Stylidiaceae

Stylidiaceae
Stylidium scandens.
Stylidium scandens.
Classificação científica
Reino: Plantae
Divisão: Magnoliophyta
Clado: Euasterids II
Classe: Magnoliopsida
Ordem: Asterales
Família: Stylidiaceae
R.Br.
Géneros
Sinónimos
Stylidium amoenum.
Hábito de Stylidium spec. (ilustração).

Stylidiaceae é uma família de plantas com flor pertencente à ordem Asterales[1] que agrupa cerca de 350 espécies repartidas por 6 géneros. A maioria das espécies são endemismos da Austrália e da Nova Zelândia. Os membros das Stylidiaceae são tipicamente plantas herbáceas semelhantes a gramíneas, menos frequentemente pequenos arbustos, que podem ser perenes ou anuais. A vasta maioria das espécies apresenta hábito erecto, embora algumas possam ser trepadeiras ou escandentes (por exemplo, a espécie Stylidium scandens usa as pontas de folhas recurvadas em ganchos para se fixar).[2][3] A família apresenta têm uma área de distribuição disjunta, com um grupo de géneros distribuídos do Sudeste Asiático à Nova Zelândia e outro no sul da América do Sul.

Descrição

São frequentemente plantas herbáceas perenes. As folhas são simples e sésseis. Não apresentam estípulas. O ovário é ínfero. Os frutos são do tipo cápsula com 4 a 100 sementes.

As caraterísticas mais específicas dos representantes das subfamílias diferem muito umas das outras; ver as descrições na secção sobre Sistemática.

Os mecanismos de polinização de Stylidium e Levenhookia são os seguintes: (1) em Stylidium, a coluna floral, que consiste no estame e no estilo fundidos, salta violentamente de um lado (geralmente sob a flor) quando é acionada, o que deposita o pólen sobre o insecto visitante; (2) em Levenhookia, no entanto, a coluna é imóvel, mas o labelo encapuzado é acionado e liberta o pólen.

Siatemática e taxonomia

Stylidium rotundifolium apareceu no Florilegium de Joseph Banks (placa 173), extraído de um espécime colhido no Endeavour River, Austrália, em 1770.[4]

O género Donatia é por vezes incluído em Stylidiaceae na subfamília monogenérica Donatioideae. O sistema APG II recomendava a sua inclusão em Stylidiaceae, mas permitia o reconhecimento opcional da família Donatiaceae.[5] Análises moleculares e filogenéticas determinaram que Donatia é um grupo irmão de Stylidiaceae e, portanto, a colocação de Donatia na sua própria família tem sido recomendada por várias autoridades. A inclusão de Donatia dentro das Stylidiaceae colocaria em risco o seu estatuto de grupo monofilético.[6]

Donatioideae e Stylidioideae foram descritas por Johannes Mildbraed na sua monografia taxonómica da família de 1908. As subfamílias foram criadas para distinguir a diferença entre os cinco géneros típicos das Stylidiaceae e o único género Donatia, que Mildbraed colocou em Donatioideae.[7] A taxonomia da subfamília representa a incerteza taxonómica de Donatia, que tem sido frequentemente colocada na sua própria família, Donatiaceae, ou noutras famílias como a Saxifragaceae.[8][9]

A classificação de Mildbraed também incluía duas tribos: Phyllachneae, que incluía os géneros Forstera e Phyllachne, e Stylidieae, que incluía Levenhookia, Oreostylidium e Stylidium.[7] Este nível de taxonomia infra-específica não é utilizado em investigação recente, mas os agrupamentos são apoiados por dados moleculares que sugerem que Forstera e Phyllachne estão intimamente relacionados mas são distintos dos outros três.[8]

Filogenia

O sistema APG II colocou Stylidiaceae e Donatiaceae nas Asterales. O sistema Cronquist colocou ambas as famílias nas Campanulales. Os sistemas Takhtajan e Reveal colocam ambas as famílias na ordem Stylidiales. O sistema Dahlgren usa a mesma ordem Stylidiales, mas omite Donatiaceae. O sistema de Thorne coloca Stylidiaceae na ordem Saxifragales.

No sistema APG IV, a família passou a incluir a antiga família Donatiaceae. Um cladograma simplificado, baseado num trabalho de Armen Tachtadschjan (1997), descreve as relações de parentesco das Stylidiaceae dentro da ordem Asterales da seguinte forma:[1]

 Asterales  

Rousseaceae

Campanulaceae

Pentaphragmataceae

Alseuosmiaceae

Argophyllaceae

Phellinaceae

Stylidiaceae

Menyanthaceae

Goodeniaceae

Calyceraceae

Asteraceae

Sistemática com distribuição e descrição das subfamília

A família está dividida em duas subfamílias e contém seis géneros com cerca de 350 espécies:

Géneros

Em 1981, apenas eram conhecidas cerca de 155 espécies na família.[11] O número atual de espécies por género (comunicado em 2002) é o seguinte: Forstera - 5; Levenhookia - 10; Oreostylidium - 1; Phyllachne - 4; e Stylidium - 221. Estes números, especialmente para Stylidium, estão a mudar rapidamente à medida que são descritas novas espécies.[8]

Na sua presente circunscrição taxonómica, a família Stylidiaceae inclui os seguintes géneros:

Referências

  1. a b A ordem Asterales no APWebsite: [1]
  2. A família das Stylidiaceae em APWebsite.
  3. Descrição da família na Western Australian Flora (inglês).
  4. «'Discovering the Unexpected' · Type & Forme». www.typeandforme.com. 6 outubro 2018. Consultado em 10 outubro 2018 
  5. Stylidiaceae (em Angiosperm Phylogeny Website)
  6. Laurent, N., Bremer, B., and Bremer, K. (julho de 1998), «Phylogeny and Generic Interrelationships of the Stylidiaceae (Asterales), with a Possible Extreme Case of Floral Paedomorphosis», Systematic Botany, ISSN 0363-6445 (em inglês), 23 (3), JSTOR 2419506, doi:10.2307/2419506, Wikidata Q95465107 
  7. a b Mildbraed, J. (1908). Stylidiaceae. In Engler, A. Das Pflanzenreich: Regni vegetabilis conspectus, IV. 278. Leipzig, 1908.
  8. a b c Wagstaff, S.J. and Wege, J. (2002). Patterns of diversification in New Zealand Stylidiaceae. American Journal of Botany, 89(5): 865-874. (Available online: HTML or PDF versions).
  9. Good, R. (1925). On the geographical distribution of the Stylidiaceae. New Phytologist, 24(4): 225-240.
  10. Steven J. Wagstaff, Juliet Wege (2002). Patterns of diversification in New Zealand Stylidiaceae. American Journal of Botany. 89. [S.l.: s.n.] pp. 865–874 
  11. Cronquist, Arthur (1981). An Integrated System of Classification of Flowering Plants. New York: Columbia University Press. pp. 986–987. ISBN 0-231-03880-1 

Ver também

Ligações externas