Eugênio Emanuel, Conde de Villafranca
| Eugênio Emanuel | |||||
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| Príncipe de Saboia-Carignano Conde de Villafranca | |||||
![]() Eugênio em 1861 | |||||
| Dados pessoais | |||||
| Nascimento | Eugenio Emanuele Giuseppe Maria Paolo Francesco Antonio di Savoia-Villafranca 14 de abril de 1816 Paris, França | ||||
| Morte | 15 de dezembro de 1888 (72 anos) Turim, Itália | ||||
| Esposa | Felicita Crosio | ||||
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| Casa | Saboia-Villafranca | ||||
| Pai | José Maria, Conde de Villafranca | ||||
| Mãe | Pauline de la Vauguyon | ||||
| Religião | Catolicismo | ||||
| Brasão | ![]() | ||||
Eugênio Emanuel José Paulo Francisco Antônio de Saboia-Carignano (em italiano: Eugenio Emanuele Giuseppe Maria Paolo Francesco Antonio di Savoia-Villafranca; Paris, 14 de abril de 1816 – Turim, 15 de dezembro de 1888), príncipe de Saboia-Carignano e conde de Villafranca, foi um nobre, estadista e líder militar italiano. Nascido um Saboia, pertencente ao ramo Villafranca, ele era um membro colateral da família real italiana.
Biografia
Primeiros anos
Eugênio nasceu em Paris em 14 de abril de 1816, filho de José Maria de Saboia-Villafranca, conde de Villafranca, e Pauline de la Vauguyon, filha do duque Paul-François de la Vauguyon, que atuara como embaixador e ministro de Luís XVI.[1]
Os Saboia-Villafranca constituíam um ramo cadete da Casa de Saboia-Carignano, estabelecido em 1780, quando Eugênio Hilarião de Saboia-Carignano, conde de Villafranca, casou-se com Elisabeth Anne Magon de Boisgarin.[1] A união foi considerada desigual, pois a esposa não era de linhagem real, e não recebeu a aprovação do rei Vítor Amadeu III.[1] Em consequência, Eugênio Hilarião e seus descendentes foram excluídos da linha sucessória do trono sardo.[1] O casal teve apenas um filho, José Maria, que seguiu carreira militar na França, servindo inicialmente como oficial sob Napoleão e mais tarde sob na Restauração Bourbon.[1] Durante a Restauração, tornou-se evidente que o ramo mais antigo da família estava prestes a extinguir-se, o que abriria caminho para que o trono fosse herdado pelos Carignano da Casa de Saboia.[1] Nessa conjuntura, em Turim considerou-se adequado reintegrar os Saboia-Villafranca a um papel mais visível, e decidiu-se que Eugênio, único filho de Giuseppe, deveria mudar-se para a capital da Saboia.[1]
Em 1825, Eugênio chegou a Turim e iniciou os estudos no Colégio do Carmo, administrado pelos jesuítas e então considerado a principal escola da aristocracia subalpina.[1] Poucos meses depois, em 16 de outubro, perdeu o pai de forma repentina, aos 42 anos.[1] As irmãs, Maria Gabriela e Maria Vitória, foram enviadas para a Chambéry para prosseguir os estudos.[1] Em 1827, Maria Gabriela casou-se com o príncipe Vittorio Emanuele Massimo d'Arsoli.[1]
Em abril de 1830, Eugênio ingressou na Escola Real Naval de Gênova e participou de diversas missões, nas quais revelou grande entusiasmo e vocação para a vida marítima.[1] Em 28 de abril de 1834, foi reconhecido por Carlos Alberto como príncipe de sangue, recebeu o título de príncipe de Carignano e passou a dispor de sua própria corte.[1][2] Mudou-se em seguida para Turim, onde, em 3 de março de 1836, assumiu o comando honorário da Cavalaria do Piemonte.[1] Em 24 de dezembro do mesmo ano, foi admitido na Ordem da Santíssima Anunciação.[1] Em 1 de junho de 1837, sua irmã Maria Vitória casou-se com o Leopoldo, conde de Siracusa, irmão do rei Fernando II das Duas Sicílias. [1]
Projetos de casamento

Em 1842, depois do casamento de Vítor Emanuel, herdeiro do trono sardo, com Adelaide da Áustria, o rei Carlos Alberto passou a cogitar unir o príncipe Eugênio a uma noiva adequada.[1] De Viena, recebeu a notícia de que a princesa Januária de Bragança, filha do imperador Pedro I do Brasil, encontrava-se disponível para contrair matrimônio.[1] Eugênio já a conhecera durante sua viagem ao Brasil entre 1838 e 1839, ocasião em que surgiu uma simpatia mútua.[1] Naquele momento, Januária figurava como herdeira aparente ao trono brasileiro, o que abria a possibilidade de que Eugênio viesse a tornar-se imperador do Brasil.[1]
As tratativas prosseguiram por vários meses, mas acabaram paralisadas, em parte por dúvidas relacionadas ao próprio príncipe.[1] O fracasso das negociações do casamento brasileiro causou grande decepção ao chanceler Metternich, que temia qualquer casamento da princesa com outros pretendentes pudesse gerar uma aliança com algum príncipe alemão ou com algum filho do infante Francisco de Paula da Espanha, em detrimento da Áustria.[3] Em 1843, diante do impasse, Carlos Alberto decidiu encaminhar o casamento de Eugênio com Maria Carolina da Áustria, irmã mais velha de Adelaide.[1] Os dois já se conheciam e receberam com agrado a ideia da união.[1] Carlos Alberto determinou que o casal deveria residir no Palazzo Carignano, na expectativa de que desse origem a um novo ramo da dinastia, capaz de assumir as funções da linhagem que alcançara o trono com ele.[1] Pouco antes da definição da data do casamento, Maria Carolina morreu subitamente em 23 de janeiro de 1844.[1] A perda afetou profundamente Eugênio, que a partir desse momento recusaria todas as pretendentes que lhe fossem apresentadas.[1]
Carreira militar

Nomeado comandante-em-chefe da Marinha em 16 de julho de 1844, retornou a Gênova, onde permaneceu por quatro anos.[1] Com a eclosão da Primeira Guerra de Independência, Carlos Alberto, prestes a partir para a frente de batalha, decidiu nomear um tenente-general em conformidade com a tradição da Casa de Saboia.[1] Em 28 de março de 1848, confiou essa função ao príncipe Eugênio, que manteve também, ao menos de modo formal, o comando geral da frota.[1] Tratava-se de uma tarefa sensível, pois exigia a gestão das relações com o governo e o Parlamento e o exercício de um papel de mediação entre essas instituições e o soberano.[1] Eugênio permaneceu no cargo até setembro e, nesse período, presidiu à abertura do Parlamento Subalpino em 8 de maio de 1848.[1] Ao final da guerra, em 29 de março de 1849, Vítor Emanuel II concedeu-lhe o título de "Sua Alteza Real", distinção que completava o conjunto das honras reais que ainda lhe faltavam. Nesse mesmo momento, nomeou-o comandante-em-chefe da Guarda Nacional do Reino.[1] No fim de junho, Eugênio viajou ao Porto para encontrar Carlos Alberto, que se exilara após a derrota em Novara.[1] Voltou pouco depois, em agosto, para organizar o translado do corpo do rei, falecido em 28 de julho.[1] No final do ano, Vítor Emanuel II reorganizou o comando da Marinha, que Eugênio passou a ocupar apenas de maneira honorária até 1851, quando se aposentou com a patente de almirante.[1] A partir de então, passou a viver na corte, acompanhando com frequência Vítor Emanuel II em suas viagens e desempenhando missões diversas em seu nome.[1] Gozava de prestígio entre as famílias reais europeias, como se tornou claro em 1856, durante o Congresso de Paris após a Guerra da Crimeia.[1] Nesse contexto, seu nome foi cogitado como possível príncipe da Moldávia e Valáquia, conforme um projeto do conde de Cavour, e também como possível rei da Grécia, em substituição ao príncipe Oto da Baviera, proposta apoiada pelo governo britânico.[1] Nenhuma dessas possibilidades se concretizou, em grande medida devido à falta de disposição demonstrada pelo próprio Eugênio, que não parecia inclinado a assumir funções soberanas.[1]

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Com o retorno à rotina da vida cortesã, a Segunda Guerra da Independência devolveu a Eugênio um papel de destaque. Em 29 de abril, enquanto Vítor Emanuel II se preparava para seguir para a frente de batalha, Eugênio foi novamente nomeado tenente-general.[1] Dessa vez, sua atuação não se limitou aos acontecimentos de Turim. Após o retorno do rei à capital, foi encarregado de diversas missões importantes no território italiano.[1] No outono de 1859, as assembleias de Módena e da Toscana solicitaram que assumisse a regência enquanto aguardavam o resultado do voto popular que definiria o novo soberano do que parecia configurar-se como um Reino da Itália Central.[1] Eugênio recusou e indicou um substituto de sua confiança. Durante meses, a possibilidade da formação de um Reino da Itália Central sob sua responsabilidade foi considerada pelas chancelarias europeias.[1] Em 29 de março de 1860, chegou à Toscana como tenente de Vítor Emanuel II, cujo reino havia incorporado o antigo Grão-Ducado.[1] Em 26 de setembro, com a partida de Vítor Emanuel II para a campanha no sul da Itália, Eugênio foi novamente nomeado tenente-general.[1]

Sua permanência em Turim foi breve, pois em 3 de janeiro de 1861 assumiu o cargo de tenente-general das províncias napolitanas, a função mais sensível de sua carreira.[1] Além de administrar questões políticas, enfrentava a necessidade de conduzir uma operação militar, uma vez que o rei Francisco II das Duas Sicílias permanecia entrincheirado em Gaeta.[1] Nesta esfera encontrou maiores dificuldades, sobretudo porque o comando militar havia sido confiado ao general Enrico Cialdini e as relações entre ambos se deterioraram de imediato. Eugênio permaneceu em Nápoles até o fim de maio de 1861.[1] Em 1862, visitou Paris e Londres, onde se realizava a Exposição Universal, ocasião em que teve a oportunidade de encontrar Napoleão III e a Rainha Vitória, discutindo com eles especialmente a Questão Romana.[1]
Vida posterior

Em 25 de novembro de 1863, o príncipe casou-se com a jovem bailarina Felicita Crosio, nascida em 1844 na cidade de Vercelli e então com dezenove anos.[1] A cerimônia ocorreu na Catedral de Turim, capital do recém-unificado Reino da Itália.[1] As Cartas Patentes Reais de 14 de setembro de 1888, concedidas pelo rei Humberto I, validaram como morganático o casamento do príncipe Eugênio e reconheceram o título de condes para a família Villafranca-Soissons, transmissível pela linha masculina direta.[4] Eugênio e sua família permaneceram em Turim após 1864, embora a esposa e os filhos não tivessem acesso ao palácio.[1] O príncipe manteve um apartamento no Palácio Real, enquanto Felicita recebeu um edifício próximo que se tornou a residência do casal.[1] Em junho de 1866, Eugênio voltou a ser nomeado tenente-general por ocasião da partida do rei para a campanha da Terceira Guerra da Independência, o que exigiu sua transferência para Florença.[1]
Nos anos posteriores, exerceu diversas missões em nome do soberano e atuou em numerosas cerimônias oficiais. Em 14 de novembro de 1869, representou Vítor Emanuel II em Nápoles como padrinho do batismo do futuro Vítor Emanuel III.[1] Três dias depois esteve em Florença como padrinho do casamento de Vítor Emanuel II com Rosa Vercellana.[1] Em 1876, a Guarda Nacional foi definitivamente dissolvida e seu comando chegou ao fim. Com a morte de Vítor Emanuel II e a ascensão de Humberto I ao trono em 1878, suas atribuições foram sendo gradualmente reduzidas. Entre 1874 e 1875, mandou erguer uma ampla vila em Rivoli destinada a abrigar sua família, então numerosa.[1]
Eugênio morreu no Palácio Real de Turim em 15 de dezembro de 1888.[1] O funeral solene foi celebrado em 18 de dezembro pelo Cardeal Gaetano Alimonda, Arcebispo de Turim, na Igreja da Grande Mãe de Deus.[5] Ele foi sepultado na cripta real da Basílica de Superga, nos arredores da capital piemontesa.
Referências
- ↑ a b c d e f g h i j k l m n o p q r s t u v w x y z aa ab ac ad ae af ag ah ai aj ak al am an ao ap aq ar as at au av aw ax ay az ba bb bc bd be bf Andrea Merlotti (2018). «SAVOIA VILLAFRANCA, Eugenio Emanuele, principe di Carignano». Enciclopédia Treccani. 91. Dizionario Biografico degli Italiani. Consultado em 4 de dezembro de 2025
- ↑ Alberto Casella. «Cadetti della Real Casa, feudatari del Papa e dell'Imperatore, principi - vescovi. Il titolo di principe in Piemonte (segunda parte)». Rivista del Collegio Araldico. anno CXIX (n. 2 (dezembro de 2022)). pp. 123–124
- ↑ Mauro Ferranti (2013). Eugenio di Savoia-Carignano. [S.l.]: Umberto Soletti Editore. pp. 65–70
- ↑ Mauro Ferranti (2013). Eugenio di Savoia-Carignano. [S.l.]: Umberto Soletti Editore. p. 432
- ↑ Carlo M. Fiorentino (2008). La corte dei Savoia (1849-1900). Bologna: Società editrice il Mulino. p. 181

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