Companhia de Telecomunicações do Estado de São Paulo

Cotesp
Razão socialCompanhia de Telecomunicações do Estado de São Paulo
AtividadeTelecomunicações
Fundação29 de maio de 1964
Encerramento1 de abril de 1976
Sede São Paulo
Área(s) servida(s) São Paulo
Proprietário(s)Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE) (1964-1975)
Telebras (1975-1976)
SubsidiáriasEmpresa Melhoramentos de Andradina (EMA)
Antecessora(s)Companhia Telefônica Tupi
Sucessora(s)Telecomunicações de São Paulo (TELESP)

Companhia de Telecomunicações do Estado de São Paulo (COTESP) foi uma empresa operadora de telefonia fixa criada pelo governo estadual no ano de 1964 para atender diversos municípios e regiões que não dispunham até aquela época de serviço telefônico, tanto local como interurbano.[1]

Origem

Antecessora

A COTESP teve como antecessora a Companhia Telefônica Tupi, empresa fundada em julho de 1960 e com sede na cidade de Taubaté.[2]

Essa empresa prestava os serviços telefônicos no Litoral Norte (São Sebastião, Ilhabela e Ubatuba), no Vale do Paraíba (Santa Branca, Salesópolis, Paraibuna, Jambeiro, Natividade da Serra, São Luiz do Paraitinga[3] e Cunha)[4] e na cidade de Paraty (RJ),[5] locais onde antes o serviço telefônico era prestado por pequenas empresas deficitárias.[6]

Criação da Cotesp

Criada no governo Ademar de Barros, a COTESP originou-se com a compra das ações da Tupi pelo Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE) em maio de 1964, tendo sua sede transferida de Taubaté para São Paulo.[7][8]

Em setembro de 1964 iniciou as suas atividades operacionais, com a incumbência da construção e exploração de serviços telefônicos locais e intermunicipais em todo o território paulista.[9]

Começou a atuar de forma emergencial nas áreas que eram atendidas pela Tupi (uma rede com cerca de 6 mil telefones), onde os serviços telefônicos achavam-se em situação de colapso total.[10]

Também passou a administrar os serviços que já eram explorados pelo DAEE no Litoral Sul (Registro, Pedro de Toledo, Cananéia e outras cidades) e na Alta Araraquarense (compreendendo áreas desde Fernandópolis até Santa Fé do Sul).

Além disso assumiu os sistemas intermunicipais que estavam sendo construídos pelo DAEE no sul do estado (Serviço Rádio Telefone do Litoral Sul e Alto Ribeira) e oeste paulista (Serviço Telefônico da Alta Araraquarense e Média Noroeste).[11][12]

Como o Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE) era seu acionista majoritário, a COTESP era um órgão vinculado à Secretaria de Serviços e Obras Públicas.[13]

Expansão

Incorporações

Visita do governador Laudo Natel à COTESP (1971).

Pouco tempo após o início de suas atividades a COTESP assumiu a concessão em algumas cidades e também incorporou serviços telefônicos locais, como a Telefônica Isabelense.[6]

Entre o final da década de 60 e o início da década de 70 incorporou o serviço telefônico da Estrada de Ferro Campos do Jordão,[14] a Central Telefônica de Cachoeira Paulista,[15][16] a Telefônica Salto de Pirapora, e diversos sistemas telefônicos municipais (entre eles o S.M.T.A. Aparecida e a Telefônica Municipal de Caraguatatuba).

A COTESP também assumiu a administração da Telefônica Sul Paulista (Capão Bonito) em 1969,[17] e da Companhia Telefônica Registro em 1970.[18][19] Além disso a COTESP tinha como subsidiária a EMA - Empresa Melhoramentos de Andradina, da qual era acionista majoritária.[20][21]

Mas mesmo com o apoio do governador Abreu Sodré não conseguiu assumir a administração do SMTAG - Serviço Municipal de Telefones Automáticos de Guarujá.[22][23]

Tentou incorporar a CTLP - Companhia Telefônica do Litoral Paulista,[24] e a CTI - Companhia Telefônica de Itanhaém,[25][26] e também estender seus serviços à Porto Ferreira e outras cidades do vale do Rio Mogi Guaçu, o que não ocorreu.[27]

Só que no início de 1971 sua situação administrativa e operacional beirava o caos, não possuindo sequer uma estrutura que no mínimo possibilitasse a manutenção de seu sistema de telefonia, levando o governador Abreu Sodré, após ouvidos técnicos do Estado e da União, a optar pela incorporação da empresa pela Companhia Telefônica Brasileira como única solução.[28]

No entanto, antes que se tornasse efetiva a sua incorporação, o estado passou a ser administrado por Laudo Natel, que rejeitou a proposta, justificando a condição de deficitária da COTESP devido a sua missão social de servir as zonas mais pobres do estado.[29][10]

Enquanto isso teve sua situação agravada ainda mais, assumindo obsoletos serviços telefônicos municipais, ou propondo a prefeituras de diversas cidades a cessão de suas redes telefônicas,[30][31] mesmo o Ministério das Comunicações baixando portarias proibindo transferência de concessões. Por isso houve acusações de que a COTESP tinha se transformado num instrumento político do governo estadual.[10]

Mas as concessões para operar em grande número desses municípios não foram homologadas pelo Dentel, mesmo com a COTESP atuando de fato na quase totalidade deles.[10]

Em março de 1972 o ministro das comunicações Hygino Corsetti tenta dissuadir o governador Laudo Natel da posição em que se colocara, para efetivar a incorporação da COTESP pela CTB, mas não obteve sucesso.[10]

Após um ano, em março de 1973, houve uma nova reunião do ministro com o governador, pois o Ministério das Comunicações estava encontrando dificuldades em promover a absorção das pequenas empresas de telecomunicações municipais que eram vinculadas a COTESP, na urgência em definir a situação da CTB já que o governo estava criando a TELESP para substituí-la.[32]

Convênio Cotesp / Telesp

Assinatura do convênio COTESP / TELESP no Palácio dos Bandeirantes (1973).

Como o Ministério das Comunicações estabeleceu como política básica para realização dos grandes planos de expansão a integração operacional nos estados, e ao mesmo tempo a COTESP, através do governo estadual, estava dificultando essa política, oferecendo resistência à sua integração à TELESP, empresa-pólo da Telebrás no estado e sucessora da CTB,[33] deu entrada na Câmara Federal em junho de 1973 um projeto de lei para desapropriar as ações da COTESP e incorporá-la a Telebrás.[34]

Em 25 de outubro de 1973, através de um convênio firmado entre a Telesp (representada pelo presidente Antonio Salles Leite) e a COTESP (representada pelo presidente Vicente Marques), com a interveniência do governo estadual (representado por Laudo Natel) e da Telebrás (representada pelo presidente Euclides Quandt de Oliveira), o processo de incorporação começou a se concretizar.[35][36]

Pelo convênio foram transferidos imediatamente para a TELESP todo seu serviço interurbano e as concessões dos serviços urbanos de 89 localidades, não podendo mais assumir serviços telefônicos municipais no estado de São Paulo.[34]

Também foi elaborado em conjunto o Plano Diretor Estadual de Telecomunicações, sob a coordenação da Telebrás, pelo qual até o ano de 1980 a média de telefones no estado deveria ser de 12 por 100 habitantes e que cidades com mais de 10 mil habitantes deveriam estar interligadas ao DDD.[34]

Somente permaneceram com a COTESP os serviços urbanos das 86 localidades que faziam parte de seu plano de expansão e automatização aprovado pelo governo do estado em dezembro de 1972,[37][38][39] e que após o término da execução desses serviços seria efetivada a unificação gradual da COTESP com a TELESP, mas no prazo máximo de 480 dias a contar da data de assinatura do convênio.[34]

Nesse período continuaram as acusações de que a COTESP tinha se transformado em um instrumento político do governo estadual, nesse caso visando as eleições de 1974.[40]

Estrutura operacional

Sede administrativa

Sede administrativa da Avenida Paulista (1971).

Sua primeira sede administrativa, inaugurada em setembro de 1964, ficava na Rua Álvaro de Carvalho, 48 - 2° andar - República,[41] transferida em janeiro de 1968 para a Avenida Paulista, 1009 - 15º andar - Jardim Paulista.[42]

Em novembro de 1971 foi adquirida a sede própria, o edifício da Rua Costa, 55 - Consolação.[43][44]

Presidentes

Terminais telefônicos

Eliminação de zonas mudas

Posto de Serviço (PS) de São Miguel Arcanjo (1974).

Um dos principais objetivos da COTESP era eliminar as chamadas "zonas mudas" (cidades sem nenhuma comunicação telefônica) em sua área de atuação, com a instalação de Postos de Serviços (PS) nessas cidades, interligados a linhas interurbanas que os conectavam a outras cidades que já dispunham de serviços telefônicos.[54][55]

Como parte integrante do seu plano de obras em 1968 foram inauguradas na região da Alta Araraquarense linhas telefônicas para os distritos de Nova Canaã, Vitória Brasil, Pontalinda, Fátima Paulista, Dirce Reis, Aparecida do Bonito, Esmeralda, Mesópolis, Dalas e Santa Isabel do Marinheiro.[56][57]

Entre o final de 1971 e o início de 1972 eliminou as últimas zonas mudas da Região Sul,[58][59] com a inauguração das linhas telefônicas de Barra do Turvo,[60][61][62] Biguá, Juquitiba[60][62] e São Lourenço da Serra,[60][62] e eliminou as últimas zonas mudas do Vale do Paraíba,[63] com a inauguração das linhas telefônicas de Jambeiro, Lagoinha, Natividade da Serra, Redenção da Serra[64] e São Francisco Xavier.[65]

E em agosto de 1972 a COTESP eliminou a última zona muda da Alta Araraquarense e Média Noroeste, com a inauguração da linha telefônica de Itapura.[66]

Várias pequenas localidades também deixaram de ser zonas mudas através de linhas telefônicas do programa de expansão da rede de telefonia rural, entre elas Turiba do Sul[67] e Raposo Tavares.[68]

Plano de expansão

Obras da central trânsito de Jales (1968).

No final de 1972 a COTESP operava cerca de 16 mil telefones, quando funcionava em todo o estado de São Paulo uma rede de quase 1 milhão de telefones, ou seja, a empresa operava apenas 1,3% do total de telefones do estado.[10]

Com o objetivo de quadruplicar esse número, a COTESP elaborou seu plano de expansão, que foi aprovado pelo governo do estado em dezembro de 1972,[69] e iniciado em 1973, abrangendo serviços locais e interurbanos, dividindo a execução desse plano em duas etapas, em que se levou em conta um programa de prioridades ditado pelas necessidades sócio-econômicas das regiões atendidas.[38]

O plano consistia, além da ampliação do número de terminais telefônicos, na implantação de centrais automáticas em diversas localidades e de centrais trânsito, e ampliação dos serviços interurbanos, interligando toda a área de concessão da COTESP com as demais do estado.[38]

Primeira etapa

Obras da central telefônica de Pereira Barreto (1973), que fazia parte da primeira etapa do plano de expansão.

A primeira etapa consistia na instalação de 24.250 terminais telefônicos:[70]

  • Vale do Paraíba e Litoral Norte:[38] implantação de 3 centrais MFC e substituição de 3 centrais decádicas já existentes por centrais MFC (8.800 T.)
  • Vale do Ribeira e Região Sul:[38] implantação de 10 centrais decádicas e ampliação de 3 já existentes (2.150 T.), e posterior substituição de 4 dessas centrais decádicas por centrais MFC, além da implantação de mais 1 central MFC (4.600 T.)
  • Alta Araraquarense e Média Noroeste:[38] implantação de 12 centrais decádicas e ampliação de 1 já existente (1.700 T.), substituição de 2 centrais decádicas por centrais MFC, além da implantação de mais 1 central MFC (7.000 T.)

Além disso deveriam ser implantadas 4 centrais trânsito. A primeira etapa não foi finalizada por completo, sendo o restante feito pela TELESP.[71]

Segunda etapa

A segunda etapa consistia na instalação de 11.950 terminais telefônicos:

  • Vale do Paraíba e Litoral Norte:[38] implantação de 6 centrais decádicas (750 T.), implantação de 1 central MFC e ampliação de 7 já existentes (4.100 T.)
  • Vale do Ribeira e Região Sul:[72] implantação de 10 centrais decádicas e ampliação de 1 já existente (1.250 T.), e posterior substituição dessa central decádicas ampliada por central MFC, além da implantação de mais 2 centrais MFC (2.000 T.)
  • Alta Araraquarense e Média Noroeste:[72] implantação de 30 centrais decádicas (2.450 T.) e implantação de 3 centrais MFC (1.400 T.)

A segunda etapa praticamente ficou apenas no planejamento, com poucas obras feitas.[73] A sua implantação de fato ficou a cargo da TELESP, que a fez com inúmeras modificações, de acordo com o seu próprio planejamento.[74]

Telefonia rural

Foi a COTESP que, de forma pioneira, inaugurou o primeiro posto telefônico rural do país, ao instalar uma estação satélite automática no Bairro do Alegre, município de Salesópolis, em 1968.[75][76]

Também através da COTESP foi desenvolvido a partir de 1972 o plano de telefonia rural, através do qual o estado financiaria projetos para a implantação de cooperativas de telefonia rural em diversas cidades do interior.[77][78]

Centrais telefônicas

Centrais automáticas

Antes de serem atendidas pela COTESP as cidades de Andradina (1.000 T.),[79] Aparecida (700 T.), Campos do Jordão (1.500 T.),[80][81] Capão Bonito (200 T.),[82] Itararé (320 T.)[79] e Nhandeara (100 T.) já contavam com sistema telefônico automático.[11]

A COTESP implantou entre os anos de 1966 e 1973 centrais telefônicas automáticas em várias cidades de sua área de cobertura:[83][84][85][86][87]

Inauguração de centrais decádicas provisórias
Inauguração da central telefônica de Caçapava (1969).
Inauguração da central telefônica de Registro (1971).
Central telefônica decádica de Registro (1971).
Diferente dos dias atuais, era comum inaugurações serem acompanhadas por multidão de pessoas em cidades do interior. Praça dos Expedicionários em Registro, na inauguração da central telefônica (1971).

Primeira etapa do plano de expansão

Através da primeira etapa do plano de expansão aprovado em 1972[37] implantou mais centrais telefônicas automáticas, inauguradas entre 1974 e 1975:[38][115][116][117]

As centrais decádicas do tipo UD (Philips-Inbelsa) foram instaladas em prédios padrão modulados,[129] cujas características principais eram o seu custo econômico e a facilidade de instalação a curto prazo, as quais proporcionavam solução rápida à problemas de comunicação em locais de baixa densidade populacional.[130][131][132][133]

Inauguração de centrais decádicas UD (1974)
Central telefônica decádica de Salto de Pirapora.
Central telefônica decádica de Sud Mennucci.
Inauguração da central telefônica de Ribeira.
Inauguração da central telefônica de Iporanga.
  • inaugurou centrais decádicas provisórias em Angatuba (200 T.), Auriflama (200 T.) e Nhandeara (200 T.), instaladas em prédios padrão modulados, substituídas pela TELESP por centrais MFC instaladas em prédios especiais construídos pela COTESP[134]
  • ampliou as centrais decádicas de Itararé (400 T.) e Peruíbe (400 T.), substituídas pela TELESP por centrais MFC instaladas em prédios especiais construídos pela COTESP[134]
  • substituiu centrais decádicas por centrais MFC em Andradina (4.400 T.),[135][136] Caçapava (2.600 T.) e Campos do Jordão (Abernéssia 2.000 T. e Emílio Ribas 1.000 T.),[137] instaladas em prédios especiais[71][138]
Inauguração de centrais MFC (1975)
Inauguração da central telefônica de Caçapava.
Central telefônica MFC de Caçapava.
Inauguração da central telefônica de Andradina.
Central telefônica MFC de Andradina.

De acordo com convênio firmado com a TELESP, coube a COTESP a parte referente a construção dos prédios, fornecimento de força, engenharia e supervisão das novas centrais automáticas MFC de Angatuba,[139] Auriflama, Caraguatatuba,[140] Cachoeira Paulista,[141][142][143] Ibiúna,[144][145][146] Itararé, Nhandeara,[147] Pereira Barreto,[148][135][149] Peruíbe,[150][151] Piquete[142] e Registro,[152][153] e a TELESP se encarregou da instalação e ativação dos equipamentos.[115][116]

Segunda etapa do plano de expansão

Diferente da primeira etapa, pouco se fez através da segunda etapa do plano de expansão aprovado em 1972:[37][38][72]

Seguiu-se o que estava previsto no convênio firmado com a TELESP para as novas centrais automáticas MFC de Aparecida, Capão Bonito[154][123] e Cardoso.[115][116] Foram planejadas centrais MFC para Apiaí, Buritama, Castilho e Itaporanga, implantadas pela TELESP.[73] Também todas as centrais decádicas planejadas foram implantadas pela TELESP, sendo que 27 delas foram inauguradas no ano de 1977.[155]

Além disso houve doações de terrenos para a COTESP por parte de algumas prefeituras para a construção das centrais telefônicas automáticas planejadas, como em Braúna,[156] Castilho,[157] Floreal,[158] Macatuba,[159] Porangaba,[160] Santópolis do Aguapeí[161] entre outras.

Prédios

Diferente de outras companhias telefônicas, os prédios das centrais foram projetados para atender as necessidades locais sem perder de vista os aspectos arquitetônicos, harmonizados com as características urbanísticas das cidades.[87][117][162]

Central telefônica de Campos do Jordão, projeto de Ruy Ohtake e Júlio Katinsky.

As maiores cidades receberam prédios especiais com até cinco pavimentos, sendo que a maioria deles foram construídos em arquitetura brutalista. Também inspirado no brutalismo, o arquiteto Ruy Ohtake,[163] um dos mais conceituados do Brasil, fez para a COTESP dois projetos que mereceram destaque:[164] as centrais telefônicas de Campos do Jordão[165][166][167] e de Ibiúna.[168][169][170]

Já os projetos das centrais telefônicas das cidades históricas de São Sebastião e Ilhabela foram inspirados no estilo colonial brasileiro.[171]

Nas menores cidades de início foram construídos prédios simples de alvenaria, mas posteriormente foram utilizados prédios padrão modulados com projeto do arquiteto Júlio Katinsky.[129][172]

Os prédios das centrais telefônicas são utilizados até hoje pela Vivo, mas são bens imóveis passíveis de reversão (bens reversíveis).[173]

Numeração telefônica

Tendo em vista a realidade da implantação do DDD, em 1971 a COTESP começou a utilizar prefixos telefônicos de um dígito nas centrais automáticas de maior porte que iam sendo inauguradas.

A partir de 1973 em todas as centrais automáticas inauguradas, inclusive nas de pequeno porte, eram utilizados os prefixos telefônicos de um dígito, pois já estavam preparadas para o DDD.[130]

Sistemas DDD/DDI

Implantação

Campos do Jordão foi a única cidade a receber o sistema de Discagem Direta à Distância (DDD) enquanto era atendida pela COTESP. A inauguração ocorreu no dia 29 de maio de 1974, data do 10º aniversário de fundação da COTESP, tratando-se da obra mais dispendiosa da empresa em sua história.[137] Já o sistema de Discagem Direta Internacional (DDI) foi inaugurado na cidade pela TELESP.[174]

Inauguração do DDD em Campos do Jordão (1974)

Rotas interurbanas

A COTESP foi a responsável por ampliar os serviços interurbanos interligando suas áreas de concessão com as demais do estado, através de sistemas de ondas portadoras, UHF e enlace de microondas, permitindo a posterior implantação do sistema de Discagem Direta à Distância (DDD).[38][175]

O projeto de microondas da COTESP foi aprovado junto com o seu plano de expansão em 1972, e permitia que ao lado das comunicações telefônicas fossem efetuadas transmissões de rádio e televisão, permitindo sua utilização pela TV Educativa do Estado (TV2 - Cultura) e pelo Mobral.[37]

Rotas de microondas no estado de São Paulo (1972).

Foram obras da COTESP:

  • a ampliação do sistema UHF no Vale do Ribeira, inaugurado em 1960,[176] interligando a torre do Morro da Boa Vista[150][177][178][179] em Pedro de Toledo com a estação repetidora do Morro do Chiqueiro em Itapecerica da Serra, e desta com a torre do Sumaré[180] em São Paulo. Foi desativado no ano de 1977 com a inauguração do sistema microondas[181][182]
  • a implantação dos troncos de microondas Campos do Jordão-Taubaté e Caraguatatuba-Taubaté, fazendo conexão com o sistema de microondas da CTB em Taubaté, tendo como alternativa uma outra conexão com o sistema de microondas da Embratel em São José dos Campos[181][183][37]
  • o planejamento dos troncos de microondas Registro-São Paulo,[184] Peruíbe-Itanhaém e Itararé-Itapeva, ligando diretamente a região sul do estado à capítal[37]
  • o planejamento do tronco de microondas Andradina-Araçatuba e seus ramais, fazendo conexão com o tronco oeste da Embratel[37]
  • o planejamento do tronco de microondas Jales-São José do Rio Preto e seus ramais, fazendo conexão com o tronco São José do Rio Preto-São Paulo da CTB[37]
  • a implantação das centrais trânsito dos centros terciários de Jales[185] e Andradina, e a construção das centrais trânsito dos centros terciários de Caraguatatuba[186] e Registro,[152][25] que foram implantadas pela TELESP

Área de cobertura

Área de cobertura da COTESP (1973).

A COTESP atuava em três grandes áreas distintas do estado de São Paulo:[58][39][187][188]

Também assumiu os serviços telefônicos de várias cidades localizadas fora dessas três regiões, mas por pouco tempo.

Localidades atendidas

Localidades atendidas pela COTESP transferidas para a TELESP:[11]

Localidade Transf. Cotesp Central telefônica Transf. Telesp
Adolfo 1973 PS 1973
Águas de Santa Bárbara [189] 1972 [63] manual 1973
Álvares Florence 1969 [190] manual [nota 1] 1975
Alvinlândia 1972 [63] manual 1973
Américo de Campos 1973 [191] manual [nota 2] 1975
Andradina 1970 [20] automática (1957, 1975) 1975
Angatuba [192] 1972 [193] automática (1974) [nota 3] 1975
Anhembi 1972 [194] manual 1973
Aparecida 1972 [195] automática (1968) [nota 4] 1975
Aparecida d'Oeste 1968 [185] manual [nota 2] 1975
Apiaí [192] 1965 [196] manual [nota 4] 1975
Araçoiaba da Serra 1971 [63] manual 1973
Arealva 1972 [63] manual 1973
Arujá [192] 1964 [197] automática (1971) 1975
Auriflama [192] 1969 [185] automática (1974) [nota 3] 1975
Bairro do Jacaré 1972 [198] manual 1973
Balbinos 1972 [63] PS 1973
Bananal [192] 1965 [176] automática (1968) 1975
Barão de Antonina 1973 [nota 5] manual [nota 2] 1975
Barbosa 1972 [199] manual [nota 1] 1975
Barra do Turvo 1972 [63] PS 1973
Bento de Abreu 1973 [nota 5] manual [nota 1] 1975
Biritiba Mirim 1971 [63] PS 1973
Borá 1973 [nota 5] manual 1973
Boracéia [189] 1972 [200] manual 1973
Braúna [189] 1970 [201] manual [nota 2] 1975
Buri 1970 [nota 5] automática (1971) 1975
Buritama [189] 1973 [202] manual [nota 4] 1975
Caçapava [192] 1965 [203] automática (1969, 1975) 1975
Cachoeira Paulista 1972 [16] manual [nota 6] 1975
Campina do Monte Alegre [189] 1972 [193] manual [nota 1] 1975
Campo Limpo Paulista 1972 [204] manual 1973
Campos do Jordão 1971 [205] automática (1959, 1974) 1975
Campos do Jordão (Emílio Ribas) 1971 [205] automática (1959, 1974) 1975
Campos Novos Paulista [192] 1972 [63] manual 1973
Cananéia [192] 1969 [206] automática (1974) 1975
Capão Bonito 1969 [17] automática (1955, 1971) [nota 3] 1975
Capela do Alto 1972 [207] manual [nota 2] 1975
Caraguatatuba[192] 1970 [208] manual [nota 6] 1975
Cardoso[192] 1969 [209] manual [nota 6] 1975
Castilho [189] 1970 [20] manual [nota 4] 1975
Clementina [192] 1972 [nota 5] automática (1974) 1975
Coroados 1973 manual 1975
Coronel Macedo 1972 [63] manual 1973
Cosmorama [189] 1970 [210] manual [nota 2] 1975
Cunha 1964 [197] manual [nota 2] 1975
Dolcinópolis 1968 [185] PS [nota 2] 1975
Duartina 1972 [63] manual 1973
Echaporã 1973 [211] manual 1973
Eldorado [192] 1965 [203] automática (1974) 1975
Estrela d'Oeste [192] 1971 [212] automática (1974) 1975
Floreal [189] 1969 [213] manual [nota 2] 1975
Gabriel Monteiro 1972 [63] PS 1973
Gastão Vidigal [192] 1969 [214] automática (1974) 1975
General Salgado [192] 1968 [215] automática (1974) 1975
Getulina [192] 1972 [nota 5] automática (1974) 1975
Guaimbê [189] 1972 [216] manual 1973
Guapiara 1970 [nota 5] automática (1971) 1975
Guarani d'Oeste 1969 [185] PS 1973
Guareí 1970 [nota 5] manual [nota 2] 1975
Guzolândia 1968 [217] PS [nota 2] 1975
Iacanga 1970 [218] manual 1973
Ibiúna [192] 1972 [63] manual [nota 6] 1975
Igaratá 1971 [63] n/d 1973
Ilha Solteira 1970 [20] automática (1971, 1973) 1975
Ilhabela [192] 1964 [197] automática (1973) 1975
Indiaporã [192] 1969 [219] automática (1974) 1975
Iporanga [192] 1966 [220] automática (1974) 1975
Irapuã 1972 [63] manual 1973
Itaberá [189] 1971 [221] manual [nota 2] 1975
Itaporanga 1972 [222] manual [nota 4] 1975
Itapura 1972 [66] PS [nota 1] 1975
Itararé 1972 [63] automática (1952, 1974) [nota 3] 1975
Itariri [192] 1965 [203] automática (1974) 1975
Jaci 1972 [nota 5] manual 1973
Jambeiro [189] 1964 [197] PS [nota 2] 1975
Júlio Mesquita 1972 [223] manual 1973
Juquitiba 1972 [65] automática (1974) 1975
Lagoinha 1964 [197] PS 1973
Lavínia 1973 [nota 5] manual [nota 1] 1975
Lucianópolis 1973 [nota 5] manual 1973
Luiziânia 1972 manual [nota 1] 1975
Lupércio 1972 [63] manual 1973
Lutécia 1973 [nota 5] manual 1973
Macatuba [189] 1972 [224] manual 1973
Macaubal [192] 1969 [225] automática (1974) 1975
Macedônia [189] 1969 [185] PS [nota 2] 1975
Magda 1969 [226] manual [nota 2] 1975
Marinópolis 1968 [185] PS 1973
Mendonça 1970 [227] PS 1973
Meridiano [192] 1969 [228] automática (1974) 1975
Mira Estrela [189] 1969 [185] PS [nota 2] 1975
Miracatu [192] 1968 [229] automática (1973) 1975
Mirassolândia 1970 [nota 5] PS 1973
Mombuca 1973 [nota 5] manual 1973
Monções 1969 manual [nota 1] 1975
Monte Castelo 1971 [63] manual 1973
Monteiro Lobato 1971 [63] PS [nota 2] 1975
Murutinga do Sul 1973 [nota 5] manual [nota 2] 1975
Narandiba 1973 [nota 7] PS 1973
Natividade da Serra 1964 [197] PS 1973
Nhandeara [192] 1972 [230] automática (1965, 1974) [nota 3] 1975
Nipoã 1969 [231] manual [nota 1] 1975
Nova Guataporanga 1972 [63] PS 1973
Nova Independência 1972 [232] manual 1973
Nova Luzitânia 1969 [233] manual [nota 1] 1975
Ocauçu 1973 [nota 5] manual 1973
Óleo [189] 1973 [nota 5] manual 1973
Oscar Bressane 1973 [nota 5] manual 1973
Ouro Verde 1972 [63] manual 1973
Ouroeste [189] 1969 PS [nota 1] 1975
Paraibuna [192] 1964 [197] automática (1973) 1975
Paranapuã 1968 [185] PS [nota 2] 1975
Paraty 1964 [197] manual 1973
Pariquera-Açu [192] 1965 [234] automática (1967) 1975
Pedranópolis 1968 [185] PS 1973
Pedro de Toledo 1964 [235] automática (1974) 1975
Pereira Barreto [192] 1970 [20] automática (1971) [nota 3] 1975
Peruíbe [192] 1965 [236] automática (1966) [nota 3] 1975
Piacatu [189] 1972 [63] manual [nota 1] 1975
Pilar do Sul 1970 [237] manual [nota 1] 1975
Piquete [192] 1972 [16] manual [nota 6] 1975
Planalto [189] 1970 [nota 8] manual [nota 1] 1975
Platina 1973 PS 1973
Poloni [189] 1969 [238] manual [nota 2] 1975
Pongaí 1972 [63] manual 1973
Pontes Gestal 1969 [185] PS 1973
Populina [192] 1968 [185] automática (1974) 1975
Porangaba [189] 1970 [239] manual 1973
Praia do Lázaro [192] 1964 [240] automática (1971) 1975
Redenção da Serra 1971 [63] PS 1973
Reginópolis 1971 [241] manual 1973
Registro [192] 1970 [19] automática (1971) [nota 3] 1975
Ribeira [192] 1966 [220] automática (1974) 1975
Ribeirão Branco [189] 1971 [242] manual [nota 2] 1975
Riversul [189] 1972 [63] manual [nota 2] 1975
Rubiácea 1970 [243] manual [nota 1] 1975
Rubinéia 1968 [185] PS 1973
Sabino 1972 [nota 5] manual 1973
Salesópolis [192] 1964 [197] automática (1968) 1975
Salmourão 1972 [63] manual [nota 2] 1975
Salto de Pirapora 1970 [244] automática (1974) 1975
Sandovalina 1973 [nota 7] PS 1973
Santa Branca [192] 1964 [240] automática (1971) 1975
Santa Clara d'Oeste 1968 [185] PS 1973
Santa Isabel 1964 [197] automática (1971) 1975
Santa Rita d'Oeste [192] 1968 [185] automática (1974) 1975
Santana da Ponte Pensa 1968 [185] PS 1973
Santo Antônio do Pinhal [189] 1971 [63] manual [nota 2] 1975
Santópolis do Aguapeí 1972 [245] manual [nota 1] 1975
São Bento do Sapucaí 1971 [63] manual [nota 2] 1975
São Francisco 1968 [185] PS 1973
São Francisco da Praia [192] 1964 [240] automática (1971) 1975
São Francisco Xavier 1972 [65] PS 1973
São João das Duas Pontes 1968 [185] PS 1973
São João do Pau d'Alho 1972 [63] PS 1973
São Lourenço da Serra 1972 [65] PS 1973
São Luiz do Paraitinga [192] 1964 [197] manual [nota 1] 1975
São Miguel Arcanjo [192] 1970 [246] automática (1974) 1975
São Pedro do Turvo 1971 [247] manual 1973
São Sebastião [192] 1964 [197] automática (1971) 1975
Sapucaí-Mirim 1971 [63] PS 1975
Sarapuí 1971 [63] manual [nota 2] 1975
Sebastianópolis do Sul 1970 [83] PS 1973
Sete Barras [192] 1965 [248] automática (1967) 1975
Sud Mennucci [192] 1972 [63] automática (1974) 1975
Taciba 1973 [nota 5] manual 1973
Taguaí 1973 [nota 5] manual 1973
Tapiraí [189] 1970 [237] PS [nota 2] 1975
Tarabai 1973 [nota 7] PS 1973
Tejupá 1973 [nota 5] manual 1973
Timburi [189] 1972 [63] manual 1973
Turiúba 1969 [249] manual 1975
Turmalina 1970 [250] PS 1973
Ubatuba [192] 1964 [197] automática (1971) 1975
Ubirajara 1973 [nota 5] manual 1973
União Paulista 1969 [251] PS 1973
Uru 1971 [252] PS 1973
Valentim Gentil [189] 1970 [nota 5] manual [nota 1] 1975
Zacarias 1970 [nota 8] manual [nota 1] 1975

Fim da empresa

A COTESP encerrou suas operações em 13 de março de 1975 no governo Paulo Egydio Martins quando, em atendimento ao convênio firmado em outubro de 1973, foram transferidos para a Telecomunicações de São Paulo (TELESP) os serviços urbanos das localidades que ainda atendia[253][254] e o controle acionário da empresa.[255] Por fim foi incorporada definitivamente em 1º de abril de 1976.[256]

Ver também

Notas e referências

Ligações externas

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