Sir ibne Abi Becre
Sir ibne Abi Becre (em árabe: سير بن أبي بكر; romaniz.: Sīr b. Abī Bakr; m. 1113) foi um oficial do Império Almorávida, ativo nos reinados dos emires Iúçufe ibne Taxufine (r. 1061–1106) e Ali ibne Iúçufe (r. 1106–1143).
Vida
Sir era filho de Abu Becre ibne Taxufine.[1] Em data incerta, casar-se-ia com Haua, irmã do emir Iúçufe ibne Taxufine (r. 1061–1106), e teve dois filhos, o comandante Iáia ibne Sir e Fátima, mãe de Abu Abedalá Maomé. Sir foi nomeado governador de Mequinez e da região de Maclata e do Fazaz por volta de 1077–1078. Em 1086, esteve presente na Batalha de Zalaca, travada contra os reinos cristãos do Alandalus, onde se distinguiu.[2] Em 1090, descontente com os reis das taifas do Alandalus, o emir Iúçufe decidiu pelo controle almorávida direto da região.[3][4] Munido de fátuas, em setembro e outubro, forçou a capitulação de Abedalá ibne Bologuine (r. 1073–1090) de Granada e seu irmão, Tamime ibne Bologuine (r. 1073–1090) de Málaga,[5] que foram desterrados e enviados ao Magrebe.[6] Depois, ele deixou a tarefa de livrar-se do resto dos régulos a Sir.[7] O rei de Sevilha Almutâmide (r. 1069–1091), buscando salvar sua posição, tentou aliar-se a Afonso VI (r. 1072–1109), o que prejudicou seu apoio popular.[3] No início de 1091, Sir tomou Córdova e marchou para Sevilha, derrotando uma força castelhana comandada por Álvaro Fanhes que viera em socorro de Almutâmide na Batalha de Almodóvar do Rio. Em setembro de 1091, Almutâmide rendeu Sevilha e foi exilado em Agmate.[3][8]
Sir foi nomeado governador de Sevilha, cargo que exerceu por cerca de vinte anos. Em 1094, estendeu seu governo a Badajoz, e então para Carmona e Niebla.[2] Em novembro do mesmo ano, capturou Lisboa de Raimundo de Borgonha, vassalo de Afonso VI.[9] Em 1096, quando espalharam-se notícias de que Iúçufe estava doente, o rei Afonso VI enviou 3 500 soldados à região de Sevilha, onde causou grandes devastações e fez numerosos prisioneiros, especialmente nas aldeias do Aljarafe. Maomé ibne Alhaje, governador de Granada, marchou com tropas para contê-los, auxiliado por Sir.[10] Em 1104–1105, Sir derrotou, na região de Sevilha, um exército castelhano e, em maio de 1111, tomou Santarém. Em 1112, o governador de Granada e Córdova, Masdali ibne Tilancane, foi a Sevilha e, com a ajuda de Sir e dos exércitos granadinos e cordoveses, iniciou um ataque retaliatório contra Toledo.[11] Em 1113, quando dirigia-se a Marraquexe com sua esposa Haua e sua filha Fátima para apresentar-se ao emir Ali ibne Iúçufe (r. 1106–1143), morreu subitamente em Sevilha.[2]
Referências
- ↑ Lagardère 1978, p. 55.
- ↑ a b c Lagardère 1978, p. 57.
- ↑ a b c Kennedy 2014, p. 164.
- ↑ Bennison 2016, p. 45.
- ↑ Vilá & López 1998, p. 147.
- ↑ Vilá & López 1998, p. 148.
- ↑ Vilá & López 1998, p. 149.
- ↑ Enan 1960, p. 350–351.
- ↑ Enan 1960, p. 370.
- ↑ Lagardère 1978, p. 52.
- ↑ Lagardère 1978, p. 56.
Bibliografia
- Bennison, Amira K. (2016). The Almoravid and Almohad Empires. Edimburgo: Editora da Universidade de Edimburgo. ISBN 978-0748646821
- Enan, Muhammad Abdullah (1960). The State of Islam in Andalusia: The Taifa states. II. Cairo: Instituição Saudita no Egito
- Kennedy, Hugh (2014). Muslim Spain and Portugal: A Political History of al-Andalus. Londres e Nova Iorque: Routledge
- Lagardère, Vincent (1978). «Le gouvernorat des villes et la suprématie des Banu Turgut au Maroc et en Andalus de 477/1075 à 500/1106». Revue de l'Occident musulman et de la Méditerranée. 25 (1): 49–65. ISSN 0035-1474. doi:10.3406/remmm.1978.1803
- Vilá, Jacinto Bosch; López, Emilio Molina (1998). Los almorávides. Granada: Editorial Universidade de Granada. ISBN 9788433824516