Maria Pia de Saboia

 Nota: Se procura a pretendente ao trono de Portugal, veja Maria Pia de Saxe-Coburgo e Bragança.
Maria Pia
D. Maria Pia em 1903
Rainha Consorte de Portugal e Algarves
Reinado6 de outubro de 1862
a 19 de outubro de 1889
PredecessoraEstefânia de Hohenzollern-Sigmaringen
SucessoraAmélia de Orléans
Dados pessoais
Nascimento16 de outubro de 1847
Palácio Real de Turim, Turim, Sardenha
Morte5 de julho de 1911 (63 anos)
Palácio de Caça de Stupinigi, Nichelino, Itália
Sepultado emBasílica de Superga, Turim, Itália
Nome completo
em italiano: Maria Pia di Savoia
MaridoLuís I de Portugal
Descendência
Carlos I de Portugal
Afonso, Duque do Porto
CasaSaboia (por nascimento)
Bragança (por casamento)
PaiVítor Emanuel II da Itália
MãeAdelaide da Áustria
ReligiãoCatolicismo
AssinaturaAssinatura de Maria Pia
Brasão

Maria Pia de Saboia (em italiano: Maria Pia di Savoia; Turim, 16 de outubro de 1847Nichelino, 5 de julho de 1911), também conhecida como Dona Maria Pia, foi a esposa do Rei D. Luís I e Rainha Consorte de Portugal e Algarves de 1862 até 1889. Ela foi a terceira rainha consorte portuguesa pertencente à Casa de Saboia, depois de Mafalda e Maria Francisca de Saboia-Némours.

Nascida uma princesa italiana, filha de Vítor Emanuel II, rei da Sardenha-Piemonte, e, posteriormente, o primeiro rei da Itália unificada. Casou-se com o rei D. Luís I de Portugal quando tinha apenas quinze anos. Como rainha, D. Maria Pia destacou-se pela sua compaixão e dedicação a causas sociais, o que lhe valeu os epítetos de "Anjo da Caridade" e "Mãe dos Pobres". Por outro lado, tinha fama de perdulária. Sua predileção pelo luxo e por roupas caras, durante um período de grave depressão econômica, foi alvo de críticas, às quais respondeu com a expressão: "Quem quer rainhas, paga-as!"

Após a morte do marido, em 1889, atuou como regente por duas vezes durante a ausência do novo rei, seu filho D. Carlos I, cujo assassinato em 1908 a afetou profundamente. Após a abolição da monarquia em 1910, exilou-se na Itália, onde morreu em 1911, aos 63 anos.

Família e infância

Os filhos do rei Vítor Emanuel II. Da esquerda para a direita: Maria Pia, Otão, Humberto e Amadeu.

A princesa Maria Pia nasceu em Turim, a 16 de outubro de 1847, pelas seis horas da manhã, pertencente à Casa de Saboia.[1] Nesse mesmo dia, pelas 17h30, recebeu solenemente o sacramento do batismo, tendo como padrinho o Papa Pio IX.[1] A cerimónia foi descrita pelo mestre de cerimónias como "brillantissima" em todos os seus aspetos.[2] Maria Pia era neta de Carlos Alberto de Saboia, rei da Sardenha-Piemonte, e filha do príncipe herdeiro Vítor Manuel e de sua esposa, Maria Adelaide de Habsburgo, nascida arquiduquesa austríaca.[1]

Na altura do nascimento de Maria Pia, o Reino da Sardenha compreendia a ilha homónima, o Piemonte, onde se situava a capital do reino, Turim, a antiga República de Génova, bem como o Condado de Nice e o Ducado de Saboia, territórios que atualmente integram a França.[2] Quando Maria Pia nasceu, os seus pais eram casados desde 1842 e tinham já quatro filhos: Clotilde (nascida em 1843), Humberto (nascido em 1844), Amadeu (nascido em 1845) e Otão (nascido em 1846).[3] Após o nascimento de Maria Pia, Maria Adelaide deu à luz mais três filhos do sexo masculino, que não sobreviveram, numa sucessão de partos excessivamente próximos.[3] Maria Pia tinha, assim, 17 meses de idade quando os seus pais ascenderam ao trono, em 24 de março de 1849.[3]

Maria Pia com sua mãe, a rainha Maria Adelaide.

Maria Pia cresceu a falar três línguas: o francês, utilizado pelos cortesãos; o piemontês, falado pelo povo, pelos criados e frequentemente por Vítor Manuel; e o italiano, idioma que os Saboias eram obrigados a dominar, agora que o Piemonte ambicionava unificar a Península Itálica.[4] Era nesta língua que o pai e os filhos se correspondiam, enquanto com a mãe falariam em francês, idioma que Maria Adelaide e Vítor Manuel utilizavam entre si.[4] Após a morte da mãe, a educação da princesa passou a ser supervisionada por uma antiga dama da rainha, a marquesa Paulina Pallavicini, e pela condessa Natalia de Foresta.[4] No entanto, Maria Pia cresceu sob os cuidados directos da condessa de Villamarina, auxiliada por Daria Salasco e Camila de Foras.[4] À excepção de Otão, que possuía uma deficiência física, os filhos de Vítor Manuel receberam uma educação rígida e muito severa: Clotilde e Maria Pia permaneceram quase reclusas no Palácio Real de Turim, enquanto Humberto e Amadeu se formavam em Moncalieri, em ambiente militar.[4] O pai dedicava-lhes pouco ou nenhum tempo, pelo que o afecto que Maria Pia recebeu provinha dos irmãos, da sua aia, condessa de Villamarina, e da professora de pintura, Virgínia Panizzardi.[4] Maria Pia conservou para sempre alguns bilhetes de infância enviados por Amadeu. Um, datado de 1855, no qual a chama Sorellina; outro, de janeiro de 1858, em que a trata por Mi cara Marghi e, de forma brincalhona, lhe recomenda "come e dorme bem mas não rebentes".[4]

Em fevereiro de 1861, após anos de guerras, Vítor Manuel convocou o primeiro parlamento do Reino da Itália e, em março, tornou-se o seu primeiro rei da Itália unificada, com o título de Vítor Manuel II, enfatizando a continuidade da dinastia.[5] Para a unificação total da península faltavam apenas os territórios de Roma e de Veneza, sendo este último pertencente à Áustria, cujo chanceler era Renato de Habsburgo, cunhado de Vítor Manuel.[5] Em junho, o novo reino foi reconhecido pela França e, logo de seguida, por Portugal, que se tornou o segundo país a fazê-lo.[5] Outras nações seguiram o exemplo, mas Vítor Manuel era malvisto pelas famílias reais da Europa, tanto pelo seu confronto com o Papa e com o imperador da Áustria, como pelo facto de ter destronado o rei de Nápoles.[5] Neste contexto, compreende-se que o rei de Itália tivesse grande interesse em estabelecer laços estreitos entre a sua Casa e outra família reinante, católica e constitucional. A família real portuguesa era excelente, até porque Vítor Manuel acreditava que também na Península Ibérica se faria a união política. Portugal podia ser aí o que o Piemonte fora na Itália. E o rei da Ibéria, casando-se com Maria Pia, seria seu genro.[5]

Casamento

Antecedentes

D. Luís em 1861.

Em 1861, estando viúvo o jovem rei de Portugal, D. Pedro V, circulou o boato, tanto em Portugal como em Itália, de que ele se iria casar com Maria Pia de Saboia. Os rumores tinham algum fundamento. Nada fora formalmente tratado por parte de D. Pedro, mas o primeiro-ministro italiano, Cavour, enviara nesse ano a Lisboa o marquês Caracciolo di Bella para sondar o soberano português. As negociações não avançaram, embora em Itália a ideia não tivesse sido abandonada.[6] Entretanto, em novembro de 1861, no espaço de pouco tempo, morreram vários membros da família real portuguesa, incluindo o rei D. Pedro, pelo que a dinastia se encontrava em sério perigo.[7] Perante esta situação, restava apenas D. Luís, que precisava casar-se rapidamente para assegurar a descendência. Vítor Manuel de Itália, como todos, tinha plena consciência dessa urgência e sabia também que a sua filha já era púbere, constituindo um trunfo político de grande valor.[7]

D. Luís não acatou a proposta de imediato. Em março, aconselhou-se com a "tia" Vitória da Inglaterra. Como não nutria simpatia pelos Sabóias, esta considerou que uma aliança com essa família seria a menos conveniente, devido à política e, sobretudo, ao carácter moral de Vítor Manuel II; além disso, afirmava que a princesa era demasiado jovem.[8] Preferia, portanto, a princesa Maria de Hohenzollern (irmã da ex-esposa do falecido D. Pedro V) ou a arquiduquesa Maria Teresa da Áustria.[8] Entre janeiro e junho de 1861, os jornais portugueses avançavam ora que o rei casaria com Maria de Hohenzollern, ora com Maria Teresa da Áustria, ora com Maria de Saboia.[8] O ministro Sá da Bandeira insistia nesta última opção, mas D. Luís acabou por escolher a arquiduquesa austríaca, o que desagradou ao ministério, de orientação liberal e de esquerda, que via com grandes reservas uma aliança com os Habsburgos, considerados incompatíveis com a bandeira da liberdade política.[8] A questão resolveu-se quando o pai da arquiduquesa recusou a pretensão do rei de Portugal, justificando-se com a juventude da filha.[8]

Finalmente, D. Luís pediu a mão de Maria Pia de Saboia em carta escrita a Vítor Manuel no dia 18 de junho de 1863, sabendo que seria aceite.[8] Nesse mesmo dia, D. Luís recebeu por telegrama a confirmação de que Vítor Manuel e Maria Pia consentiam no casamento.[9] Em carta a D. Luís, o seu futuro sogro afirmava que o pedido o tinha tocado profundamente, tanto como rei quanto como pai, e lhe tinha agradado imensamente, tendo consultado a filha, que lhe manifestou o seu total consentimento e "o desejo de poder fazer feliz" o futuro marido.[9] O casamento foi anunciado oficialmente no Parlamento italiano a 11 de julho de 1862 e, no dia seguinte, Vítor Manuel informou os outros filhos por telegrama: "O rei da Itália ao príncipe Humberto. Anuncio-te a ti e aos teus irmãos o ajuste de casamento da tua irmã com o rei de Portugal. Estou certo de que ficareis contentes".[10]

O entusiasmo em Itália foi enorme quando se soube do noivado. A notícia agradava ao povo e aos políticos, que acreditavam que Portugal, país de liberdades constitucionais, poderia tornar-se o Piemonte da península.[10] Em Portugal, os setores progressistas rejubilaram com a escolha de Maria Pia. Escreve-se no Archivo Pittoresco: "O enlace da neta de Carlos Alberto, fundador da liberdade de Itália, com o neto de D. Pedro IV, libertador de Portugal, não podia deixar de merecer o louvor do povo português e o consenso de todas as nações livres".[11] Os conservadores reagiram como se esperava. O jornal A Nação anunciou, em 15 de julho, sem qualquer benevolência: "A princesa escolhida é filha de um excomungado".[12] Também a rainha Vitória reagiu mal, despeitada ao constatar que D. Luís não seguira os seus conselhos.[12]

No dia 27 de setembro de 1862 a princesa Maria Pia, com 14 anos e 11 meses, casou-se por procuração na Catedral de Turim.[13] O noivo foi representado pelo príncipe Eugénio de Saboia-Carignano e oficiou o arcebispo de Génova, monsenhor Charvaz.[13] Ao sair da igreja, Maria Pia era rainha.[13]

Chegada em Portugal

Chegada ao Tejo da armada italiana com a Rainha Dona Maria Pia, por Luiz Assencio Tomasini.

A jovem rainha deixou a Itália, acompanhada pelo irmão Humberto, príncipe herdeiro, e pelos condes de Villamarina, no dia 29 de 1862.[13] Na manhã de 5 de outubro, a esquadra luso-italiana chegou ao largo de Lisboa, sendo recebida pelo infante D. Augusto, pelo duque de Saldanha e pelos oficiais-mores.[13]

O desembarque da rainha teve lugar no dia seguinte. Para a ocasião, ergueu-se um vistoso pavilhão na Praça do Comércio, ornado com um friso que apresentava inscrições da autoria de António Feliciano de Castilho:

Finalmente, Maria Pia e D. Luís conheceram-se. Ela encontrou um jovem loiro, de olhos azuis e traços germânicos, uma figura agradável, embora já com tendência para a obesidade.[15] Era e seria sempre de grande afabilidade, o que não surpreende tendo em conta que conquistou imediatamente a jovem esposa, que mais tarde confidenciou: "Apenas cheguei a Lisboa e vi el-rei, gostei mais dele do que gostava no retrato".[15]

Ratificação do Casamento do Rei D. Luís e D. Maria Pia, por António Manuel da Fonseca.

Concluída a entusiástica cerimónia na Praça do Comércio, o grandioso cortejo dirigiu-se à Igreja de São Domingos, onde teve lugar a cerimónia de ratificação do casamento pelo Cardeal Patriarca D. Manuel I.[16] O coro, composto por cento e trinta e um músicos, entoou o Te Deum, expressamente composto e dedicado a Suas Majestades por Manuel Inocêncio Liberato dos Santos.[17] D. Maria Pia trajava um vestido de seda branca da Hungria, com saia sobreposta de renda de Alençon, apanhada à altura da meia-saia, onde se prendiam laços azuis e brancos, cores de Portugal.[18] Na fronte ostentava o diadema oferecido pelo noivo, e o cabelo estava adornado com flores de laranjeira.[18] Organizou-se um cortejo de mais de trezentas carruagens e catorze coches da Casa Real, contando-se, no total, 108 cavalos e 112 criados em libré.[18]

Nas ruas, o percurso estava decorado com arcos e outros enfeites. O cortejo chegou ao Paço da Ajuda às 20h30, percorrendo toda a distância entre a multidão que aclamava os reis.[18] Com a noite começaram os festejos populares, iluminando-se toda a cidade.[19] Em Coimbra, como em muitas outras cidades, saciou-se a curiosidade pública: "A rainha D. Maria Pia de Saboia é uma senhora de fisionomia mui agradável, simpática e expressiva. É de elevada estatura e mui airosa. Os seus cabelos são loiros e os olhos vivos e pretos; a sua tez é alvíssima. Todas as pessoas que têm tido a honra de falar a S.M. vêm cativados da sua extrema amabilidade e delicadeza".[19]

Decorreram ainda três dias de celebrações, com as ruas de Lisboa repletas de milhares de pessoas.[19] "O entusiasmo por este auspicioso enlace tem chegado ao delírio".[19] A iluminação e os ornamentos das ruas mantiveram-se até ao aniversário da rainha, que passou a ser comemorado como dia de grande gala.[19]

Relação com D. Luís

D. Maria Pia e D. Luís.

Dom Luís era uma pessoa delicada e bondosa. Foi, certamente, meigo e cuidadoso com a jovem esposa que lhe entregavam. D. Maria Pia encontrou felicidade nessa fase, apesar dos constrangimentos da vida de corte e, sobretudo, das saudades da família e da terra natal.[20]

Em março de 1863, respondendo a uma carta do pai, a rainha revelava que as saudades tinham cedido perante a ternura do marido e a expectativa de ser mãe: "Continuo muito feliz com o Luís, amo-o muito, não creio que se possa amá-lo mais. Ele é tão bom para mim".[21] E acrescentava: "Estou tão contente por ir ser mãe brevemente, e vejo com prazer que partilha da nossa felicidade. Também a mim me parece curioso, por vezes, pensar que com 16 anos serei já mamã".[21] Meses depois, o jovem casal permanecia profundamente apaixonado.[21]

Em carta datada de 30 de julho de 1863, D. Maria Pia, na altura grávida de sete meses, escreveu ao marido:

"Há já um século que não te vejo, meu amor. Vem depressa ter com a tua pequenina que te ama tanto e que não pode ficar sem ti [...]. Dói-me um pouco a cabeça e sinto náuseas; estou certa que é do desgosto de não te ter aqui, meu bem-amado [...]. Amo-te tanto, meu amor, bem o sabes, estou tão feliz contigo e só te tenho a ti, meu amigo. Pensas em mim? Amor, oh!, amo-te tanto que penso constantemente em ti, meu tudo".[21]

Em carta não datada, mas possivelmente da mesma altura, D. Luís tratava-a por "querido amor", afirmando que a amava profundamente e que, longe dela, nada lhe dava prazer.[21] Numa outra correspondência, chamava-lhe "Ma bonne petite" e "amour de ma vie".[21]

Entretanto, D. Luís revelou-se um mulherengo inveterado, mantendo uma série de casos extraconjugais, sendo o mais notório com a atriz Rosa Damasceno.[22] A rainha D. Maria Pia mostrou-se, a princípio, descontente com estas situações, mas acabou por tolerar as infidelidades do marido, chegando, por sua vez, a ter alguns relacionamentos quando se deslocava ao estrangeiro.[23]

Rainha

Nascimento dos filhos

A Família Real Portuguesa em Queluz, em 1876, por Joseph Layraud. Da esquerda para a direita: D. Maria Pia, D. Afonso, D. Carlos e D. Luís.

Maria Pia assumiu rapidamente o papel de rainha. Um ano após o casamento, em 28 de setembro de 1863, deu à luz um príncipe saudável, Carlos, anunciado à cidade por 101 tiros de canhão.[24] Os familiares ausentes foram imediatamente informados por telegrama, e Vítor Manuel mostrou-se enternecido com a filha. Em resposta a Clotilde, que lhe enviara uma fotografia do neto, escreveu: "A pobre Maria, que é ela própria uma pequenita, acaba de fazer, também ela, um outro pequenito".[24] O batizado solene realizou-se na Igreja de São Domingos em 19 de outubro, mas Maria Pia não compareceu, conforme os usos da época.[24] Nessa ocasião foram revelados os nomes do príncipe, com a novidade do primeiro nome Carlos, tradição da Casa de Saboia, escolha atribuída à rainha, que assim começava a afirmar-se apesar das pressões sofridas.[24]

Em 31 de julho de 1865, D. Maria Pia deu à luz o seu segundo filho, Afonso.[24] O novo infante recebeu o nome de Afonso Henriques, evocando o primeiro rei de Portugal e recordando a primeira aliança entre os Saboias e a Casa reinante portuguesa.[24]

Segundo as regras de etiqueta, os segundos filhos deveriam ter como padrinho o avô materno.[24] Quando nasceu D. Afonso, em 1865, D. Luís e D. Maria Pia receberam pressões para não convidar Vítor Manuel, por estar excomungado e por se temer uma reação papal.[24] D. Luís, porém, não se deixou influenciar e convidou o sogro para apadrinhar o filho.[24] Vítor Manuel, demonstrando igual cortesia, declinou o convite, de modo a não criar embaraços a Portugal.[24] Dois meses depois, os monarcas portugueses deslocaram-se a Itália para o visitar, levando consigo o príncipe herdeiro.[24]

Maria Pia nutriu sempre um grande afeto pela família, fator crucial para as boas relações entre Portugal e Itália.[24] Apesar dos esforços papais para romper os laços entre os dois países, tal nunca ocorreu durante o reinado de D. Luís, graças à união das famílias reinantes e à personalidade de Maria Pia.[24]

Retrato formal da rainha D. Maria Pia, em 1880, por Carolus-Duran.

Como rainha, D. Maria Pia impressionava pelo seu porte majestático, elegante e afável. O povo simples deixava-se conquistar pela sua beleza, pelo sorriso e pela reputação de caridade, ao passo que as camadas mais seletas igualmente se rendiam.[25] Francisco da Fonseca Benevides escreve, em 1879, que "a soberana reúne todas as graças de mulher, a dignidade e a nobreza da rainha e os requintes da mais simpática amabilidade" e acrescenta que, "entre todas as damas das diversas classes, sobressai e distingue-se sempre Maria Pia de Saboia; é verdadeiramente rainha pela graça, majestade e elegância, como o é pela sua posição de consorte do chefe de Estado".[25]

A princesa Rattazzi, que esteve em Portugal em 1876 e 1879 e publicou o seu livro no final desse último ano, descreve-a do seguinte modo: "Naturalmente distinta, ainda que um pouco caprichosa, encanta todas as pessoas que merecem o singular favor de a rainha desejar agradar. Sem que se lhe possa chamar formosa, há na linha ondulante do seu corpo traços prestigiosos de uma beleza incontestável. Com o manto de corte suspenso do ombro, como geralmente o usa, em vez de partir da cintura, raras mulheres terão, como ela, um porte tão majestoso e imponente".[26] Também a nora, D. Amélia, ao conhecê-la em 1886, sublinha no seu diário: "Nenhuma mulher tem um ar mais régio e mais imponente".[27]

O Rei D. Luís I e a Rainha Maria Pia, a distribuir esmola aos pobres, no Porto, em 1872, por Leonel Marques Pereira.

Imediatamente após a sua chegada a Portugal, D. Maria Pia dedicou-se a obras de caridade. Por decreto de 27 de outubro de 1862, foi declarada Protetora dos Asilos da Infância Desvalida.[28] Em 1867, recebeu o título e o encargo de protetora do asilo de mendicidade a abrir brevemente no Palácio de Xabregas, o qual, por esse motivo, passou a denominar-se Asilo D. Maria Pia.[28] No mesmo ano, foi nomeada protetora da Associação Auxiliadora dos Estabelecimentos de Caridade e Beneficência do Reino.[28] Em 1875, foi criada em Lisboa a Associação das Creches, sob o patrocínio da rainha.[29] A sua compaixão e dedicação a causas sociais renderam-lhe os epítetos de "Anjo da Caridade" e "Mãe dos Pobres".[30]

À exceção dos albergues noturnos, sob o patrocínio de D. Luís, solicitava-se invariavelmente o patronato da rainha para as instituições beneficentes que iam surgindo.[31] Aqueles que eram atingidos por calamidades naturais tranquilizavam-se quando lhes era prometida a ajuda da rainha; os operários em tumulto apelavam para ela; e os seus compatriotas nunca a deixaram em paz.[nota 1][31] Em 1887, quando a fome assolou os povos do Ceará, no Brasil, em consequência das grandes secas então ocorridas, D. Maria Pia propôs, com aprovação, que do cofre dos inundados fosse retirada uma avultada quantia destinada a socorrer as vítimas daquela calamidade.[32]

A rainha protetora dos aflitos era a imagem que Maria Pia conseguira construir. Todavia, D. Maria Pia tinha um grave defeito: era imoderada nos seus gastos, característica que herdara do pai.[33] As compras exorbitantes de uma rainha de um país pobre constituíam um excelente ensejo para a crítica política e para o desfavor do público, tornando-se uma ruidosa arma de arremesso nas mãos dos republicanos e dos monárquicos da oposição.[33] É relatado que proferiu uma famosa frase em resposta à crítica de um dos seus ministros devido ao preço das suas extravagâncias: "Quem quer rainhas, paga-as!"[34][35]

D. Maria Pia manteve-se, geralmente, alheia aos assuntos políticos. Só quando o marechal duque de Saldanha cercou o Palácio da Ajuda em 1870, numa revolta que ficou conhecida para a História como a Saldanhada, obrigando o rei a nomeá-lo presidente do Conselho de Ministros, é que a rainha demonstrou a sua diligência política. D. Maria Pia terá então exclamado ao marechal: "Se eu fosse o rei, mandava-o fuzilar!"[36]

Morte do marido

D. Maria Pia em 1890, um ano após a morte de D. Luís.

Em setembro de 1889, D. Luís encontrava-se gravemente enfermo, sendo a doença, provavelmente, sífilis.[37] Os reis estavam em Sintra, mas o estado de saúde do monarca agravava-se progressivamente, pelo que se decidiu transferi-lo para Cascais. Talvez tal decisão correspondesse ao seu desejo, dado o apreço que tinha pelo mar, ou talvez a rainha acreditasse que, animando-o, seria possível alcançar a recuperação.[37] D. Maria Pia lutou com todas as forças para salvar o marido, mas a doença avançou de forma irremediável. Poucos acreditavam na cura, embora ela persistisse obstinadamente nessa esperança. Dizia-se que controlava rigorosamente todos os que frequentavam o paço, procurando impedir qualquer fuga de informação.[37] Apesar disso, multiplicavam-se os boatos sobre uma agonia terrível, segundo os quais o rei sofreria de gangrena, sendo-lhe retirados tecidos em putrefação que exalavam um odor nauseabundo.[37]

D. Luís faleceu a 19 de outubro de 1889. Tinha 50 anos e D. Maria Pia, que completara 42 três dias antes, passava à condição de mãe do novo rei. Na realidade, o seu título era agora rainha D. Maria Pia, e não rainha, como até então, uma vez que em Portugal não se utilizavam as designações de rainha-mãe ou rainha-viúva.[37]

Reinado do filho e regências

Rainha-viúva D. Maria Pia.

D. Carlos casou-se em 1886 com Amélia de Orléans, filha do conde de Paris, pretendente ao trono da França.[38] Do matrimônio nasceram os infantes D. Luís Filipe (nascido em 1887) e D. Manuel (nascido em 1889).[38] O historiador português Rui Ramos sustenta que D. Carlos teria relegado a mãe, D. Maria Pia, para o "mundo subpolítico", atribuindo-lhe observações sobre desequilíbrio e certa tolice.[38] Segundo este autor, a rainha-viúva "agarrava-se a tudo o que lhe pudesse conferir importância", mas ninguém a valorizava.[38]

Contudo, outros historiadores contestam essa visão, afirmando que D. Carlos jamais teria confiado a regência à mãe se não tivesse plena confiança nela. Na realidade, D. Maria Pia atuou como regente por duas vezes. A primeira ocorreu em 1892, ainda que apenas por alguns dias, de 9 a 18 de novembro, durante uma visita dos reis à Espanha.[38] A segunda foi em dezembro de 1904, quando D. Carlos e D. Amélia viajaram para a Inglaterra a convite do rei Eduardo VII.[39]

Além disso, a principal interlocutora dos Saboias foi sempre D. Maria Pia. Em 1896, foi ela quem conseguiu restabelecer as relações entre Portugal e Itália, que haviam sido desastrosamente interrompidas por um ano.[40] Da mesma forma, quando alguns revoltosos brasileiros se refugiaram em um navio português que lhes concedeu proteção, o que levou Portugal e Brasil a suspenderem relações em maio de 1894, D. Maria Pia atuou com sucesso na mediação do conflito.[41]

Regicídio de 1908 e reinado do neto

D. Maria Pia.

Em 1 de fevereiro de 1908, o rei D. Carlos e o príncipe real D. Luís Filipe, respectivamente filho e neto de D. Maria Pia, foram assassinados no episódio conhecido como Regicídio de 1908.[42] Em 6 de maio realizou-se a cerimônia de aclamação do neto sobrevivente de D. Maria Pia, o rei D. Manuel II.[42]

A dor que D. Maria Pia sofreu com a morte do filho e do neto foi brutal, e a recuperação foi lenta e cheia de recaídas.[43] Nos dois anos e oito meses que se seguiram, sucederam-se aflições e desgostos.[43] Tudo se desmoronava à sua volta: a dor não passava, a vontade de viver tardava a reaparecer, a saúde ressentiu-se, e o neto e a nora não nutriam por ela um afeto especial.[43] Os regicidas eram venerados por milhares de pessoas, a investigação policial do crime era uma farsa e o avanço republicano era evidente.[43] Acrescia a sua situação financeira, calamitosa e impossível de resolver. No Parlamento exigiam-se esclarecimentos sobre os seus débitos junto ao Tesouro, e a velha rainha chegou a ser citada em tribunal por dívidas pessoais.[43] O rei, seu neto, nada fez para ajudá-la.[43] Seus afetos concentraram-se em seu filho mais novo, D. Afonso.[43] Os dignitários que a serviam, agora sem qualquer valimento político ou cortesão, reduziram-se ao duque de Loulé, ao veador Benjamim Pinto e às marquesas de Unhão e de Belas.[43]

A Ajuda tornou-se um palácio deserto e sombrio, com pessoal escasso e instruído a poupar em tudo.[43] E, como última afronta, espalhou-se que a "rainha velha" havia enlouquecido, a ponto de regar as flores dos tapetes, contar incessantemente "um, dois, três" e conversar com os mortos, afirmação que continua a ser repetida, mas para a qual não existe uma única testemunha.[43] Com a idade avançada, sem saúde, sem recursos e sem influência, D. Maria Pia não tinha, objetivamente, qualquer papel político.[43]

Abolição da monarquia e exílio

Partida de Portugal

O rei D. Manuel II e a família real portuguesa deixam Portugal a bordo do iate real Amélia IV.

A revolução republicana começou na madrugada do dia 4 de outubro e, no dia seguinte, foi proclamada a República.[44] A família real reuniu-se em Mafra.[44] A rainha D. Maria Pia queria, por força, permanecer em Portugal, mas foi forçada a partir para o exílio.[44] D. Maria Pia saiu de Portugal, precisamente, em 5 de outubro, o mesmo dia em que chegara ao nosso país para o seu casamento, em 1862.[44] Os Braganças dirigiram-se por mar a Gibraltar, onde aportaram no dia 7.[44] No dia 16, data em que completava 63 anos de vida, D. Maria Pia partiu para Itália a bordo do couraçado Regina Elena, que o seu sobrinho, o rei Vítor Emanuel III da Itália, enviara para a recolher.[44] Partiu só, sem o filho que lhe restava e com quem sempre vivera, pois o rei da Itália se recusou, nessa altura, a receber o primo.[44]

Na Itália

Palácio Real de Capodimonte, local onde a ex-rainha de Portugal estabeleceu sua corte.

Na manhã do dia 19 de outubro de 1908, D. Maria Pia e a sua pequena comitiva desembarcaram em Gombo, próximo de Pisa, uma vez que o rei da Itália e a família passavam aí uma temporada, no Palácio San Rossore, e o sobrinho quis recebê-la pessoalmente.[45] Enquanto a rainha Helena e os filhos esperavam na praia, Vítor Manuel III subiu a bordo para buscar a tia.[46] Foi pelo seu braço que regressou à pátria, ao som das salvas do couraçado.[46] Já não era rainha em Portugal, um decreto de 15 de outubro considerara proscrita a família Bragança, mas em Itália foi sempre tratada como rainha.[46]

Logo nesse mês de outubro, o conselho de ministros português percebeu que não podia ignorar o que fora estabelecido no tratado matrimonial de D. Maria Pia, que tinha direito a uma dotação do Estado.[46] De facto, o seu ordenado fora estabelecido por um tratado internacional celebrado entre Portugal e Itália.[46] Assim, o governo republicano resolveu pagar integralmente a dotação de D. Maria Pia.[46] O governo declarou-se também disposto a permitir o seu regresso, excluindo-a do exílio imposto aos restantes membros da família real.[46]

D. Maria Pia residiu em San Rossore até novembro.[46] Depois, instalou-se no Palácio Real de Capodimonte, em Nápoles. Vítor Manuel pôs à sua disposição uma corte.[46] Apesar das saudades que sentia, os últimos meses de vida de D. Maria Pia foram, decerto, de grande apaziguamento, sobretudo após D. Afonso se lhe ter reunido.[47] O sobrinho Vítor Manuel resgatara-a do isolamento, das angústias e humilhações financeiras, das afrontas privadas e públicas.[47]

Morte

Palácio de Caça de Stupinigi, local da morte de Maria Pia.

Maria Pia de Saboia faleceu aos 63 anos de idade, às 15h do dia 5 de julho de 1911, no Palácio de Caça de Stupinigi.[48] As causas da morte foram, segundo informações da imprensa, patologias hepática e cardíaca.[48] Vítor Manuel III decretou 40 dias de luto da corte. As bandeiras mantiveram-se a meia-haste durante 5 dias, e os camarotes reais permaneceram fechados.[48] Na corte da rainha Margarida, o luto de 3 meses, ordenado pela morte de Clotilde, foi prolongado para 100 dias.[48]

Pelas 13h30m do dia 8 de julho, o cadáver foi trasladado de Stupinigi para a Igreja Grande Mãe de Deus, em Turim.[48] Nas cerimônias fúnebres estavam o filho, a nora, toda a família real italiana, representantes do governo, das câmaras parlamentares e dos corpos militares, bem como representantes dos imperadores da Alemanha e da Áustria-Hungria e do rei da Bulgária.[48] O governo português enviou o seu representante em Itália, Lambertini Pinto, para desagrado da rainha Margarida, que não gostou que o filho acolhesse o representante da República portuguesa.[48] Finalmente, Maria Pia foi sepultada junto da família de que tanto se orgulhava,[48] na Basílica de Superga.

Aperência

Retrato da rainha D. Maria Pia, por Joseph Layraud.

Segundo os critérios clássicos, D. Maria Pia não podia ser considerada uma beldade. Sobressaíam os cabelos fartos e exuberantes, de cor arruivada, O certo é que os poetas [da época] lhe cantavam mais as glórias da linhagem do que as maravilhas da beleza. Entretanto, o tempo ia modificá-la muito, como afirma Malheiro Dias, um seu admirador que não a conheceu nesse tempo.[15]

D. Maria Pia, fotografada por João Camacho, c. 1880.

No mesmo sentido escrevera Benevides, em 1879: "Era D. Maria Pia de Saboia muito jovem quando se desposou com o rei de Portugal; o seu físico não era ainda o que depois se mostrou."[15] Benevides afirma ainda que "há muitos retratos de Maria Pia de Saboia; não há, porém, nenhum que se possa dizer perfeito como semelhança". O mesmo afirma, muito mais tarde, Malheiro Dias, que considera que a rainha não teve a sorte de ter sido bem retratada por um pintor ou escultor genial, pois ninguém conseguiu captar o seu inolvidável poder de ofuscação".[25] Da rainha, todavia, ocultava-se o que era considerado um defeito grave: D. Maria Pia era sardenta.[5]

O historiador e arqueólogo francês Prosper Mérimée descreveu D. Maria Pia, a quem conheceu durante uma viagem da rainha à França, como encantadora.[27] Mérimée salientou que a rainha lembrava muito a princesa Clotilde, mas numa versão corrigida. Tinha a tez de um rosa e de um branco raros, mesmo na Inglaterra. É verdade que tinha os cabelos ruivos, mas de um ruivo muito escuro, então na moda. Era muito amável e polida.[27]

Historiografia

Retrato da rainha D. Maria Pia, vestida de varina (mulheres vendedoras de peixe de Lisboa).

Segundo Lopes (2012), a atual opinião pública portuguesa pouco sabe sobre D. Maria Pia. Contudo, foi, entre as rainhas portuguesas do século XIX, a mais amada, a que mais tempo reinou e a que mais contribuiu para a boa imagem da família real.[49] Até os seus críticos mais cruéis admitiam, em 1910, quando a República foi implantada, que era o único membro da família real que deixava saudades.[49] No seu país de origem, a Itália, Maria Pia foi esquecida. Os estudos sobre os Saboias do século XIX ignoram-na quase totalmente.[49]

Os monarquistas portugueses que enaltecem a família real centram-se, quanto às figuras femininas, em D. Amélia, romantizada por ter sido a última rainha e pela sucessão de tragédias que sofreu, deixando D. Maria Pia na sombra, embora esta também tenha vivido parte desses dramas.[49] Já os historiadores parecem partilhar o estereótipo da mulher bela e elegante que forçosamente é fútil.[50] É assim que Maria Pia é apresentada: uma mulher frívola, temperamental, perdulária, pouco inteligente e instruída. E que, por isso, não era levada a sério nem pelos políticos e cortesãos, nem pelo marido, pelo filho mais velho ou pela sua família de origem.[51]

A imagem que em geral se veicula da rainha D. Maria Pia é quase antagónica daquela que a sua época traçou. Ao tempo, a maioria dos portugueses considerava-a caritativa, generosa, afável, mãe e educadora exemplar. Celebravam-lhe a elegância do porte, a coragem manifesta nos momentos decisivos, o sentido da majestade, o apoio sempre prestado ao marido, à dinastia e ao país, bem como a simpatia e a gentileza para com grandes e pequenos.[51] Mas é verdade também que muitos aristocratas a viram sempre com maus olhos. Os católicos mais conservadores, associando-a ao pai, Vítor Manuel II de Itália, e vendo-a arredia às manifestações religiosas públicas, nunca a apreciaram.[51] Os adversários políticos atacaram os seus gastos e consideravam-na autoritária.[51] Na verdade, D. Maria Pia era uma mulher inteligente, muito generosa e com grande intuição política. A ela se devem os maiores entusiasmos populares pela dinastia e as ótimas relações estabelecidas entre Portugal e Itália nas décadas de 1860, 1870 e 1880. A ela se deve, também, a resolução de questões graves no reinado do filho, entre 1889 e 1908.[1]

Ver também

Títulos, estilos e honras

Monograma real de D. Maria Pia.

Títulos e estilos

  • 16 de outubro de 1847 – 6 de outubro de 1862: "Sua Alteza Real, a Princesa Maria Pia de Saboia"
  • 6 de outubro de 1862 – 19 de outubro de 1889: "Sua Majestade Fidelíssima, a Rainha"
  • 19 de outubro de 1889 - 1 de fevereiro de 1908: "Sua Majestade, a Rainha Viúva"
  • 1 de fevereiro de 1908 - 5 de julho de 1911: "Sua Majestade, a Rainha D. Maria Pia"

Honras

Retrato da rainha D. Maria Pia ostentando as faixas das ordens de da Rainha Santa Isabel e de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa.

Portuguesas

Estrangeiras

Ancestrais

Notas

  1. Na Biblioteca da Ajuda encontram-se muitos pedidos de auxílio para obras de beneficência, vindos de Itália; no Archivio di Stato di Torino estão as cartas de Virgínia Panizzardi e Camilla e Giuseppina Negri agradecendo as ajudas financeiras recebidas (anos 1870 e 1880); e nos documentos da administração da rainha os registos destes pagamentos.[31]

Referências

  1. a b c d Lopes 2012, p. 241.
  2. a b Lopes 2012, p. 242.
  3. a b c Lopes 2012, p. 243.
  4. a b c d e f g Lopes 2012, p. 245.
  5. a b c d e f Lopes 2012, p. 247.
  6. Lopes 2012, p. 248.
  7. a b Lopes 2012, p. 249.
  8. a b c d e f Lopes 2012, p. 250.
  9. a b Lopes 2012, p. 251.
  10. a b Lopes 2012, p. 252.
  11. Lopes 2012, pp. 252-253.
  12. a b Lopes 2012, p. 253.
  13. a b c d e Lopes 2012, p. 254.
  14. de Castilho, António Feliciano (1863). O Outono. Collecção de poesias (Digitalizado em: 3 de março de 2014). Lisboa: Imprensa Nacional. p. 253 
  15. a b c d Lopes 2012, p. 255.
  16. Louro, Francisco (1987). A Rainha D. Maria Pia: Iconografia (em português e inglês). Lisboa: Palácio Nacional da Ajuda 
  17. Martins Zúquete, Afonso Eduardo, ed. (1960). Nobreza de Portugal: bibliografia, biografia, cronologia, filatelia, genealogia, heráldica, história, nobliarquia, numismática · Volume 2 (Digitalizado em: 27 de setembro de 2011). [S.l.]: Editorial Enciclopédia. p. 107 
  18. a b c d Lopes 2012, p. 256.
  19. a b c d e Lopes 2012, p. 257.
  20. Lopes 2012, pp. 257-258.
  21. a b c d e f Lopes 2012, p. 258.
  22. Saraiva, José António (2024). O Homem que Mandou Matar o Rei D. Carlos: os Bastidores de um Crime 1 ed. Lisboa: Gradiva. pp. 74–75. ISBN 978-9897852657 
  23. Saraiva (2024), pp. 57-60, 147-148.
  24. a b c d e f g h i j k l m Lopes 2012, p. 259.
  25. a b c Lopes 2012, p. 260.
  26. Lopes 2012, pp. 260-261.
  27. a b c Lopes 2012, p. 261.
  28. a b c Lopes 2012, p. 274.
  29. Lopes 2012, pp. 274-275.
  30. «Maria Pia de Sabóia (D.).». Portugal - Dicionário Histórico, Corográfico, Heráldico, Biográfico, Bibliográfico, Numismático e Artístico. pp. 840–842. Consultado em 28 de janeiro de 2014 
  31. a b c Lopes 2012, p. 276.
  32. Benevides, Francisco da Fonseca (1879). Rainhas de Portugal: estudo historico com muitos documentos. Lisboa: Castro Irmao. p. 347 
  33. a b Lopes 2012, p. 278.
  34. «Obra lista "loucuras e bizarrias" de reis e nobreza desde o século XII». Diário de Notícias. 18 de janeiro de 2019. Consultado em 2 de junho de 2022 
  35. Graeme, Chris (13 de outubro de 2011). «Queen Dona Maria Pia remembered». Portugal Resident. The Resident Group. Consultado em 30 de abril de 2023. Cópia arquivada em 30 de abril de 2023 
  36. Lopes 2012, p. 268.
  37. a b c d e Lopes 2012, p. 279.
  38. a b c d e Lopes 2012, p. 281.
  39. Lopes 2012, pp. 284-285.
  40. Lopes 2012, p. 284.
  41. Lopes 2012, p. 283.
  42. a b Lopes 2012, p. 285.
  43. a b c d e f g h i j k Lopes 2012, p. 286.
  44. a b c d e f g Lopes 2012, p. 287.
  45. Lopes 2012, pp. 287-288.
  46. a b c d e f g h i Lopes 2012, p. 288.
  47. a b Lopes 2012, p. 289.
  48. a b c d e f g h Lopes 2012, p. 290.
  49. a b c d Lopes 2012, p. 239.
  50. Lopes 2012, pp. 239-240.
  51. a b c d Lopes 2012, p. 240.
  52. a b «Gomsite» 
  53. Godinho, Isabel da Silveira (28 de setembro de 2014). Maria Pia, Princesa de Sabóia, Rainha de Portugal. [S.l.: s.n.] 
  54. Guía oficial de España (em espanhol). [S.l.]: Imprenta Nacional. 1876. Consultado em 26 de novembro de 2018 
  55. a b c Nobleza Mediterránea
  56. «Ancestors of Princess Maria Pia of Savoy, Queen consort of Portugal». royal.myorigins.org. Consultado em 27 de junho de 2018 

Bibliografia

Ligações externas

Maria Pia de Saboia
Casa de Saboia
16 de outubro de 1847 – 5 de julho de 1911
Precedida por
Estefânia de Hohenzollern-
Sigmaringen

Rainha Consorte de Portugal e Algarves
6 de outubro de 1862 – 19 de outubro de 1889
Sucedida por
Amélia de Orléans