Quinta-feira Santa

Quinta-feira Santa
Lava-Pés e Última Ceia, Catedral de Siena no século XIV
Também chamadoQuinta-feira da Aliança, Quinta-feira dos Mistérios, Grande e Sagrada Quinta-feira
TipoCristão
SignificadoComemora o Lava-pés e a Última Ceia de Jesus com seus apóstolos
CelebraçõesMissa do Crisma, Missa da Ceia do Senhor e Lava-pés
DataTrês dias antes da Páscoa
FrequênciaAnual
Relacionado aSemana Santa e Páscoa

A Quinta-feira Santa, também chamada Quinta-feira de Endoenças ou Quinta-feira da Ceia do Senhor, é uma celebração cristã móvel realizada na quinta-feira da Semana Santa. Nesse dia recordam-se, de modo particular, o Lava-pés e a Última Ceia de Jesus com seus apóstolos, ocasião em que, segundo os Evangelhos canônicos, foi instituída a Eucaristia. A celebração marca o início do Tríduo Pascal.[1][2]

É o quinto dia da Semana Santa, sucedendo a Quarta-feira Santa e antecedendo a Sexta-feira Santa. A sua data varia a cada ano, em função do cálculo da Páscoa, conforme o calendário gregoriano ou o calendário juliano, adotado por diferentes tradições cristãs. Em diversas Igrejas orientais, que seguem o calendário juliano ou o calendário juliano revisado, a celebração pode ocorrer em datas distintas das observadas no Ocidente.

A Missa celebrada na tarde ou noite da Quinta-feira Santa, tradicionalmente chamada Missa da Ceia do Senhor, encerra o tempo da Quaresma e introduz o Tríduo Pascal, período central do ano litúrgico cristão, que compreende a recordação da Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo. Esse tríduo inclui ainda a Sexta-feira Santa e o Sábado Santo, culminando na celebração da Vigília Pascal e do Domingo de Páscoa.[1][3] A celebração ocorre geralmente no final da tarde, em consonância com a tradição judaica de iniciar o novo dia ao pôr do sol, em referência ao contexto da Última Ceia, descrita nos Evangelhos como uma refeição pascal judaica (Sêder). Durante a liturgia, em muitas comunidades realiza-se o rito do Lava-pés, evocando o gesto de serviço praticado por Jesus aos seus discípulos.[4]

Liturgia

Cristianismo ocidental

Jesus lavando os pés dos apóstolos, gravura na Basílica de Nossa Senhora Aparecida.

A Quinta-feira Santa é notável por ser o dia no qual é celebrada a Missa na Ceia do Senhor, que recorda de forma especial a Última Ceia.

A cerimônia do lava-pés é um componente tradicional da celebração em muitas igrejas cristãs, incluindo a Armênia,[5] a Etíope, Católicas Orientais, grupos batistas,[6] Menonitas e a Igreja Católica Romana. Além disso, o rito está se tornando cada vez mais popular na liturgia da Quinta-feira Santa (em inglês: Holy Thursday ou Maundy Thursday) na Igreja Anglicana, Episcopal,[7] Luterana, Metodista e Presbiteriana[8] além de várias outras denominações protestantes. Nas igrejas católicas e anglicanas, a Missa na Ceia do Senhor começa de forma tradicional, mas o Glória é acompanhado pelo soar de sinos, que permanecerão em silêncio até a Vigília Pascal.[9] Depois da homilia, realiza-se então o lava-pés onde a cerimônia é realizada. Na missa católica, o Santíssimo Sacramento permanece exposto até que o serviço se conclua com uma procissão para levá-lo até o local onde ele será depositado. O altar-mor e todos os demais são limpos de toda decoração, com exceção do Altar da reposição.[10] Até 1969, o missal romano previa este rito sendo realizado de forma cerimonial acompanhado do canto dos salmos 21 e 22,[11][12] uma prática que ainda permanece em muitas igrejas anglicanas. Em outras denominações cristãs, como as luteranas e metodistas, a limpeza do altar e do presbitério ocorre como preparativo para a solene e mais sombria ação litúrgica da Sexta-feira Santa pois nesse dia não se celebra missa.[13]

Missa do Crisma em Roma

Também celebra-se neste dia em todas as dioceses da Igreja Católica Romana a Missa do Crisma (ou "Missa da Unidade"). Geralmente celebrada na catedral da diocese, nesta missa o santos óleos são abençoados pelo bispo para serem utilizados na crisma, na unção dos enfermos e como óleo dos catecúmenos. O primeiro e o último serão utilizados no Sábado de Aleluia, durante a Vigília Pascal, para batizar e confirmar os que entram para a igreja.

Cristianismo oriental

Na Igreja Ortodoxa e nas Igrejas Católicas Orientais de rito bizantino, o dia é conhecido como "Grande e Sagrada Quinta-feira" ou "Grande Quinta-feira".[14][15][16] Na Igreja Ortodoxa, as cores litúrgicas são mais brilhantes, comumente brancas. É apenas neste dia que se relaxa o jejum da Semana Santa para se permitir o consumo de vinho e azeite.

A leitura da manhã é o primeiro evangelho da paixão (João 13:31 até João 18:1), conhecido como "Evangelho do Testamento", e muitos dos hinos normais da liturgia são substituídos. É normal a realização da cerimônia do lava-pés em catedrais e mosteiros. Quando há necessidade de consagrar mais óleo para crisma, a cerimônia é realizada pelos patriarcas e outros líderes das diversas igrejas autocéfalas. À noite, depois da liturgia, todas as decorações e vestes são trocadas por outras de cor negra ou escura, um sinal do início da paixão.

A partir da Grande e Sagrada Quinta-feira, os serviços em memória dos mortos estão proibidos até o dia seguinte ao Domingo de Tomé.

Data

A Quinta-feira Santa é um feriado nacional na Colômbia, Costa Rica, Dinamarca, Islândia, México, Noruega, Paraguai, Filipinas, Espanha (com exceção das regiões da Catalunha e Valência) e Venezuela.[17]

Quinta-Feira Santa
AnoData
202517 de abril
2026 2 de abril
2027 25 de março
2028 13 de abril
2029 29 de março
2030 18 de abril

Visita a sete igrejas

A tradição de visitar sete igrejas na Quinta-feira Santa é uma prática antiga originada provavelmente em Roma. Em diversos países da América Latina, a visita às sete igrejas geralmente ocorre à noite.

Instituição da Eucaristia

A Quinta-feira Santa está tradicionalmente associada à instituição da Eucaristia, conforme narrado nos Evangelhos sinóticos (Mateus 26:26–28; Marcos 14:22–24; Lucas 22:19–20) e na Primeira Carta aos Coríntios (1 Coríntios 11:23–26). Segundo esses relatos, durante a Última Ceia com os apóstolos, Jesus tomou o pão e o vinho e os ofereceu aos discípulos, pronunciando palavras que a tradição cristã compreende como fundacionais do sacramento: “Isto é o meu corpo” e “Este cálice é a nova aliança no meu sangue”.[18]

Na teologia católica, esse gesto é entendido como a instituição do sacramento da Eucaristia, no qual, sob as espécies do pão e do vinho, se torna real e substancialmente presente o próprio Cristo. A celebração da Missa é considerada a atualização sacramental desse evento, não como repetição histórica, mas como memorial (anamnese) que torna presente, de modo sacramental, o único sacrifício de Cristo. Assim, a Última Ceia é vista como antecipação sacramental da Paixão e fundamento do culto eucarístico na Igreja.[19][20]

Além do seu significado sacramental, a instituição da Eucaristia é também compreendida como elemento constitutivo da vida e da identidade da comunidade cristã. Desde os primeiros séculos, a “fração do pão” (Atos 2:42–46) ocupou lugar central na reunião dos fiéis, sendo entendida como sinal de comunhão com Cristo e entre os membros da Igreja. A Quinta-feira Santa, ao recordar esse acontecimento, destaca o vínculo entre Eucaristia, sacrifício pascal e unidade eclesial.

Referências

  1. 1 2 Gail Ramshaw (2004). Three Day Feast: Maundy Thursday, Good Friday, and Easter. [S.l.]: Augsburg Books. Consultado em 11 de abril de 2009
  2. Leonard Stuart (1909). New century reference library of the world's most important knowledge: complete, thorough, practical, Volume 3. [S.l.]: Syndicate Pub. Co. Consultado em 11 de abril de 2009
  3. Peter C. Bower. The Companion to the Book of Common Worship. [S.l.]: Geneva Press. Consultado em 11 de abril de 2009
  4. Gwyneth Windsor, John Hughes (21 de novembro de 1990). Worship and Festivals. [S.l.]: Heinemann. Consultado em 11 de abril de 2009
  5. «Maundy Thursday». The Armenian Church. Consultado em 13 de agosto de 2013. Arquivado do original em 24 de fevereiro de 2009
  6. «Churches of the Brethren». Brethren.org. 8 de agosto de 2013. Consultado em 13 de agosto de 2013
  7. Episcopal and the African Methodist Episcopal Church Book of Occasional Services, p. 93 (1994)
  8. «What is Maundy Thursday?». United Methodist Church. Consultado em 21 de março de 2007
  9. «Maundy Thursday». Catholic Culture. Consultado em 21 de março de 2007. Arquivado do original em 14 de maio de 2011
  10. «Liturgia da Quinta-feira Santa» (PDF). Consultado em 30 de março de 2015. Arquivado do original (PDF) em 2 de abril de 2015
  11. Missale Romanum 1962, p. 161
  12. 1913 Catholic Encyclopedia (em inglês). Em domínio público.
  13. Pfatteicher, Philip H; Messerli, Carlos R (1979). Maundy Thursday: Stripping the Altar. [S.l.]: Lutheran Church. ISBN 978-0-8066-1676-6. Consultado em 21 de março de 2007
  14. «Great and Holy Thursday». Greek Orthodox Archdiocese of America. Consultado em 5 de abril de 2009
  15. «Great Lent: Theology, Homilies, Services, Resources». St Nicholas Russian Orthodox Church, McKinney (Dallas area) Texas. Consultado em 12 de abril de 2009
  16. «The Historical Development of Holy Week Services In the Orthodox/Byzantine Rite». Antiochan Orthodox Christian Archdiocese of North America. Consultado em 12 de abril de 2009. Arquivado do original em 26 de outubro de 2011
  17. «Planning your trip_www.visitdenmark.com». VisitDenmark. Consultado em 13 de agosto de 2013
  18. «Instituição da Sagrada Eucaristia». CNBB. 18 de abril de 2019. Consultado em 24 de fevereiro de 2026
  19. «A Presença Real de Cristo na Eucaristia». Minha Biblioteca Católica. 25 de abril de 2024. Consultado em 24 de fevereiro de 2026
  20. «Sagrada Eucaristia: memorial do Sacrifício Redentor de Jesus Cristo». Vatican News. 13 de setembro de 2022. Consultado em 24 de fevereiro de 2026

Ligações externas