Conferência Nacional dos Bispos do Brasil

Conferência Nacional dos Bispos do Brasil
História
Fundação
Quadro profissional
Sigla
CNBB
Tipo
conferência episcopal
Sede social
País
Organização
Presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil
Jaime Cardeal Spengler, O.F.M.
Vice-presidente
1º João Justino de Medeiros Silva
2º Paulo Jackson Nóbrega de Sousa
Secretário
Ricardo Hoepers
Website

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) é uma instituição permanente que reúne os Bispos católicos do Brasil que, conforme o Código de Direito Canônico, "exercem conjuntamente certas funções pastorais em favor dos fiéis do seu território, a fim de promover o maior bem que a Igreja proporciona aos homens, principalmente em formas e modalidades de apostolado devidamente adaptadas às circunstâncias de tempo e lugar, de acordo com o direito" (Cân. 447).[1][2]

Pertencem à CNBB, pelo próprio direito, todos os Bispos diocesanos do Brasil e os que são a eles equiparados pelo direito, os Bispos coadjutores, os Bispos auxiliares e os outros Bispos titulares que exercem no mesmo território algum encargo especial, confiado pela Sé Apostólica ou pela Conferência dos Bispos (cf. Cân. 450).[2]

A CNBB foi fundada em 14 de outubro de 1952, no Rio de Janeiro, então capital do Brasil.[3] A transferência da sede para Brasília aconteceu em 1977.[4]

Histórico

Dom Helder Câmara, então bispo-auxiliar do Rio de Janeiro, foi o principal articulador da criação da CNBB.

No começo da década de 1950, Monsenhor Montini, que mais tarde se tornaria o Papa Paulo VI, incentivou a criação de uma Conferência Episcopal no Brasil, similar ao que já estava ocorrendo em outros países.[5]

Criada em 14 de outubro de 1952, a reunião de instalação da Conferência Episcopal foi realizada no Palácio São Joaquim, no Rio de Janeiro, onde ocorreu também a eleição da comissão permanente encarregada de dirigir a entidade, constituída por dom Alfredo Vicente Scherer, dom Mário de Miranda Vilas Boas e dom Antônio Morais de Almeida Júnior.

Dom Helder Câmara, a época bispo auxiliar do Rio de Janeiro, e um dos incentivadores da conferência, foi eleito secretário-geral. O cardeal Carlos Carmelo de Vasconcelos Motta, então arcebispo de São Paulo, foi escolhido como o primeiro presidente da entidade, cargo que ocupou por dois mandatos.

Em 11 de abril de 1967, o vice-presidente da República, Pedro Aleixo, no exercício da Presidência da República, durante a ausência do presidente Costa e Silva, assinou o decreto 60.581, que declarou a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) como de utilidade pública. Naquele período, a CNBB estava sediada no Rio de Janeiro.[6]

Organização da CNBB

A Conferência Nacional do Bispos do Brasil tem a seguinte estrutura:

Assembleia Geral

A Assembleia Geral é órgão supremo da CNBB e tratará de assuntos pastorais, de ordem espiritual e temporal, daqueles relativos à missão da Igreja e dos problemas emergentes referentes às pessoas e à sociedade, sempre na perspectiva da evangelização.

Todos os membros da CNBB são convocados para a Assembleia Geral e devem a ela comparecer: os Bispos eméritos e os outros Bispos de qualquer rito em comunhão com a Santa Sé e que tenham domicílio no País; e os Bispos nomeados ou eleitos que ainda não forem membros da CNBB são convidados para as Assembleias Gerais, com voto consultivo. Em razão de seu múnus, o Núncio Apostólico é convidado para as sessões da Assembleia Geral.

Compete à Assembleia Geral eleger os responsáveis para os cargos que lhe cabe prover e realizar outras eleições, por decisão própria ou determinação da Santa Sé. A duração do mandato nos cargos em órgãos constitutivos da CNBB é de quatro anos, coincidindo com o quadriênio do mandato da Presidência.

São eleitos em assembleia geral o Presidente, os Vice-Presidentes, o Secretário Geral e os Presidentes das Comissões Episcopais de forma separada.

A permanência como membro da Presidência, quaisquer que tenham sido as funções nela exercidas, só é permitida por dois mandatos consecutivos, tornando-se, portanto, inelegível para um terceiro mandato imediatamente subsequente em qualquer dos cargos da Presidência.

Conselho Permanente

Abaixo da Assembleia Geral, o Conselho Permanente é o órgão de orientação e acompanhamento da atuação da CNBB e dos organismos a ela vinculados, bem como órgão diretivo, eletivo e deliberativo, nos limites do Estatuto.

O Conselho Permanente reúne-se, ordinariamente, três vezes ao ano, e, extraordinariamente, para fim urgente, quando for requerida a convocação, no mínimo pela metade de seus membros, ou pela Presidência da CNBB.

Constituem o Conselho Permanente a Presidência da CNBB, os Presidentes das Comissões Episcopais, os Presidentes dos Conselhos Episcopais Regionais e outros membros eleitos dos Conselhos Episcopais Regionais.

CONSEP

O Conselho Episcopal Pastoral (CONSEP) é o órgão executivo permanente das decisões pastorais da Assembleia Geral e do Conselho Permanente e, como tal, promove e fomenta a cooperação pastoral em âmbito nacional, tendo presente que a coordenação da pastoral orgânica é múnus próprio do Bispo diocesano no âmbito de sua circunscrição.

Tem como atribuições: coordenar as atividades das Comissões Episcopais, das Comissões Especiais e dos Grupos de Trabalho referentes à ação evangelizadora própria da CNBB; acompanhar e avaliar a realização das orientações da ação evangelizadora da Igreja no Brasil; analisar e fomentar entre os Bispos a reflexão teológico-pastoral sobre a situação religiosa, social, política e econômica; propor ao Conselho Permanente Comissões Especiais, Grupos de Trabalho e outras formas de assessorias.

É constituído pela Presidência da CNBB e os presidentes das Comissões Episcopais.

Presidência

A Presidência é o órgão dirigente e administrativo da CNBB, constituído pelo Presidente, Primeiro e Segundo Vice-Presidentes e Secretário Geral. À ela cabe desempenhar diversas ações, realizadas em comunhão com os demais órgãos constitutivos e no respeito à competência de cada um.

Fazem parte da atual gestão, eleitos durante a 60ª Assembleia Geral, em Aparecida (SP), Dom Jaime Spengler, arcebispo de Porto Alegre (RS) - Presidente da CNBB; Dom João Justino de Medeiros Silva, arcebispo de Goiânia (GO) - primeiro Vice-presidente da CNBB; Dom Paulo Jackson Nóbrega de Sousa, bispo de Garanhuns (PE) - segundo vice-presidente da CNBB e Dom Ricardo Hoepers, bispo auxiliar de Brasília (DF) - Secretário-geral.

Secretariado Geral

O Secretariado-Geral é o órgão permanente executivo a serviço da coordenação, dinamização e intercomunicação dos órgãos constitutivos da CNBB, das instituições vinculadas e relacionadas. Está sob a responsabilidade imediata do Secretário-Geral, com a colaboração do Subsecretário-Geral e do Ecônomo; conta com o plano da própria organização e o da administração financeira e patrimonial da CNBB, como também, com o regulamento interno, abrangendo os setores e serviços, assessores e empregados da sede nacional.

Conselhos Econômico e Fiscal

Ao Conselho Econômico compete supervisionar a gestão econômica da CNBB; acompanhar a realização do orçamento e sua execução; cooperar por meio de pareceres com os responsáveis pela gestão administrativa; e dar o consentimento para os atos de administração extraordinária.

São membros do Conselho Econômico escolhidos pelo Conselho Permanente: dois Presidentes de Comissões Episcopais; dois membros do Conselho Permanente e três fiéis que sejam verdadeiramente peritos com competência nas áreas financeiro-contábil e jurídico-administrativa. O Secretário-Geral e o Ecônomo, tendo presente suas funções, participam das reuniões do Conselho Econômico, com voz, sem voto.

Ao Conselho Fiscal compete dar parecer fundamentado ao Conselho Permanente, para a deliberação deste, tanto a respeito da administração financeira e patrimonial, como sobre os balanços anuais e de encerramento de mandato. É constituído de três titulares e dois suplentes eleitos pelo Conselho Permanente dentre os membros da CNBB.

Comissões Episcopais

As Comissões Episcopais permanentes da CNBB são doze e têm por objetivo implementar as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil, auxiliando os Bispos na sua missão por meio de subsídios. Elas atuam de duas maneiras: em conjunto com o Conselho Episcopal de Pastoral (CONSEP), auxiliando os Bispos na Ação Evangelizadora em âmbito nacional; e individualmente, no seu respectivo campo de atuação, por meio de estudos, articulações da Ação Evangelizadora em nível nacional e assessorando as iniciativas pastorais dos Bispos nas suas Igrejas Particulares.

São Presidentes das Comissões Episcopais, os seguintes bispos, eleitos durante a 60ª Assembleia Geral, em Aparecida (SP):

Nome Diocese Comissão Período
Dom Ângelo Ademir MezzariArcebispo de Vitória (ES)Comissão Episcopal para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada2024-2027
Dom Giovane Pereira de MeloBispo de Araguaína (TO)Comissão Episcopal para o Laicato2024-2027
Dom Maurício da Silva JardimBispo de Rondonópolis-Guiratinga (MT)Comissão Episcopal para a Ação Missionária e a Cooperação Intereclesial2024-2027
Dom Leomar Antônio BrustolinArcebispo de Santa Maria (RS)Comissão para a Animação Bíblico-Catequética2024-2027
Dom Joel Portella AmadoBispo de Petrópolis (RJ)Comissão Episcopal para a Doutrina da Fé2024-2027
Dom Hernaldo Pinto FariasBispo de Bonfim (BA)Comissão Episcopal para a Liturgia2024-2027
Dom Teodoro Mendes TavaresBispo de Ponta de Pedras (PA)Comissão Episcopal para o Ecumenismo e o Diálogo Inter-Religioso2024-2027
Dom José Valdeci Santos MendesBispo de Brejo (MA)Comissão Episcopal para a Ação Sociotransformadora2024-2027
Dom Gregório PaixãoArcebispo de Fortaleza (CE)Comissão Episcopal para a Cultura e a Educação2024-2027
Dom Bruno Elizeu VersariBispo de Ponta Grossa (PR)Comissão Episcopal para a Vida e a Família2024-2027
Dom Vilsom BassoBispo de Imperatriz (MA)Comissão Episcopal para a Juventude2024-2027
Dom Valdir José de CastroBispo de Campo Limpo (SP)Comissão Episcopal para a Comunicação2024-2027

Conselhos Episcopais Regionais

Atualmente, a CNBB está dividida em 19 Regionais territoriais. Em cada um deles, se reproduz a estrutura de organização da sede da CNBB, contanto com presidência e bispos referenciais das diversas áreas da ação evangelizadora da Igreja. Além disso, cada uma das unidades conta com sede e colaboradores para agilizar a organização da administração e da contabilidade, contando ainda com um secretário-executivo.

Regional Estado Províncias (Arquidioceses) Dioceses
Norte 1Amazonas, Roraima16
Norte 2Pará, Amapá29
Norte 3Tocantins, Pará, Mato Grosso16
Nordeste 1Ceará18
Nordeste 2Alagoas, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte417
Nordeste 3Bahia, Sergipe422
Nordeste 4Piauí17
Nordeste 5Maranhão111
Leste 1Rio de Janeiro28
Leste 2Minas Gerais721
Leste 3Espírito Santo13
Centro-OesteGoiás, Mato Grosso e Distrito Federal210
Oeste 1Mato Grosso do Sul16
Oeste 2Mato Grosso17
NoroesteRondônia, Acre e Amazonas15
Sul 1São Paulo736
Sul 2Paraná414
Sul 3Rio Grande do Sul414
Sul 4Santa Catarina37

Missão

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, segundo seu estatuto, tem por finalidade:[7]

  • aprofundar cada vez mais a comunhão dos Bispos;
  • estudar assuntos de interesse comum da Igreja no País, para melhor promover a ação pastoral orgânica;
  • deliberar em matérias de sua competência, segundo as normas do direito comum ou de mandato especial da Sé Apostólica;
  • manifestar solicitude pela Igreja Universal, através da comunhão e colaboração com a Sé Apostólica e com as outras Conferências Episcopais;
  • cuidar do relacionamento com os poderes públicos, a serviço do bem comum, ressalvado o conveniente entendimento com a Nunciatura Apostólica, no âmbito de sua competência específica.

Ações da CNBB

Campanha da Fraternidade

Anualmente, durante o período da quaresma, a CNBB lança a campanha da fraternidade. Cada edição conta com um tema diferente, normalmente relacionado a políticas públicas e justiça social.[8][9][10] O objetivo dessa campanha é conscientizar as pessoas e também pregar o evangelho.[10] Cerca de 40% dos valores arrecadados são destinados ao Fundo Nacional da Solidariedade, gerido pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), o qual destina os recursos, preferencialmente, aos projetos que atendem os objetivos propostos pela campanha da fraternidade, a outra parte é destinada a projetos locais das arquidioceses.[11]

Presidentes, vice-presidentes e secretários-gerais

Nome Período Notas
Presidentes
14ºJaime Cardeal Spengler, O.F.M.[12]2023-atual
13ºWalmor Oliveira de Azevedo2019-2023
12ºSérgio Cardeal da Rocha2015-2019
11ºRaymundo Cardeal Damasceno Assis2011-2015
10ºGeraldo Lyrio Rocha †2007-2011
Geraldo Majella Cardeal Agnelo †2003-2007
Jayme Henrique Chemello1998-2003
Lucas Cardeal Moreira Neves, O.P.1995-1998Renunciou ao ser nomeado Prefeito da Congregação para os Bispos.
Luciano Pedro Mendes de Almeida, S.J.1987-1995
Ivo Lorscheiter †1979-1987
Aloísio Cardeal Lorscheider, O.F.M.1971-1979
Agnelo Cardeal Rossi †1964-1971
Jaime de Barros Cardeal Câmara †1958-1964
Carlos Carmelo de Vasconcelos Cardeal Motta †1952-1958
Vice-presidentes
João Justino de Medeiros Silva2023-atual
Jaime Spengler, O.F.M.2019-2023
Murilo Sebastião Ramos Krieger, S.C.J.2015-2019
José Belisário da Silva, O.F.M.2011-2015
Luiz Soares Vieira2007-2011
Antônio Celso de Queiroz †2003-2007
Marcelo Pinto Carvalheira †1998-2003
Jayme Henrique Chemello1995-1998
Serafim Fernandes de Araújo †1991-1995
Paulo Eduardo Andrade Ponte †1987-1991
Benedito de Ulhôa Vieira †1983-1987
Clemente José Carlos de Gouvea Isnard, O.S.B.1979-1983
Geraldo Fernandes Bijos, C.M.F. †1974-1979
Avelar Cardeal Brandão Vilela †1971-1974
Alfredo Vicente Cardeal Scherer †1968-1971
Avelar Brandão Vilela †1964-1968
2º Vice-presidentes
Paulo Jackson Nóbrega de Sousa2023-atual
Mário Antônio da Silva2019-2023
Secretários-gerais
Ricardo Hoepers2023-atual
Joel Portella Amado2019-2023
Leonardo Ulrich Steiner, O.F.M.2011-2019
Dimas Lara Barbosa2007-2011
Odilo Pedro Scherer2003-2007
Raymundo Damasceno Assis1995-2003
Antônio Celso de Queiroz †1987-1995
Luciano Pedro Mendes de Almeida, S.J.1979-1987
Ivo Lorscheiter †1971-1979
Aloísio Lorscheider, O.F.M.1968-1971
José Gonçalves Costa, C.Ss.R1964-1968
Hélder Pessoa Câmara, O.F.S.1952-1964


Ver também

Referências

  1. «Quem somos». CNBB - Site Oficial. Consultado em 8 de abril de 2020
  2. 1 2 «Código de Direito Canónico» (PDF). Vatican. Consultado em 8 de abril de 2020
  3. de Almeida, Luciano Mendes (19 de outubro de 2002). «CNBB (1952 - 2002)». Folha de S.Paulo. Consultado em 8 de abril de 2020
  4. Brasil, CPDOC-Centro de Pesquisa e Documentação História Contemporânea do. «CONFERENCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL (CNBB)»
  5. «CNBB, a sociedade e Igreja no Brasil». www.a12.com. Consultado em 28 de janeiro de 2025
  6. «CNBB 70 anos: comunhão, participação e missão - CNBB». CNBB. 19 de maio de 2022. Consultado em 28 de janeiro de 2025
  7. danielAC (6 de maio de 2019). «Estatuto Canônico e Regimento definem as funções da presidência da CNBB»
  8. «Campanha da Fraternidade: CNBB alerta contra indiferença e violência». 26 de fevereiro de 2020
  9. «CNBB apresenta a Campanha da Fraternidade 2014». Época Negócios. Consultado em 8 de abril de 2020
  10. 1 2 «Qual é o objetivo da Campanha da Fraternidade». Canção Nova. 27 de fevereiro de 2012. Consultado em 8 de abril de 2020
  11. «Como são investidos os recursos arrecadados na Coleta da Solidariedade - A12.com». Consultado em 8 de abril de 2020
  12. «DOM JAIME SPENGLER É ELEITO PRESIDENTE DA CNBB PARA O QUADRIÊNIO 2023 – 2027». CNBB. 24 de abril de 2023. Consultado em 24 de abril de 2023

Ligações externas

O site da CNBB:
Pronunciamentos dos Papas para com a CNBB:
João Paulo II: