Soviéticos
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![]() Mapa das Repúblicas da União constituintes do país em 1989 | |
| População total | |
|---|---|
| 286,730,819 (Censo de 1989) | |
| Línguas | |
| Russo,[1] Ucraniano, Bielorrusso, Cazaque, Azeri, Georgiano, Armênio, Uzbeque, Quirguiz, Tajique, Turcomeno, Letão, Estoniano, Romeno, Lituano | |
| Religiões | |
| Cristianismo, Islamismo, Judaísmo, Budismo, Ateísmo, outros (ver: Religião na União Soviética) | |
| Grupos étnicos relacionados | |
| Cidadãos dos Estados pós-soviéticos |
Os soviéticos (em russo: сове́тский наро́д; romaniz.: sovetsky narod) eram os cidadãos e nacionais da União Soviética. Esse gentílico foi apresentado na ideologia do país como a “nova unidade histórica de povos de diferentes nacionalidades” (новая историческая общность людей различных национальностей).[2]
Política de nacionalidades na União Soviética
Ao longo da história da União Soviética, diferentes doutrinas e práticas relativas às distinções étnicas dentro da população soviética foram aplicadas em momentos distintos. As culturas nacionais minoritárias nunca foram completamente abolidas. Em vez disso, a definição soviética de culturas nacionais exigia que fossem “socialistas no conteúdo e nacionais na forma”, uma abordagem usada para promover os objetivos e valores oficiais do Estado. O objetivo era sempre consolidar as nacionalidades em uma estrutura estatal comum. Na década de 1920 e no início da de 1930, a política de delimitação nacional foi usada para demarcar áreas separadas de cultura nacional em unidades territorial-administrativas, e a política de korenizatsiya (indigenização) foi usada para promover o envolvimento de nacionalidades não russas no governo em todos os níveis e fortalecer línguas e culturas não russas. No final da década de 1930, porém, essa política foi alterada para uma promoção mais ativa da língua russa e, mais tarde, para uma russificação mais evidente, que se acelerou nos anos 1950, especialmente na educação soviética. Embora alguma assimilação tenha ocorrido, ela não foi, no geral, plenamente bem-sucedida. O desenvolvimento contínuo de muitas culturas nacionais na União Soviética contribuiu para a elaboração do Novo Tratado da União em 1991 e para a posterior dissolução da União Soviética.[3]
Avaliações de pesquisadores
As avaliações sobre o sucesso da criação dessa nova comunidade são divergentes. Por um lado, o etnólogo V. A. Tishkov e outros historiadores acreditam que, “apesar de todas as deformações sociopolíticas, o povo soviético representava uma nação cívica”.[4][5] O filósofo e sociólogo B. A. Grushin observou que a sociologia na URSS “registrou um tipo histórico único de sociedade que já caiu no esquecimento”. Ao mesmo tempo, segundo a socióloga T. N. Zaslavskaya, ela “não resolveu a principal tarefa associada à identificação tipológica da sociedade soviética”.
Alguns historiadores que avaliam a União Soviética como um império colonial aplicaram à URSS a ideia de “prisão das nações”. Thomas Winderl escreveu: “A URSS tornou-se, em certo sentido, mais uma prisão das nações do que o antigo Império jamais havia sido.”[6]
Em entrevista à Euronews em 2011, o presidente russo Dmitry Medvedev recordou o uso da expressão “povo soviético” como uma “comunidade unificada” na União Soviética, mas acrescentou que “essas construções eram em grande medida teóricas”.[7]
Rússia pós-soviética
Em contraste com a política soviética de identidade nacional, que declarava o povo soviético como uma comunidade supranacional, a Constituição da Federação Russa fala do “povo multinacional da Federação Russa”. Desde o início, a ideia de uma “nação russa” como comunidade de todos os cidadãos da Rússia encontrou oposição.[8]
Em dezembro de 2010, o presidente russo Dmitry Medvedev apontou, durante uma discussão no Conselho de Estado, a falta de uma ideia unificadora para toda a Rússia como um problema e propôs o patriotismo multiétnico como substituto da ideia de “povo soviético”.[9]
Ver também
- Homo sovieticus
- Crisol de raças
- Novo homem soviético
- Ortodoxia, Autocracia e Nacionalidade
- Cosmopolitas sem raízes
- Russificação
- Zhonghua minzu
- Iugoslavos
Referências
- ↑ «Language Policy in the former Soviet Union». H. Schiffman. Universidade da Pensilvânia. 19 de novembro de 2002
- ↑ Grande Enciclopédia Soviética, artigo "Советский народ" por Suren Kaltakhchian [ru]
- ↑ Anderson, Barbara A.; Silver, Brian D. (2019). «Some Factors in the Linguistic and Ethnic Russification of Soviet Nationalities: Is Everyone Becoming Russian?». In: Hajda, Lubomyr; Beissinger, Mark. The Nationality Factor in Soviet Politics and Society. [S.l.]: Routledge. pp. 95–130. ISBN 9781000303766
- ↑ «Российский народ и национальная идентичность». Известия (em russo). 19 de junho de 2007. Consultado em 9 de agosto de 2021
- ↑ admin. «СОВЕТСКИЙ НАРОД: ГОСУДАРСТВЕННО-ПОЛИТИЧЕСКИЙ КОНСТРУКТ | Аналитика культурологии». analiculturolog.ru (em russo). Consultado em 9 de agosto de 2021
- ↑ Bekus, Nelly (1 de janeiro de 2010). Struggle Over Identity: The Official and the Alternative "Belarusianness" (em inglês). [S.l.]: Central European University Press. 42 páginas. ISBN 978-963-9776-68-5
- ↑ ГРИШИН, Александр (10 de setembro de 2011). «Дмитрий Медведев: "Термин "советский народ" оказался теоретическим"». kp.ru (em russo). Consultado em 9 de agosto de 2021
- ↑ Malinova O. «Symbolic politics and the construction of macropolitical identity in post-Soviet Russia». Polis. Political Studies. 2: 90–105
- ↑ «Власти РФ предлагают укреплять общество "общероссийским патриотизмом"». РИА Новости (em russo). 27 de dezembro de 2010. Consultado em 9 de agosto de 2021



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