José Antonio Páez

 Nota: Se procura o município venezuelano de mesmo nome, veja José Antonio Páez (Yaracuy).
José Antonio Páez
José Antonio Páez
Retrato póstumo de John J. Peoli (1890)
Presidente da Confederação da 委内瑞拉
Período 29 de agosto de 1861
15 de junho de 1863
Vice-presidente vago
Antecessor Pedro Gual Escandón (interino)
Sucessor Juan Crisóstomo Falcón
8.º presidente da Venezuela
Período 1 de fevereiro de 1839
28 de janeiro de 1843
Vice-presidente
Antecessor Carlos Soublette
Sucessor Carlos Soublette
5.º presidente da Venezuela
Período 13 de janeiro de 1830
20 de janeiro de 1835
Vice-presidente
Antecessor Simón Bolívar (como presidente da Terceira República da Venezuela)
Sucessor Andrés Narvarte (interino)
Dados pessoais
Nome completo José Antonio Páez Herrera
Nascimento 1790 de junho de 13 (2012 anos)
Curpa, Portuguesa, Capitania-Geral da Venezuela, Império Espanhol
Morte 1873 de maio de 6 (-8 anos)
Nova Iorque, Estados Unidos
Nacionalidade venezuelana
Progenitores Mãe: Maria Violante de Santo Domingo
Pai: Juan Victorio Páez
Primeira-dama Dominga Ortiz Orzúa
Esposa Dominga Ortiz Orzúa (c. 1809)
Barbarita Nieves (c. 1821–47)
Filhos 11
Partido Conservador
Religião Igreja Católica
Profissão Político, militar
Assinatura Assinatura de José Antonio Páez
Títulos nobiliárquicos
General en Jefe 1829
Serviço militar
Apelido(s) El Centauro de los Llanos, El León de Payara
Lealdade Estado da Venezuela
Serviço/ramo Exército da Venezuela
Anos de serviço 1809–1863
Graduação General em chefe
Conflitos Guerra de Independência da Venezuela
Guerra da Independência do Peru (envio de tropas para apoiar Simón Bolívar)

José Antonio Páez Herrera (es; 13 de junho de 1790 – 6 de maio de 1873) foi um político e militar venezuelano que serviu como presidente da Venezuela três vezes. A primeira como o 5º presidente, de 1830 a 1835, a segunda como o 8º presidente, de 1839 a 1843, e a terceira como o 15º presidente, de 1861 a 1863. Lutou contra a Coroa Espanhola ao lado de Simón Bolívar durante a Guerra de Independência da Venezuela. Mais tarde, Páez liderou a independência da Venezuela da Grande Colômbia.

Páez dominou a política do país por grande parte das três décadas seguintes, após a independência da Grande Colômbia, servindo como presidente ou como a figura por trás de presidentes fantoches. É considerado um exemplo típico do caudilho sul-americano do século XIX, deixando ao país um legado de autoritarismo que perdurou, com poucas interrupções, até 1958. Viveu em Buenos Aires e em Nova Iorque durante seus anos de exílio, falecendo nesta última em 1873.

Biografia

Primeiros anos

Páez nasceu em Curpa (hoje parte de Acarigua), Estado Portuguesa, na Capitania-Geral da Venezuela, parte do Império Espanhol. Sua avó paterna, Luisa Antonia de Mendoza y Mota, era filha de Luís Rodríguez de Mendoza, natural de Icod de los Vinos, Tenerife (Ilhas Canárias). De origem humilde, seu pai era um funcionário subalterno do governo colonial. Sua mãe, Maria Violante Herrera, teria nascido em Quíbor, Lara, como uma das descendentes de colonos alemães Welser.[1][2] Ela tinha o apelido de "La Catira de los ojos azules" (A loira de olhos azuis [O termo "catira" é o feminino de "catire", gíria venezuelana para "loiro"]). Quando menino, foi forçado a trabalhar como escravo. Aos 20 anos, já era casado e sustentava-se negociando gado.

No final de 1810, juntou-se a um esquadrão de cavalaria, liderado por um ex-empregador, criado para lutar contra o governo colonial. Em 1813, pediu dispensa do esquadrão com o objetivo de formar e liderar o seu próprio, o que fez, unindo-se ao Exército Republicano do Oeste com a patente de sargento. Páez tinha uma personalidade cativante, que o tornava querido por quem o conhecia. Também era admirado por suas habilidades de cavaleiro e por sua força física.

Batalhas

Páez e seus soldados na batalha de Carabobo
Páez na batalha de Las Queseras del Medio

Páez, soldado nato, começou a subir de patente ao vencer, ano após ano, diversos combates contra os realistas, com seu grupo de llaneros. Ficou conhecido pelos apelidos de "El Centauro de los Llanos" (O Centauro dos Llanos) e "El León de Payara" (O Leão de Payara) ou (O Leão de Apure).

Enquanto Simón Bolívar combatia no leste, Páez liderava a resistência nos llanos. No início de 1818, os dois se encontraram para coordenar esforços e, juntos, enfrentaram Pablo Morillo. Nesta campanha ocorreu o episódio em que Páez e cinquenta de seus homens atravessaram a nado, a cavalo, o rio Apure, infestado de jacarés, capturando 14 embarcações inimigas em um raro caso de cavalaria derrotando forças navais.

Logo foi enviado de volta aos llanos ocidentais, onde tomou dos espanhóis a cidade de San Fernando, em Apure.

Páez venceu seis grandes batalhas que liderou sozinho, sendo a mais célebre a Batalha de Las Queseras del Medio.

No final de 1820, um armistício havia sido assinado com o comandante espanhol e uma suspensão temporária das hostilidades estava em vigor. No entanto, as circunstâncias levaram ao fim do acordo em 28 de abril de 1821.

No início de junho de 1821, o exército republicano, com 6.500 homens, foi dividido em três divisões. A 1ª, com 2.500 homens, estava sob comando de Páez, composta pelos batalhões Bravos de Apure e Cazadores Británicos (Caçadores Britânicos, também conhecidos como parte da Legião Britânica) e sete regimentos de cavalaria.

Em 21 de junho de 1821, as divisões convergiram para os Campos de Carabobo. Páez recebeu a ordem de atacar pelo norte com sua divisão. Os espanhóis resistiram, mas Páez, reforçado pelos Cazadores Británicos, conseguiu flanquear as tropas inimigas. A batalha terminou com a vitória republicana, selando o destino militar espanhol na Venezuela. Bolívar promoveu Páez a General-em-Chefe no campo de batalha.

Após a Batalha de Carabobo, os espanhóis perderam mais de 65% de seus homens. Os sobreviventes refugiaram-se no castelo de Porto Cabello, tomado por Páez em 1823, último reduto espanhol na Venezuela.

Política e La Cosiata

José Antonio Páez em 1828
Páez por Lewis B. Adams, 1838
José Antonio Páez, por Martín Tovar y Tovar, 1874.

Após Carabobo, Páez foi nomeado Comandante-Geral das províncias de Caracas e Barinas.

Bolívar sonhava em unir as províncias libertadas em um só país: a Grande Colômbia, formada por Colômbia, Venezuela, Equador e Panamá. Porém, tensões federalistas e regionalistas surgiram. Enquanto Bolívar lutava no Peru, o poder executivo ficava em Bogotá, sob Francisco de Paula Santander. Conflitos entre o governo central e as províncias cresceram.

Em 1826, Páez liderou o movimento chamado "La Cosiata", iniciado em Valência, contra as ordens de Bogotá. O movimento reivindicava autonomia venezuelana dentro da federação. Bolívar retornou, concedeu anistia e confirmou Páez como comandante supremo civil e militar da Venezuela.

Presidente

Retrato de Páez em 1854

Em 1830, Páez declarou a independência da Venezuela da Grande Colômbia e tornou-se presidente. Embora não tenha sido o primeiro presidente da Venezuela (que declarou sua independência da Espanha em 1811 e nomeou Cristóbal Mendoza como presidente), ele foi o primeiro chefe de governo após a dissolução da Grande Colômbia. De 1830 a 1847, Páez foi o homem mais poderoso da Venezuela. Serviu como presidente apenas duas vezes nesse período (1830–1835 e 1839–1842), mas governou como o poder por trás de presidentes fantoches quando não estava no cargo. O governo, dominado pela oligarquia, seguia uma constituição que havia sido em grande parte redigida por Páez em 1830. Páez e a oligarquia conservadora estavam convenientemente aliados porque a oligarquia controlava grande parte da riqueza do país, mas não era popular entre as massas, enquanto Páez era muito querido por elas.

Os historiadores consideram o período das décadas de 1830 a 1860 como uma era dourada na história da Venezuela, em contraste com as ditaduras anteriores e posteriores. No entanto, a constituição era apoiada por Páez, um caudilho militar, e o império da lei dependia de seu prestígio pessoal. Páez geralmente respeitava a lei e não se interessava pelo ganho pessoal, como demonstravam as condições comuns em que vivia. Entre 1830 e 1848, sob o poder de Páez e da oligarquia, o poder econômico da Igreja foi quebrado e sua dominação destruída. A partir de então, o conflito entre Igreja e Estado terminou, diferentemente de outros países da América Latina.

Retrato de José Antonio Páez em meados do século XIX

Em 1842, Páez providenciou o repatriamento dos restos mortais de Simón Bolívar de Santa Marta, Colômbia, para a cidade natal do Libertador, Caracas.[3] Seu cortejo fúnebre foi acompanhado de exuberantes honras antes que os restos de Bolívar fossem sepultados na Catedral de Caracas.

Em 1847, o presidente José Tadeo Monagas, que havia sido colocado no poder por Páez, dissolveu o Congresso e proclamou-se ditador. Páez liderou uma rebelião contra ele, mas foi derrotado pelo general Santiago Mariño na "Batalha de Los Araguatos", preso e posteriormente exilado.[4][5]

Páez foi exilado do país em 1850 e não retornou até 1858. Em 1861, Páez voltou ao poder como presidente e ditador supremo, mas governou por apenas dois anos antes de novamente retornar ao exílio. Durante esse período, Erastus D. Culver, advogado e juiz de Nova Iorque, foi nomeado ministro norte-americano na Venezuela em 1862. Ele se apresentou a Páez, sem perceber que os Estados Unidos não reconheciam oficialmente o ditador. Ainda assim, ele e Culver estabeleceram relações amistosas.

Páez viveu na cidade de Nova Iorque durante seus anos de exílio. Ele retornou em 1863 Bilhete de embarque[ligação inativa], vivendo lá por mais uma década antes de sua morte em 1873.

Vida pessoal

Páez foi casado com Dominga Ortiz Orzúa, que atuou como primeira-dama da Venezuela de 1830 até 1835, e de 1839 até 1843. Ela voltou a ocupar o posto de primeira-dama de 1861 até 1863.[carece de fontes?] Páez sofria de epilepsia, chegando a ter uma convulsão durante a Batalha de Carabobo em 1821.[6][7]

Medalha Páez das Artes

A Medalha Páez das Artes é uma condecoração concedida pelo Venezuelan American Endowment for the Arts (VAEA) que é entregue uma vez por ano a um indivíduo ou grupo que tenha tido impacto e contribuído para a excelência, crescimento, apoio e difusão das artes na Venezuela e nos Estados Unidos.[8][9] Ela recebeu este nome em homenagem a José Antonio Páez, líder da Guerra de Independência da Venezuela, que viveu exilado nos últimos anos em Nova Iorque, onde se tornou filantropo.[10]

Ver também

Referências

Citações

Notas e referências

Notas

Referências

  1. V, C.V.C. (1991). Espejismos: prosas dispersas. [S.l.]: Academia Nacional de la Historia. p. 49. ISBN 9789802225613. Consultado em 29 de janeiro de 2017 
  2. Martínez, V.R. (1973). Las aventuras de José Antonio Páez: El llanero increíble. [S.l.]: publisher not identified. p. 22. Consultado em 29 de janeiro de 2017 
  3. «Repatriación de los restos de Bolívar». Fundación Empresas Polar. Diccionario de Historia de Venezuela. Consultado em 19 de abril de 2024 
  4. «Jos Antonio P ez, apuntes biogr ficos». www.simon-bolivar.org. Arquivado do original em 21 de abril de 2009 
  5. «Páez, José Antonio». Diccionario de Historia de Venezuela (em espanhol). Fundación Empresas Polar. Consultado em 2 de setembro de 2022 
  6. «Páez tuvo un ataque de epilepsia y mataron a Nevado: La otra cara de la Batalla de Carabobo». Contrapunto. 27 de outubro de 2023. Consultado em 27 de outubro de 2023 
  7. Marcano, Rodrigo (19 de julho de 2023). «José Antonio Páez, el maltratado». Prodavinci. Consultado em 27 de outubro de 2023 
  8. «The Venezuelan American Endowment for the Arts (VAEA) turns 25 | TheChillConcept». www.thechillconcept.com (em inglês). Consultado em 21 de janeiro de 2018. Arquivado do original em 8 de julho de 2015 
  9. «Venezuelan American Endowment for the Arts to Announce Winner of Paez Medal of Arts on June 13». Arte por Excelencias (em espanhol). Consultado em 21 de janeiro de 2018 
  10. «Paez as a Symbol». VAEA (em inglês). Consultado em 21 de janeiro de 2018 

Cargos políticos
Precedido por
Cargo criado
Presidente da Venezuela
13 de janeiro de 1830 – 20 de janeiro de 1835
Sucedido por
Andrés Narvarte
Precedido por
Carlos Soublette
Presidente da Venezuela
1 de fevereiro de 1839 – 28 de janeiro de 1843
Sucedido por
Carlos Soublette
Precedido por
Pedro Gual
Presidente da Venezuela
29 de agosto de 1861 – 15 de junho de 1863
Sucedido por
Juan Crisóstomo Falcón