José Eduardo (político)
José Eduardo | |
|---|---|
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| Senador pelo Paraná | |
| Período | 1º de fevereiro de 1991 a 31 de janeiro de 1999 |
| Dados pessoais | |
| Nome completo | José Eduardo de Andrade Vieira |
| Nascimento | 30 de dezembro de 1938 Tomazina, PR |
| Morte | 1 de fevereiro de 2015 (76 anos) Londrina, PR |
| Nacionalidade | brasileiro |
| Profissão | banqueiro e político |
José Eduardo de Andrade Vieira GOMM (Tomazina, 30 de dezembro de 1938 – Londrina, 1 de fevereiro de 2015) foi um pecuarista,[1] banqueiro e político brasileiro filiado ao Partido Trabalhista Brasileiro.[2] Foi Senador da República e Ministro.[3]
Biografia
José Eduardo de Andrade Vieira (GOMM), nascido em Tomazina (PR) em 30 de dezembro de 1938, foi uma das figuras empresariais e políticas mais influentes e controversas do Paraná e do Brasil na segunda metade do século XX. Sua vida pública abrangeu o comando de um dos maiores bancos do país, posições de ministro e um assento no Senado, mas foi também marcada por uma dramática disputa que culminou na perda de seu império financeiro.
Conhecido popularmente como "Zé do Chapéu", uma marca registrada que refletia sua grande paixão pela pecuária e pela vida no campo, ele era filho de Avelino Antônio Vieira, fundador do Banco Bamerindus.
O Banqueiro e o Gigante Bamerindus
José Eduardo foi o último presidente do Banco Bamerindus. Sob seu comando, o Bamerindus deixou de ser um banco regional para se tornar o terceiro maior banco privado do país.
No seu auge, o Bamerindus era um colosso: possuía cerca de 1.240 agências espalhadas pelo Brasil, atendia mais de 3,6 milhões de clientes e empregava dezenas de milhares de funcionários. A marca se tornou onipresente na década de 1990, imortalizada pelo icônico jingle: "O tempo passa, o tempo voa, e a poupança Bamerindus continua numa boa...".
O Político: Senador e Ministro
Paralelamente à sua carreira de banqueiro, Vieira construiu uma robusta trajetória política. Filiado ao Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), do qual chegou a ser presidente nacional, elegeu-se Senador pelo Paraná em 1990.
Sua influência o levou a posições de alto escalão no governo federal:
- Governo Itamar Franco: Foi Ministro da Indústria, do Comércio e do Turismo (1992-1993) e, cumulativamente, Ministro da Agricultura (setembro a outubro de 1993).
- Governo Fernando Henrique Cardoso:Voltou como Ministro da Agricultura (1995-1996). Em março de 1995, foi admitido por FHC à Ordem do Mérito Militar no grau de Grande-Oficial especial.
A Queda do Banco e os Projetos Paralelos
O capítulo mais dramático de sua vida ocorreu em 1997. Em meio à crise bancária que se seguiu ao Plano Real, o Bamerindus sofreu uma intervenção do Banco Central.
Após a intervenção, a "parte boa" do banco (incluindo agências, clientes e depósitos) foi vendida ao grupo britânico HSBC por R$ 1 bilhão, em um leilão que contou apenas com o proponente vencedor, além da assunção de R$ 10,8 bilhões em ativos e passivos. A "parte podre" (créditos de difícil recuperação) ficou sob administração do Banco Central.
Vieira jamais aceitou a intervenção. Ele alegava ter sido vítima de uma "traição" política do governo FHC. A família Andrade Vieira sempre defendeu que o banco era solvente e que seu patrimônio líquido real era vastamente superior ao avaliado pelo BC, estimando-o em cerca de R$ 3,5 bilhões na época, tornando a venda desnecessária e ruinosa.
Além do banco, Vieira foi um industrial ousado. Fundou em Arapoti (PR) a Inpacel Indústria Ltda, um gigantesco complexo de papel e celulose. Este investimento, de altíssimo custo (estimado em US$ 1,2 bilhão na época), foi apontado por analistas como um dos fatores que teria contribuído para a pressão financeira sobre o banco.
Fortuna, Paixões e Últimos Anos
Determinar a fortuna exata de José Eduardo de Andrade Vieira é complexo, especialmente após a perda do banco. No entanto, no auge do Bamerindus, ele era inquestionavelmente um dos homens mais ricos e poderosos do Brasil, controlando um império que ia do sistema financeiro ao agronegócio e à indústria.
Após a perda do banco, ele deixou a linha de frente da política. Passou a se dedicar intensamente àquilo que era, além dos negócios, sua grande paixão: a pecuária. Suas fazendas eram seu refúgio e um de seus negócios mais estimados.
Em 1992, ele havia se tornado sócio do Grupo Folha Comunicações, dono do tradicional Jornal Folha de Londrina e do portal O Bonde. Em 1999, assumiu a superintendência do jornal, que se tornou seu principal foco empresarial até o fim da vida.
Era irmão da empresária e escritora Maria Christina de Andrade Vieira e de Tomás Edison de Andrade Vieira. Foi casado por 24 anos com Tânia de Sousa, com quem teve filhos, e teve um total de sete filhos.
José Eduardo de Andrade Vieira faleceu em 1º de fevereiro de 2015, aos 76 anos, em Londrina (PR), devido a uma parada cardiorrespiratória
Prêmios e honrarias
- Comenda de São Gregório Magno da Santa Sé.[3]
- Medalha do Mérito Judiciário.[3]
- Diploma de Gratidão do Proálcool e da Sopral (1983).[3]
- Cidadão Honorário de Arapoti-PR;[3]
- Cidadão Honorário do Estado do Rio de Janeiro (1985);[3]
- Cidadão Honorário de Ponta Grossa (1986);[3]
- Cidadão Honorário da Cidade de Colombo/PR (1988);[3]
- Cidadão Honorário de Jacarezinho-PR,[3]
- Cidadão Honorário de Maringá,[3]
- Cidadão Honorário de Niterói (1989);[3]
- Cidadão Honorário de Campo Grande,[3]
- Cidadão Honorário de Curitiba,[3]
- Cidadão Honorário de Londrina;[3]
- Cidadão Honorário de Siqueira Campos (1990)[3]
- Cidadão Benemérito de sua cidade natal, Tomasina (1989);[3]
- Diploma de Sócio Benemérito do Futebol do Paraná (1985);[3]
- "o Bom samaritano" do Hospital Adventista de Pênfico, Campo Grande-MS (1988);[3]
- Líder Empresarial Nacional pela "Gazeta Mercantil" (1989).[3]
- Líder Empresarial Regional (1989);[3]
- II Prêmio Personalidade - Líderes de Finanças, do Jornal "Indústria e Comércio" de Curitiba (1989).[3]
- "O Homem de Vendas do Ano" pela Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil - ADVB" (1989).[3]
- Sócio Benemérito da Associação Comercial e Industrial de São José do Rio Preto - SP (1989).[3]
- Certificado de Reconhecimento Público de Gratidão da União dos Municípios Energéticos (1989).[3]
- "Os notáveis do Ano de 1990" pelo "Jornal do Comércio" do Rio de Janeiro.[3]
- "Prêmio Cidade de Curitiba" na área empresarial bancária (1990).[3]
- Líder Empresarial Nacional (1990).[3]
- Comendador da Ordem de "São Gregório Magno da Santa Sé", concedida pelo Papa João Paulo II, Roma (1990).[3]
- Medalha do Tribunal Superior do Trabalho no Grau de Comendador (1990).[3]
- "Prêmio Cidade de Brasília" (1991).[3]
- Certificado por serviços prestados à cidade e à indústria paranaense da Federação das Industrias do Estado do Paraná (1991).[3]
- Líder Empresarial (1991/92).[3]
- Líder Empresarial Regional Sul (1991).[3]
- Grã-cruz da Ordem de San Carlos do Ministério das Relações Exteriores da Colômbia (1994).[3]
- Ordem Mérito Militar no Grau de Grande Oficial do Ministério do Exército (1995).[4]
- Medalha da Inconfidência concedida pelo Governo de Minas Gerais (1995).[3]
- Medalha do Mérito Judiciário.[3]
Referências
- ↑ «Legados de José Eduardo». FolhaWeb. 2 de fevereiro de 2015. Consultado em 3 de fevereiro de 2015
- ↑ «"É hábito', diz Andrade Vieira». Folha de S.Paulo. 20 de março de 1998. Consultado em 3 de fevereiro de 2015
- ↑ a b c d e f g h i j k l m n o p q r s t u v w x y z aa ab ac ad ae af ag ah ai aj «Biografia - José Eduardo de Andrade Vieira». Senado Federal. Consultado em 3 de fevereiro de 2015. Arquivado do original em 3 de fevereiro de 2015
- ↑ Brasil, Decreto de 29 de março de 1995.
| Precedido por Roberto Cardoso Alves |
Ministro da Indústria, do Comércio e do Turismo 1992 — 1993 |
Sucedido por Ailton Barcelos Fernandes |
| Precedido por — | ||
| Precedido por José Antonio Barros Munhoz |
Ministro da Agricultura do Brasil 1993 |
Sucedido por Dejandir Dalpasquale |
| Precedido por Sinval Guazzelli |
Ministro da Agricultura do Brasil 1995 — 1996 |
Sucedido por Arlindo Porto |


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