Samba de terreiro
| Samba de terreiro | |
|---|---|
![]() Paulinho da Viola em 1970. | |
| Contexto cultural | Início do século XX, na cidade do Rio de Janeiro |
| Instrumentos típicos | |
| Samba de terreiro | |
|---|---|
| Categoria: | Formas de Expressão |
| Data de Registro: | 20/11/2007 |
| Nº de Processo: | 01450.011404/2004-25 |
| Cidade: | Rio de Janeiro, Rio de Janeiro |
| Órgão: | IPHAN |
O samba-de-terreiro (também conhecido como samba-de-quadra) é uma sub-gênero do samba, surgido na década de 1930 nos terreiros (atuais quadras) das primeiras escolas de samba do Rio de Janeiro.[1]
Histórico
Durante a década de 1930, era costume em um desfile de carnaval que uma escola de samba apresentasse o samba-enredo na primeira parte e, na segunda parte, os melhores versadores improvisassem com outros sambas-de-terreiro.[2] Estes sambas ficaram conhecidos assim, porque eles eram produzidos durante todo o ano nos espaços que se tornariam as futuras quadras. Antes de ser cimentado, o chão do terreiro era feito de terra batida.
"No início do século XX, o samba ainda não tinha o formato que conhecemos hoje. Ele era uma grande mistura de ritmos africanos trazidos pelos negros escravizados, com influência do lundu, do maxixe e de outras manifestações culturais populares. Com o passar do tempo, nos morros e nas casas de tias baianas, como Tia Ciata, essa batida foi ganhando corpo e identidade própria"[3]
Geralmente, um samba-de-terreiro retratava o cotidiano dentro das comunidades onde se localizavam as escolas de samba cariocas. "O terreiro não era somente um espaço físico (também podia ser o quintal ou o terreiro de candomblé), mas um espaço de intercâmbio cultural, porque o samba de terreiro implicava uma prática coletiva, comunitária, de se fazer samba."[4]
Comum até o início da década de 1970, estes sambas deixariam de ser tocados nos desfiles em um longo processo de mercantilização do carnaval. Ao deixar de ser cantado nos desfiles, o samba-de-terreiro ficou relegado às quadras das escolas de samba, servindo inicialmente para animar festas até se restringir à temporada seletiva de samba-enredo.[5]
Por iniciativa de Noca da Portela, então secretário estadual de Cultura do Rio de Janeiro, e com apoio da LIESA, foi realizado em 2006 o primeiro concurso de samba deste gênero. Com o objetivo de revelar obras inéditas em cada agremiação, o concurso movimentou as quadras das escolas de samba cariocas.
Em 2007, o IPHAN conferiu registro oficial às matrizes do samba do Rio de Janeiro: samba de terreiro, partido-alto e samba-enredo.[6]
Dentre algumas composições famosas saídas dos terreiros/quadras, estão "Foi um Rio que passou em minha vida" (de Paulinho da Viola, "Portela na Avenida" (de Mauro Duarte e Paulo César Pinheiro), "Azul, Vermelho e Branco" (de Aroldo Melodia), "Salve a Mocidade" (de Luiz Abdengo dos Reis), "Tem capoeira" (de Batista da Mangueira), "A Deusa da Passarela" (de Neguinho da Beija-Flor).
Referências
- ↑ p-themes. «SAMBA DE TERREIRO». Movimento Preservação Sambística. Consultado em 25 de novembro de 2025
- ↑ «Noca da Portela, 90 anos: 'Não sou produto da mídia. Minha história foi de samba e suor'». CartaCapital. 11 de fevereiro de 2023. Consultado em 3 de novembro de 2025
- ↑ p-themes. «SAMBA DE TERREIRO». Movimento Preservação Sambística. Consultado em 3 de novembro de 2025
- ↑ «O samba da minha terra, samba de terreiro – Centro de Estudios Brasileños». Consultado em 3 de novembro de 2025
- ↑ «Terreiro – Receita de Samba». Consultado em 3 de novembro de 2025
- ↑ «Matrizes do samba no Rio de Janeiro: partido alto, samba de terreiro e samba-enredo». Bem Brasileiro. Consultado em 3 de novembro de 2025

