Governo José Linhares

Governo José Linhares
Brasil
1945–1946
Linhares em 1945
Início29 de outubro de 1945
Fim31 de janeiro de 1946
Duração3 meses e 2 dias
Organização e Composição
TipoGoverno federal
15.º Presidente do BrasilJosé Linhares
Vice-presidente do BrasilCargo extinto
PartidoNenhum

O Governo José Linhares corresponde ao período em que José Linhares da Costa exerceu a Presidência da República do Brasil de forma interina, entre 29 de outubro de 1945 e 31 de janeiro de 1946, após a deposição de Getúlio Vargas. Seu governo teve caráter transitório, sendo responsável por conduzir o país no processo de redemocratização, organizar eleições gerais e garantir a posse do presidente eleito Eurico Gaspar Dutra.

Contexto histórico

Desde 1937, o Brasil vivia sob o regime autoritário do Estado Novo, instaurado por Getúlio Vargas, caracterizado pela centralização do poder, supressão de partidos políticos e restrições às liberdades civis. Com o fim da Segunda Guerra Mundial em 1945 e a derrota dos regimes fascistas na Europa, cresceu a pressão interna e externa pela redemocratização do país.[1]

Ao longo de 1945, Vargas anunciou medidas liberalizantes, como a anistia política e a convocação de eleições, mas acabou perdendo apoio de setores militares. Em 29 de outubro de 1945, foi deposto por um movimento liderado pelas Forças Armadas.[1]

Diante do vácuo de poder, a Presidência foi assumida por José Linhares, então presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), conforme previsão constitucional.

Ascensão à Presidência

Posse de José Linhares como Presidente da República

José Linhares assumiu a Presidência interinamente com o compromisso explícito de não interferir no processo eleitoral e de assegurar a normalidade institucional. Seu perfil técnico e jurídico foi visto como uma garantia de neutralidade política durante a transição.[1]

Logo ao assumir, dissolveu órgãos vinculados ao Estado Novo e buscou afastar figuras identificadas com o autoritarismo varguista da administração federal. [2]

Medidas administrativas e políticas

O governo José Linhares caracterizou-se por ações voltadas à desmontagem do aparato autoritário do Estado Novo e à restauração das liberdades democráticas. Entre as principais medidas, destacam-se: [2]

  • extinção do Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP);
  • garantia da liberdade de imprensa e de organização partidária;
  • reorganização do Judiciário e da administração pública;
  • substituição de interventores estaduais por governadores provisórios ou eleitos;
  • manutenção do calendário eleitoral previamente estabelecido.

Essas medidas reforçaram o caráter provisório e institucional de seu governo.[1]

Eleições de 1945

Durante o governo José Linhares, foram realizadas as eleições presidenciais de 2 de dezembro de 1945, as primeiras eleições diretas após o Estado Novo. O pleito contou com a participação de diversos partidos políticos recém-legalizados, como o PSD, a UDN e o PTB.[3]

O general Eurico Gaspar Dutra foi eleito presidente da República, tendo Nereu Ramos como vice-presidente. O resultado foi reconhecido sem grandes contestações, consolidando o processo de transição democrática.[4]

Política econômica

Por se tratar de um governo de curta duração e caráter transitório, José Linhares não implementou mudanças estruturais profundas na economia. Sua atuação concentrou-se na manutenção da estabilidade administrativa, evitando decisões que pudessem comprometer o governo eleito.

Avaliação e legado

O governo José Linhares é geralmente avaliado de forma positiva pela historiografia, sobretudo por seu papel na transição pacífica do autoritarismo para a democracia. Sua postura institucional, respeitando os limites do cargo e evitando protagonismo político, contribuiu para a credibilidade do processo eleitoral e para a estabilização do país no pós-Estado Novo.[5]

Ver também

Referências

  1. a b c d «José Linhares | CPDOC». cpdoc.fgv.br. Consultado em 31 de janeiro de 2026. Cópia arquivada em 25 de março de 2022 
  2. a b «Ministro José Linhares». Justiça Eleitoral. Consultado em 31 de janeiro de 2026 
  3. «Decreto-lei nº 7.586, de 28 de maio de 1945». Consultado em 6 de julho de 2014. Arquivado do original em 20 de fevereiro de 2015 
  4. «Secretaria do Tribunal Superior Eleitoral (página do IBGE)» (PDF). Consultado em 11 de abril de 2020. Cópia arquivada (PDF) em 11 de abril de 2020 
  5. SKIDMORE, Thomas. Brasil: de Getúlio a Castelo. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2007.