Redunca arundinum

 Nota: Se procura a espécie conhecida como "chango" em Angola, veja Redunca redunca.


Cobo-dos-juncais
Cobo-dos-juncais no Parque Nacional Kruger, na África do Sul
Cobo-dos-juncais no Parque Nacional Kruger, na África do Sul
Estado de conservação
Espécie pouco preocupante
Pouco preocupante (IUCN 3.1) [1]
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Mammalia
Ordem: Artiodactyla
Família: Bovidae
Subfamília: Antilopinae
Tribo: Reduncini
Gênero: Redunca
Espécie: R. arundinum
Nome binomial
Redunca arundinum
(Boddaert, 1785)
Distribuição geográfica
Território do cobo-dos-juncais
Território do cobo-dos-juncais

O cobo-dos-juncais[2] (Redunca arundinum), também conhecido como chango[3][4][5], em Moçambique, ou nunce[6][7][8], em Angola, é uma espécie de antílope que ocorre desde o extremo sul do Gabão, a oeste, até a Tanzânia, a leste, e ao sul até a África do Sul.[1] É uma das três espécies do gênero Redunca, da tribo Reduncini, que integra a subfamília Antilopinae, da família dos bovídeos.[9] É classificado pela IUCN como uma espécie pouco preocupante.[1]

Descrição

O cobo-dos-juncais é a maior espécie do gênero Redunca.[10] Em média, os machos pesam cerca de 68 quilos, ao passo que as fêmeas pesam 48 quilos.[11] Estes antílopes podem medir entre 134 a 167 cm.[10] Do que toca à coloração habitual da pelagem, há um leque extremamente variegado de possibilidades, podendo variar entre o castanho-amarelado claro e o castanho-acinzentado.[12][13]

São brancos do ventre até ao queixo, contando com faixas castanho-claras dos lados da cabeça. Contam também com ocelos brancos à volta dos olhos.[13] Podem ter manchas brancas e pretas nas pernas traseiras.[12][13] O cobo-dos-juncais possui ainda uma cauda felpuda, com parte de baixo de cor branca.[11]

Esta espécie pauta-se por um certo grau de dimorfismo sexual, assinalado pelos cornos, que só existem nos machos.[10] Com efeito, os cornos só começam a despontar nos machos ao fim dos primeiros seis meses de vida.[12][13] Os cornos são em "V" e podem medir entre 30 e 45 centímetros de comprimento.[12][13]

Distribuição geográfica

Os cobos-dos-juncais marcam presença ao longo das regiões da África Austral e do sul da África Central.[13] Encontram-se no sul da República Democrática do Congo, no sul da Tanzânia, sul do Gabão, ao longo de todo o território de Angola, Zâmbia, Malawi, Moçambique, Zimbabwe e Eswatini, norte de Botswana, norte da Namíbia e norte da África do Sul.[1][13] O extremo norte dos habitats ocupados por esta espécie são os limites da florestas de Miombo.[13]

Habitat

Originalmente, esta espécie habitava nas zonas húmidas, do interior das savanas.[11] Presentemente, esta espécie marca presença em zonas pantanosas, onde haja água abundante e vegetação alta, como juncos.[13]

Comportamento

O cobo-dos-juncais é uma presa muito fácil, vivem em duplas ou em pequenos grupos de até 12 animais, quando assustado fica imóvel e só se mexe quando o inimigo já está muito próximo. O período de gestação é de 7 meses e meio e nasce apenas um filhote. Os filhotes são extremamente vulneráveis aos mabecos e o número de filhotes abatidos é enorme.[10]

Referências

  1. a b c d IUCN SSC Antelope Specialist Group (7 de janeiro de 2016). «Redunca arundinum (Southern Reedbuck)». The IUCN Red List of Threatened Species (em inglês). doi:10.2305/iucn.uk.2016-2.rlts.t19390a50193692.en. Consultado em 27 de novembro de 2025 
  2. República de Moçambique. Ministério da Terra e Ambiente, Administração Nacional das Áreas de Conservação (agosto de 2021). «Plano de gestão do Parque Nacional de Maputo para o período de 2021 a 2031 (Rascunho)» (PDF): pp. 20, 44. Consultado em 27 de novembro de 2025. Cobo-dos-juncais 
  3. «Decreto n.º 83/2017 de 29 de Dezembro» (PDF). República de Moçambique. Boletim da República. Publicação Oficial da República de Moçambique. I Série (Número 203): p. 2. 29 de dezembro de 2017. Consultado em 27 de novembro de 2025. Chango 
  4. Mahumane, Vanda (26 de maio de 2012). «Viagem Por Moçambique: Reserva Especial de Maputo». Matope Media Organization. Consultado em 27 de novembro de 2025. os seguintes mamíferos: chango (Redunca arundinum) 
  5. Sarmento Rodrigues, Manuel Maria (20 de janeiro de 1955). Decreto n.º 40 040 - Diploma legal da caça e protecção da vida selvagem nas Províncias Utramarinas (PDF). Lisboa: Ministério do Ultramar. p. 59. Chango — Redunca arudinum (Angola e Moçambique) 
  6. «nunce». Dicionário Infopédia da Língua Portuguesa. Consultado em 27 de novembro de 2025 
  7. República de Angola, Ministério do Urbanismo e Ambiente (agosto de 2006). «Primeiro Relatório Nacional para a Conferência das Partes da Convenção da Diversidade Biológica» (PDF). Luanda: p. 15. Consultado em 27 de novembro de 2025. Nunce 
  8. Pedro Beja, Pedro Vaz Pinto, Luís Veríssimo, Elena Bersacola, Ezequiel Fabiano, Jorge M. Palmeirim, Ara Monadjem, Pedro Monterroso, Magdalena S. Svensson e Peter J. Taylor (2019). «Capítulo 15 – Os mamíferos de Angola». In: Brian J. Huntley, Vladimir Russo, Fernanda Lages, e Nuno Ferrand de Almeida, Printer Portuguesa. Biodiversidade de Angola (PDF). Porto: [s.n.] p. p. 527. ISBN 9789895412624. Nunce 
  9. «Redunca arundinum • Southern Reedbuck». www.mammaldiversity.org. Consultado em 27 de novembro de 2025 
  10. a b c d Shanklin, Amber. «Redunca arundinum (southern reedbuck)». Animal Diversity Web (em inglês). Consultado em 27 de novembro de 2025 
  11. a b c Fourie, P.F. (1992). Kruger National Park: Questions and Answers. Capetown, SA: Struik Publishers. 240 páginas. ISBN 0620072199 
  12. a b c d «Southern reedbuck (Redunca arundinum)». www.ultimateungulate.com. Consultado em 28 de maio de 2023 
  13. a b c d e f g h i Kingdon, Jonathan (29 de dezembro de 1988). East African Mammals: An Atlas of Evolution in Africa, Volume 3, Part C: Bovids (em inglês) First Editiion edition ed. Chicago: University of Chicago Press. 404 páginas. ISBN 0226437248