Kobus ellipsiprymnus

Cobo-de-meia-lua
Macho no Masai Mara, no Quênia
Macho no Masai Mara, no Quênia
Fêmea no Parque Nacional do Lago Nakuru, no Quênia
Fêmea no Parque Nacional do Lago Nakuru, no Quênia
Estado de conservação
Espécie pouco preocupante
Pouco preocupante (IUCN 3.1) [1]
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Mammalia
Ordem: Artiodactyla
Família: Bovidae
Subfamília: Antilopinae
Tribo: Reduncini
Gênero: Kobus
Espécie: K. ellipsiprymnus
Nome binomial
Kobus ellipsiprymnus
(Ogilby, 1833)
Distribuição geográfica
Distribuição do cobo-de-meia-lua e seus dois grupos de subespécies
Distribuição do cobo-de-meia-lua e seus dois grupos de subespécies

O cobo-de-meia-lua[2] (Kobus ellipsiprymnus, cobo-de-crescente[3] ou cobo-de-água[4], também conhecido como inhacoso[5] ou piva[6], em Moçambique, e quissema[7], em Angola, é um antílope encontrado na África Subsaariana.[1] É uma das cinco espécies do gênero Kobus, da tribo Reduncini, que integra a subfamília Antilopinae, da família dos bovídeos.[8] É classificado pela IUCN como uma espécie pouco preocupante.[1] Há várias subespécies, como o K. e. unctuosus e o K. e. defassa, ambos denominados sim-sim.[9]

Os nomes cobo-de-meia-lua ou cobo-de-crescente fazem referência ao formato de seus chifres. Chegam a medir 1,5 m de altura e pesar até 235 kg. Os machos possuem chifres grandes e bem desenvolvidos. O cobo-de-meia-lua é um animal herbívoro que se desloca em manadas de 12 a 30 animais. Machos e fêmeas vivem separados na maior parte do tempo, exceto na época de acasalamento. O período de gestação é de 240 dias, e os filhotes normalmente nascem no verão. O cobo-de-meia-lua é um excelente nadador, por isso sempre corre para a água quando há perigo. Seus principais predadores são os leões e os leopardos.[carece de fontes?]

Nomenclatura e taxonomia

A espécie foi descrita por William Ogilby em 1833 como Antilope ellipsiprymnus.[10] O epíteto específico ellipsiprymnus provem do grego ellipes (elipse) e prymnus (região traseira), referindo-se a faixa branca elíptica na região traseira. Em 1840, Andrew Smith transferiu a espécie pra o gênero Kobus, recombinando-a para Kobus ellipsiprymnus.[11]

Até 37 subespécies já foram reconhecidas com base no padrão da pelagem, divididas em dois grupos principais, ellipsiprymnus com 8 subespécies e defassa com 29.[12] Em 1971, Ansell revisou o número de subespécies reduzido para treze (4 no grupo ellipsiprymnus e 9 no defassa).[13] Em 2005, o Mammals Species of the World manteve a revisão de Ansell como válida:

  • Grupo K. e. ellipsiprymnus: encontrado no sudeste da África, ocorrendo do sul da Somália até a África do Sul (KwaZulu-Natal) e no interior até o Rift de Gregory e Botswana. Inclui as subespécies:
    • K. e. ellipsiprymnus (Ogilby, 1833)
    • K. e. kondensis Matschie, 1911 (inclui K. e. lipuwa e K. e. kulu)
    • K. e. pallidus Matschie, 1911
    • K. e. thikae Matschie, 1910 (inclui K. e. kuru e K. e. canescens)
  • Grupo K. e. defassa: encontrado a oeste do Rifte de Gregory, ocorrendo da Etiópia até o Senegal, a oeste, e ao sul até a Zâmbia. Inclui as subespécies:
    • K. e. adolfifriderici Matschie, 1906 (inclui K. e. fulvifrons, K. e. nzoiae e K. e. raineyi)
    • K. e. annectens Schwarz, 1913 (inclui K. e. schubotzi)
    • K. e. crawshayi P. L. Sclater, 1894 (inclui K. e. uwendensis, K. e. frommiand e K. e. münzneri)
    • K. e. defassa Rüppell, 1835 (inclui K. e. matschiei e K. e. hawashensis)
    • K. e. harnieri Murie, 1867 (inclui K. e. avellanifrons, K. e. ugandae, K. e. dianae, K. e. ladoensis, K. e. cottoni, K. e. breviceps, K. e. albertensis e K. e. griseotinctus)
    • K. e. penricei W. Rothschild, 1895
    • K. e. tjäderi Lönnberg, 1907 (inclui K. e. angusticeps e K. e. powelli)
    • K. e. tschadensis Schwarz, 1913
    • K. e. unctuosus Laurillard, 1842 (inclui K. e. togoensis)

Alguns pesquisadores reconhecem apenas duas subespécies válidas, Kobus ellipsiprymnus ellipsiprymnus e Kobus ellipsiprymnus defassa com base em diferenças na região traseira, no padrão da pelagem e na distribuição geográfica, separadas pelo Rifte de Gregory, ocorrendo sobreposição apenas no Quênia e norte da Tanzânia.[14][15][1]

Referências

  1. a b c d IUCN SSC Antelope Specialist Group (7 de janeiro de 2016). «Kobus ellipsiprymnus (Waterbuck)». The IUCN Red List of Threatened Species (em inglês). doi:10.2305/iucn.uk.2016-2.rlts.t11035a50189324.en. Consultado em 3 de dezembro de 2025 
  2. «cobo-de-meia-lua». Dicionário Priberam da Língua Portuguesa. Consultado em 3 de dezembro de 2025 
  3. «cobo-de-crescente». Dicionário Priberam da Língua Portuguesa. Consultado em 3 de dezembro de 2025 
  4. «cobo-de-água». Dicionário Infopédia da Língua Portuguesa. Consultado em 3 de dezembro de 2025 
  5. «inhacoso». Dicionário Priberam da Língua Portuguesa. Consultado em 3 de dezembro de 2025 
  6. «piva». Dicionário Priberam da Língua Portuguesa. Consultado em 3 de dezembro de 2025 
  7. «quissema». Dicionário Priberam da Língua Portuguesa. Consultado em 3 de dezembro de 2025 
  8. «Kobus ellipsiprymnus • Waterbuck». www.mammaldiversity.org. Consultado em 3 de dezembro de 2025 
  9. A Fauna (Lisboa: Europa-América, [1971]), red. Felix Rodriguez de la Fuente et al., trad. A.M. Nunes e C. Nunes, Vol. 11, p. 151.
  10. Ogilby, W. (1833). «Characteres of a new species of antelope». Proceedings of the Zoological Society of London. 1833 (1). 41 páginas 
  11. Smith, A. (1840). Illustrations of the Zoology of South Africa - Mammalia. Londres: Smith, Elder and Co. 
  12. Allen, G.M. (1939). «A checklist of African mammals». Bull. Mus. compo Zool. Harv. 83: 1-763 
  13. Ansell, W.F.H. (1971). Meester, J.; Setzer, H.W. (eds.), ed. The Mammals of Africa: an Identification Manual. Washington, D.C.: Smithsonian Institution Press. pp. 41–42 
  14. Lorenzen, E.D.; Simonsen, B.T.; Kat, P.W.; Arctander, P.; Siegismund, H.R. (2006). «Hybridization between subspecies of waterbuck (Kobus ellipsiprymnus) in zones of overlap with limited introgression». Molecular Ecology. 15: 3787-3799 
  15. Spinage, C.A. (2013). Kingdon, J.S.; Hoffmann, M. (eds), ed. The Mammals of Africa. VI. Amsterdã: Academic Press. pp. 461–468