Governo Nereu Ramos

Governo Nereu Ramos
Brasil
1955–1956
Ramos em 1955
Início11 de novembro de 1955
Fim31 de janeiro de 1956
Duração2 meses e 20 dias
Organização e Composição
TipoGoverno federal
20.º Presidente do BrasilNereu Ramos
Vice-presidente do BrasilVago
PartidoPartido Social Democrático

O Governo Nereu Ramos corresponde ao período em que Nereu de Oliveira Ramos exerceu a Presidência da República do Brasil de forma interina, entre 11 de novembro de 1955 e 31 de janeiro de 1956. Seu governo teve caráter transitório, sendo responsável por garantir a ordem constitucional e assegurar a posse do presidente eleito Juscelino Kubitschek, em meio a uma grave crise política e institucional.

Contexto histórico

O Brasil atravessava, em 1955, um cenário de forte instabilidade política. As eleições presidenciais daquele ano resultaram na vitória de Juscelino Kubitschek, com João Goulart eleito vice-presidente. Setores da oposição, especialmente ligados à União Democrática Nacional (UDN) e a parcelas das Forças Armadas, passaram a contestar a legitimidade do resultado eleitoral, alegando que Juscelino não havia obtido maioria absoluta dos votos.[1][2]

A crise se agravou após o afastamento do presidente Café Filho por motivos de saúde e a breve posse do presidente da Câmara, Carlos Luz, acusado de articular um golpe para impedir a posse dos eleitos.[3]

Ascensão à Presidência

Teixeira Lott, Floriano Brayner, Nereu Ramos e Henrique Fleiuss, 1956.

Em 11 de novembro de 1955, o então presidente do Senado Federal, Nereu Ramos, assumiu a Presidência da República após a deposição de Carlos Luz pelo movimento liderado pelo ministro da Guerra, general Henrique Teixeira Lott, conhecido como Movimento de 11 de Novembro.[4]

Sua posse foi confirmada pelo Congresso Nacional, com o objetivo explícito de preservar a legalidade constitucional e garantir a transição pacífica para o governo eleito.[5]

Características do governo

O governo Nereu Ramos foi marcado por seu caráter emergencial e institucional, evitando iniciativas de longo prazo. Entre suas principais características, destacam-se: [5]

  • defesa explícita da Constituição de 1946;
  • manutenção do calendário de posse do presidente eleito;
  • contenção de tentativas de ruptura institucional;
  • forte protagonismo das Forças Armadas na preservação da ordem constitucional.

Nereu Ramos governou sob estado de sítio, decretado para conter possíveis levantes militares e civis contrários à posse de Juscelino Kubitschek.[6]

Política administrativa e econômica

Por se tratar de um governo de curta duração, não houve mudanças estruturais significativas na política econômica ou administrativa. O governo concentrou-se em: [5]

  • manter o funcionamento regular da administração pública;
  • garantir estabilidade institucional;
  • preparar a transição para o novo governo.

As diretrizes econômicas herdadas do governo Café Filho foram mantidas até a posse do novo presidente.

Posse de Juscelino Kubitschek

Em 31 de janeiro de 1956, conforme previsto constitucionalmente, Juscelino Kubitschek tomou posse como presidente da República, encerrando o governo Nereu Ramos. A transição ocorreu de forma pacífica e consolidou, naquele momento, a preservação da ordem democrática no país.[7]

Avaliação e legado

O governo Nereu Ramos é geralmente avaliado de forma positiva pela historiografia, sobretudo por seu papel decisivo na defesa da legalidade constitucional durante a crise política de 1955.[8] Apesar de sua brevidade, seu mandato foi fundamental para impedir uma ruptura democrática e garantir a posse de um presidente eleito pelo voto popular.

Ver também

Referências

  1. «Novamente agitado o plenário sobre a posse dos eleitos». O Estado de S. Paulo. 22 de outubro de 1955. Consultado em 1 de janeiro de 2023 
  2. «Vargas – 50 anos: "Crime da rua Tonelero" ainda gera dúvida». Folha de S. Paulo. Consultado em 17 de fevereiro de 2019. Cópia arquivada em 30 de dezembro de 2022 
  3. CPDOC - Centro de Pesquisa e Documentação História Contemporânea do Brasil. «CARLOS COIMBRA DA LUZ | CPDOC - Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil». CPDOC - Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil. Consultado em 1 de fevereiro de 2026. Cópia arquivada em 8 de março de 2021 
  4. JK rumo à presidência: Movimento 11 de novembro Arquivado em 25 de setembro de 2017, no Wayback Machine. Lamarão, S.T.N. 2009. DHBB da FGV/CPDOC. Acessado em 4/11/2017.
  5. a b c Malin, Mauro. «RAMOS, Nereu» (PDF). FGV CPDOC 
  6. «Estado de sítio: O que significa e em que momentos a medida foi decretada no Brasil?». Blog do Acervo - O Globo. 9 de setembro de 2021. Consultado em 11 de janeiro de 2024 
  7. FAUSTO, Boris. História do Brasil. São Paulo: Editora da USP, 2013.
  8. «Novamente agitado o plenário sobre a posse dos eleitos». O Estado de S. Paulo. 22 de outubro de 1955. Consultado em 1 de janeiro de 2023