Império colonial

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Impérios coloniais foram formações políticas caracterizadas pela dominação de territórios ultramarinos, frequentemente descontínuos em relação à metrópole, estabelecidos sobretudo a partir da expansão marítima europeia iniciada no século XV, no contexto da Era dos Descobrimentos. Diferenciaram-se de formas anteriores de império por se apoiarem em redes oceânicas, estruturas administrativas coloniais e sistemas econômicos voltados à exploração e integração das colônias em circuitos globais de comércio.[1][2]
A formação desses impérios esteve associada ao desenvolvimento da navegação oceânica, da cartografia moderna e do capitalismo mercantil europeu. Portugal e Espanha foram os primeiros Estados a estabelecer domínios coloniais de alcance transcontinental, seguidos, a partir dos séculos XVII e XVIII, por outras potências marítimas, como os Países Baixos, a França e o Reino Unido. A competição entre esses Estados deu origem aos primeiros acordos internacionais de partilha colonial, entre eles o Tratado das Alcáçovas (1479) e o Tratado de Tordesilhas (1494).[3][4]
Entre os séculos XVII e XIX, os impérios coloniais integraram-se em um sistema global de rivalidades políticas, econômicas e militares, atingindo seu auge durante o período do imperialismo do século XIX, quando a expansão colonial se intensificou, particularmente na África e na Ásia.[5] O Império Britânico destacou-se nesse contexto como o maior império colonial da história em extensão territorial e população submetida.[6]
O declínio dos impérios coloniais ocorreu principalmente ao longo do século XX, em especial após a Segunda Guerra Mundial, com o avanço dos processos de descolonização e a formação de novos Estados independentes na Ásia, na África e no Caribe. Paralelamente aos impérios coloniais ultramarinos, existiram formas alternativas de expansão imperial, baseadas na incorporação territorial contínua, como no caso do Império Russo, do Império Otomano e do Império do Japão.[7]
História
Antecedentes históricos
Embora a existência de grandes entidades políticas expansionistas seja um fenômeno recorrente na história humana, os impérios coloniais constituem uma forma específica de dominação imperial, distinta dos impérios da Antiguidade e da Idade Média. Impérios como o Egito Antigo, o Império Romano, o Império Chinês, o Império Inca ou o Império Asteca baseavam-se predominantemente na expansão territorial contígua e na incorporação direta de regiões vizinhas, limitadas pelas condições tecnológicas e logísticas de seu tempo.[1]
Os impérios coloniais, por sua vez, caracterizam-se pela dominação de territórios ultramarinos, frequentemente descontínuos em relação à metrópole, sustentados por redes marítimas, estruturas administrativas diferenciadas e sistemas econômicos orientados para a exploração e a integração em circuitos globais de comércio. Essa forma de império tornou-se historicamente viável apenas a partir do desenvolvimento da navegação oceânica, da cartografia moderna e das transformações econômicas associadas ao final da Idade Média europeia.[2]
Formação dos impérios coloniais europeus (séculos XV–XVI)
A formação dos impérios coloniais europeus está diretamente associada à Era dos Descobrimentos, iniciada no século XV. Nesse contexto, a expansão marítima europeia combinou interesses comerciais, estratégicos, políticos e religiosos, permitindo a projeção do poder europeu sobre vastas áreas da África, da Ásia, das Américas e da Oceania.[4]
O Império Português é geralmente considerado o primeiro império colonial de alcance global, estruturando-se inicialmente como um império marítimo-comercial. A partir da conquista de Ceuta em 1415, Portugal estabeleceu uma rede de entrepostos e possessões ao longo da costa africana, no Atlântico Sul e no Oceano Índico, alcançando posteriormente o Brasil, a África Ocidental, a África Oriental, o Sul da Ásia e o Sudeste Asiático, além de domínios na China e em Timor-Leste.[8][9]
O Império Espanhol consolidou-se sobretudo a partir do século XVI, após a conquista de extensos territórios na América e a incorporação das Filipinas. Diferentemente do modelo português, a expansão espanhola baseou-se amplamente na conquista territorial, na exploração mineral e na implantação de estruturas administrativas complexas, como vice-reinos e audiências.[10]
A rivalidade entre as coroas ibéricas levou à formulação dos primeiros acordos internacionais de partilha colonial, como o Tratado das Alcáçovas (1479) e o Tratado de Tordesilhas (1494), que buscaram regular juridicamente a expansão ultramarina por meio de linhas de demarcação globais.[3]
Consolidação e competição imperial (séculos XVII–XVIII)
A partir do século XVII, a primazia ibérica foi progressivamente contestada por novas potências marítimas europeias. O Império Colonial Holandês destacou-se pelo controle de rotas comerciais estratégicas e pela atuação de companhias privadas, como a Companhia Holandesa das Índias Orientais, sobretudo no Oceano Índico e no Sudeste Asiático.[11]
Em paralelo, desenvolveram-se os impérios coloniais francês e britânico, fortemente vinculados à expansão do comércio atlântico, à colonização de povoamento e à exploração de sistemas econômicos baseados na escravidão e na produção de gêneros tropicais.[12]
Nesse período, os impérios coloniais passaram a integrar-se em um sistema global de rivalidades, no qual conflitos europeus frequentemente se estendiam aos territórios ultramarinos, consolidando a dimensão mundial das disputas imperiais.[13]
Imperialismo e expansão colonial do século XIX
O século XIX marcou uma nova fase da expansão colonial, frequentemente designada como imperialismo, caracterizada pela intensificação da dominação territorial e econômica sobre regiões da África, da Ásia e da Oceania. Esse processo esteve estreitamente ligado à Revolução Industrial, ao avanço tecnológico e à busca por matérias-primas, mercados consumidores e áreas de investimento.[5]
Durante esse período, o Império Britânico atingiu sua máxima extensão territorial, tornando-se o maior império colonial da história em termos de área e população submetida.[6] Paralelamente, potências de unificação tardia, como a Alemanha e a Itália, bem como o Império Belga, ingressaram na competição colonial, especialmente na África, processo formalizado diplomaticamente na Conferência de Berlim (1884–1885).[14]
Declínio dos impérios coloniais e descolonização
O declínio dos impérios coloniais intensificou-se ao longo do século XX, particularmente após a Primeira Guerra Mundial e, de forma decisiva, após a Segunda Guerra Mundial. O enfraquecimento das metrópoles europeias, o fortalecimento de movimentos nacionalistas nas colônias e a pressão internacional por autodeterminação contribuíram para o avanço dos processos de descolonização.[15]
Entre as décadas de 1940 e 1970, grande parte da Ásia, da África e do Caribe conquistou a independência formal, alterando profundamente a ordem internacional e conduzindo à formação de novos Estados soberanos. Esse processo marcou o colapso do sistema colonial europeu, ainda que persistam vínculos políticos, econômicos e culturais entre antigas metrópoles e ex-colônias.[16]
Impérios não europeus e formas alternativas de expansão imperial
Paralelamente aos impérios coloniais ultramarinos, existiram formas de expansão imperial baseadas na incorporação territorial contígua. O Império Russo, em expansão desde o século XVII, estendeu-se pela Eurásia, integrando vastas regiões da Sibéria, do Cáucaso e da Ásia Central. Esse império, sucedido pela União Soviética e posteriormente pela Federação Russa, diferiu dos impérios coloniais marítimos, embora também tenha exercido formas de dominação imperial sobre povos periféricos.[7]
Outros casos relevantes incluem o Império Otomano e o Império do Japão, cuja expansão combinou dominação territorial, controle político e integração econômica, evidenciando a diversidade histórica das formas de imperialismo além do modelo colonial europeu clássico.[17]
Lista de impérios coloniais

Império Português (1415–1999)
- Colonização portuguesa das Américas
- Brasil Colônia (1500-1815)
- Colonização portuguesa de África
- África Ocidental Portuguesa (1575-1975)
- África Oriental Portuguesa (1498-1975)
- Guiné Portuguesa (1474-1974)
- Fortaleza de São João Baptista de Ajudá (1721-1961)
- Costa do Ouro Portuguesa (1482-1642)
- Cabo Verde Português (1462-1975)
- São Tomé e Príncipe Portuguesa (1470-1975)
- Índia Portuguesa (1505-1961)
- Nagasáqui Portuguesa (1580-1587)
- Macau Português (1557-1999)
- Ceilão Português (1597-1658)
- Timor Português (1702-1975)
- Malaca Portuguesa (1511-1641)
- Tamão (1514-1521)
- Omã Português (1507-1656)
- Colonização portuguesa das Américas
Império Espanhol (1492–1975/presente)
- Colonização espanhola da América
Vice-Reino da Nova Espanha (1521-1821)
Vice-Reino do Peru (1542-1824)
Vice-Reino de Nova Granada (1717-1819)
Vice-Reino do Rio da Prata (1776-1816)
Índias Orientais Espanholas (1565–1898)
Formosa Espanhola (1626-1642)- Ilhas Canárias (1496-presente)
Guiné Espanhola (1778–1968)
Saara Espanhol (1884–1975) (1934)
Protetorado Espanhol em Marrocos (1912–1956)- Ifni (1934-1969)[18][19]
- Colonização espanhola da América
Império Francês (1534–1980/presente)
- Colonização francesa da América
- Nova França (1534-1763)
- França Antártica (1555-1567)
- França Equinocial (1612-1615)
- Saint-Domingue (1625-1804)
- Acádia (1604-1713)
- Guiana Francesa (1643-1946/presente)
- Colonização francesa da América
- Czarado da Rússia,
Império Russo,
União Soviética e
Federação Russa (1580–presente)
Império Neerlandês (1602–1975/presente)
- Colonização neerlandesa da América e Companhia Holandesa das Índias Ocidentais.
Nova Holanda (1630-1654)
Novos Países Baixos (1614-1664, 1673-1674)
Suriname (1667-1975)
Curaçau e Dependências (1815-1954)
Caribe Neerlandês
Costa do Ouro Neerlandesa (1598-1872)
- Companhia Holandesa das Índias Orientais
Colônia do Cabo (1652–1806)
Índias Orientais Neerlandesas (1800-1949)
Nova Guiné Neerlandesa (1949-1962)
Formosa Neerlandesa (1624-1662)
Ceilão Holandês (1640-1796)
- Colonização neerlandesa da América e Companhia Holandesa das Índias Ocidentais.
Possessões ultramarinas inglesas (1583–1707)
Colonização escocesa da América (1621–1707)
Império Britânico (1707–1997/presente)
Territórios e mandatos sob administração australiana (1901–presente)
- O domínio australiano, uma colônia que gradualmente aumentou sua independência em 1907, 1947 e 1986, foi encarregado do governo de várias outras colônias e territórios britânicos e o mandato de Samoa. Também foi co-administradora nominal do mandato de Nauru. O território remanescente não autônomo da Nova Zelândia é Tokelau.
Reino da Nova Zelândia (1907–presente)
- O domínio neozelandês, uma colônia que gradualmente aumentou sua independência em 1907, 1947 e 1986, foi encarregado do governo de várias outras colônias e territórios britânicos e o mandato de Samoa. Também foi co-administradora nominal do mandato de Nauru. O território remanescente não autônomo da Nova Zelândia é Tokelau.
Mandatos sob administração sul-africana (1915–1990)
- O mandato do Sudoeste Africano O mandato foi governado pelo domínio domínio britânico da África do Sul, que era uma colônia que gradualmente aumentou sua independência em 1910, 1931 e 1961.
Império Dinamarquês (1620–1979/presente)
- Colonização dinamarquesa da América
Índias Ocidentais Dinamarquesas (1672-1917)
Groenlândia (1814-1979)
Costa do Ouro Dinamarquesa (1658-1850)
Índia Dinamarquesa (1620-1869)
Colônia dinamarquesa das Ilhas Nicobar
- Colonização dinamarquesa da América
Império Sueco (1638–1663 e 1784–1878)
- Colonização sueca da América
Nova Suécia (1638-1655)
Costa do Ouro Sueca (1650–1658, 1660–1663)
- Colonização sueca da América
Cavaleiros Hospitalários (Malta, um vassalo do Reino da Sicília; 1651–1665)
- Iniciativas colonias alemãs (1683–1721, 1883–1919)
- Colônias de Brandemburgo-Prússia (1683–1721)[20]
Império colonial alemão (1884–1919)- Colonização alemã da América
- Colonização alemã de África
Togolândia (1884-1916)
Sudoeste Africano Alemão (1884-1915)
África Oriental Alemã (1885-1919)
Camarões Alemães (1884-1916)
Samoa alemã (1900-1919)
Nova Guiné Alemã (1884-1919)
Baía de Kiauchau (1898-1914)
Concessão Alemã em Tientsin (1898-1917)
- Colônias da Monarquia Habsburgo[20] e Áustria-Hungria (1719–1750, 1778–1783, 1901–1917)
- Ducado da Curlândia e Semigália
Império Americano (1817–presente)
Império do Japão (1868–1947)
Coreia (1910–1945)
Taiwan (1895–1945)
Mandato do Pacífico Sul (1919-1947)
Província de Karafuto (1905-1949)
Esfera de Coprosperidade da Grande Ásia Oriental (1943-1945)
Reino de Rattanakosin
- Reino de Vientiane (1778–1828)
- Reino de Luang Prabang (1778–1893)
- Reino de Champasak (1778–1893)
- Reino do Camboja (1771–1867)
- Kedah (1821–1826)
Império Belga (1885–1962)
- Estado Livre do Congo (1885–1908)
- Ruanda-Urundi (1922–1962)
Império Italiano (1885–1960)
- África Setentrional Italiana (1911–1943)
- África Oriental Italiana (1936–1960)
Império Norueguês (reinante e territorial 875-1397, apenas territorial 1397-1814)
- Possessões da Noruega (1920–presente)
- Dependências da Noruega (1927–1957)
- Colonização norueguesa da América
Império Otomano (1299–1922)
Reino de Marrocos (1975–presente)
Mascate e Omã (1652–1892)
- Dinastia Yaruba (1624-1742)
- Sultanato de Mascate (1652-1820)
- Sultanato de Zanzibar (tomado por Omã em 1698, tornou-se capital do Sultanato ou Império de Omã a partir de 1632 ou 1640; até 1890)
Ver também
Referências
- ↑ a b Pagden 1995, p. 7–10.
- ↑ a b Bayly 2004, p. 23–31.
- ↑ a b Russell-Wood 1998, p. 33–52.
- ↑ a b Elliott 2006, p. 3–28.
- ↑ a b Darwin 2009, p. 121–160.
- ↑ a b Ferguson 2003, p. 15–48.
- ↑ a b Lieven 2000, p. 1–22.
- ↑ Boxer 1969, p. 1–20.
- ↑ Subrahmanyam 1997, p. 45–78.
- ↑ Elliott 2006, p. 63–102.
- ↑ Israel 1995, p. 295–340.
- ↑ Bayly 2004, p. 91–130.
- ↑ Pagden 1995, p. 112–135.
- ↑ Darwin 2009, p. 235–260.
- ↑ Darwin 2009, p. 487–520.
- ↑ Bayly 2004, p. 451–470.
- ↑ Pagden 1995, p. 173–190.
- ↑ Milán, Jesús Martínez. «Sidi Ifni en el contexto del colonialismo español en el sur de Marruecos, 1912-1956». Hespéris-Tamuda, vol. XLVI (2011), pp. 39-64. Consultado em 25 de outubro de 2024
- ↑ «El Rincón de Sidi Ifni - Un poco de historia...». www.sidi-ifni.com. Consultado em 25 de outubro de 2024
- ↑ a b Parte do Sacro Império Romano-Germânico antes de 1804.
Bibliografia
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- Bethencourt, Francisco (2013). Racisms: From the Crusades to the Twentieth Century. Princeton: Princeton University Press
- Boxer, C. R. (1969). The Portuguese Seaborne Empire, 1415–1825. London: Hutchinson
- Darwin, John (2009). The Empire Project: The Rise and Fall of the British World-System. Cambridge: Cambridge University Press
- Elliott, J. H. (2006). Empires of the Atlantic World: Britain and Spain in America, 1492–1830. New Haven: Yale University Press
- Ferguson, Niall (2003). Empire: How Britain Made the Modern World. London: Allen Lane
- Ferro, Marc (2004). O livro negro do colonialismo. Rio de Janeiro: Ediouro. ISBN 8500013613
- Israel, Jonathan I. (1995). Dutch Primacy in World Trade, 1585–1740. Oxford: Oxford University Press
- Lieven, Dominic (2000). Empire: The Russian Empire and Its Rivals. New Haven: Yale University Press
- Pagden, Anthony (1995). Lords of All the World: Ideologies of Empire in Spain, Britain and France. New Haven: Yale University Press
- Russell-Wood, A. J. R. (1998). The Portuguese Empire, 1415–1808. Baltimore: Johns Hopkins University Press
- Subrahmanyam, Sanjay (1997). The Portuguese Empire in Asia, 1500–1700. London: Longman
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