Calceolariaceae
Calceolariaceae
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![]() Calceolaria integrifolia. | |||||||||||||||||||
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Calceolariaceae é uma família de plantas com flor, maioritariamente herbáceas anuais, da ordem Lamiales, recentemente segregada da família Scrophulariaceae, que inclui apenas dois géneros (Calceolaria e Jovellana),[2] com 260-275 espécies e distribuição natural nas terras altas das regiões montanhosas da América do Sul e Central, nas regiões costeiras do sul do Chile e Patagónia e na Nova Zelândia.[3]
Descrição
Morfologia
A família Calceolariaceae, na sua presente circunscrição taxonómica, apresenta representantes maioritariamente com hábito herbáceo, anuais, embora também incluas algumas poucas espécies arbustivas. São plantas com folhagem com filotaxia maioritariamente oposta, embora algumas espécies apresentem filotaxia alterna ou verticilada, com folhas simples, de margens dentadas ou ligeiramente serrilhadas ou, raramente, lisas, que podem ser unidas na base. Não apresentam estípulas.
As flores ocorrem em inflorescências do tipo cimoso, muito chamativas, com cores variadas e muito ornamentadas. A variação da morfologia floral das Calceolariaceaeé notável no que respeita à forma e tamanho dos lóbulos da corola, à morfologia dos estames e ao formato do cálice. Também variam quanto à presença na flor de uma glândula secretora de óleo, o elaióforo,[4] da qual os polinizadores, maioritariamente abelhas e zangãos, coletam óleos florais enquanto polinizam as flores.[5]
As flores são tetrâmeras, desprovidas de nectários. As flores são diclamídeas, monóclinas, zigomorfas, com cálice e corola bem definidos, sendo que o cálice é dialissépalo e a corola gamopétala. As pétalas estão fundidas na típica forma de «pantufa», sendo o tubo da coroa bilabiado. Quanto às peças florais férteis, as Calceolariaceae, em geral, apresentam dois estames epipétalos, estigma pequeno com ápice bilobado ou terminando numa estrutura compacta distinta. O ovário é geralmente semi-ínfero e bilocular.
A abertura das corolas é designada por «boca». Se a «boca» estiver fechada, as flores são polinizadas por zangãos do género Bombus, se a boca estiver bem aberta, as abelhas são os principais polinizadores. Os polinizadores são recompensados com óleo das glândulas oleíferas (elaióforos) e pólen.
O fruto é do tipo cápsula, com deiscência septicida ou loculicida.
Distribuição
A família Calceolariaceae tem distribuição natural quase exclusivamente neotropical, com as suas principais ocorrências nas montanhas da América do Sul e Central, com algumas espécies nas planícies do sudoeste e sul da América do Sul. Apenas duas espécies de Jovellana são originárias da ilha do Norte da Nova Zelândia.
A maioria das espécies tem origem nas terras altas das regiões temperadas e tropicais da América do Sul e Central. Nas Américas, a família ocorre desde o sul do México até ao arquipélago da Terra do Fogo, no extremo sul da América do Sul, estando presentes nas regiões de elevada altitude ao longo dos Andes, mas descendo até ao nível do mar nas costas do Atlântico e do Pacífico do sul do Chile e da Patagónia.[6][7].[8]
O género Calceolaria está presente maioritariamente nas terras altas tropicais e temperadas ocidentais da América do Sul e Central. O género Jovellana está presente na Nova Zelândia (2 espécies) e no Chile. Com esta distribuição, a família pode ser considerada Austral-Antártica.[9]
Etnobotânica
A partir de algumas espécies do género Calceolaria foram cultivadas variedades que são utilizadas em parques, jardins, varandas e interiores como plantas ornamentais. Uma conhecida planta de interior para ambientes frescos é a calceolária (Calceolaria ×herbeohybrida), também conhecida por flor-pantufa.
Algumas espécies são também utilizadas como planta medicinal na medicina tradicional, por apresentarem propriedades analgésicas, digestivas e diuréticas, sendo usadas, nomeadamente, no tratamentos de moléstias do estômago.[10]
Algumas espécies possuem potencial para serem fonte natural de pesticidas a usar no controlo de populaçõe de insetos, oferecendo maior e melhor biodegradabilidade, além de baixa toxicidade para os mamíferos.[11]
Taxonomia e filogenia
Os taxa que agora integram a família Calceolariaceae eram anteriormente classificados na família das Scrophulariaceae. Em resultado de estudos de genética molecular, com análise de sequências genéticas, realizadas por Richard G. Olmstead em 2001,[12][13] o agrupamento taxonómico foi elevado ao nível de família como Calceolariaceae. O basónimo é a tribo Calceolarieae D.Don com o género-tipo Calceolaria. L..[14]
As espécies dos antigos géneros Fagelia Schwencke, Porodittia G.Don ex Kraenzl., Stemotria Wettst. & Harms ex Engl. e Trianthera Wettst. foram incorporadas no género Calceolaria. Em resultado dessa sinonimização, a família Calceolariaceae inclui apenas dois géneros, com 260-275 espécies, todas elas, com exceção de duas, com uma distribuição puramente neotropical:
- Calceolaria L.: As 240 a 275 espécies neotropicais ocorrem apenas desde a América Central até ao extremo sul da América do Sul.
- Jovellana Ruiz & Pav.: As cerca de quatro espécies ocorrem no Chile e na ilha Norte da Nova Zelândia (apenas uma ou duas espécies). Crescem em climas temperados.
- Jovellana punctata Ruiz & Pav.: Ocorre no Chile em altitudes elevadas, por exemplo, entre 1985 e 3920 metros.
- Jovellana repens Kraenzl.: É uma das duas espécies da família fora da região neotropical, na ilha Norte da Nova Zelândia, um semi-arbusto.
- Jovellana sinclairii (Hook.) Kraenzl.: É uma das duas espécies da família fora da região neotropical, na ilha Norte da Nova Zelândia. É um pequeno arbusto.
- Jovellana violacea (Cav.) G.Don (sin.: Jovellana guentheri Kraenzl.): Trata-se de um pequeno arbusto com flores roxas, como o nome botânico indica, originário da Floresta Valdiviana do sul do Chile.
- Não são mais considerados parte do género Jovellana:[15]
- Jovellana scapiflora Ruiz & Pav. → Calceolaria scapiflora (Ruiz & Pav.) Benth.
- Jovellana triandra Cav. → Calceolaria triandra (Cav.) Vahl
Inicialmente a família Calceolariaceae integrava três géneros (Calceolaria, Jovellana e o conjunto Stemotria/Porodittia ).[4] Com a integração de Stemotria/Porodittia em Calceolaria, a família ficou reduzida a dois géneros. Contudo, embora Porodittia tenha vindo a ser tratado como um sinónimo taxonómico de Calceolaria,[16][17] estudos moleculares recentes que incluíram Calceolaria mostraram não só que este género não pertence à família Scrophulariaceae (ou a qualquer uma das numerosas famílias recentemente segregadas da família Scrophulariaceae), mas também que é o clado irmão da maioria das outras famílias das Lamiales. Características morfológicas e químicas também apoiam a separação da família Calceolariaceae da família Scrophulariaceae e de outras Lamiales. Alguns estudos recentes apoiaram uma relação de grupo irmão entre as famílias Calceolariaceae e a Gesneriaceae.[17] Dada esta estreita relação filogenética, alguns autores optam por fundir esta família com a família Gesneriaceae como subfamília Calceolarioideae.[18]
O principal género dentro da família é Calceolaria, com centro de diversidade da região dos Andes.[19] O género agrupa aproximadamente 250 espécies, ocorrendo nas terras altas ao longo dos Andes, mas descendo até ao nível do mar nas costas do Pacífico e do Atlântico do extremo sul da América do e na Patagónia. O género Jovellana, por sua vez, ocorre no Chile, com duas espécies na Nova Zelândia.O anterior géner Stemotria (ou Poroditta) era monoespecífico, tendo como uma única espécie, Stemotria triandra.[20]
Esses gêneros divergem principalmente em relação à morfologia[20], onde Jovellana e Calceolaria possuem uma corola bilabiada e dois estames, enquanto Stemotria se destaca por ter três estames em vez de dois e um lábio inferior bilobado, resultando em uma corola trímera. O que diferencia a Calceolaria dos demais gêneros é seu traço floral com um lábio inferior inflado com um lobo mediano dobrado, o qual contém uma mancha de tricomas secretores de óleo, o elaióforo associado aos polinizadores.
Filogenia
Os géneros que integrar a família sofreram grandes modificações quanto à sua posição na árvore filogenética. Estas ocorreram ao nível da família, pois sempre estiveram inseridas na ordem Lamiales.[21] Com base em critérios morfológicos, Calceolariaceae era um grupo dentro da família Scrophulariaceae, que apresentava mais de 5 000 espécies em 270 géneros, mas que o advento da genética molecular veio demonstara que era polifilética. Em consequência, vários grupos foram incluídos na família Scrophulariaceae, alguns foram retirados e inseridos em outras famílias preexistentes e outros, como as Calceolariaceae, formaram famílias próprias.[20]
No contexto das Lamiales, a família Calceolariaceae é o grupo irmão de um clado que inclui, entre outras, as famílias Gesneriaceae, Lamiaceae, Bignoniaceae e Acanthaceae. Tendo em conta a sua distribuição presente, a família pode ser considerada como Austral-Antártica.[9]
Ocorrência no Brasil e espécies brasileiras
De acordo com o Sistema de Informação de Biodiversidade Brasileira (SiBBR)[22], no Brasil há 215 registros para a família Calceolariaceae, distribuídas no centro oeste e, principalmente, no sul e sudeste do país.
Em relação às espécies encontradas no Brasil[23], apenas uma foi descrita, a Calceolaria tripartita Ruiz & Pav., de acordo com o Catálogo de plantas e fungos do Brasil. Ela é nativa e não endêmica das regiões sudeste (Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro) e sul (Paraná, Santa Cataria e Rio Grande do Sul).
Referências
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- ↑ APWeb: Calceolariaceae (acesso: 17 de novembro de 2025).
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- ↑ Felipe Bianchi Abtibol, Luiz. «Terceirização de mão de obra direta no serviço público federal: estudo de caso no Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro». Consultado em 29 de março de 2023
Bibliografia
- Eva M. Mayr, Anton Weber: Calceolariaceae: floral development and systematic implications. In: American Journal of Botany, Volume 93, Nr. 3, 2006, S. 327–343. online doi:10.3732/ajb.93.3.327.
- Andrea Cosacov, Alicia N. Sérsic, Victoria Sosa, J. Arturo De-Nova, Stephan Nylinder & Andrea A. Cocucci: New insights into the phylogenetic relationships, character evolution, and phytogeographic patterns of Calceolaria (Calceolariaceae). In: American Journal of Botany, Volume 96, Nr. 12, 2009, S. 2240–2255. doi:10.3732/ajb.0900165
- A família Calceolariaceae na APWebsite. (Descrição e sistemática)
Ver também
Ligações externas
- «Informação sobre Lamiales - Angiosperm Phylogeny Website» (em inglês)
- «Chave de identificação de famílias de angiospérmicas» (em inglês)
- «Imagens e descrição de famílias de angiospérmicas - segundo sistema Cronquist» (em inglês)
- Disintegration of the Scrophulariaceae Arquivado em 2007-03-10 no Wayback Machine
- «Calceolariaceae». Agricultural Research Service (ARS), United States Department of Agriculture (USDA). Germplasm Resources Information Network (GRIN)
- Irayda Salinas & Blanca León: Calceolariaceae endémicas del Perú, In: Blanca León, Nigel Pitman, José Roque: Revista Peruana de Biología, Número especial 13 (2), S. 921–925: El libro rojo de las plantas endémicas del Perú., 2006, ISSN 1727-9933 (esp.; PDF; 258 kB)
-
Flor-de-pantufa (Calceolaria ×herbeohybrida). -
Jovellana_violacea -
Calceolaria andina -
Calceolaria biflora -
Calceolaria brunellifolia -
Calceolaria buchtieniana -
Calceolaria cana -
Calceolaria corymbosa subsp. corymbosa -
Calceolaria dentata -
Calceolaria filicaulis -
Calceolaria glandulosa -
Calceolaria glandulosa -
Calceolaria hypericina -
Calceolaria uniflora -
Calceolaria irazuensis -
Calceolaria pinnifolia
