à diferença e ao exclusivo usufruto das suas terras tradicionais, mas esses direitos continuam sendo contestados e desrespeitados. Ao mesmo tempo, a Funai começou a mudar sua orientação em direção ao fomento e proteção dos seus direitos, e viabilizou a demarcação de uma grande quantidade de terras indígenas e o acesso de uma grande população indígena a variados benefícios e serviços sociais, mas sua atuação tem sido desde então fortemente combatida pelos setores conservadores da sociedade, pelo grande empresariado e pelos ruralistas, tornando sua atuação cronicamente difícil e conflituosa, sendo submetida a um ciclo quase ininterrupto de sucateamento, com perdas sucessivas de orçamento, quadros funcionais e capacidade operacional.[8][9][10][11][12][13][14]

Criação do Ministério

Durante sua campanha à presidência da República em 2022, Luiz Inácio Lula da Silva demonstrou estar sensibilizado com a problemática indígena, e nas reuniões da COP 27, realizadas em novembro de 2022 no Egito, encontrando-se com lideranças indígenas de todo o mundo, o candidato já eleito declarou que os indígenas eram tratados como se estivessem "devendo um favor à supremacia branca por existirem, quando, na verdade, os brancos é que se intrometeram onde os indígenas já moravam. Então, temos a obrigação moral, ética e política pelo que [os brancos] causaram aos povos indígenas, sobretudo no meu país",[15] e ao mesmo tempo anunciou sua decisão de criar o Ministério: "O que eu quero é que os indígenas brasileiros participem da governança do meu país. Por isso que estou criando o Ministério dos Povos Originários".[16]

As prioridades e estrutura do Ministério foram sendo elaborados pelo Grupo Temático dos Povos Indígenas, criado durante a transição governamental após a eleição presidencial de 2022, tendo entre seus objetivos a revogação das medidas estabelecidas no Governo Bolsonaro relativas à demarcação e o uso dos territórios indígenas.[17]

Posse de Sônia Guajajara no Ministério dos Povos Indígenas, acompanhada pelo presidente Lula e por Joênia Wapichana, indicada presidente da Funai

O Ministério foi criado formalmente por decreto de 1º de janeiro de 2023, no primeiro dia de Lula no governo, sendo o primeiro órgão de primeiro escalão da história do Brasil voltado especificamente para a questão indígena. A política e líder indígena Sônia Guajajara foi indicada sua primeira titular.[18][19]

Sônia Guajajara reuniu um grupo de lideranças indígenas para colaborar no trabalho, incluindo Joziléia Kaingang, antropóloga doutoranda em Antropologia e ativista pelos direitos das mulheres indígenas, para a Chefia de Gabinete;[20] Eloy Terena, advogado e antropólogo com doutorado em Direito e Antropologia, para a Secretaria-Executiva;[21] Kerexu Yxapyry, cacica, professora, gestora ambiental e ativista socioambiental, para a Secretaria de Direitos Ambientais e Territoriais Indígenas;[20] Ceiça Pitaguary, ativista dos direitos indígenas, para a Secretaria de Gestão Ambiental e Territorial Indígena,[22] e Juma Xipaia, cacica, ativista socioambiental e estudante de Medicina, para a Secretaria de Articulação e Promoção de Direitos Indígenas.[23] A Funai foi rebatizada como Fundação Nacional dos Povos Indígenas e transferida para o novo Ministério, tendo sido convidada para presidi-la a advogada indígena Joênia Wapichana, deputada federal por Roraima entre fevereiro de 2019 e janeiro de 2023.[24]

Repercussões

A criação do Ministério foi um marco institucional e simbólico importante, comemorado pela ministra: "É uma conquista coletiva dos povos indígenas do Brasil, um marco na nossa história de luta e resistência. A criação do Ministério dos Povos Indígenas é a confirmação do compromisso que o presidente Lula assume conosco, garantindo a nós autonomia e espaço para tomar decisões sobre nossos territórios, nossos corpos e nossos modos de viver".[25] O advogado Eloy Terena, assessor jurídico da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil, também se expressou favoravelmente: "Pela primeira vez, os povos indígenas vão ter a atenção que merecem. Isso é uma cobrança que há muito tempo vem sendo feita por parte dos povos indígenas e também por pressões internacionais".[26]

A criação e a nomeação de uma indígena para titular produziu grandes expectativas entre os povos indígenas, esperavam que a atenção às suas demandas e necessidades se tornasse uma prioridade do governo e houvesse uma maciça reversão das muitas medidas anti-indigenistas adotadas no governo Bolsonaro, mas nada ocorreu como o esperado. O Ministério imediatamente passou a sofrer pressões, surgiram conflitos com o Congresso e com diferentes setores do próprio governo, e em menos de um ano acabou enfraquecido e jogado para a periferia das atenções do governo.[27][28][29][30]

A ministra e outras lideranças na Câmara dos Deputados em 2023, contestando o Projeto de Lei 490, que foi aprovado estabelecendo o marco temporal para a demarcação de terras indígenas

O governo trabalha sob intensa pressão de um Congresso com uma maioria contrária aos interesses indígenas.[31][32] O Congresso tem se esforçado para validar a tese do Marco Temporal, que dificulta as novas demarcações de terras, mesmo declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal;[33][34] e em 2023 e retirou do Ministério o poder de emitir as portarias declaratórias de terras a serem demarcadas, transferido para o Ministério da Justiça. A ministra lamentou a decisão dizendo: "Todo mundo lembra da campanha do presidente Lula, que trouxe a pauta indígena para o centro do debate. Foi nessa perspectiva que foi criado o Ministério dos Povos Indígenas. Mas estamos assistindo a um verdadeiro ataque a um Ministério que levou 523 anos para ser criado, mas nem cinco meses para ser desmontado. Arrancar do MPI a demarcação é nos tirar o coração, nossa principal pauta, que é tão cara para nós".[30] Em 2025 o Senado revogou o artigo 2º do Decreto nº 1.775/1996, que dispunha sobre os mecanismos técnicos e administrativos do processo demarcatório, criando um vazio legislativo sobre a forma, o método e os prazos para esses procedimentos se realizarem e na prática inviabilizando seu prosseguimento, embora ainda falte a ratificação pela Câmara.[33][35]

Contudo, na opinião de lideranças indígenas, servidores do MPI e da Funai, membros do Ministério Público Federal, políticos e integrantes de organizações não governamentais ouvidos pelo jornalista Rafael Moro Martins, o maior problema é a falta de apoio político do próprio governo e de sua base parlamentar.[29] Segundo Verá Yapuá, assessor jurídico da Comissão Guarani Yvyrupa, "a avaliação geral é de que o Ministério ficou isolado em 2023. Falta o governo tomar a pauta [Indígena] para si". Na declaração do deputado Amom Mandel (Cidadania-AM), "no Amazonas, a visão de que a criação do MPI não foi suficiente para resolver os problemas [dos povos Indígenas] é quase unânime. É muito importante ter uma indígena num cargo de ministra para ter representatividade e voz no governo. Mas é preciso dar a ela condições para trabalhar. Senão, podemos ter algo que é muito bom para o marketing verde do país mas que não traz resultados efetivos".[29]

O presidente Lula e a ministra Guajajara visitando a Terra Indígena Yanomami em janeiro de 2023, durante a crise humanitária Yanomami

Em 2023 o seu orçamento foi um dos menores entre os ministérios, contando apenas com a verba de cerca de 600 milhões de reais que seria destinada à Funai,[36] equivalendo a 0,01% de todo o gasto público federal, e cerca de 30% não havia sido efetivamente disponibilizado; sua estrutura física era precária, trabalhava com equipamentos emprestados, e até abril de 2024 nenhum servidor havia sido oficialmente designado, tendo de contar com colaboradores voluntários e servidores cedidos provisoriamente por outros órgãos.[29] Ao mesmo tempo, em meio a essa precariedade e ao contexto político desfavorável, o Ministério enfrenta a difícil tarefa de reconstruir a Funai, que vinha historicamente sendo esvaziada e sob o governo Bolsonaro foi praticamente desmantelada.[37][31][38][39]

Ao fim de 2024 a situação já havia melhorado em diversas áreas. O orçamento previsto para 2025 havia dobrado em relação ao de 2023, chegando a 1,16 bilhão de reais,[40] e no relatório apresentado em dezembro de 2024 pela Secretaria-Executiva, foram destacadas como conquistas mais significativas do ano o avanço nas demarcações de terras, a criação de mais de 30 grupos técnicos para subsidiar processos demarcatórios, o fortalecimento da rede de parcerias com outros órgãos públicos, a criação do Comitê Interministerial de Desintrusão de Terras Indígenas, a reativação do Comitê Gestor da Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas, o lançamento de editais para ampliar o acesso dos povos indígenas aos recursos e valorização da cultura, do esporte, da agricultura sustentável e outros, e a elaboração de um plano de trabalho para as seis Câmaras Temáticas para o próximo ano, envolvendo atividades em várias frentes, incluindo promoção de direitos; gestão territorial; fomento à autodeterminação, ao direito à consulta e participação social; saúde, assistência social e educação, e proteção contra as violências.[41]

Mas as dificuldades ainda são vastas. Apesar dos avanços, o relatório referente ao ano de 2024 da Comissão Interamericana de Direitos Humanos apontou que "as medidas tomadas ainda são insuficientes para garantir direitos fundamentais",[42] e o relatório sobre a violência do Conselho Indigenista Missionário apontou que em 2024 ocorreram 154 conflitos sobre direitos territoriais em 114 Terras Indígenas em 19 estados; 230 casos de invasões, danos ao patrimônio ou exploração ilegal de recursos naturais em 159 Terras Indígenas em 21 estados; 424 registros de violências diversas contra a pessoa, incluindo "graves e numerosos ataques armados a comunidades indígenas", produzindo 211 assassinatos, 20 homicídios culposos e 31 tentativas de assassinato; além de 20 casos de violência sexual; 29 agressões com lesão corporal; 20 ameaças de morte; 35 ameaças várias; 39 casos de racismo e discriminação e 19 casos de abuso de poder. Na categoria Violências por Omissão do Poder Público, foram registrados 208 suicídios, 922 óbitos de crianças de 0 a 4 anos de idade, 47 casos de desassistência geral; 87 casos de desassistência na área de educação; 83 de desassistência na área de saúde; 10 de disseminação de bebida alcóolica e outras drogas, e 84 de morte por desassistência à saúde.[43]

Estrutura organizacional

Esplanada dos Ministérios refletida na piscina do Congresso Nacional em Brasília, Brasil

O Ministério tem sua estrutura organizacional disciplinada pelo Decreto federal nº 11.355, de 1º de janeiro de 2023, e compreende os seguintes órgãos e unidades administrativas:[44]

  • Órgãos de assistência direta e imediata:
    • Gabinete da Ministra
    • Secretaria-Executiva
    • Departamento de Mediação e Conciliação de Conflitos Fundiários Indígenas
    • Consultoria Jurídica (CONJUR)
    • Corregedoria
    • Ouvidoria
    • Assessoria Internacional
    • Assessoria Especial Assuntos Parlamentares e Federativos
    • Assessoria de Participação Social e Diversidade
    • Assessoria Especial de Comunicação Social
    • Assessoria Especial de Controle Interno
  • Órgãos específicos singulares: Secretarias temáticas:
    • Secretaria de Direitos Ambientais e Territoriais Indígenas
      • Departamento de Demarcação Territorial
      • Departamento de Proteção Territorial e de Povos Indígenas Isolados e de Recente Contato
    • Secretaria de Gestão Ambiental e Territorial Indígena
      • Departamento de Gestão Ambiental, Territorial e Promoção ao Bem Viver Indígena
      • Departamento de Justiça Climática
    • Secretaria de Articulação e Promoção de Direitos Indígenas
      • Departamento de Promoção da Política Indigenista
      • Departamento de Línguas e Memórias Indígenas
  • Órgãos colegiados: Conselho Nacional de Política Indigenista
  • Entidade vinculada: Fundação Nacional dos Povos Indígenas

Competências administrativas

O Ministério dos Povos Indígenas, atuando articuladamente com outras pastas, é a principal instância do governo federal no trabalho de desenvolvimento e execução da política indigenista, objetivando em linhas gerais reconhecer, garantir e promover os direitos dos povos indígenas, incluindo centralmente os direitos às suas terras tradicionais, ao usufruto exclusivo das suas riquezas, às suas culturas diferenciadas, à sua memória e a uma boa qualidade de vida; promover o diálogo entre os diferentes setores dos governos federal, estaduais e municipais, movimentos sociais e sociedade civil para a implementação das políticas e programas; defender os povos contra ataques e ameaças; assegurar a participação indígena ativa na elaboração e aplicação de todas as políticas, projetos e ações que lhes dizem respeito; produzir estudos e informação qualificada para subsidiar as políticas e programas, e colaborar no cumprimento de acordos e tratados internacionais, em especial a Convenção nº 169 da Organização Internacional do Trabalho, quando relacionados aos povos indígenas.[44][45]

O Conselho Nacional de Política Indigenista é um órgão consultivo do Ministério e uma das principais instâncias participativas dos povos originários. Com um corpo de 64 membros, metade são representantes do Poder Executivo Federal e metade de povos e organizações indígenas. Tem entre outros objetivos garantir a representação e cooperação indígena nos processos de criação, implementação e acompanhamento das políticas e programas que lhes dizem respeito, formular estratégias e metodologias de gestão e planejamento para viabilizar a execução de políticas públicas que respeitem o pleno exercício da cidadania, o direito de autodeterminação, o acesso culturalmente adequado às políticas e serviços e a diversidade étnico-cultural. O Conselho também acompanha a implementação dessas políticas, colabora na realização das Conferências Nacionais de Política Indigenista e leva em consideração seus relatórios, acompanha a elaboração e a execução do Orçamento Geral da União no âmbito das políticas indigenistas, apoia a colaboração entre órgãos governamentais e organizações indígenas, apoia a formação técnica dos agentes governamentais e dos representantes indígenas, e fortalece o protagonismo indígena na criação da sua própria história.[46][47]

A ministra Guajajara na posse das secretarias dos povos indígenas e da Fundação Marabaixo no Amapá

A Secretaria de Direitos Territoriais Indígenas tem entre suas atribuições garantir aos indígenas a posse permanente dos territórios e o usufruto exclusivo das suas riquezas; colaborar nos processos de demarcação; prevenir e mediar conflitos fundiários; colaborar com outras entidades governamentais para garantir a proteção dos territórios contra atividades ilegais, a segurança dos povos e a execução de medidas de retirada de invasores; viabilizar o acesso à educação e saúde diferenciadas, água potável, saneamento básico, abastecimento de alimentos; proteger povos e indivíduos contra violências; elaborar planos de gestão territorial e ambiental; valorizar e promover expressões culturais; produzir informação qualificada para a avaliação continuada da efetividade das políticas públicas; apoiar a formação de profissionais especializados em questões indígenas; promover a difusão de informação qualificada entre as comunidades sobre direitos, políticas indigenistas e outros assuntos que lhes dizem respeito; colaborar com outros órgãos do governo e da sociedade em projetos de prevenção de danos ambientais e recuperação de áreas degradadas.[44][48]

A Secretaria de Gestão Ambiental e Territorial Indígena tem entre suas atribuições promover políticas voltadas para a justiça ambiental e climática e para o bem viver dos povos indígenas; difundir entre as comunidades informação qualificada sobre a Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas; colaborar na elaboração de Protocolos de Consulta Livre Prévia e Informada para aumentar a segurança jurídica das comunidades frente a medidas que possam afetar seus territórios e modos de vida; engajar e capacitar as comunidades para a elaboração e implementação conjunta de programas de gestão territorial, de etnodesenvolvimento, de uso sustentável dos recursos naturais, de conservação da biodiversidade e de mitigação e adaptação ao aquecimento global; estabelecer acordos de cooperação técnica com diferentes parceiros.[44][49]

A Secretaria de Articulação e Promoção de Direitos Indígenas tem entre suas atribuições garantir que os povos tenham uma voz ativa no desenvolvimento e aplicação de políticas e programas que os afetam; assegurar que tenham acesso adequado e culturalmente sensível aos seus direitos; colaborar com o Conselho Nacional de Política Indigenista; promover a proteção e valorização dos seus patrimônios material, imaterial, linguístico e cultural; apoiar projetos esportivos; sensibilizar a sociedade brasileira sobre os sistemas indígenas de cuidado e comprometimento com a vida; desenvolver ações específicas e fortalecer o protagonismo de grupos que precisam de atenção especial, como a comunidade LGBT, indígenas imigrantes e mulheres indígenas; resgatar a memória de lideranças indígenas do passado e discutir estratégias de reparação histórica.[50]

A Fundação Nacional dos Povos Indígenas tem a natureza jurídica de fundação pública e é um órgão vinculado ao Ministério, atuando como coordenadora e principal executora da política indigenista do Governo Federal.[51] Suas atividades se desenvolvem em parceria com outros órgãos da União, dos estados e municípios.[52]

Ministros

Os ministros e ministras:

Foto Nome Início Fim Presidente
1 Sônia Guajajara 1 de janeiro de 2023 Luiz Inácio Lula da Silva[18]

Ver também

Referências

  1. Ministério dos Povos Indígenas - MPI: Orçamento atualizado 2026. Portal da Transparência, consulta em 29 de janeiro de 2026
  2. Machado, Almires Martins. "Movimento indígena ou indígenas em movimento". In: MovimentAção — Revista do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Federal da Grande Dourados, 2017; 4 (6): 165-177
  3. Araújo, Ana Valéria et al. Povos Indígenas e a Lei dos “Brancos”: o direito à diferença. Edições MEC/Unesco, 2006, pp. 23-79
  4. Oliveira, Kelly Emanuelly de. Estratégias sociais no Movimento Indígena : representações e redes na experiência da APOINME. Doutorado. Universidade Federal de Pernambuco, 2010, pp. 57-81
  5. Cavalcante, Olendina de Carvalho. "Movimento indígena: notas para uma discussão". In: Textos & Debates, 1996 (2)
  6. "Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai)". Instituto Socioambiental, 9 de janeiro de 2024
  7. Gomes, Paulo Cesar & Trinidad, Carlos Benitez. "A questão indígena durante a ditadura militar brasileira e a opinião pública estrangeira em perspectiva transnacional". In: Tempo e Argumento, 2022; 14 (35)
  8. "Operando com 10% do orçamento, Funai abandona postos e coordenações em áreas indígenas". In: Revista do Instituto Humanitas - Unisinos, 26 de março de 2019
  9. Figueiredo, João Victor Macena de. Administração pública e concretização de direitos fundamentais: análise do caso da FUNAI no Governo Bolsonaro. Fundação Getúlio Vargas, 2024, pp. 57-58
  10. "A Funai pede socorro". CartaCapital, 23 de junho de 2016
  11. Sanson, Cesar. "A dança das cadeiras na Funai e a luta em torno da destinação das terras públicas no Brasil". In: Revista do Instituto Humanitas - Unisinos, 12 de junho de 2013
  12. Miotto, Tiago. "Servidores e servidoras denunciam loteamento de cargos na Funai e desmonte da política indigenista no governo Temer". Conselho Indigenista Missionário, 14 de junho de 2018
  13. Baniwa, Gersem Luciano. "Direitos indígenas e políticas indigenistas na era petista". In: Souza Lima, Antonio Carlos de et al. (orgs.). A Antropologia e a esfera pública no Brasil. ABA / LACED, 2018
  14. Reis, Max. "A Questão das Terras Indígenas e os Governos Brasileiros do Século XXI". In: Revista de Estudos Anarquistas e Decoloniais, 2021; 1 (1)
  15. Brotero, Mathias. "Lula fala em obrigação moral, ética e política de fazer reparação aos povos indígenas". CNN Brasil, 17 de novembro de 2022
  16. Satie, Anna. "Temos obrigação de fazer a reparação aos povos indígenas, diz Lula". UOL, 17 de novembro de 2022
  17. Câmara, José. "Com ministério, indígenas entregam relatório com alertas e prioridades dos povos originários ao governo Lula". G1, 29 de dezembro de 2022
  18. a b "Decreto de 1º de janeiro de 2023". Diário Oficial da União, 1 de janeiro de 2023
  19. Correia, Victor. "Ministério dos Povos Indígenas é inédito e histórico, diz Sonia Guajajara". Correio Braziliense, 29 de dezembro de 2022
  20. a b Navegantes, Vitórya. "UFSC ajudou a formar indígenas que vão atuar no Ministério dos Povos Indígenas". Secretaria de Comunicação/UFSC, 23 de janeiro de 2023
  21. Câmara, José. "Eloy Terena é anunciado secretário-executivo do ministério dos Povos Indígenas e diz que pauta territorial será prioridade". G1, 4 de janeiro de 2023
  22. "Ceiça Pitaguary é nomeada Secretária de Gestão Ambiental e Territorial Indígena do Governo Lula". Suprema, 13 de janeiro de 2023
  23. Passos, Marcus. "Cacique do Pará que denunciou invasão de garimpeiros assume secretaria no Ministério dos Povos Indígenas". G1, 14 de janeiro de 2023
  24. Martins, Rodrigo. "Joênia Wapichana vai presidir a FUNAI". Observatório da Presença Indígena no Estado do Rio de Janeiro, 29 de dezembro de 2022
  25. Modelli, Laís. "Como funcionará o inédito Ministério dos Povos Indígenas". Deutsche Welle Brasil, 3 de janeiro de 2023
  26. "Ministério de povos originários é ‘avanço’, mas outras questões indígenas preocupam Eloy Terena". Valor Econômico, 27 de novembro de 2022
  27. Cima, Ivan César e Liebgott, Roberto. "Política indigenista do governo Lula em 2023: de onde vem e para onde vai". Conselho Indigenista Missionário, 19 de dezembro de 2023
  28. Vilardi, Gabriel. "Governo se afasta do movimento indígena: tutela, falsa conciliação e PEC da morte". In: Revista do Instituto Humanitas - Unisinos, 16 de outubro de 2024
  29. a b c d Martins, Rafael Moro. "Isolamento, preconceito e déficit de poder marcam primeiro ano do Ministério dos Povos Indígenas". Sumaúma Jornalismo, 3 de abril de 2024
  30. a b Martins, Rafael Moro. "Como o PT abraçou o Centrão e deixou Marina e Sonia à deriva". Sumaúma Jornalismo, 26 de maio de 2023
  31. a b Martins, Rafael Moro. "Lula pode cumprir o que prometeu aos indígenas?" Sumaúma Jornalismo, 18 de maio de 2023
  32. Borges, André. "O que trava o avanço das políticas indígenas sob Lula". Nexo Jornal, 18 de abril de 2024
  33. a b Fasolo, Carolina. "Senado aprova projeto que desestrutura demarcação de Terras Indígenas". Instituto Socioambiental, 29 de maio de 2025
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  35. "Senado aprova projeto que desmonta rito de demarcação de terras indígenas". Conselho Indigenista Missionário, 28 de maio de 2025
  36. "Ministério dos Povos Indígenas enfrenta 'terra arrasada' e orçamento escasso". ClimaInfo, 16 de janeiro de 2023
  37. Susui, Ariene. "Joenia Wapichana: ‘Tirar Funai do buraco será imenso desafio’". Nexo Jornal, 3 de fevereiro de 2023
  38. "Fundação Anti-indígena: um retrato da Funai sob o governo Bolsonaro". Instituto de Estudos Socioeconômicos, 13 de junho de 2022
  39. Nóbrega, Luciana Nogueira. "A Funai sob Bolsonaro". In: Conhecer: Debate entre o Público e o Privado, 2023; 13 (31)
  40. Ministério dos Povos Indígenas - MPI: Orçamento atualizado 2025. Portal da Transparência, consulta em 29 de janeiro de 2026
  41. "MPI apresenta balanço das atividades e resultados ao Conselho Nacional de Política Indigenista". Ministério dos Povos Indígenas, 5 de dezembro de 2024
  42. "Relatório da OEA aponta falhas na proteção dos Povos Indígenas no Brasil". ClimaInfo, 22 de maio de 2025
  43. Rangel, Lucia Helena (coord.). Relatório Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil – Dados de 2024. Conselho Indigenista Missionário, 2025, pp. 8-9
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  46. Relatório de Gestão Integrado. Ministério dos Povos Indígenas, 2024, p. 45
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  48. Iniciativas por Área Finalística. Secretaria Nacional de Direitos Territoriais Indígenas. Ministério dos Povos Indígenas, consulta em 28 de janeiro de 2026
  49. Iniciativas por Área Finalística. Secretaria Nacional de Gestão Ambiental e Territorial Indígena. Ministério dos Povos Indígenas, consulta em 28 de janeiro de 2026
  50. Iniciativas por Área Finalística. Secretaria Nacional de Articulação e Promoção de Direitos Indígenas. Ministério dos Povos Indígenas, consulta em 28 de janeiro de 2026
  51. "Institucional". Fundação Nacional dos Povos Indígenas, 27 de novembro de 2020
  52. "Conheça o papel da Funai na segurança das comunidades indígenas". Assessoria de Comunicação/Funai, 8 de agosto de 2025