Governo Café Filho
| Governo Café Filho | |
|---|---|
| 1954–1955 | |
![]() Café Filho em 1954 | |
| Início | 24 de agosto de 1954 |
| Fim | 8 de novembro de 1955 |
| Duração | 1 ano e 2 meses |
| Organização e Composição | |
| Tipo | Governo federal |
| 18.º Presidente do Brasil | Café Filho |
| Vice-presidente do Brasil | Vago |
| Partido | Partido Social Progressista |
O Governo Café Filho corresponde ao período em que João Fernandes Campos Café Filho exerceu a Presidência da República do Brasil, entre 24 de agosto de 1954 e 8 de novembro de 1955, após o suicídio do presidente Getúlio Vargas. Seu mandato foi marcado por forte instabilidade política, mudanças na orientação econômica e pela crise sucessória que antecedeu a posse de Juscelino Kubitschek, em 1956.
Contexto histórico
O segundo governo de Getúlio Vargas (1951–1954) atravessava um ambiente de intensa polarização política, com forte oposição da União Democrática Nacional (UDN), setores da imprensa e parcelas das Forças Armadas. A política trabalhista e nacionalista de Vargas, especialmente o aumento do salário mínimo em 1954, agravou os conflitos entre o governo, empresários e a oposição conservadora.
A crise atingiu seu ápice após o Atentado da Rua Tonelero contra Carlos Lacerda em agosto de 1954, envolvendo membros da guarda pessoal do presidente. Pressionado politicamente, Vargas suicidou-se em 24 de agosto de 1954, levando o vice-presidente Café Filho a assumir o cargo.[1]
Ascensão à Presidência
Café Filho assumiu a Presidência comprometendo-se publicamente com a manutenção da ordem constitucional e com a pacificação política do país. Em seus primeiros discursos, procurou demonstrar respeito à memória de Vargas e reafirmar a importância das instituições democráticas.[2]
Apesar disso, seu governo rapidamente se afastou do projeto político-econômico varguista, adotando uma orientação liberal, sobretudo na área econômica.[3]
Política econômica
A principal marca do governo Café Filho foi a adoção de uma política econômica ortodoxa, voltada ao controle da inflação e ao equilíbrio das contas públicas. Para conduzir essa agenda, foi nomeado o economista Eugênio Gudin para o Ministério da Fazenda.[4]
Entre as principais medidas adotadas, destacam-se: [5]
- restrição ao crédito e contenção da expansão monetária;
- redução dos gastos públicos;
- estímulo à entrada de capitais estrangeiros;
- contenção de reajustes salariais;
- tentativa de reorganização do sistema tributário.

Essas políticas buscavam combater a inflação e recuperar a confiança dos investidores, mas provocaram insatisfação entre trabalhadores e setores populares, além de tensionar relações com sindicatos.[6]
Política externa
Na política externa, o governo Café Filho reforçou o alinhamento do Brasil aos Estados Unidos, em consonância com a lógica da Guerra Fria. Buscou maior cooperação econômica e financeira com organismos internacionais, defendendo uma postura menos nacionalista em comparação ao governo anterior.
Crise sucessória de 1955

As eleições presidenciais de 1955 elegeram Juscelino Kubitschek para a Presidência e João Goulart para a Vice-Presidência. Setores da oposição e parte das Forças Armadas passaram a questionar a legitimidade do resultado, alegando que Juscelino não havia obtido maioria absoluta dos votos.[7]
Em novembro de 1955, Café Filho afastou-se do cargo alegando problemas de saúde. O presidente da Câmara dos Deputados, Carlos Luz, assumiu interinamente, mas foi acusado de conspirar contra a posse dos eleitos.[8] Em resposta, o general Henrique Teixeira Lott liderou o chamado Movimento de 11 de Novembro, que depôs Carlos Luz em defesa da ordem constitucional.
Café Filho tentou reassumir a Presidência após sua recuperação, mas teve seu retorno impedido pelo Congresso Nacional, que declarou seu afastamento definitivo. O presidente do Senado, Nereu Ramos, assumiu interinamente até a posse de Juscelino Kubitschek em janeiro de 1956.[9]
Avaliação e legado
O governo Café Filho é geralmente avaliado como um período de transição, marcado por forte instabilidade política e por uma ruptura parcial com o legado varguista. Sua gestão destacou-se pela adoção de políticas econômicas liberais e pelo papel indireto no desfecho da crise institucional de 1955, que acabou por garantir a posse de um presidente eleito e a continuidade do regime democrático naquele momento histórico.[10]
Ver também
Referências
- ↑ «Vargas – 50 anos: "Crime da rua Tonelero" ainda gera dúvida». Folha de S. Paulo. Consultado em 17 de fevereiro de 2019. Cópia arquivada em 30 de dezembro de 2022
- ↑ SKIDMORE, Thomas. Brasil: de Getúlio a Castelo. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2007.
- ↑ Fausto Saretta, 2003. "A política econômica no período 1954/1955: algumas notas," Anais do V Congresso Brasileiro de História Econômica e 6ª Conferência Internacional de História de Empresas [Proceedings of the 5th Brazilian Congress of Economic History and the 6th International Co 061, ABPHE - Associação Brasileira de Pesquisadores em História Econômica (Brazilian Economic History Society).
- ↑ Lattanzi, José Renato (2013). «Eugênio Gudin, um liberal entre os liberais». Intellèctus (1). ISSN 1676-7640.
- ↑ Fausto Saretta, 2003. "A política econômica no período 1954/1955: algumas notas," Anais do V Congresso Brasileiro de História Econômica e 6ª Conferência Internacional de História de Empresas [Proceedings of the 5th Brazilian Congress of Economic History and the 6th International Co 061, ABPHE - Associação Brasileira de Pesquisadores em História Econômica (Brazilian Economic History Society).
- ↑ Fausto Saretta, 2003. "A política econômica no período 1954/1955: algumas notas," Anais do V Congresso Brasileiro de História Econômica e 6ª Conferência Internacional de História de Empresas [Proceedings of the 5th Brazilian Congress of Economic History and the 6th International Co 061, ABPHE - Associação Brasileira de Pesquisadores em História Econômica (Brazilian Economic History Society).
- ↑ JK rumo à presidência: Movimento 11 de novembro Arquivado em 25 de setembro de 2017, no Wayback Machine. LAMARÃO, S.T.N. 2009. DHBB da FGV/CPDOC. Acessado em 4/11/2017.
- ↑ Carlos Luz Dicionário Histórico Biográfico Brasileiro pós 1930. 2ª ed. Rio de Janeiro: Ed. FGV, 2001. Acessado pelo FGV/CPDOC em 04/11/2017.
- ↑ Carlos Luz Dicionário Histórico Biográfico Brasileiro pós 1930. 2ª ed. Rio de Janeiro: Ed. FGV, 2001. Acessado pelo FGV/CPDOC em 04/11/2017.
- ↑ SKIDMORE, Thomas. Brasil: de Getúlio a Castelo. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2007.


