Capricornis sumatraensis

Serau-de-crina
Serau-de-crina no Zoológico Dusit, Bangkok, Tailândia.
Serau-de-crina no Zoológico Dusit, Bangkok, Tailândia.
Estado de conservação
Espécie vulnerável
Vulnerável (IUCN 3.1) [1]
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Mammalia
Ordem: Artiodactyla
Família: Bovidae
Subfamília: Antilopinae
Tribo: Caprini
Gênero: Capricornis
Espécie: C. sumatraensis
Nome binomial
Capricornis sumatraensis
(Bechstein, 1799)
Distribuição geográfica
Distribuição territorial do serau-de-crina
Distribuição territorial do serau-de-crina
Subespécies
4, ver texto.

O serau-de-crina[2] (Capricornis sumatraensis) é uma espécie de mamífero caprino do gênero Capricornis nativa da Ásia.[1][3] O serau-de-crina está intimamente relacionado com o serau-vermelho.[4] É classificado como vulnerável pela IUCN.[5]

O serau-de-crina[2] recebe esse nome devido ao conjunto de pelos mais longos que percorrem sua cabeça e pescoço. Essa crina é uma característica distintiva, pois não é tão proeminente nas outras espécies do gênero Capricornis, auxiliando na sua diferenciação. Embora cada subespécie de Capricornis sumatraensis tenha seu próprio nome comum consolidado, o termo "serau-de-crina" é usado como uma denominação comum para se referir às quatro subespécies em conjunto.

Taxonomia

Em 1831, Brian Houghton Hodgson descreveu pela primeira vez um animal parecido com uma cabra com chifres anulados curtos ocorrendo em regiões montanhosas entre os rios Sutlej e Teesta sob o nome de "antílope-bubalino".[6] Como "bubalino" já era usado na taxonomia, ele lhe deu o nome científico de Antelope thar alguns meses depois.[7] Quando William Ogilby descreveu o gênero Capricornis em 1838, ele determinou o serau-do-Himalaia como espécie-tipo deste gênero.[8]

O serau-de-crina atualmente é dividido em quatro subespécies:[9]

Segundo estudo feito em 2019 por Mori et al.[10], que sequenciou pela primeira vez o genoma mitocondrial completo de todos os táxons do gênero Capricornis, não existe nenhuma razão aparente que apoie a separação dos táxons sumatraensis, milneedwardsii (incluindo maritimus) e thar em espécies diferentes. Todos os seraus do continente, com exceção de C. rubidus, foram agrupados no mesmo clado por potencialmente representarem a mesma espécie que C. sumatraensis.

Características

O serau-de-crina possui uma pelagem com pelos protetores, eriçados ou ásperos, que cobrem a camada de pelo mais próxima da pele em vários graus. O animal possui uma crina que cobre a pele desde os chifres até o meio do dorso, entre as escápulas. Os chifres são característicos apenas dos machos e são de cor clara, com aproximadamente quinze centímetros de comprimento e curvam-se ligeiramente em direção ao dorso do animal. O serau-de-crina, tanto macho quanto fêmea, tem cerca de um metro de altura no ombro e normalmente pesa cerca de 90 kg.[11][12]

Distribuição e habitat

O serau-de-crina tem uma distribuição territorial bastante ampla, incluindo a Índia, Nepal, Butão, Bangladesh, China, Myanmar, Tailândia, Laos, Vietnã, Camboja, Malásia e Indonésia. O serau-de-crina habita colinas íngremes e escarpadas até uma altitude de 4500 metros. Prefere terrenos rochosos, mas também é encontrado em florestas e áreas planas. É capaz de nadar até pequenas ilhas costeiras. Esta espécie tem um nível moderado de tolerância à perturbação humana e pode persistir bem em fragmentos de habitat e florestas secundárias, embora evite terras agrícolas.

O serau-do-himalaia (C. s. thar) habita florestas montanhosas acima de uma altitude de 3000 metros, mas desce para 100 metros no inverno.[13] Prefere elevações de 2500 a 3500 metros nos Himalaias.[14]

Dentes de C. sumatraensis foram encontrados em uma escavação em Khok Sung, que se estima ser originária do Pleistoceno Médio.[15]

Comportamento e ecologia

O serau-de-crina é territorial e vive sozinho ou em pequenos grupos.[16] As fêmeas dão à luz um único filhote após um período de gestação de cerca de oito meses.[17]

Conservação

O serau-de-crina está protegido pelo Apêndice I da CITES.[1]

Referências

  1. a b c Phan, T.D.; Nijhawan, S.; Li, S.; Xiao, L. (2020). «Capricornis sumatraensis». Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas. 2020: e.T162916735A162916910. doi:10.2305/IUCN.UK.2020-2.RLTS.T162916735A162916910.enAcessível livremente. Consultado em 16 de janeiro de 2022 
  2. a b «REGULAMENTO (CE) Nº 338/97 DO CONSELHO de 9 de Dezembro de 1996 relativo à protecção de espécies da fauna e da flora selvagens através do controlo do seu comércio». Jornal Oficial da União Europeia: p. 32. 9 de dezembro de 1996. Consultado em 16 de novembro de 2025 
  3. Mori, E.; Nerva, L.; Lovari, S. (2019). «Reclassification of the serows and gorals: the end of a neverending story?». Mammal Review. 49 (3): 256–262. doi:10.1111/mam.12154 
  4. «Chinese Serow - Capricornis milneedwardsii». www.ecologyasia.com. Consultado em 1 de novembro de 2023 
  5. Phan, T.D., Nijhawan, S., Li, S. & Xiao, L. (18 de fevereiro de 2020). «Capricornis sumatraensis (Mainland Serow)». The IUCN Red List of Threatened Species (em inglês). doi:10.2305/iucn.uk.2020-2.rlts.t162916735a162916910.en. Consultado em 12 de novembro de 2025 
  6. Hodgson, B.H. (1831). «On the Bubaline Antelope. (Nobis.)». Gleanings in Science. 3 (April): 122–123 
  7. Hodgson, B.H. (1831). «Contributions in Natural History». Gleanings in Science. 3 (October): 320–324 
  8. Ogilby, W. (1836). «On the generic characters of Ruminants». Proceedings of the Zoological Society of London. 8: 131–140 
  9. «Capricornis sumatraensis (Bechstein, 1799) (T#15274)». Hesperomys. Consultado em 5 de novembro de 2025 
  10. Mori, Emiliano; Nerva, Luca; Lovari, Sandro (julho de 2019). «Reclassification of the serows and gorals: the end of a neverending story?». Mammal Review (em inglês) (3): 256–262. ISSN 0305-1838. doi:10.1111/mam.12154. Consultado em 1 de novembro de 2023 
  11. «serow | mammal | Britannica». www.britannica.com (em inglês). Consultado em 2 de setembro de 2022 
  12. Cunningham, Stephanie. «Capricornis sumatraensis (Sumatran serow)». Animal Diversity Web (em inglês). Consultado em 2 de setembro de 2022 
  13. Choudhury, A. (2003). «Status of serow (Capricornis sumatraensis) in Assam» (PDF). Tigerpaper. 30 (2): 1–2 
  14. Aryal, A. (2009). «Habitat ecology of Himalayan serow (Capricornis sumatraensis ssp. thar) in Annapurna Conservation Area of Nepal» (PDF). Tigerpaper. 34 (4): 12–20 
  15. Suraprasit, Kantapon; Jaeger, Jean-Jacques; Chaimanee, Yaowalak; Chavasseau, Olivier; Yamee, Chotima; Tian, Pannipa; Panha, Somsak (30 de agosto de 2016). «The Middle Pleistocene vertebrate fauna from Khok Sung (Nakhon Ratchasima, Thailand): biochronological and paleobiogeographical implications». ZooKeys (em inglês) (613): 1–157. ISSN 1313-2970. PMC 5027644Acessível livremente. PMID 27667928. doi:10.3897/zookeys.613.8309Acessível livremente 
  16. Lovari, S.; Mori, E.; Procaccio, E.L. (2020). «On the behavioural biology of the Mainland Serow: A comparative study». Animals. 10 (9): 1669. PMC 7552253Acessível livremente. PMID 32948037. doi:10.3390/ani10091669Acessível livremente 
  17. «Sumatran Serow». Encyclopaedia of Life. N.d. Consultado em 4 de novembro de 2022