Junqueira Freire
| Junqueira Freire | |
|---|---|
![]() | |
| Nome completo | Luís José Junqueira Freire |
| Nascimento | |
| Morte | 24 de junho de 1855 (22 anos) |
| Nacionalidade | |
| Ocupação | Poeta |
| Escola/tradição | Romantismo |
Luís José Junqueira Freire (Salvador, 31 de dezembro de 1832 — Salvador, 24 de junho de 1855) foi um poeta e monge beneditino brasileiro, considerado um dos principais representantes da segunda geração do romantismo no Brasil. Sua obra relaciona-se com a sua vida monástica, focando na sua religiosidade, na sua frustração com o mundo monástico e nos seus desejos reprimidos[1][2]. É o patrono da cadeira 25 da Academia Brasileira de Letras, fundada por Franklin Dória[3].
Biografia
Freire nasceu no dia 31 de dezembro de 1832, na cidade de Salvador, filho de José Vicente de Sá Freire e Felicidade Augusta Junqueire. Por questões de saúde, fez seus estudos primários de maneira irregular, e, em 1849, matriculou-se no Liceu Provincial. Em 1851, ingressou na Ordem dos Beneditinos, adotando o nome de Frei Luís de Santa Escolástica Junqueira Freire e lecionando como professor[4].
Arrependido dos seus votos, pediu, em 1853, a secularização, para livrar-se do monastério, embora permanecendo sacerdote. Recolheu-se à sua casa, onde escreveu uma autobiografia e procurou editar uma coletânea de versos, chamada Inspirações do claustro, publicada postumamente. Faleceu no dia 24 de junho de 1855, antes de completar 23 anos[4].
Obra
Freire possuia uma percepção conservadora acerca de literatura, tendo se aproximado dos padrões do neoclassicismo português e concebido a poesia como "cadência medida e até certo ponto prosaica", segundo a Academia Brasileira de Letras[4]. No prefácio das Inspirações do claustro, o poeta afirmou que seus versos, "segundo me parece, aspiram a casar-se com a prosa medida dos antigos"[5], e Machado de Assis observou que eles, por conta disso, parecem "às vezes incorreto, às vezes duro"[6].
Segundo a Academia Brasileira de Letras, a obra de Freire gira em torno do "erro de vocação que o levou ao claustro, seguido da crise moral e do conflito interior que o levaram a abandoná-lo", e os principais temas da sua poesia são "o horror ao celibato; o desejo reprimido que o pertubava e aguçava o sentimento de pecado; a revolta contra a regra, contra o mundo e contra si próprio; o remorso e, como consequência natural, a obsessão da morte"[4].
Pela mão invisível da Providência fui arrojado há três anos para o coração do claustro. Por essa inclassificável ação, de que hoje me espanto, tive as bênçãos de uns e os escárnios de outros. [...] Pela mão invisível da Providência fui arrojado outra vez para o torvelinho da sociedade. Por isso tive a maldição de quase todos. [...] Hoje, entretanto, venho oferecer ao público o complemento de meus pensamentos durante meu triênio claustral. — Junqueira Freire, no prefácio de Inspirações do claustro[7].
Machado de Assis, comentando as Inspirações do claustro, observa que "a história de três anos de vida do convento" se resumem em dois poemas: Claustros, que representa "nada menos que a imagem ideada pelo poeta" da vida monástica; e Monge, que é "o anverso da medalha", "a decepção, o arrependimento, o remorso"[6].
Corpo nem alma os mesmos me ficaram.
Homem que fui não sou. Meu ser, meu todo
Fugiu-me, esvaeceu-se, transformou-se.
Vivo, mas acabei meu ser primeiro.
.........................................................
Dista, dista de mim minh'alma antiga.— Trecho do poema Monge, de Junqueira Freire, citado por Machado na sua crítica.
Livros
- Inspirações do claustro (poesia), 1855 (póstumo)[8][9].
- Contradições poéticas (poesia), 1855 (póstumo)[10].
- Elementos de retórica nacional, 1869 (póstumo)[8].
Referências
- ↑ CANDIDO, Antonio (1999). Iniciação à literatura brasileira: resumo para principiantes. São Paulo: Humanitas/ FFLCH/USP. p. 44
- ↑ BANDEIRA, Manuel. Apresentação da poesia brasileira. [S.l.]: Cosac Naify. pp. 74–76
- ↑ «Junqueira Freire». Academia Brasileira de Letras. Consultado em 19 de maio de 2025
- ↑ a b c d «Junqueira Freire». Academia Brasileira de Letras. Consultado em 21 de maio de 2025
- ↑ FREIRE, Luiz José Junqueira (1855). Inspirações do claustro. Bahia: Typ de Camillo de Lellis Masson & C. p. V
- ↑ a b ASSIS, Machado de (30 de janeiro de 1886). «Junqueira Freire: Inspirações do claustro». Diário do Rio de Janeiro. Semana Literária. Consultado em 21 de maio de 2025
- ↑ FREIRE, Luiz José Junqueira (1855). Inspirações do claustro. Bahia: Typ de Camillo de Lellis Masson & C. p. IV
- ↑ a b «Junqueira Freire». Academia Brasileira de Letras. Consultado em 21 de maio de 2025
- ↑ BANDEIRA, Manuel. Apresentação da poesia brasileira. [S.l.]: Cosac Naify. p. 74
- ↑ BANDEIRA, Manuel. Apresentação da poesia brasileira. [S.l.]: Cosac Naify. p. 74
| Precedido por — |
|
Sucedido por Franklin Dória (fundador) |
