Safim Portuguesa
| Safim Fortaleza de Safim | ||||
| ||||
![]() | ||||
| Continente | África | |||
| Capital | Safim | |||
| Língua oficial | Português | |||
| Governo | Monarquia Absoluta | |||
| Rei | ||||
| • 1508-1521 | D. Manuel I | |||
| • 1521-1541 | D. João III | |||
| História | ||||
| • 1508 | Fundação | |||
| • 1541 | Dissolução | |||
A cidade marroquina de Safim foi uma possessão portuguesa entre 1508 e 1541. Conquistada por Diogo de Azambuja num período de guerra civil, foi abandonada mediante iniciativa do rei D. João III.
História
Em 1415, os portugueses conquistaram Ceuta, numa altura em que a guerra-civil se agravava em Marrocos e a dinastia Merínida caía no descrédito.
Em teoria a cidade portuária de Safim dependia do emir berbere de Marraquexe, da tribo Hintata.[1] Porém, o panorama político incerto levava a graves dissenções políticas internas entre os residentes: alguns preconizavam um estreitamento de relações com os portugueses, outros com os castelhanos, ao passo que outros repudiavam o comércio com os cristãos e defendiam que só estariam em segurança aliados ao emir de Marraquexe.[1]
Em 1481, o rei D. Afonso V aceitou tornar-se suzerano e protector da cidade, o que significou facilidades comerciais para os portugueses.[1] D. João II confirmou este compromisso a 16 de Outubro de 1488 numa carta ao alcaide de Safim.[1] Durante o seu reinado, D. João II mandou construir uma feitoria na cidade, dotada de capela.[1]
Em Setembro de 1500, reinando em Portugal D. Manuel, quando este se encontrava ausente do reino, em Saragoça, veio a Lisboa Abderramão, muçulmano residente em Safim partidário dos portugueses, acompanhado pelo feitor Diogo Borges.[2] Reuniram com a rainha D. Leonor, viúva de D. João II, que regia o reino e regressaram a Safim. Em certa noite, Abderramão saiu da feitoria a cavalo, acompanhado por três muçulmanos e três cristãos e levantou a bandeira de Portugal gritando: "Viva el-rei D. Manuel e a senhora rainha D. Leonor!"[2] Juntaram-se-lhe 10 muçulmanos desarmados, 300 do alcaide Amalux e quando um irmão interpelou-o pela desobediência, Abderramão matou-o com um golpe de lança.[2] A multidão partiu então para a feitoria dando vivas a Abderramão e a D. Manuel. D. Manuel libertou a cidade do pagamento anual de um tributo de 300 miticais de ouro mas passou a cobrar a dízima na entrada e saída de mercadorias.[2]
Os conflitos internos em Safim chegaram a um ponto que, em 1508 Diogo de Azambuja, feitor de D. Manuel em Safim, tomou posse da cidade.[1] O modo como Diogo de Azambuja geria a cidade gerou queixas entre os seus moradores e D. Manuel substituiu primeiro por Pedro de Azevedo interinamente e, depois, por Nuno Fernandes de Ataíde.[3] Homem aguerrido e fogoso, pretendeu conquistar novas praças e levou a cabo constantes ataques contra os muçulmanos, ficando assim conhecido como O Nunca Está Quedo.[3] Com a ajuda do alcaide dos mouros, Nuno Fernandes de Ataíde criou em torno de Safim uma vasta área de "mouros de pazes", muçulmanos que aceitavam a soberania portuguesa e colaboravam com os portugueses.[3]
Em Safim, os portugueses construíram muralhas imponentes e dois castelos, entre outras estruturas e equipamentos.[1] Após alguns anos em que os portugueses obtiveram numerosos sucessos militares, nomeadamente liderados pelo capitão Nuno Fernandes de Ataíde, a emergência dos xarifes sádidas na região do Suz e a perda da fortaleza de Santa Cruz de Cabo de Gué e da fortaleza de Aguz revelaram as vulnerabilidades das já arcaicas muralhas de Safim, impreparadas para a guerra com armas de fogo e canhões. Para conter despesas e evitar riscos desnecessários, o rei D. João III optou por evacuar a praça.[1]
