Fortaleza de Coulão

A fortaleza de Coulão.

A Fortaleza de São Tomé de Coulão foi uma fortificação portuguesa construída na Costa do Malabar, no antigo Reino de Coulão, pelos portugueses.[1] Foi conquistada pela Companhia Holandesa das Índias Orientais em 1661.[2]

O Reino de Coulão era um importante porto por onde se escoava pimenta, gengibre e também vivia ali uma importante comunidade de Cristãos de São Tomé, com a qual os portugueses entraram em contacto.[2] Em 1503 Afonso de Albuquerque firmou um tratado de comércio com o rei de Coulão e em 1505 o rei D. Manuel ordenou a fortificação da feitoria para garantir a segurança dos portugueses frente aos ataques dos muçulmanos seus concorrentes.[2] A construção foi feita em 1519 e escolhida a praia de Tangasseri.[2] A fortaleza foi sitiada por tropas indianas ainda em 1519 mas, apesar de ser uma construção pequena a sua guarnição resistiu ao assédio durante meses.[2]

Ruínas da casa do capitão de Coulão.

A fortaleza foi aumentada e melhorada durante os sécs. XVI e XVII até a muralha ter um quilómetro de circuito com muitas casas.[2] Em 1606, o A 2 de Janeiro de 1606, D. Jorge de Melo, capitão de Coulão, fez uma arremetida com 1600 homens contra o exército do rei de Travancore, matou e feriu grande número de inimigos e recolheu-se à fortaleza com pouca perda.[3] A 10 de Dezembro de 1661 a fortaleza foi atacada por uma poderosa frota holandesa comandada por Rijckloff van Goens e conquistada. O núcleo manuelino original, o forte de São Tomé, foi aproveitado pelos holandeses.[2]

Da fortaleza original, hoje subsistem apenas alguns vestígios da casa do capitão mas a sua sobrevivência até à actualidade dever-se-á à argamassa de alta resistência à base em cal de ostra, resistente à água, desenvolvida pelos portugueses que, segundo Gaspar Correia, quando endurecia nem uma picareta a partia.[4]

Ver também

Referências

  1. JOAQUIM RODRIGUES DOS SANTOS: "FORTIFICAÇÕES PORTUGUESAS NA ÍNDIA E CEILÃO: PANORÂMICA GERAL" in defesa.gov.pt.
  2. a b c d e f g Sidh Losa Mendiratta; Vítor Luís Gaspar Rodrigues: "Forte de São Tomé" in hpip.org.
  3. David GONÇALVES DE AZEVEDO: Epithome Historico de Portugal, 1855, Maranhão, Typographya de J. C. M. Da Cunha Torres, pp. 309-310.
  4. Helder Carita: "Palácio do Governador" in hpip.org.