Fortaleza de Colombo
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A fortaleza de Colombo foi uma antiga praça-forte fundada em 1518 pelos portugueses na ilha do Ceilão, actual Sri Lanka.[1] Abandonada em 1524, foi refundada em 1551 e serviu de capital do Ceilão Português, até ter sido conquistada pela Companhia Holandesa das Índias Orientais, em 1656.
História
Notícias acerca da mítica "Taprobana" difundiram-se em Lisboa com o regresso a Portugal das primeiras armadas enviadas à Índia.[2] Os portugueses recolheram informações acerca da ilha entre os cristãos sírio-malabares da Costa do Malabar e quando fundaram uma feitoria em Coulão o volume e qualidade dos dados melhorou.[2] Em 1505, uma tempestade desviou para a ilha uma frota comandada por D. Lourenço de Almeida, filho do vice-rei D. Francisco de Almeida. D. Lourenço negociou um tratado de amizade, comércio e aliança militar com o rei Parakramabahu VIII de Cota e, a partir de então, os portugueses comprometeram-se a ajudar a combater a pirataria naquela região a troco de um tributo pago em cargas de canela. Uma feitoria foi também aberta na cidade de Colombo, que era um porto importante de onde se exportavam os principais produtos da ilha, como canela, areca, pedras preciosas ou elefantes e importavam-se sobretudo tecidos e arroz, entre outros bens.[1]

Uma primeira fortaleza foi construída em Setembro de 1518 mediante a iniciativa do governador Lopo Soares de Albergaria, que se deslocou a Colombo com uma armada de 18 navios.[2] Com o recurso às tropas da armada, uma fortaleza triangular com uma torre de menagem ao centro foi construída na ponta de Galbokka, separada do continente por um fosso, permitindo assim vigiar todo o porto de Colombo e embora tenha sido consagrada em nome de Nossa Senhora das Virtudes, o nome que vigou foi o de Santa Bárbara.[2] Em 1519 chegaram directamente de Portugal 400 homens destinados a reforçar a fortaleza, que foi totalmente refeita e enquanto duravam as obras a fortificação foi sitiada, durante a época das chuvas em 1521.[2] Os cingaleses construíram barricadas no descampado entre o fosso e a cidade mas estas foram tomadas por assalto pelos portugueses, comandados por Lopo de Brito num ataque anfíbio.[2] Seguiu-se um ataque com elefantes mas os portugueses dispersaram-nos com recurso a artilharia ligeira.[2]
A fortaleza de Colombo foi abandonada em 1521 por ordem do vice-rei Vasco da Gama e refundada em 1551.[3][2] Volvidos três anos apenas, os portugueses construíram uma nova muralha para proteger a crescente povoação portuguesa e, em 1565, Colombo recebeu os residentes e instituições da Cidade de Cota, capital do reino, que foi abandonada devido à ameaça do vizinho reino hostil de Ceitavaca.[3] A cidade recebeu novas muralhas e tornou-se uma das mais importantes da Ásia marítima.[1] Para controlar a entrada para a baía, na ponta de Galbokka onde antes se erguera a primitiva fortaleza, os portugueses construíram a Couraça de Santa Cruz, fortemente equipada de artilharia e segundo alguns observadores a parte mais segura de toda a praça-forte.[2]
A cidade era composta por dois núcleos com casas, palmares e pastos, separados por um pequeno ribeiro ligando o porto a uma lagoa, que servia de fosso a sul e leste.[1] Em 1585 a cidade passou a dispor de câmara municipal, dotada de vereadores eleitos anualmente em representação de uma comunidade de portugueses que se dedicavam sobretudo ao comércio.[1] A cidade tinha conventos franciscanos, jesuítas, agostinhos e dominicanos.[1] Com a criação da capitania-geral do Ceilão, a capital do Ceilão Português passou a ser Malvana, uma povoação nas margens do rio Kelani mais para o interior onde os capitães-gerais portugueses geralmente residiam mas em Colombo estabeleceu-se a vedoria da fazenda do Ceilão, criada em 1599 e responsável por gerir as finanças do território.[1]
Colombo foi sujeita a um duro cerco entre 1587 e 1588, imposto pelo rei Rajasinha de Ceitavaca mas os portugueses lograram resistir, não obstante a grande disparidade numérica. Este cerco foi dos mais célebres e difíceis travados pelos portugueses no Oriente e em nada fica a dever aos cercos de Diu ou Chaul.[4]

A cidade caiu nas mãos da Companhia Holandesa das Índias Orientais após um cerco de quase dois anos. Os holandeses arrasaram as muralhas portuguesas, juntamente com a maioria das igrejas, conventos e casas, para construir uma cidade nova, com arruamentos em xadrez e uma nova fortaleza mas que acarretou uma segregação mais nítida entre os europeus e cingaleses do que fora praticado pelos portugueses.[1]
Ver também
- Estado da Índia
- Campanha de Ceitavaca
- Campanha de Jafanapatão (1590)
- Malaca Portuguesa
- Negapatão Portuguesa
- Fortaleza de Coulão
- Fortaleza de Galle
- Fortaleza de Negombo
- Fortaleza de Manar
- Fortaleza de Jafanapatão
- Forte de Neduntivu
- Fortaleza de Baticaloa
- Forte de Triquinimale
- Fortaleza do Cais
Referências
- ↑ a b c d e f g h «cidade de Colombo | Enciclopédia Virtual da Expansão Portuguesa». eve.fcsh.unl.pt. Consultado em 11 de outubro de 2025. Cópia arquivada em 14 de julho de 2025
- ↑ a b c d e f g h i André Teixeira: Fortalezas do Estado da Índia, Tribuna da História, 2008, pp. 117-125.
- ↑ a b «4. Fortificações Portuguesas da Índia e Sri Lanka: Panorâmica Geral». Portal da Defesa na Internet. Consultado em 13 de outubro de 2025
- ↑ Monteiro, Saturnino (2011). Batalhas e Combates da Marinha Portuguesa, volume IV - 1580-1603, Livraria Sá da Costa Editora, Lisboa, p. 203.