Drowned World Tour
Drowned World Tour
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|---|---|---|---|---|
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| Turnê de Madonna | ||||
| Locais |
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| Álbuns associados | ||||
| Data de início | 9 de junho de 2001 | |||
| Data de fim | 15 de setembro de 2001 | |||
| Partes | 2 | |||
| N.º de apresentações | 47 | |||
| Receita | US$ 76,8 milhões | |||
| Cronologia de turnês de Madonna | ||||
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Drowned World Tour (ou Drowned World Tour 2001) foi a quinta turnê da cantora estadunidense Madonna, feita em suporte ao seu sétimo e oitavo álbuns de estúdio, Ray of Light (1998) e Music (2000), respectivamente. Após um hiato de oito anos desde a The Girlie Show (1993), Madonna planejava retornar aos palcos em 1999. No entanto, a excursão foi adiada para 2001 devido ao nascimento de seu segundo filho, fruto do casamento com o cineasta Guy Ritchie, bem como da gravação do álbum Music e das filmagens do filme The Next Best Thing. Quando a decisão de realizar a digressão foi finalmente tomada, o tempo disponível era limitado; em apenas três meses, foram realizadas audições para os dançarinos, deram-se início aos ensaios e a contratação de músicos e técnicos. Jamie King foi escolhido por Madonna como diretor criativo e coreógrafo. Jean-Paul Gaultier e os irmãos Dean e Dan Caten foram responsáveis pela criação de figurinos que refletiam diversas fases de sua trajetória. O cartaz e o logotipo incluíam elementos alusivos à Cabala, cujo estudo a artista havia iniciado recentemente.
Os espetáculos foram divididos em quatro segmentos temáticos: Rock 'n' Roll Punk Girl, Geisha Girl, Cyber Cowgirl e Spanish Girl/Ghetto Girl, cada um representando uma fase singular da carreira de Madonna. O repertório consistia majoritariamente em faixas de Ray of Light e Music, seus álbuns mais recentes à época. Apenas duas faixas da década de 1980 foram incluídas: "Holiday" (1983) e "La Isla Bonita" (1987). De forma geral, a Drowned World Tour obteve repercussão favorável entre jornalistas, que elogiaram a produção cênica e a consideraram um dos melhores espetáculos de Madonna. Contudo, a ausência de diversos dos maiores sucessos da artista foi um tema recorrente entre os críticos, gerando opiniões divergentes.
Com 47 apresentações esgotadas nos Estados Unidos e na Europa, a turnê consolidou-se como a mais lucrativa de 2001 entre artistas solo, e a quarta no geral, arrecadando 74 milhões de dólares, com cerca de 730 mil ingressos vendidos. Durante o mesmo ano, a Drowned World Tour foi indicada a duas categorias no Pollstar Awards, "Maior Turnê do Ano" e "Produção Mais Criativa de Cenário". O concerto realizado no dia 26 de agosto, no The Palace of Auburn Hills em Auburn Hills (Michigan), foi gravado e transmitido ao vivo pelo canal a cabo HBO. Seguidamente, a apresentação foi comercializada em DVD e VHS sob o título de Drowned World Tour 2001.
Antecedentes
Após lançar seu sétimo álbum de estúdio, Ray of Light (1998), Madonna havia planejado realizar uma turnê em 1999, logo após as filmagens de The Next Best Thing. Entretanto, o foco na maternidade e os compromissos cinematográficos fizeram com que esses planos fossem adiados.[1][2] Em 2000, durante seu relacionamento com o cineasta britânico Guy Ritchie, a cantora deu à luz a Rocco Ritchie e lançou seu oitavo disco, Music.[2][3] Em novembro daquele ano, afirmou: "Já tenho planos para uma grande turnê. Sinto que está na hora certa".[4] Em abril de 2001, foram divulgados oficialmente os planos para a turnê mundial.[5] A Drowned World marcou o retorno de Madonna aos palcos após oito anos e teve duração de três meses.[6]
A cantora esteve diretamente envolvida na supervisão das audições dos dançarinos em Nova Iorque, junto com o coreógrafo Jamie King e o dançarino Christian Vincent.[6][7] Nomeado diretor criativo e coreógrafo da turnê, King afirmou mais tarde que a experiência foi tão desgastante que chegou a adoecer fisicamente.[8] Em 2000, Madonna começou a aprender violão com Monte Pittman e, durante os espetáculos, executou várias músicas usando tanto o violão acústico quanto o elétrico.[7][9] Pittman também acompanhava-a no palco. Também integravam a banda as vocalistas de apoio Niki Haris e Donna De Lory, além do produtor francês Stuart Price, que se apresentava como Jacques Lu Cont e tocava baixo e teclado.[7][10] Os ensaios ocorriam cinco dias por semana, durante treze horas diárias. "Não faz sentido fazer um espetáculo se você não entregar algo que surpreenda o público", explicou Madonna, frisando que o ao vivo, em sua visão, é "uma mistura de teatro, drama, surpresas e mistério".[11]
A Drowned World Tour teve início em 9 de junho de 2001, no Palau Sant Jordi, Barcelona, e foi finalizada em setembro, no Staples Center, Los Angeles.[9][12] Inicialmente, a turnê teria início com duas apresentações em Colônia, mas falhas técnicas levaram ao cancelamento e ao reembolso de 35 mil ingressos.[13][14] Por motivos de saúde, um concerto em Nova Jérsei precisou ser cancelado, diminuindo o total de apresentações de cinquenta para quarenta e sete.[15][16]
Desenvolvimento

O título da turnê foi inspirado no romance The Drowned World (1962) de J. G. Ballard.[17][18] Liz Rosenberg, publicitária de Madonna, afirmou que seria seu "maior espetáculo até o momento".[19] Como patrocinadora oficial, a America Online garantiu aos seus assinantes acesso antecipado aos ingressos das apresentações nos EUA, antes de sua liberação para o público em geral.[20] Os concertos foram divididos em quatro segmentos temáticos: Rock 'n' Roll Punk Girl, Geisha Girl, Cyber Cowgirl e Spanish Girl/Ghetto Girl, cada um representando uma fase singular da carreira de Madonna.[21][19][22] O repertório consistia majoritariamente em faixas de Ray of Light e Music, seus álbuns mais recentes à época. Apenas duas faixas da década de 1980 foram incluídas: "Holiday" (1983) e "La Isla Bonita" (1987).[23][24][25] Para Madonna, os espetáculos representavam "uma apresentação teatral da minha música", inspirados em uma ampla gama de gêneros e temas, que incluíam artes marciais, flamenco, country, punk, rock and roll, dance music e até mesmo o circo.[9][24] Segundo Mark Spring, gerente de produção, em entrevista ao The Independent, trabalhar na excursão foi "a coisa mais complicada que já fiz". Acrescentando: "A aura que envolve Madonna é fundamental e demanda um nível elevado de profissionalismo. Não se trata de falta de dedicação da equipe, mas sim do padrão de perfeição que ela impõe – seu espetáculo é perfeito, sem erros. [...] Com a intenção de entregar uma experiência imersiva, além de uma mera apresentação, Madonna redefiniu os rumos das turnês de rock e pop".[26]
Com alto nível técnico e ritmo intenso, o espetáculo se destaca pela notável variedade de canções. [...] Vai do heavy metal ao techno dance, com incursões pelo country e western; há até uma festa flamenca, onde todos se reúnem, batem os pés e tocam violão e flauta irlandesa. Depois, retorna com "Holiday", um número clássico de dança, que leva você a acompanhar cada movimento. Madonna canta tudo ao vivo. Sua dedicação é intensa, e espera que todos ao seu redor correspondam com igual empenho, se não mais. Isso é algo que admiro.
– Dave Kob, engenheiro de som, sobre a turnê.[27]
O transporte das mais de 100 toneladas de equipamentos exigiu 300 veículos e dois Boeing 747, que fizeram o trajeto entre Los Angeles e a Europa no início e no fim da turnê.[7][9] Com dimensões equivalentes a três quadras de tênis e estrutura móvel, o palco integrava uma complexa estrutura elétrica composta por treliças, sistemas hidráulicos, cabeamento e sistemas de controle sincronizados com os movimentos cênicos por meios eletrônicos ou mecânicos.[26] Quatro telões gigantes compunham a estrutura visual do palco, junto com um touro mecânico e equipamentos para as apresentações aéreas. A montagem da cenografia foi realizada em partes por três empresas, com o suporte de uma equipe estável de cerca de 100 especialistas em iluminação, som, carpintaria, figurino, maquiagem e dança.[26] Quatro engenheiros ficaram responsáveis pela mixagem dos alto-falantes de retorno, sendo dois deles dedicados exclusivamente aos de Madonna. Blake Suib, um dos técnicos, destacou que a cantora era perfeccionista e sabia identificar rapidamente quando o som estava correto ou não durante os ensaios. Blake Suib, um dos técnicos, destacou o perfeccionismo da cantora e sua capacidade de identificar rapidamente quando o som estava adequado ou não durante os ensaios.[28] Por sugestão do diretor musical Patrick Leonard, foi testada a utilização de uma frequência de 14 kHz nos alto-falantes ao vivo, algo incomum para a época. Além disso, optaram por amplificadores isolados para a gravação do som de cada instrumento. Suib comentou que "o processo criativo de desenvolver novas ideias, implementá-las e avaliar minuciosamente seus resultados demanda tempo, mas é extremamente gratificante".[28]
O conceito dos trajes, criado por Jean-Paul Gaultier, consistiu em uma fusão entre a moda punk e a escocesa.[29][30] Além de apresentar criações com temas de caubói, gueixa e espanhol.[24] Os irmãos Dean e Dan Caten, da DSquared2, também contribuíram com suas criações. Entre as peças criadas, destacavam-se uma camisa rasgada e calças pretas com zíper, remetendo ao começo da carreira da cantora, além de jeans de couro e trajes com influência da moda urbana contemporânea, refletindo a fase atual de sua carreira.[19] A composição visual com peruca preta e maquiagem branca remetia ao imaginário de gueixa já explorado por Madonna no videoclipe de "Nothing Really Matters" (1999). O figurino, por sua vez, fundia elementos estilísticos de "La Isla Bonita" e do filme Evita (1996).[19] Responsável pela supervisão do guarda-roupa da turnê, Arianne Phillips, que havia trabalhado com Madonna em diversos vídeos musicais, desenhou algumas peças e colaborou com Gaultier na concepção de outras.[31] Para cada segmento, foram confeccionadas três réplicas exatas das vestimentas usadas pela cantora, além de duas cópias destinadas aos dançarinos.[7] Com a intenção de criar uma identidade visual impactante para a turnê, o Chase Design Group foi responsável pela elaboração do cartaz promocional e do logotipo, desenvolvendo um ícone exclusivo e uma tipografia que transmitissem as "qualidades únicas e etéreas" do espetáculo. Segundo Margo Chase, fundadora do grupo, trata-se de "uma jornada espiritual e musical de diversas camadas por vários mundos".[32] Também foi afirmado que, como "Madonna é uma estudante da Cabala, houve o pedido para incluir referências a esse corpo de conhecimento". O resultado trouxe letras em árabe e hebraico, simbolizando a conexão mística entre religiões e uma jornada intelectual e física. Chase elaborou múltiplos conceitos, dos quais o escolhido por Madonna foi incorporado ao cartaz. Referindo-se a essa criação, Chase disse: "É meu favorito, já que remete a detalhes mais específicos do concerto e me possibilitou criar novas formas para as letras".[32]
Sinopse do concerto


Dividido em quatro segmentos distintos: Rock 'n' Roll Punk Girl, Geisha Girl, Cyber Cowgirl e Spanish Girl/Ghetto Girl, o espetáculo tem início com uma apresentação "dramática" de "Drowned World/Substitute for Love", Madonna emerge em meio a efeitos de gelo seco e executa a canção sobre uma plataforma que se projeta acima do palco.[18][33] A cantora surge com cabelos loiros alisados, trajando uma blusa preta sem mangas, sobreposta a uma vestimenta de corte cruzado com detalhe em manga de rede, jeans com zíper, colares de estética bondage e um kilt xadrez.[11][23][34] Após uma apresentação enérgica de "Impressive Instant", caracterizada pela estética cyberpunk e pela presença de dançarinos com máscaras de gás,[18] a artista toca guitarra elétrica em "Candy Perfume Girl" e, em seguida, dá lugar a "Beautiful Stranger". As projeções de fundo apresentam trechos do filme Austin Powers: The Spy Who Shagged Me (1999) intercalados a círculos fluorescentes e psicodélicos.[33][35] O segmento termina com "Ray of Light", em que a intérprete dança de forma enérgica por todo o palco.[11]
O vídeo interlúdio de "Paradise (Not For Me)" abre o segundo ato, intitulado Geisha Girl, com um grupo de dançarinos semi-nus suspensos de cabeça para baixo no teto.[34] Ao término do vídeo, Madonna emerge com uma peruca de cor preta e trajando um quimono pintado à mão, com mangas de 16 metros de comprimento, sendo 8 metros de cada lado, para interpretar "Frozen".[11][17][18] Uma breve introdução de "Open Your Heart" (1987) antecede "Nobody's Perfect", em que a intérprete executa simbolicamente um ato de auto-sacrifício.[18] O medley de "Mer Girl" e "Sky Fits Heaven" é executado em seguida, caracterizado por uma batalha de artes marciais entre a artista e os dançarinos, retratados como ninjas e samurais. Em determinado momento da apresentação, a cantora, suspensa por cabos, movimenta-se pelo palco.[25][34][36] O segmento tem como referência o filme chinês Wò hǔ cáng lóng (2000).[17][37] No desfecho da batalha, os telões exibem Madonna ferida, ao mesmo tempo em que, no palco, a intérprete surge armada com uma espingarda e dispara contra um dançarino.[11][18] A sequência é sucedida por uma remixagem de "What It Feels Like for a Girl", com projeções da animação japonesa Perfect Blue (1997).[18][38]


Durante o terceiro bloco, Cyber Cowgirl, a cantora interpreta "I Deserve It" caracterizada como uma cowgirl, utilizando um colete ornamentado com estrelas e listras. A apresentação é dedicada ao seu então marido, Guy Ritchie.[11][34][35] Segue-se uma coreografia com os dançarinos caracterizados como caubóis para "Don't Tell Me", na qual Madonna utiliza uma cauda de guaxinim.[39] Durante "Human Nature", a artista executa movimentos sensuais sobre um touro mecânico,[25][11] interage com o público por meio de sotaque sulista e apresenta a faixa "The Funny Song", abordando violência doméstica e canibalismo.[21][40] Em "Secret", os telões apresentam cenas de batismos à beira do rio, cerimônias de dervixes sufistas e orações budistas.[17][40] A seção é encerrada com "Gone", embora em algumas cidades dos Estados Unidos seja substituída por "You'll See".[35][37][41]
O quarto e último segmento, Spanish Girl/Ghetto Girl, inicia-se com um interlúdio de dança de "Don't Cry for Me Argentina", com várias velas acesas ao longo do palco.[34][40] Madonna retorna vestindo calças pretas e um vestido decotado da mesma cor, interpretando "Lo Que Siente La Mujer", versão em espanhol de "What It Feels Like for a Girl", sobre um pódio giratório revestido de couro.[11][41] A apresentação prossegue com uma interpretação acústica de "La Isla Bonita", com traje inspirado no videoclipe,[23] junto a percussionistas e um baile de flamenco.[35][41] Ao final, a artista aparece com uma camiseta com as palavras "Mother" e "F*cker" estampadas na frente e nas costas, casaco de pele e chapéu fedora de cor de vinho, interpretando uma mescla-musical de "Music Sounds Better with You" (1998), do grupo francês Stardust, e "Holiday".[18][21][35][41] O encerramento do espetáculo ocorre com "Music", acompanhada da exibição de diferentes videoclipes de Madonna nos telões; a canção inclui elementos de "Trans-Europe Express" (1977), de Kraftwerk.[21][23][35]
Análise da crítica

De modo geral, a Drowned World Tour foi bem recebida pela crítica, que destacou a forte presença de palco de Madonna e o caráter teatral da produção. Rafael Estefanía, da BBC Mundo, descreveu a noite de abertura em Barcelona como "um dos melhores concertos em muito tempo", destacando que a presença de Madonna no palco continuava "tão marcante quanto sempre foi". Já o jornal El País classificou a apresentação como "espetacular" e "chocante".[36][42] As acrobacias aéreas de Madonna foram um dos pontos destacados pela ABC News, enquanto Simon O'Hagan, do The Independent, escreveu que sua vontade de criar um espetáculo impecável "expandiu as possibilidades criativas dentro do universo do rock e pop", e definiu a turnê como a mais ousada de sua trajetória até então.[24][26] Publicações como Clarín, Variety e NME enalteceram sua notável dedicação artística e ressaltaram que raros são os artistas que permanecem tão influentes por tanto tempo no cenário pop.[43][39][33]
A sofisticação técnica do espetáculo foi um dos pontos mais elogiados pela crítica. Veículos como El País, musicOMH e The Independent se mostraram impressionados com o palco dinâmico, os visuais de tirar o fôlego e a iluminação de altíssimo nível.[42][35][34] A MTV ressaltou como o figurino e a teatralidade contribuíram para enriquecer a experiência do público, ao passo que a Slant Magazine descreveu a apresentação como "tecnicamente impecável", refletindo o perfeccionismo de Madonna.[23][18] Por outro lado, alguns resenhistas, como Rafael Estefanía e a Entertainment Weekly, apontaram que, em certos momentos, o uso excessivo da tecnologia desviava a atenção das canções.[36][17] Também foi destacada a intensa energia e criatividade de Madonna. Críticos da NME, Variety e The Guardian apontaram sua capacidade inovadora e sua visão futurista, enquanto Alex Petridis concluiu que a produção "condiz com a mulher mais famosa do mundo".[33][39][44]
O jornal argentino La Nación apontou a ausência de espontaneidade e de interação com o público, classificando o espetáculo como excessivamente "engessado" em sua execução. Ao The New York Times, Jon Pareles elogiou o desempenho vocal de Madonna, mas criticou a "arrogância" e a frieza da artista, afirmando que a atitude demonstrava indiferença ou até desprezo pelo público.[45][40] Para a Spin, o espetáculo carecia de uma narrativa clara, e a New York Magazine destacou a frieza e a ausência de emoção em momentos como "Nobody's Perfect" e "I Deserve It".[46][21] Segundo Ethan Brown, Madonna deixava a desejar em presença de palco, parecendo mais retraída do que marcante.[21] Rafael Esparza, do Los Angeles Times, foi o mais crítico ao analisar o concerto, comparando-o de forma desfavorável com a turnê All for You Tour, de Janet Jackson. Satirizou o que descreveu como uma sucessão de equívocos estéticos: "da coreografia que, em certos momentos, beirava o cômico e aos elementos country sem contexto". Apontou ainda a falta de interação com o público e os figurinos, que considerou esteticamente duvidoso.[47]

A ausência de muitos dos sucessos de Madonna dos anos 1980 foi amplamente mencionada pelos críticos. Christopher Rosa, da VH1, classificou a carência de sucessos consagrados como uma decepção, acrescentando que Madonna se mostrava "mais fria do que nunca".[48] Ao The Guardian, Caroline Sullivan, criticou a ausência de clássicos do repertório, em suas palavras, "nenhuma pessoa sensata preferiria ouvir 'Candy Perfume Girl' em vez de 'Like a Virgin'".[49] David Nielsen observou, em artigo para o San Angelo Standard-Times, que a ausência de faixas icônicas após um hiato prolongado carecia de lógica.[50] Por outro lado, alguns críticos interpretaram a escolha de forma favorável. Para Sal Cinquemani, da Slant Magazine, a decisão de explorar músicas fora do repertório habitual conferiu maior ousadia ao espetáculo. Já Alex Petridis enfatizou a ousadia da decisão, descrevendo-a como uma ação única entre artistas de grande porte; "tente imaginar o The Rolling Stones apresentando apenas canções de seus dois últimos álbuns e tente não se emocionar".[18][44] Segundo Joel Selvin, do San Francisco Chronicle, o set list por si só não influenciava significativamente o impacto do espetáculo.[51]
Em 2001, a Drowned World foi nomeada a duas categorias no Pollstar Awards, Turnê do Ano e Produção Mais Criativa de Cenário, mas as honrarias foram atribuídas à excursão Elevation Tour, do U2.[52] Em seu artigo para a Billboard, Sal Cinquemani considerou-a a quinta melhor turnê de Madonna, enfatizando o uso de recursos multimídia inovadores e a ambição criativa do espetáculo. Destacou ainda que a escolha de incluir poucas faixas consagradas refletiu o interesse da cantora pelo presente e pelo futuro de seu catálogo musical.[53]
Recepção comercial
A turnê se restringiu a cidades norte-americanas e europeias, marcando a única vez em que Madonna não se apresentou no Canadá.[16] Antes do anúncio oficial, Arthur Fogel, executivo da Live Nation, tentou agendar apresentações no Air Canada Centre, em Toronto, entre os concertos de Sunrise, Atlanta e Detroit. No entanto, diante da indisponibilidade do local, nenhuma apresentação foi agendada na cidade.[16][54] Inicialmente, foi confirmada apenas uma apresentação no Earls Court Exhibition Centre, em Londres. Contudo, diante da alta demanda e da venda total dos ingressos em apenas quinze minutos, os organizadores adicionaram cinco novas datas, cujas entradas também se esgotaram em menos de seis horas.[55][12] A venda de 97 mil ingressos garantiu a Madonna um lugar entre os artistas com os concertos mais bem-sucedidos da história.[56][57] Além disso, nos dez primeiros minutos, o site oficial de Madonna registrou cerca de um milhão de acessos e mais de mil pessoas acamparam nas imediações do local. Enquanto as centrais telefônicas, operadas por 265 atendentes, registraram 30 milhões de tentativas de chamada.[58]
Em Los Angeles, os ingressos esgotaram-se em apenas dezessete minutos.[59] Nas demais cidades norte-americanas, cerca de 100 mil ingressos foram comercializados em poucas horas, com todas as apresentações da Drowned World Tour esgotando-se em minutos.[55][16] Após sua conclusão, a Drowned World Tour tornou-se a turnê de maior bilheteria de 2001 entre artistas solo, e a quarta no geral, atrás apenas de U2, NSYNC e Backstreet Boys. Com 47 concertos realizados na Europa e nos Estados Unidos, e mais de 730 mil entradas comercializadas, o total arrecadado alcançou 74 milhões de dólares, com média de 1,6 milhão por apresentação.[60][61]
Gravação e transmissão

Em 26 de agosto de 2001, a HBO transmitiu ao vivo o concerto realizado no The Palace of Auburn Hills, em Auburn Hills, Michigan, com a presença de 17 mil espectadores.[62][63] Intitulado Madonna Live: The Drowned World Tour, o evento foi anunciado por Nancy Geller, vice-presidente da HBO Original Programming, que afirmou: "Estamos extremamente felizes em ter Madonna de volta, não temos dúvidas de que será um espetáculo inesquecível. Com a perfeita junção de seu notável talento e estilo ousado, elementos que a tornaram uma referência única no cenário artístico". Com produção de Marty Callner e direção de Hamish Hamilton, este concerto foi o primeiro transmitido pela cantora desde 1993, ano em que Madonna Live Down Under: The Girlie Show, gravado em Sydney, Austrália, tornou-se o programa original mais assistido do ano pela HBO.[64][62] Na estreia, alcançou 5,7 milhões de espectadores, figurando como o terceiro especial musical mais assistido no horário nobre da emissora desde 1997.[55][65] Em 2002, foi agraciado com o troféu de "Melhor Concerto Televisivo" pelo AOL TV Viewer Awards, além de receber duas nomeações na 54.ª edição dos Prêmios Emmy do Primetime, nas categorias de Melhor Coreografia e Melhor Figurino em um Musical ou Programa de Variedades.[66][67]
Em 13 de novembro de 2001, o DVD e VHS de Drowned World Tour 2001 chegaram ao mercado mundial simultaneamente ao lançamento de GHV2, a segunda coletânea de grandes êxitos da artista.[68] A filmagem do concerto foi realizada com o uso de quatorze câmeras em alta definição. Com proporção de imagem 1.33:1, o DVD foi registrado em um lado e duas camadas, o que impossibilitou sua adaptação ao formato de telas widescreen (16:9). O conteúdo apresenta três opções de áudio: DTS, Dolby Digital 5.1 e Dolby Digital Stereo 2.0. Como extra, traz uma galeria de fotos com 82 imagens de Madonna ao longo de sua trajetória artística.[37] Rosie O'Donnell, comediante e amiga íntima de Madonna, foi responsável pelas fotografias presentes tanto na capa quanto na galeria do produto.[69][70] Alcançando o topo da Music Video Sales, tabela musical copilada pela Billboard, o álbum foi certificado com disco de platina pela Recording Industry Association of America (RIAA), após registrar vendas superiores a 100 mil cópias nos Estados Unidos.[71][72]
Repertório
Lista de canções presentes no repertório de acordo com várias fontes.[73][74][21]
Bloco I: Rock 'n' Roll Punk Girl
- "Drowned World/Substitute for Love" (contém elementos de "Don't Tell Me", "Frozen", "Music", "Human Nature", "Ray of Light" e "Impressive Instant")
- "Impressive Instant"
- "Candy Perfume Girl"
- "Beautiful Stranger" (contém elementos de "Soul Bossa Nova (Dim's Space-A-Nova)")
- "Ray of Light" (finaliza com uma repetição de "Drowned World/Substitute For Love")
Bloco II: Geisha Girl
- "Paradise (Not for Me)" (interlúdio visual)
- "Frozen"
- "Nobody's Perfect" (ao som de "Open Your Heart")
- "Mer Girl" (1ª parte)
- "Sky Fits Heaven"
- "Mer Girl" (2ª parte)
- "What It Feels Like for a Girl" (remixagem; interlúdio visual)
Bloco III: Cyber Cowgirl
- "I Deserve It"
- "Don't Tell Me"
- "Human Nature"
- "The Funny Song"
- "Secret"
- "Gone"
Bloco IV: Spanish Girl/Ghetto Girl
- "Don't Cry for Me Argentina" (instrumental; interlúdio de dança)
- "Lo Que Siente La Mujer" (versão em espanhol de "What It Feels Like for a Girl")
- "La Isla Bonita"
- "Holiday" (contém elementos de "Fate" e "Music Sounds Better with You")
- "Music" (contém elementos de "Trans-Europe Express")
- Notas
- "You'll See" (1995) foi executada em substituição a "Gone" em alguns concertos nos Estados Unidos.[37]
- Em decorrência dos ataques de 11 de setembro, "The Funny Song" deixou de ser apresentada nos concertos.[75]
Datas
| Data (2001) |
Cidade | País | Local | Público | Receita |
|---|---|---|---|---|---|
| 9 de junho | Barcelona | Espanha | Palau Sant Jordi | 36,136 / 36,136 | US$ 2,039,112 |
| 10 de junho | |||||
| 13 de junho | Milão | Itália | FilaForum | 36,100 / 36,100 | US$ 3,926,815 |
| 14 de junho | |||||
| 15 de junho | |||||
| 19 de junho | Berlim | Alemanha | Max-Schmeling-Halle | 43,455 / 43,455 | US$ 2,864,786 |
| 20 de junho | |||||
| 22 de junho | |||||
| 23 de junho | |||||
| 26 de junho | Paris | França | Palais Omnisports de Paris-Bercy | 68,000 / 68,000 | US$ 4,443,155 |
| 27 de junho | |||||
| 29 de junho | |||||
| 30 de junho | |||||
| 4 de julho | Londres | Inglaterra | Earls Court Exhibition Centre | 107,415 / 107,415 | US$ 8,734,149 |
| 6 de julho | |||||
| 7 de julho | |||||
| 9 de julho | |||||
| 10 de julho | |||||
| 12 de julho |
| Data (2001) |
Cidade | País | Local | Público | Receita |
|---|---|---|---|---|---|
| 21 de julho | Filadélfia | Estados Unidos | First Union Center | 31,128 / 31,128 | US$ 3,382,485 |
| 22 de julho | |||||
| 25 de julho | Nova Iorque | Madison Square Garden | 79,401 / 79,401 | US$ 9,297,105 | |
| 26 de julho | |||||
| 28 de julho | |||||
| 30 de julho | |||||
| 31 de julho | |||||
| 2 de agosto | East Rutherford | Continental Airlines Arena | 16,457 / 16,457 | US$ 1,842,155 | |
| 7 de agosto[a] | Boston | FleetCenter | 29,886 / 29,886 | US$ 3,503,520 | |
| 8 de agosto | |||||
| 10 de agosto | Washington, D.C. | MCI Center | 32,061 / 32,061 | US$ 3,472,148 | |
| 11 de agosto | |||||
| 14 de agosto | Sunrise | National Car Rental Center | 31,572 / 31,572 | US$ 3,603,573 | |
| 15 de agosto | |||||
| 19 de agosto | Atlanta | Philips Arena | 29,617 / 29,617 | US$ 3,553,444 | |
| 20 de agosto | |||||
| 25 de agosto | Auburn Hills | The Palace of Auburn Hills | 35,407 / 35,407 | US$ 4,127,533 | |
| 26 de agosto | |||||
| 28 de agosto | Chicago | United Center | 33,725 / 33,725 | US$ 3,743,830 | |
| 29 de agosto | |||||
| 1 de setembro | Las Vegas | MGM Grand Garden Arena | 29,587 / 29,587 | US$ 6,503,950 | |
| 2 de setembro | |||||
| 5 de setembro | Oakland | The Arena in Oakland | 31,195 / 31,195 | US$ 3,351,320 | |
| 6 de setembro | |||||
| 9 de setembro | Los Angeles | Staples Center | 61,464 / 61,464 | US$ 8,303,165 | |
| 13 de setembro | |||||
| 14 de setembro | |||||
| 15 de setembro[b] | |||||
| Total | 731,606 / 731,606 (100%) |
US$ 76,792,245 | |||
Cancelamentos
| Data (2006) |
Cidade | País | Local | Motivo |
|---|---|---|---|---|
| 5 de junho | Colônia | Alemanha | Kölnarena | Problemas técnicos |
| 6 de junho | ||||
| 3 de agosto | East Rutherford | Estados Unidos | Continental Airlines Arena | Recomendações médicas |
Créditos
O processo de elaboração da turnê atribuem os seguintes créditos pessoais:[80]
- Banda
- Madonna – idealização, vocais, violão
- Niki Haris – vocais de apoio
- Donna De Lory – vocais de apoio
- Stuart Price – direção musical, teclados, guitarra
- Michael McKnight – programação, teclados
- Marcus Brown – teclados
- Monte Pittman – guitarra
- Ron Powell – percussão
- Steve Sidelnyk – bateria
- Dançarinos
- Christian Vincent – dançarino líder
- Ruthy Inchaustegui – dançarina
- Nito Larioza – dançarino
- Tamara Levinson – dançarino
- Marlyn Ortiz – dançarina
- Anthony Jay Rodriguez – dançarino
- Jamal Story – dançarino
- Kemba Shannon – dançarina
- Eko Supriyanto – dançarino
- Jull Weber – dançarino
- Addie Yungmee – dançarina
- Coreógrafos
- Jamie King – coreógrafo
- Alex Magno – coreógrafo
- Kelly Parker – coreógrafa (assist.)
- Debra Brown – coreógrafa de acrobacias aéreas
- Leslie DeWhurst – coreógrafa de acrobacias aéreas (assist.)
- Stefanie Roos – coreógrafa adjunta
- Taimak Guerreillo – coordenador de artes marciais
- Ho Sung Pak – coordenador de artes marciais (assist.)
- Figurinos
- Jean Paul Gaultier – estilista
- Arianne Phillips – estilista
- Dean and Dan Caten – estilista
- Equipe
- Hamish Hamilton – diretor de transmissão
- Jamie King – diretor de produção cênica
- Joyce Fleming – consultor criativo-técnico
- Tif'nie Olson – assistente de direção
- William Orbit – engenheiro
- Mirwais Ahmadzaï – engenheiro
- Pat McCarthy – engenheiro
- Mark "Spike" Stent – engenheiro
- Caresse Henry – agenciamento artístico
- Shari Goldschmidt – gerenciamento empresarial
- Richard Feldstein – gerenciamento empresarial
- LeeAnn Hard – gerenciamento empresarial
- Liz Rosenberg – publicitária
- Chris Littleton – supervisão
- Arianne Phillips – figurinista
- Luigi Murenu – figurinista
- Rita Marmo – figurinista
- Klexius Kolby – maquiadora
- Julie Harris – maquiadora
- Joseph kale – direção de arte
- Peter Morse – direção de iluminação
- Jake Davies – direção de som
- Carol Dodds – direção de vídeo
- Edwin Stern – instrutor de ioga
- Kevin Reagan – direção de arte do livro da turnê
- Rosie O'Donnell – foto da capa
Notas
- ↑ O concerto em Boston, marcado para 7 de agosto, havia sido inicialmente agendado para o dia anterior, mas foi adiado.[78]
- ↑ O concerto de 15 de setembro em Los Angeles estava originalmente programado para acontecer em 11 de setembro, mas foi adiado devido aos ataques terroristas.[79]
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Ligações externas
- «Sobre a turnê no site oficial de Madonna» (em inglês)
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