Governo Hermes da Fonseca
| Governo Hermes da Fonseca | |
|---|---|
| 1910–1914 | |
![]() Fonseca em 1910 | |
| Início | 15 de novembro de 1910 |
| Fim | 15 de novembro de 1914 |
| Duração | 4 anos |
| Organização e Composição | |
| Tipo | Governo federal |
| 8.º Presidente do Brasil | Hermes da Fonseca |
| 6.º Vice-presidente do Brasil | Venceslau Brás |
| Partido | Partido Republicano Conservador |
| Histórico | |
| Eleição | Eleição presidencial no Brasil em 1910 |
O Governo Hermes da Fonseca corresponde ao período em que Hermes Rodrigues da Fonseca exerceu a Presidência da República do Brasil, entre 15 de novembro de 1910 e 15 de novembro de 1914, durante a Primeira República. Seu mandato foi marcado pela intensificação da participação militar na política, pelas intervenções federais nos estados conhecidas como política das salvações e por conflitos sociais e regionais.
Contexto histórico
A Primeira República Brasileira (1889–1930) caracterizou-se pelo predomínio das oligarquias estaduais e pela política do café com leite, que alternava o poder entre São Paulo e Minas Gerais. A eleição de Hermes da Fonseca representou uma relativa ruptura nesse arranjo, ao contar com forte apoio das Forças Armadas, especialmente do Exército.[1]
Hermes da Fonseca era sobrinho do marechal Deodoro da Fonseca, primeiro presidente da República, e possuía carreira militar destacada. Sua candidatura foi apoiada pelo Partido Republicano Conservador (PRC) e enfrentou a chamada Campanha Civilista, liderada por Ruy Barbosa, que defendia a supremacia do poder civil sobre o militar.[2]
Ascensão à Presidência
Hermes da Fonseca tomou posse em 15 de novembro de 1910, prometendo fortalecer as instituições republicanas e promover maior equilíbrio entre os estados. Contudo, seu governo acabou marcado por uma presença crescente dos militares na administração pública e na política nacional.
Política das salvações
Um dos aspectos mais característicos do governo Hermes da Fonseca foi a chamada política das salvações, que consistiu em intervenções federais em diversos estados com o objetivo declarado de combater oligarquias locais consideradas corruptas ou opositoras ao governo federal.[3]
Essas intervenções ocorreram, entre outros estados, em:
Na prática, a política das salvações intensificou os conflitos políticos regionais e ampliou a instabilidade institucional, ao enfraquecer o pacto federativo da Primeira República.[3]
Política econômica

A economia durante o governo Hermes da Fonseca foi afetada por dificuldades financeiras herdadas dos governos anteriores e pela instabilidade política. O governo manteve a dependência da exportação de café e enfrentou problemas como: [4]
- queda nas receitas públicas;
- dificuldades no pagamento da dívida externa;
- necessidade de novos empréstimos internacionais.
Em 1914, o Brasil aderiu a um novo acordo financeiro com credores estrangeiros, conhecido como Funding Loan, visando reorganizar as finanças públicas.[4]
Conflitos sociais e regionais
O governo Hermes da Fonseca enfrentou importantes conflitos internos, entre os quais se destacam:
Revolta da Chibata (1910)
Ocorreu no início do mandato e foi liderada por marinheiros, majoritariamente negros, que protestavam contra os castigos físicos na Marinha, especialmente a chibata. Após prometer anistia e o fim das punições, o governo reprimiu o movimento, resultando em prisões e mortes.[5]
Guerra do Contestado (1912–1916)
Conflito de caráter social, religioso e fundiário ocorrido entre os estados do Paraná e Santa Catarina. Teve início durante o governo Hermes da Fonseca e envolveu populações camponesas marginalizadas, sendo reprimido com forte ação militar.[6]
Política externa
Na política externa, o governo manteve uma postura diplomática relativamente discreta, buscando preservar relações comerciais estáveis com as potências europeias e com os Estados Unidos. O início da Primeira Guerra Mundial, em 1914, coincidiu com o final de seu mandato, ainda sem grande impacto imediato sobre a política externa brasileira.[4]
Avaliação e legado
O governo Hermes da Fonseca é geralmente avaliado de forma crítica pela historiografia, sobretudo devido à militarização da política, à fragilização do federalismo e à repressão violenta a movimentos sociais. Apesar disso, seu governo evidencia as tensões estruturais da Primeira República e os limites do modelo oligárquico vigente.[7]
Ver também
- Primeira República Brasileira
- Campanha Civilista
- Revolta da Chibata
- Guerra do Contestado
- Governo Venceslau Brás
Referências
- ↑ BELLO, José Maria, História da República, São Paulo, Companhia Editora Nacional, 1976.
- ↑ Santos, Marcelo Henrique Pereira dos (21 de junho de 2005). «Rui Barbosa e Pinheiro Machado: Disputa política em torno da candidatura e do governo do Marechal Hermes da Fonseca». Consultado em 1 de fevereiro de 2026
- ↑ a b «Política das Salvações | Atlas Histórico do Brasil - FGV». atlas.fgv.br. Consultado em 1 de fevereiro de 2026
- ↑ a b c Lemos, Renato. «FONSECA, Hermes da» (PDF). FGV CPDOC
- ↑ Morel, Edmar (1986). A Revolta da Chibata. Rio de Janeiro: Edições Graal. ISBN 8570380305.
- ↑ Contestado: a guerra cabocla. Autor: Aureliano Pinto de Moura. Biblioteca_do_Exército, 2003. ISBN 9788570113269.
- ↑ FAUSTO, Boris. História do Brasil. São Paulo: Editora da USP, 2013.
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