Campanha de Ceitavaca
| Campanha de Ceitavaca | |||
|---|---|---|---|
| Conflitos luso-cingaleses | |||
![]() A expansão do reino de Ceitavaca. | |||
| Data | 1593 | ||
| Local | Sri Lanka | ||
| Desfecho | Vitória Portuguesa | ||
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A campanha de Ceitavaca, deu-se em 1593 na ilha de Sri Lanka e envolveu a conquista do reino de Ceitavaca pelos portugueses e pelos seus aliados cingaleses.
História
Os portugueses alcançaram o Ceilão, actual Sri Lanka, em 1505 e firmaram uma aliança com o rei de Cota, que os autorizou a fundar a fortaleza de Colombo. Quando em 1521 o rei Vijayabahu foi assassinado pelos seus filhos, o reino foi dividido em três. O mais velho reteve o título de rei de Cota e reforçou a aliança com os portugueses, ao passo que os outros dois fundaram os reinos de Raigama e Ceitavaca. Raigama e quase todo o território do reino de Cota foram conquistados pelo rei Rajasinha, que sitiou Colombo entre 1588 e 1589 mas sem sucesso.
Na década de 1590 os portugueses começaram a conquista da ilha do Ceilão, seguindo ordens emanadas da Europa.[1] Em 1591, os portugueses executaram uma campanha contra o reino de Jafanapatão depois de ter o seu rei atacado a fortaleza de Manar e lograram colocar no trono o rei Ethirimanna Cinkam, favorável aos portugueses.[1]
A morte do rei Rajasinha em 1593, principal inimigo de Cota, deu azo a novas campanhas militares.[1] O seu neto e sucessor foi rapidamente assassinado num golpe palaciano e substituído por Nikapitiya Bendara mas quem detinha o real poder era o perumal ou primeiro-ministro, Aritta Kivendu, de origem indiana.[2] Tão poderoso se tornou o perumal que temeu uma conspiração contra a sua vida, pelo que deslocou-se com o exército para Manicavaré com o pretexto de conquistar a região de Alutkuruwa e entrou secretamente em contacto com o capitão-mor de Colombo, Pedro Homem Pereira.[2] O perumal enviou-lhe um prisioneiro português e propôs ao capitão que o ajudasse a conquistar o trono de Ceitavaca, cujo território ele dividiria com o rei de Cota.[2] A proposta agradou a Pedro Homem Pereira, que a aceitou e a partir de então o perumal assumiu o nome régio de Jayavira Bandara.[3] Declarada a revolta, os nobres cingaleses do seu exército desertaram pois não pretendiam apoiar um estrangeiro e quando um exército de Ceitavaca partiu para combatê-lo, fugiu para Colombo, onde chegou a 1 de Setembro acompanhado apenas com uma guarda de 200 guerreiros e 26 elefantes.[3][4]
Em Colombo, Jayavira Bendara prostrou-se diante do rei Dharmapala de Cota, aliado dos portugueses, declarou-se seu vassalo e demonstrou a sua determinação em cumprir o plano.[3]
A 15 de Setembro um destacamento de 400 portugueses e 1200 lascarins, entre os quais se contava Jayavira Bendara, partiu de Colombo e atacaram o forte de Kaduwala, defendido por Kuruppu Arachi de Koratota. Dois ataque foram rechaçados mas um dos oficiais da guarnição raptou a mulher de Kuruppu Arachi e desertou para o lado de Dharmapala, tendo Kuruppu Arachi entregue depois o forte.[5] Conquistada Kuduwala, as autoridades portuguesas em Goa enviaram 200 soldados de reforços para o Ceilão.[3]
Com a ajuda de Jayavira Bendara, os portugueses partiram de Colombo com um exército de 550 portugueses e 6000 lascarins fornecidos pelo rei de Cota, comandados por Pedro Homem Pereira.[6] Os fortes de Rakgaha Watta e Malvana foram então atacados por terra e pelo rio e o tiro dos navios portugueses obrigaram os seus defensores a abandoná-los.[5]
O exército de Nikapitiya Bendara concentrava-se em Gurubewila e contabilizava 6000 homens. Ao aproximarem-se os portugueses, os cingaleses de Ceitavaca atacaram-nos com ferocidade mas, ao fim de seis horas de combate, os portugueses contra-atacaram e conquistaram o forte de Gurubewila entre combates sangrentos.[6] Nikapityia Bendara foi derrotado e fugiu para as montanhas, ao passo que os portugueses avançaram a combater até à cidade de Ceitavaca, que ocuparam sem terem encontrado na cidade em si grande resistência.[6]

Um saque avaliado em 4,000,000 de xerafins foi capturado na cidade de Ceitavaca e, pouco depois, o rei Nikapityia foi também capturado em Denawaka por um destacamento de 150 portugueses acompanhados por Jayavira e os seus homens.[3] Depois desta acção regressaram a Ceitavaca em triunfo.[6] Jayavira ocupou então o distrito de Matara.[3] O reino de Ceitavaca rendeu-se pouco depois e Jayavira assumiu o trono.[6] Nikapityia foi enviado para Goa e, de lá, o vice-rei Matias de Albuquerque enviou-o para Portugal, tendo o rei convertido ao catolicismo, adoptado o nome de D. Filipe e estudado na Universidade de Coimbra.[7]
As vitoriosas campanhas contra Jafanapatão em 1591 e contra Ceitavaca em 1593 foram sucedidas pela campanha de Danture contra o reino de Cândia no ano seguinte, que redundou em fracasso.
Ver também
Referências
- ↑ a b c «Ceilão | Enciclopédia Virtual da Expansão Portuguesa». eve.fcsh.unl.pt. Consultado em 9 de outubro de 2025. Cópia arquivada em 8 de fevereiro de 2025
- ↑ a b c Paul E. Pieris. Ceylon and the Portuguese 1505-1658, American Ceylon Mission Press, 1920, p. 114.
- ↑ a b c d e f Pieris, 1920, p. 115.
- ↑ Pieris, 1992, p. 272.
- ↑ a b Pieris, 1992, p. 273.
- ↑ a b c d e Pieris, Paul E.: Ceylon: The Portuguese Era, Being the History of the Island for the Period 1505–1658, Volume I, The Ceylon Historical Journal Monograph Series Volume Six, Tisara Prakasakaya Publishers Ltd., 1992, pp. 273-274
- ↑ Pieris, 1992, pp. 275-276.
