Nicolau I de Montenegro
| Nicolau I | |
|---|---|
![]() Nicolau em 1911 | |
| Rei de Montenegro | |
| Reinado | 28 de agosto de 1910 a 26 de novembro de 1918 |
| Predecessor | Si próprio como Príncipe de Montenegro |
| Sucessor | Monarquia abolida |
| Príncipe de Montenegro | |
| Reinado | 13 de agosto de 1860 a 28 de agosto de 1910 |
| Predecessor(a) | Daniel I |
| Sucessor(a) | Si próprio como Rei de Montenegro |
| Dados pessoais | |
| Nascimento | Nikola Mirkov Petrović-Njegoš 7 de outubro de 1841 Njeguši, Montenegro |
| Morte | 1 de março de 1921 (79 anos) Antibes, França |
| Sepultado em | 1 de outubro de 1989 Capela de Cipur, Cetinje, Montenegro |
| Esposa | Milena Vukotić |
| Casa | Petrović-Njegoš |
| Pai | Mirko Petrović-Njegoš, Grão-Duque de Grahovo |
| Mãe | Anastásia Martinović |
| Religião | Ortodoxa Montenegrina |
| Assinatura | |
Nicolau I (em sérvio: Никола Мирков Петровић-Његош; romaniz.: Nikola Mirkov Petrović-Njegoš; Njeguši, 7 de outubro de 1841 – Antibes, 1 de março de 1921) foi o soberano de Montenegro em duas ocasiões diferentes, primeiro de 1860 como Príncipe de Montenegro até sua proclamação como Rei de Montenegro em 1910, e depois ao assumir o trono como rei de 1910 até a abolição da monarquia em 1918.
Herdeiro aparente de seu tio Daniel I, que não possuía herdeiro homem, o Príncipe Nicolau ascendeu ao trono de Montenegro em agosto de 1860, após o assassinato de Daniel. Educado no exterior, em Paris e Trieste, Nicolau enfrentou durante seu reinado a difícil tarefa de popularizar as ideias ocidentais em um país tradicional e resistente à influência estrangeira. Como líder forte e competente, lutou contra os turcos em 1862 e novamente em 1876, quando conduziu uma brilhante campanha militar. No Congresso de Berlim de 1878, Montenegro teve sua soberania reconhecida e foi ampliado, passando a ter acesso direto ao Mar Adriático. Ao longo de seu reinado, Nicolau manteve uma estreita relação com Alexandre II da Rússia, que desde uma visita oficial a São Petersburgo em 1868 o apoiava com recursos financeiros e armas. Em determinado momento, o czar russo chegou a apoiar a candidatura de Nicolau ao trono da Sérvia. Hábil diplomata, Nicolau fortaleceu suas conexões dinásticas por meio dos casamentos de suas filhas. Sua filha Helena casou-se em 1896 com o futuro rei da Itália, Vítor Emanuel III; Zorka casou-se em 1883 com Pedro Karađorđević, mas morreu antes de ele se tornar rei da Sérvia; e outras duas filhas se uniram a grão-duques russos. Na política balcânica, Nicolau se envolveu em conspirações, por vezes aliando-se, outras vezes entrando em confronto com os governantes sérvios, com o objetivo de criar um estado eslava do sul unido.[1]
Adotando o título de "Alteza Real" em dezembro de 1900, Nicolau adotou uma postura cada vez mais despótica, o que o levou a ser forçado a conceder uma constituição em 1905. No entanto, a dissensão política continuou, culminando no atentado de Cetinje contra sua vida, em 1907. Em 28 de agosto de 1910, Nicolau se autoproclamou rei, com a esperança de aumentar seu prestígio por meio da anexação de novos territórios. Para isso, participou da Guerra dos Balcãs de 1912-1913 contra o Império Otomano, mas suas conquistas territoriais foram decepcionantes. Durante a Primeira Guerra Mundial, ele apoiou a Sérvia na luta contra a Áustria-Hungria. Após a derrota, Nicolau concluiu uma paz separada com a Áustria-Hungria em janeiro de 1916 e se exilou na Itália. Com a derrota da Áustria-Hungria, as forças sérvias entraram em Montenegro, e em 26 de novembro de 1918, Nicolau e sua dinastia foram formalmente depostos por uma assembleia nacional. Montenegro foi então anexado à Sérvia e, posteriormente, se tornou parte do Reino dos Sérvios, Croatas e Eslovenos, que mais tarde se tornaria o Reino da Iugoslávia.[1]
Nicolau era conhecido como um orador excepcional, ele também escreveu poemas patrióticos e épicos e dramas em verso. Entre suas obras mais relevantes destacam-se o canto patriótico sérvio Onamo, 'namo! ("Lá, mais além!") e o drama Balkanska carica ("A Imperatriz dos Bálcãs").[2]
Biografia
Primeiros anos

Nicolau nasceu na aldeia de Njeguši, berço da dinastia governante Petrović-Njegoš. Seu pai, Mirko Petrović-Njegoš, era um renomado duque montenegrino e irmão mais velho do Príncipe Daniel, que não possuía herdeiro homem. Sua mãe, Anastásia, pertencia à influente família Martinović. Quando Nicolau tinha doze anos, o duque Mirko prometeu-o em casamento a Milena Vukotić, então com seis anos, filha do abastado duque Petar Vukotić, amigo próximo de Mirko e companheiro de luta nas campanhas da década de 1850. Os dois decidiram selar sua amizade por meio da união de seus filhos.[3]
Nicolau raramente via sua futura esposa, pois passou parte de sua infância estudando entre a França e Itália sob os cuidados da Princesa Darinka, esposa do Príncipe Daniel e tia de Nicolau. A Princesa Darinka era uma grande francófila, e, por insistência dela, o potencial sucessor de Montenegro foi enviado para estudar no Lycée Louis-le-Grand, em Paris. Após o assassinato do Príncipe Daniel em Kotor, em 1860, o Duque Mirko recusou assumir o trono, que então passou a Nicolau. Ele ainda se encontrava em Paris quando ascendeu ao título principesco, em 13 de agosto de 1860, aos 19 anos. Pouco depois, adoeceu gravemente de pneumonia e chegou a correr risco de morte.[4]

Quando Nicolau se restabeleceu, decidiu-se que seu casamento com Milena deveria ocorrer o quanto antes, garantindo assim um herdeiro para o país. O duque Petar Vukotić viajou a São Petersburgo para informar o Imperador Alexandre II sobre a união. O casamento realizou-se na Igreja Valáquia, em Cetinje, em novembro de 1860.[carece de fontes]
Príncipe de Montenegro
Os líderes montenegrinos há muito consideravam Montenegro o último remanescente invicto do Império Sérvio medieval e o centro em torno do qual esse império seria reconstruído. O estabelecimento do Principado da Sérvia, um estado autônomo no interior do Império Otomano, deu a Montenegro um aliado importante, mas também um concorrente pela supremacia na luta para libertar outras áreas de população sérvia. Montenegro estava localizado na periferia da Península Balcânica, enquanto a Sérvia, mais rica e desenvolvida, estava localizada em seu centro. Além disso, Belgrado era uma escolha melhor para a capital de um estado sérvio unificado do que a remota e pequena Cetinje.[5]
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Após o assassinato de seu tio, o Príncipe Daniel, Nicolau foi escolhido como o novo príncipe, depois que seu pai, Mirko, havia anteriormente recusado o trono. Juntamente com sua tia, a Princesa Darinka, seu pai e uma grande comitiva, ele participou do funeral de Daniel. Durante a cerimônia, a Princesa Darinka retirou o toucado de Daniel do caixão e o colocou na cabeça de Nicolau, declarando: Aqui está, senhores e irmãos de Montenegro, um novo e feliz príncipe e senhor, assim foi o que o falecido ordenou e recomendou para mim. Darinka foi a primeira a beijar a mão do novo príncipe, e o jovem Nicolau, em resposta, disse às pessoas reunidas: Obrigado, meus queridos irmãos! Sou vosso e vós sois meus! Tentarei não subjugar os mais velhos e recomendo isso a vocês. Após esse gesto simbólico, ele se sentou ao lado da princesa. Seu pai, o Duque Mirko, beijou sua mão, seguido pela princesa, e todos os presentes fizeram o mesmo. Após o funeral de Daniel, uma grande celebração teve início, marcando o início do reinado de Nicolau sobre Montenegro.[6]

Logo após sua ascensão ao trono, o Príncipe Nicolau recebeu em Cetinje a visita de Vuk Stefanović Karadžić, que trazia uma mensagem do Príncipe sérvio Miguel Obrenović, propondo ações conjuntas de libertação contra o Império Otomano. Tanto Miguel Obrenović quanto Nicolau haviam ascendido rapidamente ao trono, uma vez que Miloš Obrenović falecera pouco após Nicolau se tornar príncipe. Nos primeiros anos de seu reinado, Nicolau contou com o apoio e a cooperação de seu pai, o Duque Mirko. Nicolau continuou a apoiar a resistência das tribos da Herzegovina, lideradas por Luka Vukalović, acreditando que Montenegro se beneficiaria dessa revolta contra os turcos. Em 1862, liderou a primeira guerra contra o Império Otomano pela libertação da Herzegovina. No entanto, a guerra foi difícil para Montenegro, pois as grandes potências da Europa não apoiaram as aspirações de Nicolau. Em 1862, o exército turco, sob o comando de Omer Pasha, infligiu uma pesada derrota militar e política aos montenegrinos. A intervenção das grandes potências, como a França e a Rússia, impediu a conquista de Cetinje pelos turcos.[7] Como resultado, Montenegro foi forçado a aceitar a soberania turca sobre algumas partes de seu território. As consequências dessa derrota moldaram significativamente a futura estratégia do país.[8] Antes desse revés, Nicolau havia apoiado a política do Estado montenegrino de seu predecessor, o Príncipe Daniel. Contudo, após a derrota, ele se voltou para as políticas de Pedro I e Pedro II Petrović-Njegoš, adotando a ideia de criar um novo Império Sérvio e considerando-se o legítimo herdeiro imperial.[9]
O príncipe Miguel Obrenović enviou seu emissário, Milan Piroćanac, a Montenegro para propor ao príncipe montenegrino uma aliança entre a Sérvia e Montenegro. O Príncipe Nicolau e o Duque Mirko buscavam uma plena cooperação militar imediata, enquanto a Sérvia, temendo a interferência da Áustria, preferia apenas harmonizar a política de defesa. O acordo foi finalmente concluído em 23 de setembro de 1866, apesar da resistência do Duque Mirko. Os dois principados concordaram em trabalhar de forma contínua pela libertação e unificação do povo sérvio, incitando rebeliões armadas nas regiões fronteiriças do Império Otomano. O acordo também previa que o príncipe montenegrino anexasse seu principado à Sérvia e reconhecesse o Príncipe Miguel como governante supremo, colocando-o em segundo lugar na linha de sucessão ao trono montenegrino.[10] No entanto, nenhum dos lados cumpriu totalmente os termos do acordo, já que os interesses dinásticos entre as famílias Petrović-Njegoš e Obrenović estavam em desacordo. A falha em implementar o acordo gerou uma hostilidade latente e duradoura entre as duas dinastias.[10]

Em 1867, o Príncipe Nicolau fez uma visita ao imperador francês Napoleão III em Paris, e, no ano seguinte, em 1868, viajou à Rússia, onde foi recebido com grandes honras pelo imperador russo Alexandre II. Durante sua estadia, Nicolau fortaleceu ainda mais os laços que seus ancestrais haviam estabelecido com a Rússia. Também se hospedou nas cortes de Berlim e Viena, o que aproximou significativamente o príncipe da família imperial russa. Ao retornar de suas viagens, Nicolau iniciou um trabalho ativo na reorganização do Estado montenegrino. Sua principal preocupação era a reorganização do exército, mas também fundou tribunais e escolas em várias partes do país. Um dos marcos de sua reforma foi a fundação de Danilovgrad, o primeiro assentamento planejado de Montenegro. O imperador e a imperatriz russos da Rússia contribuíram substancialmente para o sistema educacional montenegrino, enviando grandes remessas de equipamentos e munições para Cetinje.[carece de fontes]
Após consolidar seu poder, uma revolta, conhecida como a Revolta de Boka, estourou em Krivošija em 1869, em resposta à introdução do serviço militar obrigatório pela Áustria-Hungria. Embora tenha secretamente oferecido apoio aos rebeldes, o Príncipe Nicolau adotou uma postura oficial de neutralidade, impedindo que os montenegrinos se envolvessem mais diretamente na revolta.[carece de fontes]
Guerra Montenegrina-Turca (1876–1878)

Em 1876, Montenegro declarou guerra ao Império Otomano em 2 de julho, em conjunto com a Sérvia, com a qual o Príncipe Nicolau havia estabelecido uma aliança durante o reinado do Príncipe Mihailo, motivado pela unificação e libertação do povo sérvio e pela revolta ocorrida na vizinha Herzegovina. Os montenegrinos alcançaram várias vitórias rápidas sobre os turcos nas batalhas de Vučji Dol, Fundina e Nikšić. Com a entrada da Rússia no conflito, a posição de Montenegro se estabilizou, o que permitiu ao principado capturar as cidades de Bileća, Bar, Ulcinj e Podgorica. Com a assinatura do Tratado de Santo Estêvão, em março de 1878, Montenegro conseguiu triplicar seu território e dobrar sua população.[11] No entanto, as disposições desse tratado foram anuladas pelas Grandes Potências no Congresso de Berlim, realizado entre junho e julho de 1878. A Áustria-Hungria, em particular, procurou limitar a expansão montenegrina. Apesar disso, o território do Principado de Montenegro foi expandido duas vezes, conquistando acesso ao Mar Adriático, e sua independência foi reconhecida. No entanto, para manter o controle do porto de Bar, o Príncipe Nicolau teve de ceder às severas exigências austro-húngaras do Artigo 29: restringir o número de embarcações no porto de Bar, proibir a construção de navios de guerra, permitir que a Marinha Austro-Húngara patrulhasse as águas montenegrinas e solicitar permissão à Áustria-Hungria para a construção de estradas e ferrovias nos territórios recentemente adquiridos. Ainda mais gravoso foi o fato de que a Áustria-Hungria ocupou a Herzegovina, cujo domínio sobre essa região era um dos principais objetivos do Príncipe Nicolau desde sua ascensão ao poder, além de ocupar a colina de Spič, que representava uma ameaça direta ao porto de Bar.[11]
Governo autocrático

O Príncipe Nicolau era um governante autocrático. Seus principais conselheiros eram doze senadores, selecionados pessoalmente pelo príncipe, geralmente entre os anciãos tribais. O Senado também tinha a função de atuar como um tribunal.[12] Em 2 de abril de 1879, o príncipe convocou uma assembleia tribal em Cetinje, na qual foi decidido implementar uma reforma na administração estatal. Com isso, o Senado foi abolido e foram criados o Conselho de Estado, o Conselho de Ministros e o Grande Tribunal. O primo do príncipe, Božo Petrović-Njegoš, foi eleito o primeiro presidente do Conselho de Ministros. O príncipe nomeou os membros do Conselho de Estado, que passou a funcionar como o órgão legislativo. O Estado foi então dividido em 12 anaias, que, por sua vez, foram subdivididas em capitanias e municípios. As capitanias eram chefiadas por capitães, que exerciam funções tanto administrativas quanto judiciais.[13] As medidas do Príncipe Nicolau para centralizar o governo e seu distanciamento dos métodos tradicionais de tomada de decisão, que envolviam consultas com os anciãos tribais, acabaram por afastar muitos desses líderes do príncipe. Figuras como Marko Miljanov, Jole Piletić, Peko Pavlović, Mašo Vrbica e outros se opuseram abertamente ao governo do príncipe.[12]

A Sublime Porta (governo otomano) incentivou a resistência albanesa e, por instigação desta, em julho de 1878, foi criada a Liga de Prizren, com o principal objetivo de evitar a cessão de Plav e Gusinje a Montenegro. Este conflito culminou nas Batalhas de Novšić e Murina. Durante os 33 anos seguintes, essa região de Montenegro permaneceu sob domínio otomano, até que o país declarou oficialmente guerra à Turquia em 1912.[14]
Entre 1881 e o início das Guerras Balcânicas, Montenegro viveu um longo período de paz. Cercado por três lados pela Áustria-Hungria, o Príncipe Nicolau teve pouco espaço para ações externas. No entanto, ele soube aproveitar esse tempo para promover o desenvolvimento interno de Montenegro, buscando elevar o país ao nível de outras nações europeias, algo que havia sido possibilitado pelas vitórias militares de seu exército em períodos anteriores. Em 1888, o Código Geral de Propriedade foi estabelecido, criando as bases para um sistema jurídico moderno e facilitando o investimento estrangeiro. Apesar da expansão administrativa e do desenvolvimento do país, o principal desafio de Montenegro continuava a ser a escassez de terras aráveis para sustentar sua população. A pecuária era a principal atividade econômica, e dois terços das exportações montenegrinas eram compostos por produtos pecuários. Grãos e têxteis eram importados para suprir as necessidades internas. A maior parte da população vivia em condições de extrema pobreza, o que levou muitos a migrar, principalmente para a Sérvia ou para os Estados Unidos. A principal fonte de apoio financeiro para o Estado continuava sendo a ajuda da Rússia.[13]
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A expansão territorial de Montenegro e o reconhecimento internacional atraíram investimentos estrangeiros, inicialmente da Áustria-Hungria e, posteriormente, principalmente da Itália. Esses investimentos possibilitaram a formação das primeiras empresas industriais no país, o que, por sua vez, favoreceu o desenvolvimento das infraestruturas de transporte e a integração dos territórios antigos com os recém-libertados.[16]
O Príncipe Nicolau se dedicou também ao avanço cultural do país, promovendo melhorias em diversas áreas. Sob sua liderança, foram construídas escolas e estradas, fundadas novas cidades, promulgadas leis relevantes e organizada a administração estatal, com a criação de ministérios. Ele também incentivou o entusiasmo econômico e comercial, além de fomentar o desenvolvimento da indústria em geral. O progresso social e econômico de Montenegro foi significativamente impulsionado por renomados cientistas e intelectuais provenientes da Sérvia, Voivodina, Dalmácia, Bósnia e Herzegovina, que, a convite do príncipe, se estabeleceram no país e contribuíram com seu conhecimento e expertise. No entanto, Montenegro ainda estava consideravelmente atrasado em relação às principais tendências da civilização moderna da época.[16]
A maior preocupação do Príncipe Nicolau era a construção e o fortalecimento do exército montenegrino. Com o apoio da Rússia, ele modernizou as forças armadas, ajustando-as às exigências e desafios contemporâneos. O príncipe investiu significativamente em armamentos modernos e no treinamento das tropas, organizando o exército de acordo com o modelo russo, que, na época, era um dos mais avançados da Europa.[13]

Por meio de seus vínculos familiares com diversas casas reais europeias, o Príncipe Nicolau conseguiu aumentar ainda mais o prestígio de Montenegro e melhorar significativamente a reputação do país no cenário internacional. Ele soube tirar proveito da rivalidade entre as dinastias Obrenović e Karađorđević, o que favoreceu suas relações diplomáticas. Em particular, houve uma forte antipatia entre Nicolau e Milan Obrenović, que se intensificou após Milan se proclamar Rei da Sérvia em 1882.[5] Três anos depois, o Príncipe Nicolau consolidou suas alianças familiares ao casar sua filha mais velha, Zorka, com Pedro Karađorđević, neto de Jorge Negro e rival de Milan. O casal viveu por um tempo em Cetinje, onde nasceram os príncipes Jorge e Alexandre. Além de Zorka, Nicolau teve mais cinco filhas, todas casadas com membros de importantes dinastias europeias. As princesas Anastásia e Milica casaram-se com os grão-duques russos Nicolau e Pedro Nikolaevich, da dinastia Romanov, e representaram Montenegro na corte russa. A princesa Ana uniu-se ao príncipe Francisco José de Battenberg, enquanto a princesa Helena se tornou Rainha da Itália ao casar-se com o Rei Vítor Emanuel III. Esses casamentos foram fundamentais para a elevação da posição internacional de Montenegro, fortalecendo sua rede de aliados e ampliando sua influência.[17] O Príncipe Nicolau, conhecido como o "sogro da Europa",[18] soube usar essas alianças dinásticas para garantir maior reconhecimento e respeito para seu país, estabelecendo Montenegro como um jogador importante na diplomacia europeia da época.
Em 1883, o Príncipe Nicolau fez uma visita diplomática ao Sultão Otomano, com o objetivo de promover a reconciliação entre o Principado de Montenegro e o Império Otomano. Esse gesto resultou em um período de relações pacíficas entre os dois países, marcando uma nova fase nas interações montenegrinas-otomanas. Em 1896, o príncipe organizou uma grande cerimônia para comemorar o bicentenário do reinado da dinastia Petrović-Njegoš, reforçando o prestígio e a continuidade da sua linhagem real. Esse evento foi significativo tanto para a história de Montenegro quanto para a consolidação da posição do Príncipe Nicolau como uma figura central no cenário político e cultural do país.[carece de fontes]

As relações entre a Sérvia e Montenegro, que haviam sido prejudicadas pela rivalidade entre Milan Obrenović e Nicolau, começaram a melhorar com a visita de Nicolau à Sérvia em 1896, durante as celebrações do Vidovdan. Antes de sua chegada à Sérvia, o Príncipe Nicolau fez uma parada em Moscou para assistir à coroação do Imperador Nicolau II, um momento de grande importância para a diplomacia russa e que refletiu a estreita ligação de Montenegro com a Rússia. De Moscou, ele seguiu para Belgrado, acompanhado por sua comitiva, e foi recebido pelo rei Alexandre, que o nomeou comandante do 9º Regimento de Infantaria, em reconhecimento à importância de Nicolau no cenário político e militar dos Balcãs. Durante sua visita à Sérvia, o Príncipe Nicolau alimentava a esperança de estreitar laços dinásticos com a família real sérvia, através do casamento de sua filha Xenia com o jovem rei Alexandre. A ex-rainha Natália da Sérvia, que tinha uma afeição especial por Xenia, frequentemente manifestava seu interesse por essa união. No ano seguinte, em 1897, o rei Alexandre fez uma visita a Cetinje, na ocasião do Dia de São Jorge, festa de batismo da dinastia Petrović-Njegoš, um evento simbólico para a família real montenegrina. Contudo, Xenia achou-o tão "nojento e horrendo" tanto em aparência como em maneiras que, mesmo apesar das tentativas do pai, se recusou a casar com ele, humilhando-o e enfurecendo-o tanto que as relações diplomáticas entre a Sérvia e o Montenegro ficaram congeladas.[19]
Em 1897, eclodiu a Guerra Greco-Turca, mas o Príncipe Nicolau manteve Montenegro à margem do conflito, adotando uma postura de neutralidade, o que refletiu sua estratégia de preservar a paz e consolidar a posição do principado nas relações internacionais. No entanto, o príncipe não ficou afastado da diplomacia. Em maio de 1898, ele fez uma visita diplomática significativa à Rainha Vitória na Inglaterra, no Castelo de Windsor. Essa visita reforçou a presença internacional de Montenegro, elevando ainda mais sua reputação no cenário europeu.[carece de fontes]
No ano de 1900, o Príncipe Nicolau comemorou o jubileu do 40º ano de seu reinado. Durante este período, enquanto os reis Milan Obrenović e Alexandre Obrenović eram conhecidos por suas vidas luxuosas e escandalosas, o Príncipe Nicolau buscava se apresentar como uma figura de liderança moral para os sérvios. Ele procurava se distanciar das extravagâncias da realeza sérvia, adotando um estilo de vida mais modesto e focado no bem-estar de Montenegro e seu povo.

Em 1902, como parte de sua estratégia para reforçar a posição de Montenegro e estabelecer alianças, o príncipe casou seu filho Mirko com Natália Konstantinović, de uma família próxima aos Obrenović. Esse casamento refletia sua tentativa de unir Montenegro à dinastia Obrenović, que, na época, ainda detinha influência na Sérvia. No entanto, os esforços do Príncipe Nicolau para fortalecer sua posição dinástica e política em relação à Sérvia e ao trono sérvio se mostraram efêmeros. Seus planos de colocar um de seus filhos no trono da Sérvia foram drasticamente frustrados após o assassinato do Rei Alexandre e da Rainha Draga durante o Golpe de Maio de 1903, liderado por um grupo de oficiais, incluindo Dragutin Dimitrijević. Com a ascensão de Pedro Karađorđević ao trono da Sérvia, o sonho de Nicolau de ver sua família no trono sérvio foi definitivamente frustrado.[5] Este golpe, além de alterar profundamente o panorama político dos Balcãs, marcou uma virada significativa na política russa na região, com a Sérvia de Karađorđević passando a ser a nova aliada favorita da Rússia, em detrimento de Montenegro.[carece de fontes]
Em termos militares, o Príncipe Nicolau manteve sua aliança com a Rússia, o que se refletiu na participação de Montenegro na Guerra Russo-Japonesa. Embora Montenegro tivesse uma posição geograficamente distante do conflito, a declaração de guerra ao Japão foi um gesto simbólico, uma forma de expressar gratidão à Rússia pela assistência prestada na luta contra o Império Otomano. Os soldados montenegrinos participaram de maneira simbólica, integrados em unidades do exército russo, mas a contribuição efetiva de Montenegro para a guerra foi mínima. Esse envolvimento, embora limitado, destacou a lealdade de Nicolau à Rússia, mesmo em um cenário de crescente pressão política nas relações balcânicas.[carece de fontes]
A Constituição de 1905

Na política interna, o Príncipe Nicolau revelava-se excessivamente obstinado e pouco tolerante. Embora tivesse acumulado alguns êxitos, acabou por alienar grande parte de seus colaboradores, a liderança montenegrina e quase toda a intelectualidade formada em Belgrado.[20][21] O Golpe de Maio e o estabelecimento de uma ordem parlamentar estável na Sérvia elevaram consideravelmente o prestígio político sérvio, criando um clima favorável às demandas da oposição montenegrina por um regime constitucional e pela unificação entre Sérvia e Montenegro. No mesmo período, na Rússia, o Imperador Nicolau II, enfraquecido pela derrota na Guerra Russo-Japonesa e pelos efeitos da Revolução Russa, viu-se compelido a adotar uma constituição. Diante desse cenário internacional e da pressão interna, o Príncipe Nicolau decidiu orientar-se para a transição constitucional e convocar uma assembleia constituinte.[22] Em 6 de dezembro de 1905, promulgou a chamada "Constituição do Dia de São Nicolau", assim denominada por ter sido adotada na data dedicada ao santo.[carece de fontes]

Apesar disso, o príncipe não estava disposto a renunciar ao poder. A primeira constituição montenegrina preservava-lhe autoridade praticamente ilimitada: cabia a ele aprovar e propor leis, nomear ministros e emitir decretos. Parte dos membros da assembleia era escolhida diretamente pelo soberano, enquanto os demais eram eleitos. À Assembleia Nacional competia discutir leis e propor o orçamento, mas sob forte tutela princípe.[20]
Após a promulgação da Constituição, Nicolau nomeou Lazar Mijušković como primeiro presidente do Conselho de Ministros. Contudo, ao apresentar o novo texto constitucional ao povo, deixou claro que não pretendia alterar a natureza personalista de seu governo: rejeitava a formação de partidos políticos e não admitia oposição organizada. Assim, a Constituição de 1905, embora formalmente liberalizante, não bastou para dissipar a profunda desconfiança entre o príncipe e seus opositores.[carece de fontes]
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Apesar das precauções adotadas por Nicolau, a Assembleia eleita em 1906 tentou afirmar sua autonomia. O parlamento rapidamente se transformou em palco de confrontos acalorados entre partidários e opositores do príncipe, desencadeando sucessivas alianças políticas efêmeras, frequentes mudanças de governo e uma rivalidade cada vez mais intensa. A oposição, liderada por seu primo Šako Petrović-Njegoš, organizou-se no Clube dos Deputados do Povo, popularmente conhecido como Klubaš, que defendia laços mais estreitos com a Sérvia e a promoção da ideia iugoslava. Antecipando-se a uma provável moção de desconfiança, o governo de Lazar Mijušković renunciou em novembro de 1906. Para sucedê-lo, o príncipe encarregou Marko Radulović, membro do Klubaš, de formar um novo gabinete. O período ficou marcado por confrontos severos entre governo e oposição, em que ambos os lados lançaram mão de métodos cada vez mais duros. Radulović acabou renunciando em fevereiro de 1907. A seguir, o príncipe confiou a formação de um novo governo a Andrija Radović, que considerava mais leal e obediente.[23] No mesmo mês, os Klubaši fundaram o Partido Popular, o primeiro partido político de Montenegro. Em resposta, os apoiadores conservadores de Nicolau organizaram-se no Verdadeiro Partido Popular (Pravaši), liderado por Lazar Mijušković.[24] Buscando estabilizar o cenário, o príncipe propôs um governo de coalizão entre as duas correntes, mas a maioria parlamentar – dominada pelos Klubaši – rejeitou a iniciativa, levando Radović a renunciar. Em abril de 1907, Lazar Tomanović, originário de Boka e sem vínculos partidários, assumiu a chefia de um novo governo. A crise política, entretanto, prosseguiu. Em julho de 1907, Nicolau dissolveu a Assembleia Nacional, proibiu o Partido Popular e suspendeu a publicação do jornal Narodna misao.[21] Como reação, o Partido Popular decidiu boicotar as eleições de 1907, citando o agravamento das relações entre o príncipe e a Sérvia. Vários líderes do movimento foram presos — entre eles Lazar Sočica — enquanto outros, como Andrija Radović e Marko Daković, buscaram exílio no exterior.[carece de fontes]
O ponto culminante desse clima de tensão foi representado pelos Casos Bombaška e Vasojevića, cujos desdobramentos continuariam a influenciar profundamente a vida política de Montenegro nos anos seguintes. O Caso Bombaška, em 1907, e o Caso Vasojevića, em 1909, resultaram em julgamentos realizados em Cetinje e Kolašin, nos quais diversos opositores do regime foram condenados a longas penas de prisão. No processo conduzido em Kolašin, alguns dos réus condenados à morte e já detidos pelas autoridades foram executados por fuzilamento. Embora exista certa relação de causa e efeito entre os dois episódios, eles constituem acontecimentos históricos distintos, que partilham apenas o mesmo pano de fundo político marcado por repressão, rivalidade e instabilidade.[carece de fontes]
Crise de anexação

Em 6 de outubro de 1908, o imperador austro-húngaro Francisco José I proclamou oficialmente a anexação da Bósnia e Herzegovina. A partir desse momento, as relações entre Cetinje e Viena deterioraram-se rapidamente, aproximando-se de uma ruptura completa. Por algum tempo, pareceu que a crise somente poderia ser resolvida por meio de um conflito armado.[25] Nesse contexto, o Príncipe Nicolau procurou tirar proveito da crise da Anexação, adotando uma postura que o apresentava como líder incontestável dos eslavos do sul.[24]
O Príncipe Nicolau tomou conhecimento prévio da anexação iminente por intermédio de círculos diplomáticos russos. Sua reação inicial diante do enviado austro-húngaro em Cetinje foi relativamente moderada: lamentou o ato de anexação, mas solicitou que Montenegro recebesse parte da Herzegovina como compensação, a fim de preservar relações de boa vizinhança. O diplomata austro-húngaro, contudo, dissuadiu Nicolau dessa pretensão, oferecendo em troca uma emenda ao Artigo 29, destinada supostamente a manter relações amistosas entre os dois países. A proposta foi mal recebida por Nicolau. Em pronunciamento à população montenegrina, ele condenou a anexação, qualificando-a como violação direta das disposições estabelecidas pelo Congresso de Berlim.[26]
As relações entre Montenegro e Sérvia encontravam-se tensas desde o chamado Caso Bombaška, mas a preocupação provocada pela crise mútua levou ambos os governos a buscar uma reconciliação. O rei Pedro I da Sérvia mostrou-se inicialmente reticente em reaproximar-se de seu sogro; ainda assim, acabou por atender ao pedido de seu ministro das Relações Exteriores, Milovan Milovanović. Este propôs que os dois países atuassem "juntos, ombro a ombro, como verdadeiros filhos de uma mesma família", com o objetivo de alcançar a autonomia da Bósnia e Herzegovina, a divisão do Sanjaco de Novi Pazar e a revogação do Artigo 29. Em 8 de outubro, Milovanović enviou Jovan Jovanović a Cetinje como enviado especial, iniciando formalmente o processo de reaproximação diplomática.[27] De maneira paralela, o Príncipe Nicolau enviou a Belgrado o Brigadeiro Janko Vukotić, primo da rainha, encarregado de negociar uma aliança entre Montenegro e Sérvia. Em Belgrado, Vukotić firmou um pacto ofensivo-defensivo entre os dois Estados contra a Áustria-Hungria, estabelecendo a divisão de esferas de influência na Bósnia e Herzegovina e prevendo assistência mútua em caso de guerra. A missão de Vukotić constituiu o primeiro sinal concreto de melhoria nas relações entre Montenegro e Sérvia, um resultado diretamente provocado pela política austro-húngara na região.[28]
Rei de Montenegro

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Em 1909, o Príncipe Nicolau iniciou uma série de ações diplomáticas com o intuito de internacionalizar a questão montenegrina. Convidou as frotas italiana, francesa e austro-húngara a ancorarem em Bar, e diversos oficiais dessas marinhas visitaram o Príncipe em Cetinje. Todos os visitantes deixaram Montenegro com a impressão de que, por ocasião do quinquagésimo aniversário de seu reinado, Nicolau seria coroado rei.[29] Essa possibilidade foi, inclusive, sugerida por ele próprio em seu discurso de Ano Novo. A ideia da coroação de Nicolau como monarca gerou amplos debates nos jornais da Sérvia e de Montenegro no início de 1910. Na maioria da imprensa sérvia, a hipótese de ver Nicolau coroado rei foi mal recebida. A principal preocupação era se o genro de Nicolau, o Rei Pedro I da Sérvia, compareceria à cerimônia, o que indicaria o reconhecimento da Sérvia à proclamada realeza de Montenegro. Nikola Pašić, primeiro-ministro da Sérvia e líder do Partido Radical Popular, temia que a coroação criasse uma rivalidade entre as dinastias Petrović-Njegoš e Karađorđević, o que poderia dividir os sérvios em dois campos opostos.[30]
O governo montenegrino demorou a fazer um anúncio oficial sobre as celebrações do quinquagésimo aniversário do reinado de Nicolau. Somente em abril de 1910 foi formado um comitê organizador, presidido pelo metropolita Mitrofan Ban. Na véspera das festividades, Cetinje foi iluminada pela primeira vez com eletricidade. A delegação sérvia foi liderada pelo príncipe herdeiro Alexandre, neto de Nicolau, acompanhado pelo ministro da Defesa Stepa Stepanović, pelo chefe do Estado-Maior General Radomir Putnik, pelo comandante do 9º Regimento de Infantaria, que ostentava o nome do príncipe Nicolau, e por diversos outros oficiais. A neta do monarca, a princesa Helena Karađorđević, contudo, participou das comemorações como uma cidadã comum.[30]

No dia 28 de agosto de 1910, no marco do quinquagésimo aniversário de seu reinado, o Príncipe Nicolau proclamou-se rei, atendendo a um pedido da Assembleia Nacional. Na mesma ocasião, foi nomeado marechal de campo honorário do exército russo. A cerimônia de coroação, que se estendeu por três dias, contou com a presença de várias personalidades europeias, entre elas o Czar Fernando I da Bulgária e seu filho Bóris, o Rei Vítor Emanuel III da Itália e sua esposa Rainha Helena, o Príncipe Francisco José de Battenberg, o Príncipe Herdeiro Constantino da Grécia, além dos grão-duques russos Pedro e Nicolau Nikolaevich, acompanhados por suas esposas, as grã-duquesas Milica e Anastásia.[carece de fontes]
Ao elevar o Principado a Reino, o Príncipe Nicolau buscava, por um lado, aumentar o prestígio pessoal e fortalecer a reputação da dinastia Petrović-Njegoš. Por outro lado, visava melhorar sua imagem perante aqueles que se opunham ao seu regime absolutista, em um contexto político tenso e instável.[31]
Guerras dos Balcãs

Durante a Questão Oriental, o Rei Nicolau se voltou rapidamente contra o Império Otomano, com o objetivo de desferir um golpe definitivo contra os otomanos na Europa.[carece de fontes] Em 1912, ele firmou uma aliança com as outras monarquias cristãs ortodoxas dos Balcãs, Sérvia, Grécia e Bulgária, e, no ano seguinte, Montenegro expandiu consideravelmente seu território. O exército montenegrino se uniu ao exército do Reino da Sérvia e dividiu o Sanjaco, avançando em direção a Cossovo, capturando Metóquia e invadindo o Sanjaco de Escútare. O rei desafiou as Grandes Potências ao sitiar Sanjaco, apesar do bloqueio imposto pelas potências europeias à costa montenegrina. Cerca de 10.000 combatentes montenegrinos perderam a vida durante a captura de Escútare, das forças otomanas comandadas por Esad Pasha. Após sua participação nas Guerras Balcânicas, o exército montenegrino passou a integrar o exército sérvio. No mesmo ano, o Tratado de Bucareste estabeleceu uma nova ordem nos Balcãs. Embora Montenegro tenha alcançado importantes sucessos militares, o país teve que ceder uma grande quantidade de territórios, incluindo Escodra, à recém-criada Albânia, devido à pressão da Áustria-Hungria e de outras grandes potências.[carece de fontes]

Durante e após as Guerras Balcânicas, as relações entre a Rússia e Montenegro tornaram-se tensas. O Rei Nicolau ressentia-se da falta de disposição da Rússia em apoiar as demandas montenegrinas em relação a Escodra, bem como da recusa russa em ajudar a financiar os custos da guerra montenegrina.[32] Nicolau expressou seu desagrado com a postura russa ao pedir à Imperatriz Alexandra que fechasse o Instituto das Meninas em Cetinje, fundado pela Imperatriz Maria, embora ele próprio tivesse elogiado o instituto como um centro da cultura eslava apenas quatro anos antes.[32]
No cenário político interno, este foi um período em que a ideia de unificação com a Sérvia ganhou força.[33] A proposta de união tornou-se popular entre a população, o exército, os círculos políticos e o governo, com um forte movimento em favor da unificação. Os esforços infrutíferos para capturar Escodra prejudicaram ainda mais a reputação do Rei Nicolau e de seus filhos, mas a pobreza e o atraso de Montenegro permaneceram como as principais razões que impulsionavam a ideia de unificação.[33] A defesa mais forte dessa ideia vinha de figuras como Jovan Đonović e Todor Božović, com Andrija Radović emergindo como um possível líder do movimento.[34] A recém-eleita Assembleia Nacional deu total apoio a laços estreitos com a Sérvia,[35] e a política externa do governo de Janko Vukotić foi construída com base na cooperação integral com a Sérvia.[35]
Primeira Guerra Mundial
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Na Primeira Guerra Mundial, o Rei Nicolau foi o primeiro a oferecer assistência à Sérvia na tentativa de expulsar a Áustria-Hungria da Península Balcânica, apesar das tentativas de Viena de manter Montenegro fora desse conflito.[36] Em 6 de agosto de 1914, o Rei Nicolau emitiu uma proclamação real acusando a Áustria-Hungria de obstruir o desenvolvimento nacional da Sérvia por um longo período e de agir contra os interesses dos eslavos do sul.[37] A estrutura e a força do exército montenegrino, assim como suas operações ofensivas, foram moldadas pelo desejo do Rei Nicolau de ocupar a Baía de Kotor, o sudeste da Herzegovina e partes da Dalmácia. No entanto, o desenrolar dos acontecimentos revelou as fragilidades desse plano e os desejos irrealistas do monarca, que foram criticados tanto pelo governo sérvio quanto pelo russo.[38]
Em agosto de 1914, os comandos sérvio e montenegrino começaram a desenvolver um plano conjunto de operações militares e trocaram delegados. O Brigadeiro Jovo Bećir foi designado para o Comando Supremo Sérvio, enquanto o General Božidar Janković e o Coronel Petar Pešić foram enviados para o Comando Supremo Montenegrino. A ideia central do plano era que dois terços do exército montenegrino, em cooperação com o Exército Sérvio de Užice, lançariam uma ofensiva na região leste da Bósnia. A ofensiva conjunta, em setembro de 1914, avançou até as imediações de Sarajevo e Vlasenica, mas foi interrompida. Essa vitória dos exércitos montenegrino e sérvio causou grande entusiasmo no leste da Bósnia, especialmente entre a população sérvia, e obrigou o general Oskar Potiorek a reorganizar suas forças e lançar um contra-ataque bem-sucedido. Bećir não permaneceu muito tempo como delegado montenegrino junto ao Comando Supremo Sérvio, renunciando em 13 de outubro devido ao forte desejo de anexação de Montenegro por parte da Sérvia, que controlava o exército sérvio. Os oficiais mais vocalmente favoráveis a essa anexação eram membros da organização Mão Negra, com seu líder, Dragutin Dimitrijević, que possuía planos próprios de unificação, incluindo o assassinato do Rei Nicolau, se fosse necessário.[39][40]
O governo sérvio se defendeu dizendo que a posição da Mão Negra representava apenas a opinião de indivíduos e não uma política oficial. Embora o Rei Nicolau tenha aparentemente aceitado essa explicação, ele não nomeou um novo delegado montenegrino, mas, em vez disso, autorizou o General Božidar Janković a atuar como seu representante junto ao Comando Supremo Sérvio. Assim, Janković passou a ser, simultaneamente, chefe do Comando Supremo Montenegrino, delegado sérvio no Comando Supremo Montenegrino e delegado montenegrino no Comando Supremo Sérvio. O primeiro ano bem-sucedido da Primeira Guerra Mundial aumentou significativamente o perfil internacional da Sérvia. O prestígio do país se consolidou ainda mais quando o governo sérvio decidiu estabelecer seus objetivos de guerra durante uma reunião em Niš, em 7 de dezembro de 1914. Nesse encontro, foi adotado um documento, conhecido como a Declaração de Niš, que delineava a necessidade de uma unificação pós-guerra entre os sérvios, croatas e eslovenos. Montenegro, no entanto, foi gradualmente marginalizado nesse processo de construção de um futuro Estado iugoslavo, uma medida que contou com o apoio da Rússia, França e Reino Unido.[41]
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O Rei Nicolau e seus principais aliados tinham reservas quanto à unificação e tentaram garantir uma posição especial para Montenegro em qualquer futuro Estado iugoslavo. Para isso, o emissário de Nicolau nos Estados Unidos, Jovan Matanović, propôs um acordo experimental, sugerindo um Estado iugoslavo composto pela Sérvia, Montenegro e Croácia. O Príncipe Daniel chegou a sugerir que o estatuto de Montenegro dentro da Grande Sérvia fosse similar ao do Reino da Baviera dentro do Império Alemão.[34] Em busca de uma política externa independente, o Rei Nicolau tentou consolidar sua posição, que se tornava cada vez mais precária, e garantir que Montenegro, sob sua liderança, tivesse um estatuto equivalente ao da Sérvia. O rei apresentou demandas territoriais especiais para Montenegro, que incluíam a região até a foz do rio Maća, na Albânia, e a costa do Adriático até a foz do rio Neretva, abrangendo toda a Herzegovina e parte da Bósnia. Nicolau esperava cooperar com a Itália na Dalmácia assim que este país se unisse à guerra ao lado da Entente. Além disso, tentou garantir a independência militar, nomeando o Brigadeiro Mitar Martinović como seu representante especial na Rússia. Em junho de 1915, após o exército sérvio ter ocupado parte do norte da Albânia, o Rei Nicolau, contra a opinião de Janković, ordenou que o destacamento sérvio do Brigadeiro Radomir Vešović ocupasse a cidade de Escodra.[42][43] Essa decisão prejudicou a reputação de Nicolau entre os governos aliados. Desde a captura de Escodra, as relações entre a Sérvia e Montenegro entraram em uma nova fase, caracterizada pela hostilidade aberta entre os comandos militares de ambos os países, com críticas por parte da Sérvia.[43] Em agosto de 1915, o Rei Nicolau declarou a Pešić que a unificação só ocorreria após sua morte, desde que Montenegro e sua dinastia fossem tratados de forma igualitária.[34]
Simultaneamente à ofensiva austro-húngaro-germano-búlgara contra a Sérvia, uma ofensiva austro-húngara foi lançada contra Montenegro. Em outubro de 1915, o Rei Nicolau se recusou a permitir que o exército montenegrino, numericamente inferior, se retirasse para a costa do Adriático com a maior parte das forças sérvias. Em vez disso, o exército de Sandžak foi encarregado de proteger a retirada do exército sérvio, combatendo as forças austro-húngaras em Kalinovik, Klobuk e Foča. Nos dias 6 e 7 de janeiro, a Batalha de Mojkovac resultou em uma vitória montenegrina, mas a situação na frente de Lovćen era bem diferente. A infantaria austro-húngara era seis vezes mais numerosa, e as forças de artilharia da Áustria-Hungria eram doze vezes superiores em número.[44] Diante dessa desvantagem, a Assembleia Nacional de Montenegro foi convocada pela primeira vez desde o início da guerra, o que levou à renúncia do governo de Milo Matanović. Decidiu-se que Montenegro deveria seguir o exemplo da Sérvia e lutar para ganhar tempo para uma possível retirada. O Rei Nicolau mal conseguiu nomear um novo governo, liderado por Lazar Mijušković.[45] Em dezembro de 1915, o Rei Nicolau tentou negociar uma paz separada com a Áustria-Hungria, perdendo assim a sua credibilidade junto das potências da Entente.[46]
Em 6 de janeiro, o exército austro-húngaro lançou uma ofensiva contra Lovćen. Dois dias depois, começaram as operações a partir de navios de guerra na Baía de Tivat e no Mar Adriático.[47] Apesar da forte resistência, o Terceiro Exército Austro-Húngaro capturou Lovćen em 11 de janeiro. O avanço austro-húngaro foi tão rápido que deu a impressão de uma resistência fraca, o que provocou o pânico em Montenegro, afetando negativamente outras frentes. A escassez de material bélico agravou a desordem e enfraqueceu a confiança no sucesso da resistência. Em 11 de janeiro, o Alto Comando de Montenegro solicitou um armistício, mas as autoridades austro-húngaras exigiram a capitulação e rendição incondicional do exército sérvio ainda presente em Montenegro.[47][45] O Rei Nicolau reiterou sua intenção de travar uma batalha decisiva, mas como essa batalha nunca ocorreu, surgiram suspeitas de que ele estivesse, na verdade, impedindo a retirada conjunta dos exércitos montenegrino e sérvio.[45] Apesar do desejo dos políticos montenegrinos de iniciar negociações, alguns comandantes militares, como Janko Vukotić, exigiram uma luta ou uma retirada em direção à Albânia. Em 13 de janeiro, as forças austro-húngaras entraram em Cetinje e, avançando ao longo da costa e em direção a Podgorica, cortaram a retirada do exército montenegrino em direção à Albânia. Em 16 de janeiro, o governo montenegrino aceitou a rendição incondicional, mas se recusou a entregar os soldados sérvios que ainda estavam em território montenegrino.[48] Em 19 de janeiro, o Rei Nicolau e sua família, com exceção do príncipe Mirko, deixaram Montenegro em direção para Brindisi, na Itália.[49] O exército montenegrino capitulou em 25 de janeiro de 1916, o que de facto representou o fim do Estado montenegrino.
Governo montenegrino no exílio

O Rei Nicolau deixou a Itália e seguiu para a França, estabelecendo-se em Lyon, antes de ser transferido pelo governo francês para Bordéus. Em maio de 1916, o monarca mudou-se para o subúrbio parisiense de Neuilly, e o governo montenegrino seguiu para lá em agosto do mesmo ano. Embora continuassem a representar Montenegro na França, o rei e o governo já não contavam com um exército próprio, ao contrário do governo sérvio.[49]
A questão da unificação entre a Sérvia e Montenegro tornou-se mais complexa com ambos os governos agora exilados.[49] O Rei Nicolau não aprovava o recrutamento de voluntários montenegrinos para o exército sérvio na América do Sul, liderados por Špiro Poznanović em nome do governo sérvio.[50]
O Rei Nicolau tentou consolidar seu poder, mas encontrou apoio suficiente para seus objetivos apenas na Itália, que se opunha à formação de um Estado iugoslavo. A França, por outro lado, apoiava a unificação.[51] A posição do rei não melhorou, e a união de Montenegro e da Sérvia tornou-se o principal tema entre os emigrantes montenegrinos, que estavam cada vez mais divididos. Por um lado, havia um número cada vez menor de apoiadores do rei; por outro, uma oposição crescente. Isso dificultava cada vez mais a formação de um governo estável. Em meio a conflitos com alguns membros da dinastia e, eventualmente, com o próprio rei, Lazar Mijušković renunciou, acusando Nicolau de causar problemas que obstruíam a unificação.[51] O governo foi então assumido por Andrija Radović, que, embora tenha conseguido melhorar a posição do rei e do governo, defendia a ideia de que o papel histórico de Montenegro havia chegado ao fim. Radović propôs que os membros mais velhos das dinastias Petrović-Njegoš e Karađorđević fossem substituídos no trono do futuro Estado unificado. O rei, embora reiterasse que não era contra a unificação, demorava a responder aos pedidos de seu primeiro-ministro. Como resultado, Radović renunciou em janeiro de 1917, sendo substituído pelo Brigadeiro Milo Matanović. Matanović, em nome de todo o governo, advertiu o rei de que era urgente iniciar as negociações sobre a unificação, e que uma revolta popular poderia eclodir devido à hesitação de Nicolau. O rei ignorou as propostas de Matanović e também renunciou. Nicolau então confiou o mandato a Evgeni Popović, o cônsul em Roma, que contava com o apoio italiano. Apesar de conseguir garantir a lealdade de seus ministros até o fim da guerra, o rei e seus apoiadores políticos haviam perdido a confiança do povo.[52]

Enquanto isso, os opositores do rei estabeleceram o Comitê Montenegrino para a Unificação Nacional, financiado pela Sérvia, e chefiado por Andrija Radović.[53] Este comitê revelou-se mais ativo e bem-sucedido do que o governo de Nicolau. No início de 1918, ficou claro que o rei havia perdido todos os seus aliados e o apoio das grandes potências, exceto pela Itália.[54] Em resposta, o rei e seu governo travaram uma guerra de propaganda contra o Comitê, acusando-o, em agosto de 1918, de alta traição contra Montenegro e a ideia iugoslava. A acusação foi assinada pelo Ministro do Interior, Niko Hajduković, e representou uma última tentativa de salvar a independência de Montenegro e sua dinastia. Essa acusação, no entanto, foi amplamente condenada pelo Ministério das Relações Exteriores britânico. Embora não tenha sido a principal razão para o abandono do rei pelos Aliados, a acusação marcou a fase final de sua queda.[54]
Nos dois meses seguintes, as Potências Centrais sofreram derrotas nas frentes de Salónica e Ocidental. O Exército Sérvio assumiu o controle de Montenegro, anteriormente sob domínio das Potências Centrais. Missões aliadas, compostas por forças da Sérvia, Itália, França, Reino Unido e Estados Unidos, foram designadas para ocupar temporariamente o território e estabelecer o controle sobre ele. À medida que a guerra se aproximava do fim, diversas iniciativas começaram a ser lançadas com o objetivo de formalizar a unificação. Em 15 de outubro de 1918, o governo sérvio criou o Comitê Executivo Central para a Unificação da Sérvia e Montenegro, composto por dois defensores firmes da unificação, um da Sérvia e outro de Montenegro. Dez dias depois, em 25 de outubro, o comitê decidiu realizar novas eleições em Berane. Duas facções participaram dessas eleições: a Facção Verde e a Facção Branca. A Facção Verde era formada por apoiadores conservadores do Rei Nicolau, liderados por Špir Tomanović, que defendiam uma unificação com condições. Já a Facção Branca era composta por defensores da unificação incondicional, sob a liderança de Gavrilo Dožić, que retratavam o rei como um inimigo da democracia, um traidor do povo e um defensor de interesses dinásticos. As eleições ocorreram em 19 de novembro de 1918, e os Brancos saíram vitoriosos em todos os locais, exceto em Cetinje, enquanto em Bijelo Polje, Plav e Gusinje, os comissários foram eleitos pelas comunidades locais. Os resultados das eleições eram evidentes mesmo antes do anúncio oficial. Em uma última tentativa de preservar a independência de Montenegro, a Itália tentou ocupar Cetinje e proclamar a restauração do Estado montenegrino. O ataque teve início na Baía de Kotor, mas o exército italiano recuou diante da possibilidade de uma guerra com a Sérvia, além da pressão dos Aliados.[carece de fontes]
Morte
Após a Primeira Guerra Mundial, Montenegro foi incorporado aos demais países eslavos do sul, formando o Reino dos Sérvios, Croatas e Eslovenos. Até sua morte, o Rei Nicolau recebeu o apoio da Itália em seus esforços para restaurar o Reino de Montenegro. A Itália manteve apoio ao governo montenegrino no exílio até o final de 1921, período em que este enviou memorandos à Liga das Nações, protestando contra o que considerava a "traição de Montenegro pelas potências".[55] Nicolau faleceu em Antibes em 1921 e, a pedido de sua filha, a Rainha Helena, foi sepultado na igreja russa de Sanremo.[56] A independência de Montenegro foi reconhecida pelas Grandes Potências até 1922, quando todas, finalmente, aceitaram o domínio iugoslavo.
Os restos mortais do Rei Nicolau, da Rainha Milena, das Princesas Xenia e Vera, que haviam sido transferidos das igrejas de San Remo (Itália) e Cannes (França),[57] foram finalmente sepultados na Igreja Real de Cetinje em 1 de outubro de 1989, com as mais altas honras.[58]
Honrarias

Nacionais
- Fundador e Grão-Mestre da Ordem de São Pedro de Cetinje, 1870[59]
Estrangeiras
Império Austríaco:[60]
- Cavaleiro da Ordem da Coroa de Ferro (Primeira Classe), 1865
- Grã-Cruz da Ordem Imperial de Leopoldo, 1870
- Grã-Cruz da Ordem de Santo Estêvão, 1879
Dinamarca: Cavaleiro da Ordem do Elefante, 18 de maio de 1889[61]
Reino da Prússia: Grã-Cruz da Ordem da Águia Vermelha, 15 de fevereiro de 1869[62]
Grão-Ducado de Baden:[63]
- Cavaleiro da Ordem da Fidelidade, 1893
- Cavaleiro da Ordem de Bertoldo Primeiro, 1893
Reino da Baviera: Cavaleiro de Santo Humberto, 1886[64]
Grão-Ducado de Hesse: Grã-Cruz da Ordem de Luís, 5 de junho de 1897[65]
Reino da Itália: Cavaleiro da Anunciação, 2 de maio de 1893[66]
Império do Japão: Grande Cordão da Ordem do Crisântemo, 11 de janeiro de 1884[67]
Império Russo: Cavaleiro de São Jorge (Terceira Classe), 12 de abril de 1877; (Segunda Classe), janeiro de 1878[68]
Espanha: Grã-Cruz da Ordem de Carlos III, 7 de junho de 1883[69]
Reino Unido: Grã-Cruz Honorária da Ordem Real Vitoriana, 26 de março de 1897[70]
Descendência
| Nome | Imagem | Nascimento | Morte | Observações |
|---|---|---|---|---|
| Zorka |
|
23 de dezembro de 1864 | 16 de março de 1890 | Casou-se com Pedro I da Sérvia em 1883, com descendência. |
| Milica |
|
26 de julho de 1866 | 5 de setembro de 1951 | Casou-se com Pedro Nikolaevich da Rússia em 1889, com descendência. |
| Anastásia |
|
4 de janeiro de 1868 | 15 de novembro de 1935 | Casou-se com Jorge Maximilianovich, Duque de Leuchtenberg em 1889, com descendência. Casou-se com Nicolau Nikolaevich da Rússia em 1907, sem descendência. |
| Maria |
|
29 de março de 1869 | 7 de maio de 1885 | Não se casou, morreu aos 16 anos. |
| Daniel, Príncipe Herdeiro |
|
29 de junho de 1871 | 24 de setembro de 1939 | Casou-se com Juta de Mecklemburgo-Strelitz em 1899, sem descendência. |
| Helena |
|
8 de janeiro de 1873 | 28 de novembro de 1952 | Casou-se com Vítor Emanuel III da Itália em 1896, com descendência. |
| Ana |
|
18 de agosto de 1874 | 22 de abril de 1971 | Casou-se com Francisco José de Battenberg em 1897, sem descendência. |
| Sofia | 2 de maio de 1876 | 14 de junho de 1876 | Morreu na infância. | |
| Mirko |
|
17 de abril de 1879 | 2 de março de 1918 | Casou-se com Natália Konstantinović em 1902, com descendência. |
| Xenia |
|
22 de abril de 1881 | 10 de março de 1960 | Não se casou. |
| Vera |
|
22 de fevereiro de 1887 | 31 de outubro de 1927 | Não se casou. |
| Pedro |
|
10 de outubro de 1889 | 7 de maio de 1932 | Casou-se com Violet Wegner em 1924, sem descendência. |
Ver também
- Lista de monarcas de Montenegro
- Casa de Petrović-Njegoš
- Reino do Montenegro
- Principado do Montenegro
Referências
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- ↑ 刑部芳則 (2017). 明治時代の勲章外交儀礼 (PDF) (em japonês). [S.l.]: 明治聖徳記念学会紀要. p. 143
- ↑ Russian Imperial Army - King of Montenegro Nikola I Petrovich-Njegos (In Russian)
- ↑ «Real y distinguida orden de Carlos III». Guía Oficial de España (em espanhol). [S.l.: s.n.] 1887. p. 156. Consultado em 21 de março de 2019
- ↑ Shaw, Wm. A. (1906) The Knights of England, I, London, p. 422
Bibliografia
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- Jelavich, Bárbara (1983). History of the Balkans (em inglês). Cambridge University Press. ISBN 978-0-521-27459-3.
- Mitrovic, Andrej (2007). Serbia's Great War 1914—1918 (em inglês). West Lafayette: Purdue University Press.
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- Popović, Nikola B. (2000). Srbi u Prvom svetskom ratu 1914—1918 (em sérvio). Novi Sad: Društvo istoričara Južnobačkog i Sremskog okruga.
- Thomas, Nigel (2001). Armies in the Balkans 1914—18 (em inglês). Osprey Publishing. ISBN 978-1-84176-194-7.
- Treadway, John D. (1983). The Falcon and the Eagle: Montenegro and Austria-Hungary, 1908—1914 (em inglês). Purdue University Press. ISBN 978-1-55753-146-9.
Ligações externas
- Biografia de Nicolau I, rei de Montenegro (1896; em sérvio)
| Nicolau I de Montenegro Casa de Petrović-Njegoš 7 de outubro de 1841 – 1 de março de 1921 | ||
|---|---|---|
| Precedido por Título novo Príncipe de Montenegro |
![]() Rei de Montenegro 28 de agosto de 1910 – 26 de novembro de 1918 |
Monarquia abolida Anexação ao Reino da Sérvia |
| Precedido por Daniel I |
![]() Príncipe de Montenegro 13 de agosto de 1860 – 28 de agosto de 1910 |
Sucedido por Título novo Rei de Montenegro |
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