Martyniaceae
Martyniaceae
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Martyniaceae é uma família de plantas com flor, pertencente à ordem Lamiales, que agrupa cerca de 17 espécies repartidas por 5 géneros.[2] São plantas herbáceas anuais, com raízes lenhosas e perenes, raramente arbustivas ou arbóreas.[3] [4]. A família tem distribuição natural restrita às regiões tropicais e subtropicais das Américas.
Descrição
A família Martyniaceae foi incluída em Pedaliaceae no sistema de Cronquist (sob a ordem Scrophulariales), mas foi reconhecida como uma família separada pelo Angiosperm Phylogeny Group com base em estudos filogenéticos que mostram que as duas famílias não são intimamente relacionadas. Ambas as famílias são caracterizadas por terem tricomas mucilaginosos, que conferem aos caules e folhas uma sensação viscosa ou pegajosa, e frutos com ganchos ou chifres. Alguns membros do género Proboscidea são conhecidos como «planta-unicórnio» ou «garra-do-diabo» devido às suas cápsulas de sementes com chifres.
Morfologia
A maioria das espécies dentro de Martyniaceae são anuais, eretas ou prostradas, ou perenes de vida curta. As folhas são largas, opostas, podendo ser ocasionalmente alternadas na parte superior da planta; são pecioladas, rotundas ou com forma de coração, simples ou ligeiramente lobadas, com uma margem integra ou dentada. Todas as partes da planta são cobertas com pêlos glandulares compostos de um caule unicelular e uma cabeça globular, apical e achatada, que produz uma resina que faz com que a planta fique grudenta; essa secreção é capaz de imobilizar pequenos insetos. Todas as partes vegetativas soltam um odor desagradável. As folhas são bifaciais e os estômatos são encontrados nos dois lados [5].
Como estrutura da inflorescência temos as flores que são arranjadas em racemos terminais. As brácteas pequenas, rotundas a oblongas, são efêmeras e membranosas. Ramos laterais que partem do eixo do último par de folhas embaixo do racemo pode produzir novos racemos; esses ramos podem exceder em altura o racemo primário, dando à planta um ar de pseudodicotomia. As flores são distintivamente pediceladas; na base do cálice existem dois profilos oblongos que podem ser coloridos e as vezes podem se tornar carnosos.
As 5 sépalas são usualmente pequenas quando comparadas com a corola. Elas são ou praticamente livres ou conatas lateralmente por pelo menos metade de seu comprimento, formando um tubo com uma fenda ventral. A corola é composta por cinco pétalas com seu botão floral apontado para baixo. O tubo da corola é ou muito longo, estreito, cilíndrico e dilatado abruptamente em um copo campanulado no topo, ou relativamente pequeno, obliquamente campanulado e constrito na base. O limbo e os lobos da flor podem ser ou quase iguais ou então o limbo é bilabiado [5].
O androceu consiste de cinco membros. Usualmente o estame mediano adaxial é apenas representado por um estaminódio, e os quatro estames férteis são didínamos. Todos os membros estão inseridos ou perto da base do tubo ou na base da porção superior campanulada do tubo e estão inclusas no tubo. A teca está completamente separada e se espalha em um ângulo de 180º; logo antes de abrir a flor as anteras são conectadas em pares.
O ovário superior é composto de dois carpelos em posição média e é envolto por um disco anular hipógeo. As duas placentas parietais e massivas são em forma de T e dividem o ovário quase completamente em quatro componentes periféricos e uma lacuna central. Cada compartimento tem de um a numerosos óvulos; o estilete é filiforme e o estigma é bilobado e se apresenta na boca da corola, aprisionado no seu lado adaxial [5].
Usos
A família Martyniaceae possui vários usos: (i) uso ornamental, em que as flores grandes e vistosas e os frutos distintos são usados como decoração; (ii) uso alimentício, no qual suas raízes são usadas para alimentar gado no México e no Peru, e frutos imaturos podem ser consumidos como vegetais crus ou preparados por cozimento ou conserva; (iii) uso artesanal, no qual as plantas servem como fonte de fibra para a confecção de cestas; e (iv) como oleaginosas de terras áridas, com colheitas por hectare estimadas de 1000 kg de óleo e 675 kg de proteína [6].
Sistemática e filogenia
Espécies
- Gênero Holoregmia
- Holoregmia ness
- Gênero Craniolaria
- Craniolaria annua
- Craniolaria argentina
- Craniolaria integrifolia
- Gênero Ibicella
- Ibicella lutea
- Ibicella nelsoniana
- Ibicella parodii
- Gênero Martynia
- Martynia annua
- Martynia jussieui
- Martynia palmeri
- Gênero Proboscidea
- Proboscidea altheifolia
- Proboscidea arenaria
- Proboscidea fragrans
- Proboscidea louisiana
- Proboscidea lousianica
- Proboscidea parviflora
- Proboscidea triloba
Filogenia
Dentro da ordem Lamiales, a família Martyniaceae é considerada grupo irmão das famílias Acanthaceae e Pedaliaceae[2].
Dentro da própria família, os gêneros Martynia e Proboscidea formam um clado monofilético que é grupo irmão do resto dos clados. Ibicella forma um clado monofilético sozinho, este que é grupo irmão do clado formado pelos gêneros Holoregmia e Craniolaria [7].
Distribuição no Brasil
Somente dois gêneros da família têm ocorrência no Brasil, Ibicella e Holoregmia, com distribuição mais especificamente na Bahia. Presume-se que este último gênero possa ser endêmico do Brasil.[7]
Esta família ocorre em quatro regiões do Brasil. No Nordeste, distribui-se nos estados da Bahia e do Ceará. Já na Região Centro-Oeste do Brasil ocorre no Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, enquanto que na região Sudeste ocorre em Minas Gerais e São Paulo. Por fim, esta família se distribui pela região Sul inteira: Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.[8]
No Brasil, a família Martyniaceae ocorre nos domínios fitogeográficos designados por Caatinga, na Mata Atlântica, nos Pampas e Pantanal.[8]
Referências
- ↑ Angiosperm Phylogeny Group (2009). «An update of the Angiosperm Phylogeny Group classification for the orders and families of flowering plants: APG III» (PDF). Botanical Journal of the Linnean Society. 161 (2): 105–121. doi:10.1111/j.1095-8339.2009.00996.x
. hdl:10654/18083
. Consultado em 6 de julho de 2013
- ↑ a b The Plant List (2013) (ed.). «Martyniaceae». The Plant List. Consultado em 30 de setembro de 2018
- ↑ Giulietti, Ana Maria; Harley, Raymond Mervyn (2013). Pedro Fiaschi, ed. «Flora da Bahia: Martyniaceae». Sitientibus série Ciências Biológicas
- ↑ Bromhead (ed.). «Lamiales». Angiosperm Phylogeny Website. Consultado em 30 de setembro de 2018
- ↑ a b c W. Kadereit, Joachim (2004). The Families and Genera of Vascular Plants. Berlin: [s.n.] p. 283-288. ISBN 978-3-642-18617-2
- ↑ Gutierrez, Raul (2011). «A Phylogenetic Study of the Plant Family Martyniaceae (Order Lamiales)» (PDF). Arizona State University. Consultado em 30 de setembro de 2018
- ↑ a b Gormley, Ingeborg C.; Bedigian, Dorothea; Olmstead, Richard G. (2015). «Phylogeny of Pedaliaceae and Martyniaceae and the Placement of Trapella in Plantaginaceae s. l.». Systematic Botany
- ↑ a b Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro (ed.). «Martyniaceae Horan». Flora do Brasil 2020. Consultado em 30 de setembro de 2018
Ver também
Ligações externas
- «Informação sobre Lamiales - Angiosperm Phylogeny Website» (em inglês)
- «Chave de identificação de famílias de angiospérmicas» (em inglês)
- «Imagens e descrição de famílias de angiospérmicas - segundo sistema Cronquist» (em inglês)
- Martyniaceae Arquivado em 2008-10-13 no Wayback Machine
